Silenciosa
Lembranças de infância de um novo amor.
Não há mais problemas, nesta noite chuvosa e silenciosa.
Fecho meus olhos, e penso no caminho que peguei dessa época, que roubou o melhor de mim.
Um ano novinho em folha, esta chegando ao seu fim. Eu me recordo de ver a minha mãe na cozinha, o meu pai no chão assistindo televisão. Era uma vida maravilhosa. Velas de canela queimando, sorriso embaixo de cada nariz e acima de cada queixo. Desperdicei meus desejos, nestas noites de sábado... Nossa, o que eu faria por apenas mais um sonho assim.
Família toda reunida, presentes empilhados, geada em todas as janelas, que noite maravilhosa. Amoleci meu coração, choquei o mundo.
Você ouve a minha voz?
Você sabe o meu nome?
Estou tão feliz.
Tão feliz que acharam, que o amor estava ao meu redor. Tiro a poeira antes de eu voltar pra dentro, e sigo feliz com meu novo amor.
Tu és estranha como uma garotinha silenciosa
faz-me sentir duvida, mal-estar
és diferente como uma moda escandalosa
mas nem sempre desejo lhe parar
Deixa-me perdido em amargura
choro por dias, crio frases melosas
estranhamente tu também traz-me ternura
visto por pessoas de fora, reações duvidosas
Existem situações em que lhe imploro por paz
tudo tem um fim, a vejo indo pelo ar como uma doce musica
Oh saudade, tu me mostras algo incapaz
porque sentindo-lhe vejo que amo alguém, uma pessoa única
“A sede de conhecimento! O desejo que não sacia! A observação silenciosa!
A busca do melhoramento interior! O olhar de ternura! O abraço que envolve! O sorriso sincero! As mãos que acariciam...
Entre idas e vindas, chegadas e partidas, mudanças e estagnações, reinventar-se a cada instante, sem macular a Essência... Eis o Amor!”
A realidade é incolor inodora insípida e silenciosa. São nossas percepções sensoriais que identificam e transformam fótons em imágens, vibrações em sons e ruidos e reações quimicas em cheiros e gostos
Caricatura agreste
A suposta teoria
é a da luz remota
absorta na simulação
branda e silenciosa
do solene mistério.
E vem de muito longe
amoldando a face
lapidando a imagem
tristemente cômica
fosca, fluída e feia
como água dos córregos
em lápis de giz,
rabiscando com gás,
com faísca elétrica
o rude contorno
tosco da caricatura
de risível forma
de aroma agreste
da agoniada alma.
A doença maldita chegou.
Doença maldita, silenciosa de cinismo incomparável, fria e calculista.
Primeiro os cabelos, depois a saúde e agora a estima.
Destrói tudo com graça e ousadia.
Muitos são os motivos para desistir, mas as amizades de quimioterapia, as histórias e experiências trocadas na sala de espera, nos dão forças para lutar.
Doença maldita que teima em resistir.
Sua mama ela não há de destruir nem tão pouco possuir.
Não a sua!
Não quero que me aches bonita nem feia, nem alta ou baixa, silenciosa ou brejeira.
Só desejo que olhes meus olhos e perceba neles este longo caminho, trilhado com coragem, mesmo quando com medo e solidão.
E que nesse olhar compreendas que este é o coração, que por amor, estou entregando a ti...
GUERRICA
Com a investida das feras
E a procissão silenciosa das formigas
O predaor toma distância de proximidades.
Esperneia,
Faz como quem vai desistir,
Hiptoniza.
E já se aproxima de mim
Sou um Colizeu, só ruínas
De espada e esporas,
E um lastro podre sob os pés.
O inimigo é uma fera larga
E eu prentenso em minha defesa
Não o olho, estou na luta.
Nas tendências de gestos, embaraçosos.
Na fricção do joelho na outra perna,
O lamento do golpe acertado.
E o tempo conta. Desce a linha da sombra
E vai o rival crescendo e eu descendo.
Pobre de mim, tudo que vem é contrário,
É doloroso, é arbitrário.
Armas que não se negociou,
Surgem de todos os lados do meu escudo,
E se renova o seu fulgor,
E eu me abato, e saio,
Caçando becos, olhando lados.
E não feri, mais que em mim dói.
É preciso lutar contra este deus mortal,
Que não se cumpre, por gestos nem palavras.
O que faz de mim,
Ou o que permite que dele, faça.
Somos dois exaustos
Escorados pelas cabeças,
Pelas tabelas. E a prenda bela,
A recompensa, saiu pra retocar o rosto,
Enquanto o díspare roedor,
Deu mais uma volta
E volta foi, de não voltar. Foi lavar-se na foz da rua.
Eu marquei o chão com a minha cor.
E o devaneio por embates,
De ser guerreiro embainhado, escudado,
Piorado em meus prós e contras.
Você está preso em seu mundo
Sem luz e tempo
Numa resignação silenciosa
Você suporta a solidão
Você não quer mais continuar assim
Porém você não vê mais o caminho de volta
Mil medos em sua alma
E seu coração terrivelmente pesado
A bondade é silenciosa
Graça oculta
Desnudam ao nascer da manhã.
Na mão de quem acaricia
Nos olhos de quem sorri
Nos lábios de quem abençoa
Nos corpos dançantes
Embalados na valsa das folhas.
Há maldade, o terror se espalha bolorento.
Tomam o tempo, bebem as horas,
Ladrões
E essa tentativa frenética de catalisar a beleza da existência.
Atenta pois, ocupa-te em perceber o que a correria te faz distrair.
Pausa o relógio e adianta os sentidos.
A solidão, embora possa ser silenciosa, é, assim como a luz, um dos agentes mais poderosos, pois a solidão é essencial para o homem. Todos os homens vêm a este mundo sozinhos e deixam-no sozinhos.
O Brasil com DST
Deputados, Senadores e Tribunal -Síndrome da Imunodeficiência adquirida silenciosa e fatal
