Saudades de Quem Mora longe
A paz não é a ausência de cicatrizes; é a presença de Cristo governando um coração que decidiu confiar mais na justiça de Deus do que na própria razão.
A saudade está difícil, como uma adaga. Para não senti-la eu me cortaria, e tendo-a também me corto.
É tão incompreensível que ao me respeitar eu acabe justamente do lado mais afiado desta adaga.
Saudade da minha filha.
Intervalo moroso, visita fugaz, e mesmo que não fosse ainda seria saudade — saudade do que não vai voltar, da rotina que hoje só existe na memória.
Nelson Hideo Iwasse Junior
09/07/2026
Olhar para as coisas com uma visão mais ampla ajuda a não ver somente o que está a pouca distância dos olhos. Há muita beleza além do pouco que se vê. Enxergar longe precisa se tornar um hábito. Quanto mais se pratica, mais longe os olhos veem.
Rozilda Euzebio Costa
E hoje faz uma década que você se foi! 10 anos de muita saudade e em alguns momentos, de tristeza e dor. O tempo passou, nós fomos nos acostumando com a sua ausência, mas parece que sempre vai faltar algo. É que você se foi muito cedo desse mundo. Tinha tanta coisa para viver. Por outro lado, fico aliviada em saber que você aproveitou muito bem a sua juventude. Nunca deixou para depois. Não guardou as suas melhores roupas e perfumes para uma ocasião especial. Conheceu o lugar dos seus sonhos. Que bom que você teve a chance de realmente viver. Talvez, de alguma forma, você soubesse que não teria muito tempo. Nunca mais vou ver você nesse plano, mas fico feliz que nossos caminhos tenham se cruzado enquanto éramos muito jovens e pudemos compartilhar muitos momentos especiais. E você será jovem para sempre!
'' e a saudade volta todos os dias, sempre estou lembrando dos momentos que eu tive ao seu lado, porque apesar de todas as dores, não há ninguém, pelo menos para mim, que possa substituir você''.
Te ver ali, a poucos metros de distância, e não poder chegar perto, dar um toque ou um abraço... sério, é uma das coisas mais difíceis que já tive que aguentar.
Eu olho pro teu olho e as palavras simplesmente somem. Trava tudo. Tem um universo de "eu te amo" que morre na minha garganta toda vez que você sorri. Dói demais ver esse sorriso brilhando na minha frente e saber que ele não é mais o meu lugar, que eu não posso mais me apoiar ali. Sinto o teu perfume de longe e, na hora, me vem à cabeça um monte de planos que a gente fez... planos que agora parecem de outra vida.
O pior de tudo é essa cena que eu sou obrigado a fazer todo dia. Por fora, eu tento parecer calmo, o tipo de pessoa que aceita que o tempo passou e as coisas mudaram. Mas, por dentro, cada pedaço de mim grita o teu nome. É exaustivo demais fingir um sorriso pro mundo enquanto eu tô desmoronando por dentro. É bizarro pensar que você é a pessoa mais perto de mim fisicamente, e a mais impossível de alcançar emocionalmente.
Todo mundo diz que a distância machuca, mas tá todo mundo errado. O que destrói de verdade é a proximidade sem o pertencimento. É olhar pra você e saber que esse amor que eu sinto não é loucura da minha cabeça — ele é real, é pesado, tá vivo aqui dentro — mas, mesmo assim, ele simplesmente não tem espaço pra existir no nosso presente.
Aí eu fico guardando cada vontade, cada sonho, cada detalhe que eu só conseguia imaginar se fosse com você. É um amor que continua vivo no escuro, esperando por um tempo que talvez nunca venha, mas que se recusa a sumir.
A distância física é apenas um detalhe geográfico, porque o mapa do meu coração continua fixado de forma definitiva em você. Mesmo longe, o silêncio absoluto do meu quarto ainda reproduz, com perfeita e dolorosa clareza, o tom exato da sua voz doce e o eco do seu abraço, que sempre foi e sempre será o meu único porto seguro.Fecho os olhos e reencontro o seu olhar, aquela forma única e soberana que só você tinha de me ler por inteiro, sem precisar pronunciar uma única palavra. Lembro exatamente da primeira vez que te vi pessoalmente; guardo na mente cada detalhe seu daquele dia, como se fosse hoje. Não sou um homem perfeito, longe disso, mas posso te afirmar uma coisa com toda a minha convicção: eu conheci o amor de verdade um dia, e foi com você.Às vezes, a noite cai e me pega mergulhado em perguntas inquietantes, tentando entender os rumos que tomamos. Hoje, carrego o peso sufocante de saber que te perdi por besteira, por orgulho e por erros puramente meus. Fomos um casal perfeito, a sintonia mais bonita que o mundo já viu, e eu joguei tudo para o alto por imaturidade. Lembro perfeitamente de quando brigamos feio e você me avisou, com toda a sua sabedoria, que eu iria me arrepender. Você estava coberta de razão. Eu ainda não me conformo com a minha própria estupidez.Chorei em muitas madrugadas em claro, admito o meu cansaço, mas recusei-me a deixar o tempo apagar o que fomos. Decidi transformar essa saudade no mais profundo respeito pela nossa história. Guardo cada palavra boa que você me disse não como lembrança comum, mas como um tesouro sagrado, inviolável e totalmente protegido do tempo e da ausência.Nossas almas foram separadas pelas circunstâncias da vida, mas continuam ligadas por um fio invisível e inquebrável de pura admiração. Eu nunca te esqueci, e sei, com toda a certeza da minha existência, que você também carrega um pedaço de mim. Amar você, mesmo neste isolamento, é a prova irrefutável de que vivi algo real, nobre, devastador e eterno.Sei que o tempo não para e que você está seguindo a sua vida. Por mais que rasgue o meu peito e doa profundamente aceitar essa realidade, eu entendi que também preciso seguir a minha. Mas caminhar para frente não significa te apagar. Mesmo nos meus novos passos, mesmo que o destino me leva para longe, uma parte de mim sempre estará guardada ali, naquele instante em que fomos nós dois contra o mundo.Onde quer que você esteja agora, saiba com absoluta certeza que existe alguém aqui que torce pelo seu sorriso e que mantém viva, intacta e pulsante a memória do nosso grande e inesquecível amor. Eu posso ter te perdido, mas o meu respeito por você e a marca do que fomos jamais serão apagados pelo tempo. Você sempre terá um lugar guardado na minha memória, não como uma ferida, mas como o capítulo mais bonito e intenso de toda a minha vida.
Enterrei meu coração sob sete palmos de solidão, ali onde a ausência fez morada eterna. Aquele peito virou túmulo frio, sepultando promessas que desmoronaram feito castelos de areia na maré cheia. Lembro perfeitamente do abandono bruto, do rasgar da carne interna quando o adeus definitivo retumbou sem piedade.
Fiquei dilacerado, sangrando em segredo enquanto o mundo lá fora continuava girando, indiferente ao meu luto afetivo. A verdade nua e crua é que ninguém liga se você está na pior; as pessoas assistem à sua queda por curiosidade, mas pouquíssimas estendem a mão para o resgate. As feridas ardiam na calada da noite, transformando memórias outrora doces em pura tortura psicológica. Engoli o choro seco ao perceber que a plateia do meu sofrimento esperava apenas o meu fim definitivo. Aquela paixão avassaladora converteu-se em cinzas, deixando apenas cicatrizes profundas como testemunhas do desastre.Contudo, nenhum inverno dura para sempre, nem mesmo dentro de nós.
No fundo daquela cova escura, onde parecia restar somente morte, uma força primitiva começou a pulsar baixinho. Percebi que as lágrimas limpavam os escombros, adubando a terra ressecada da minha própria alma. Ninguém viria me salvar daquele buraco, então precisei ser o meu próprio milagre. Decidi desenterrar a vida que ainda restava em mim, recusando-me a ser lápide de quem partiu. Ergui-me do chão batido, limpei a poeira do orgulho ferido e reconectei cada pedaço quebrado com o fio dourado do auto-respeito. Criei uma armadura com os estilhaços do que sobrou. O amor-próprio não é ausência de dor, mas a teimosia sagrada de florescer novamente após o sepultamento.
Hoje, olho para trás sem rancor ou medo do amanhã. Compreendi, finalmente, que certas partidas servem para nos devolver a nós mesmos por inteiro. A maior superação não está em esquecer quem machucou, mas em acolher os próprios retalhos com orgulho e doçura extrema. Cicatrizes são troféus de guerra que provam nossa capacidade infinita de renascimento.
Se o mundo lhe deu as costas quando seu chão sumiu, use esse isolamento forçado para reconstruir seus alicerces em segredo. Se você também se encontra no fundo do poço emocional agora, escute este conselho: não tema o vazio atual. Ele é apenas o espaço necessário para a construção de uma versão sua infinitamente mais forte, livre e verdadeiramente indestrutível.
Quando o tempo finalmente engolir o nosso adeus, a saudade vai tatuar no avesso da sua alma que fomos o único milagre que o tempo não soube explicar.
Amar de verdade é aceitar o vazio da distância sabendo que o bem do outro é a nossa maior prece. O coração pode sangrar com a ausência, mas a alma não revoga o que foi eterno; o amor legítimo não morre com o fim do cenário, ele apenas se torna a raiz invisível que sustenta a felicidade de quem partiu.
Validar a nossa dor pela ausência é fundamental, mas acolher a liberdade do outro com generosidade é o que nos cura. Que saibamos olhar para quem se afasta não com mágoa, mas com o desejo sincero de que encontrem o caminho que procuram, enquanto nós continuamos cuidando do nosso.
A dor real da rejeição não é a distância física do outro, mas o fantasma persistente dos planos que agora não têm onde morar.
O luto não é a ausência do outro, é o peso de um amor imenso que perdeu o endereço e agora precisa aprender a morar do lado de dentro da gente.
O amor de verdade sabe a hora de virar brisa e ir embora, deixando saudade; a obsessão se fantasia de abrigo, mas é tempestade que busca apagar a sua identidade.
Sua dor atual é o cansaço crônico de quem precisou ser forte por tempo demais, não uma ausência de valor; até as estrelas mais bonitas do céu precisam da noite inteira para conseguir voltar a brilhar.
