Saudades de Quem Mora longe
nossa liturgia.
Entre nós há uma distância
que nenhum mapa saberia medir,
porque não se mede em léguas
o que duas almas precisam conter
quando nasceram querendo se encontrar.
Há cidades entre nossos passos,
noites inteiras entre nossas mãos,
e uma espécie de silêncio
que aprendemos a chamar de prudência
para não chamar de paixão.
Tu sabe.
Eu sei.
E talvez seja justamente isso
o que torna tudo tão difícil
não há dúvida que nos salve,
nem inocência que nos proteja.
Há apenas essa certeza mútua,
quieta e quase cruel,
de que se fosse fácil,
nós já teríamos vivido tudo.
Porque há um amor reprimido
morando no intervalo das palavras,
um incêndio educado pela distância,
uma vontade que baixa os olhos
toda vez que o desejo ameaça dizer seu nome.
E quando penso em ti,
não penso somente no encontro.
Penso naquilo que viria depois dele
a demora dos dedos,
o repouso da cabeça junto ao peito,
o abraço que não teria pressa de acabar,
como se nossos corpos finalmente descobrissem
uma língua que a boca jamais aprendeu.
Talvez nossas mãos já se procurem
sem que saibam.
Talvez, em alguma noite distante,
quando o sono demora e o quarto se cala,
tu também imagine minha presença
chegando devagar,
como quem atravessa a escuridão
sem querer acordar a saudade.
E eu te imagino fazendo o mesmo.
Dois desejos separados por quilômetros,
dois corações fingindo serenidade,
duas vontades absurdamente próximas
vivendo em geografias diferentes.
É estranho amar assim.
Ter alguém tão perto do pensamento
e tão longe da pele.
Saber o caminho até os olhos,
mas não poder percorrê-lo.
Conhecer a curva do sorriso,
mas não poder guardar o rosto entre as mãos.
Querer dizer fica
quando tudo ao redor insiste em dizer longe.
E talvez seja por isso
que nosso amor pareça tão pequeno por fora
e tão imenso por dentro.
Porque aquilo que poderia ser vivido
precisa ser imaginado.
O beijo se torna hipótese.
O abraço, memória de um futuro.
O toque, uma espécie de oração
que ambos fazemos em silêncio.
Mas há uma coisa que a distância não conseguiu levar
a vontade.
Ela permanece.
Permanece quando conversamos,
quando nos despedimos,
quando fingimos que certas palavras
não carregam segundas intenções.
Permanece naquela fração de segundo
em que nossos olhos se encontram
e ninguém sabe muito bem
quem desviou primeiro.
E se um dia a distância ceder,
se o acaso for gentil conosco,
se as estradas finalmente resolverem
terminar no mesmo lugar,
não haverá muito o que explicar.
Talvez apenas silêncio.
Porque depois de tanto tempo
reprimindo o que sentimos,
o primeiro toque dirá tudo.
E haverá nos nossos corpos
a estranha familiaridade
de quem esperou demais
por algo que sempre soube reconhecer.
Então talvez descubriremos
que não era exagero,
nem carência,
nem fantasia.
Era somente amor
sem espaço suficiente para acontecer.
E quando houver espaço,
quando não houver mais quilômetros
entre a tua mão e a minha,
não haverá pressa.
Haverá fome de presença.
Haverá o abraço demorado
de quem finalmente pode tocar
aquilo que passou tanto tempo
amando de longe.
E talvez seja essa a nossa tragédia
não nos falta amor.
ENQUANTO ELA DORME
é noite, e perto de mim dorme a minha amada
eu, à distância de mil pensamentos,
tento ouvir seu ressonar de paz.
será que ela sonha?
será que quando acordar
se lembrará que vivo estou?
a minha amada tem os olhos azuis
da cor da esperança
suas mãos são finas,
macias como lã de algodão.
ela tem um corpo esculpido
de quase perfeição.
minha amada,
quando sorri ilumina a noite
a noite de treva e solidão.
mas, a minha amada dorme,
minha amada não sabe
que morro aqui, ao seu lado,
acordado, tentando dormir também
para lhe encontrar.
oh, se ela pudesse me ouvir,
oh, se ela pudesse vir aqui
por um instante.
minha amada não respira
o mesmo ar que eu.
de onde estou não posso chegar até ela,
a não ser em pensamento.
nossa cama parece um imenso oceano,
e eu só tenho as mãos para lhe abraçar.
tudo que eu queria nessa vida
era que ela pudesse ouvir meus pensamentos
para que ela soubesse o quanto a desejo,
oh, quem dera,
que ela um dia desses
me acordasse com um beijo.
mas a minha amada dorme,
enquanto eu escrevo poesias,
em delírios que me consomem,
mesmo distante
em noites de insônia
como uma sombra
eu ainda a vejo..
"O amor tem duas fases, uma é espanto e a outra é saudade...." O amor nunca é conclusão, por ser perfeito, sempre nos tira o sossego e a liberdade."
A sua ausência deixou os meus dias vazios. Existe uma tristeza profunda em viver sem o brilho do seu olhar, que iluminava os pequenos detalhes que só nós dois entendíamos. Dizem que o tempo cura tudo, mas, para mim, ele parece parado em um eterno inverno desde que nos separamos.Sinto muita saudade da simplicidade de quando éramos um só. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu maior tesouro era o som da sua risada. Eu me perdi em palavras que não disse e em gestos que adiei por orgulho ou medo. Hoje, com a clareza que a saudade traz, percebo que a minha vida só faz sentido se eu estiver ao seu lado.Não estou pedindo para você esquecer as mágoas ou o passado, pois eles também fazem parte da nossa história. Peço apenas que você deixe o carinho falar mais alto. Lembre-se do nosso toque, que acalmava qualquer tempestade, e da conexão única que sempre existiu entre nós.Se ainda restar um espaço pequeno no seu coração para o que fomos, me deixa provar que podemos ser ainda melhores. Não quero voltar para o mesmo lugar de antes. Quero construir um novo futuro com você, porque hoje eu entendo o valor real do nosso amor e estou pronto para cuidar dele como o meu bem mais precioso.O meu coração continua fiel e bate pensando em você. Estarei aqui, esperando o momento em que o destino decida trazer você de volta para mim.
"O momentos felizes
um dia serão saudades
mas, o maus momentos
serão tristes lembranças
Criem bons momentos"
"A saudade as vezes
vem, faz bagunça
e vai embora mas
sempreolha pra traz.
Vem sorrindo na chegada
mas na partida ela chora"
"A saudade faz que a
gente sinta que alma
sai do corpo e viaja para
o passado revivendo
momentos que pareciam
adormecidos"
"Lembranças são memórias
e recordações do passado
Saudade é a falta que esses
momentos causam quando
foram bons"
"A solidão na velhice não surge da falta de companhia, mas do peso das ausências. Cercados de rostos novos, sentimos falta daqueles que conheciam nossas raízes. O desafio não é o abandono, mas o aprendizado de viver num mundo em que muitos dos nossos já partiram."
"A ausência de elogios pode ensinar alguém a não depender da aprovação alheia, mas também pode impedi-lo de acreditar, com naturalidade, quando finalmente é reconhecido."
Armadilha
Um choro silencioso na cozinha
Você a dois passos de mim
Mas a distância emocional que nos separa é tal qual o espaço entre os dois trópicos da Terra.
Você, trópico de Câncer, clima seco, terra firme, grandes desertos. Olhar de quem sabe que domina sem precisar se esforçar muito pra isso.
Eu, Capricórnio, chuvas, sol e calor, florestas e savanas. Entrega de alguém que não tem luz própria. Fotossíntese sempre foi o meu forte. Você é meu sol, estrela inconstante, distração brilhante que me faz voltar pra casa.
Eu voltei, mas era uma armadilha.
Nessa casa, nessa cozinha
Estou com você e estou sozinha
Te vejo apagar o cigarro, pressionando-o contra o cinzeiro. O mesmo fez comigo. Só restam as cinzas.
O pior é que sempre conheci suas artimanhas. Sabia que era um golpe e me permiti cair. E mais ainda: não me arrependo, porque parece que me vale o sofrimento quando te ouço mentir que me ama.
Você continua me olhando em silêncio, gelando-me a face com os olhos, enquanto eu, covarde, prefiro não encontrar os teus. Medo doentio que me impede de reagir a você.
Seus lábios, como que lendo meus pensamentos e ainda soltando a fumaça do cigarro que acabara de morrer, balbuciam que seu amor é verdadeiro como quem diz o preço de um produto do supermercado. Mentira. Você mente, eu acredito.
Então, diminuindo a distância entre os trópicos, eu cruzo a linha do Equador e te abraço, envolvendo meus braços quentes em seus ombros congelantes. Eclipse total. Você me escurece, mesmo assim, eu permaneço. E ainda não terminei de cair em sua armadilha.
Saudade de você
É estranho sentir saudade
de alguém que ainda está tão perto,
mas que já mora tão fundo em mim.
Às vezes, não é a distância que faz falta...
é o seu jeito,
a sua voz,
a paz que existe quando você está.
E então percebo
que saudade não é apenas querer alguém por perto.
É carregar sua presença
mesmo quando você não está.
É fechar os olhos
e encontrar você
onde ninguém mais consegue chegar.
Talvez seja isso que você fez comigo...
Sem perceber,
deixou um pouco de você em mim.
E agora,
onde quer que eu esteja,
sempre existe um lugar
onde você está.
AMAMOS, MESMO SABENDO QUE UM DIA SERÁ SAUDADE
Talvez uma das maiores coragens humanas seja amar sabendo que podemos perder. Sabemos disso desde o princípio, embora quase nunca tenhamos coragem de dizer em voz alta. Quem chega pode partir. Quem abraçamos hoje talvez amanhã exista apenas na memória. A voz que agora escutamos poderá um dia transformar-se em lembrança, e aquele rosto que conhecemos de olhos fechados talvez passe a habitar somente o território silencioso da saudade. Mesmo assim, amamos.
E talvez seja justamente nisso que o amor revele sua grandeza.
Porque amar nunca foi possuir. Possuir é desejar permanência; amar é compreender a impermanência e, ainda assim, permanecer enquanto for possível. Há uma espécie de loucura consciente no amor: entregamos partes de nós a pessoas que o tempo não prometeu conservar. Construímos casas sabendo que envelhecerão, fazemos planos sabendo que a vida poderá interrompê-los, criamos lembranças sabendo que algumas delas um dia doerão. Beijamos como se houvesse eternidade, embora saibamos que somos feitos de tempo.
E por que fazemos isso?
Porque talvez o contrário da perda não seja a permanência. Talvez seja nunca ter amado.
Quem tenta proteger-se de toda perda precisa proteger-se também de todo vínculo. Para jamais sentir saudade, seria necessário jamais ter alguém de quem sentir falta. Para nunca sofrer uma despedida, seria preciso nunca experimentar verdadeiramente um encontro. Para impedir que o coração se parta, teríamos que impedir também que ele se abrisse. E que espécie de vida seria essa?
Talvez seja por isso que o amor seja tão profundamente humano. Ele não exige garantias para existir. Ama-se sem contrato com o amanhã. Ama-se uma mãe sabendo, ainda que não queiramos pensar nisso, que um dia seu abraço poderá nos faltar. Ama-se um companheiro sabendo que nenhuma promessa pode derrotar completamente o tempo. Amam-se os filhos sabendo que eles crescerão, partirão e construirão caminhos onde talvez já não sejamos presença cotidiana. Amam-se amigos sabendo que a vida espalha pessoas por cidades, distâncias e destinos diferentes. Ainda assim, continuamos dizendo: fique. Venha. Sente-se ao meu lado. Conte-me sobre seu dia.
Isso é extraordinário.
Talvez Viktor Frankl estivesse certo ao perceber no amor uma das grandes possibilidades de sentido da existência. E talvez C. S. Lewis também compreendesse que amar nos torna vulneráveis justamente porque aquilo que realmente importa pode ferir-nos quando desaparece. Não existe amor profundo completamente protegido da dor.
Por isso não considero a saudade uma inimiga do amor.
A saudade é uma de suas consequências.
Só sentimos profundamente a ausência daquilo que um dia teve presença dentro de nós.
E há algo ainda mais difícil de aceitar: às vezes perderemos tudo.
Perderemos juventude, lugares, objetos, certezas, pessoas. Um dia outros entrarão nas casas onde vivemos. Nossos passos desaparecerão dos corredores. Nossos nomes serão pronunciados cada vez menos. O tempo continuará fazendo aquilo que sempre fez: passando.
Mas existe uma pergunta que o tempo não consegue responder por nós:
enquanto tivemos, nós amamos?
Talvez essa seja uma das poucas perguntas verdadeiramente importantes.
Não quanto acumulamos.
Não quanto conseguimos preservar.
Não quantas vezes vencemos.
Mas quanto estivemos presentes enquanto aquilo que amávamos ainda estava diante de nós.
Porque existe uma tragédia maior do que perder: perceber tarde demais que tivemos alguém ao nosso lado e não soubemos estar ali. Guardamos palavras para depois. Adiamos abraços. Economizamos “eu te amo”. Deixamos para amanhã uma conversa que pertencia a hoje, como se tivéssemos recebido alguma garantia secreta de que o amanhã nos seria concedido.
Não recebemos.
E talvez seja justamente por isso que o amor seja urgente.
Não uma urgência desesperada, mas consciente. A consciência de olhar demoradamente para quem amamos. De escutar um pouco mais. De perdoar quando for possível. De dizer aquilo que precisa ser dito enquanto ainda existem ouvidos para ouvir. De abraçar enquanto ainda existem braços capazes de nos devolver o abraço.
Amar é aceitar silenciosamente uma verdade terrível e maravilhosa:
isto pode acabar.
E, em vez de fugir por causa disso, aproximar-se ainda mais.
Talvez a grandeza do amor não esteja em vencer o tempo.
Talvez esteja em dar sentido ao tempo que nos foi dado.
Porque no final talvez percamos muitas coisas que julgávamos nossas.
Mas aquilo que verdadeiramente amamos terá participado daquilo que nos tornamos.
E então compreenderemos que algumas pessoas podem partir de nossas mãos sem jamais partir completamente de nossa existência.
Elas permanecem na maneira como falamos, nas coisas que aprendemos, nos gestos que repetimos sem perceber, nas histórias que contamos, nas músicas que ainda nos comovem, nas palavras que herdamos e até naquele silêncio inexplicável que às vezes chega quando uma lembrança atravessa o coração.
Talvez seja isso que reste quando tudo parece perdido.
Não a posse.
Não a presença.
Mas a transformação.
Amamos alguém e nunca mais somos exatamente a mesma pessoa.
Por isso continuamos amando, mesmo sabendo que um dia poderemos perder aquilo que amamos.
Porque a alternativa seria atravessar esta breve existência intactos, protegidos e vazios.
E talvez a maior derrota de uma vida não seja terminar com o coração marcado pelas pessoas que amamos.
Talvez seja chegar ao fim com o coração perfeitamente inteiro porque nunca tivemos coragem de entregá-lo.
A distância é necessária para assimilar e meditar em certos momentos difíceis, mas também vai apagando a chama da paixão, do amor até que só restem cinzas.
Onde o Mundo Termina, Começa Você
Sobre mapas antigos, procurei caminhos,
mares distantes, fronteiras sem fim.
Mas nenhum deles me levou tão longe
quanto o caminho que encontrei em ti.
Há oceanos entre nós, montanhas e solidão,
mas se o destino é feito de escolhas,
eu escolheria você em qualquer direção,
em qualquer lugar, em qualquer estação.
Se a bússola perder o norte
e a noite esconder toda direção,
não preciso de estrelas no céu,
tenho o brilho dos teus olhos no coração.
Nas páginas abertas da vida,
seu nome eu escreveria devagar.
Porque você não está no meu mapa
— você é o lugar onde quero ficar.
E se o mundo inteiro fosse uma viagem,
eu não precisaria saber onde chegar.
Bastaria ter você ao meu lado,
porque com você, qualquer lugar vira lar.
Te amo
A distância é ruim,
A distância muitos dias é pior,
Ficar sem ver ou falar, dói,
Mas, eu não sofro com isso, pois tenho a fuga dos pensamentos e dos sentimentos para onde quero levá-los,
Então, o pensar e o existir são íntimos na convivência,
Logo, pensar em você me faz saber do teu existir, e o teu existir me faz imaginar e voar em direção a tudo que é bom,
Portanto, te vejo, te sinto, te idealizo, assim como eu te amo.
"Pais são abraços que permanecem mesmo quando os braços já não alcançam.
Na saudade, descobrimos que cada lembrança é gratidão;no silêncio, entendemos que não há arrependimento, apenas o eco de um amor eterno.
Ser filho é carregar no coração o abraço que nunca se desfaz."
— Roberto Ikeda
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