Saudades de Quem Mora longe
O silêncio que você busca não é a ausência de som ou pensamento, mas a ausência de conflito interno com o que está acontecendo. É um silêncio que coexiste com o movimento da vida, que não depende de condições ideais. Quando isso é compreendido, a prática deixa de ser um esforço pontual e se torna um estado disponível em qualquer circunstância.
No fim absoluto - que não é um fim - não há compreensão, porque não há distância entre o que é e aquilo que compreenderia. Não há unidade, porque nunca houve dois. Não há totalidade, porque não há partes. Tudo o que pode ser dito falha - e ainda assim, nada jamais esteve fora disso.
Afastar-se do que não nos faz bem é um ato de autocuidado e sabedoria, pois a distância emocional cria espaço para o crescimento pessoal e o florescimento interior.
A distância mais segura de um inimigo é aquela onde você consegue observar cada um de seus movimentos.
Hadil
Sinto saudade dos seus lábios,
que a minha boca ainda não sabe,
mas inventa em sonho
como quem adivinha o gosto
de um destino antes do beijo.
Saudade do seu olhar,
que nunca pousou inteiro sobre mim,
mas que eu já reconheço
como se houvesse em mim
um lugar antigo esperando o seu encontro.
Saudade do seu sorriso fácil,
esse sorriso ainda inédito,
que eu nunca vi de perto,
mas que já ilumina
os cantos mais silenciosos do meu dia.
Saudade dos seus braços,
dos abraços que ainda não vieram,
mas que o tempo, generoso e secreto,
parece guardar
como quem protege um instante sagrado.
Saudade da sua presença,
do som da sua voz perto de mim,
dos detalhes pequenos
que ainda não conheço:
o jeito de chegar,
de rir sem aviso,
de interromper o mundo
só por estar aqui.
É uma saudade absurda,
dessas que nascem antes da hora,
dessas que desafiam a lógica
e florescem mesmo sem memória.
Porque sinto falta
não do que vivi com você,
mas do que em algum lugar
já começou a existir em mim
antes mesmo de acontecer.
Tenho saudade adiantada,
invertida, impossível,
do instante exato
em que o tempo enfim vai ceder
e eu deixarei de imaginar
para finalmente te encontrar.
Na distância, teu nome arde em mim,
como chama que não se apaga.
Tentei vestir a razão, mas ela se rasgou
diante do toque invisível da tua ausência.
A saudade não pede licença,
ela invade, domina, me consome.
E cada lembrança tua é um beijo suspenso,
um abraço que nunca se desfaz.
Se o tempo insiste em separar,
meu coração insiste em te buscar.
Pois amar é este eterno retorno,
mesmo quando o corpo não pode estar.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Na ausência, teu nome é chama, que arde sem se apagar. Cada silêncio é um grito contido, cada noite, um mar sem fim.
Tentei vestir a razão, mas ela se desfaz em tuas lembranças. A maturidade é frágil diante do coração, que insiste em te chamar, mesmo no vazio.
A saudade é amante ciumenta, não aceita despedidas, não conhece limites. Ela invade como tempestade, me arrasta para o centro do teu olhar.
E eu, perdido em tua ausência, te encontro em cada sombra, em cada perfume esquecido, em cada palavra que não disse.
Se o tempo é cruel, o amor é eterno. E mesmo longe, teu abraço é o destino que nunca se desfaz.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Meu amado bebê,
Existe uma saudade em mim que não sei explicar.
Saudade do seu rosto que meus olhos nunca puderam ver,
saudade do som do seu coração que eu tanto queria ouvir,
saudade de um futuro inteiro que sonhei viver com você.
Mesmo por tão pouco tempo, você mudou tudo em mim.
No silêncio do meu ventre, eu já te amava, já conversava com você,
já imaginava seus olhos, seu sorriso, seus pequenos passos pelo mundo.
Você foi um pedacinho do céu que Deus me permitiu carregar dentro de mim.
E mesmo que nossos dias juntos tenham sido tão breves,
o amor que nasceu por você é eterno.
Há momentos em que fecho os olhos e imagino como teria sido te segurar,
sentir seu cheirinho, ouvir seu choro, ver você crescer.
Esses sonhos agora moram no lugar mais íntimo do meu coração.
Você existiu.
Você foi amado desde o primeiro instante.
E sempre será parte de mim.
Meu bebê, onde quer que você esteja,
saiba que existe uma mãe aqui na Terra
que carrega seu nome gravado na alma
e um amor por você que nunca vai acabar.
Com todo o amor do mundo,
da sua mamãe.
Diário da alma
Hoje, escolhi o silêncio.
Não como ausência, mas como refúgio.
Existe um lugar dentro de mim que não precisa ser explicado, nem exposto, nem compartilhado — apenas sentido. E foi para lá que eu fui. Sem avisar, sem deixar rastros, sem olhar para trás.
Cansei de traduzir sentimentos em palavras rasas para que outros pudessem entender. Nem tudo foi feito para ser compreendido… algumas coisas só existem para serem vividas em segredo, no íntimo, onde o mundo não alcança.
Aprendi que a paz não faz barulho.
Ela não pede atenção, não disputa espaço, não se exibe. Ela simplesmente chega… e fica.
E foi nesse silêncio, nesse afastamento quase invisível, que eu me reencontrei. Sem máscaras, sem versões editadas, sem necessidade de ser aceita.
Hoje, não preciso mais ser vista.
Porque finalmente aprendi a me enxergar.
E, pela primeira vez… isso basta.
Labirinto de Espelhos
Traga-me amor e eu te mostrarei a ausência; traga-me ódio e eu te entregarei o desprezo. Mostre-me quem você acredita ser e eu te revelarei a infinidade de versões que posso assumir para te confundir. Enquanto você se ancora em definições estáticas, eu habito a variável. Eu me transmuto conforme a conveniência do nome pelo qual desejo ser invocado, um camaleão de intenções ocultas sob a superfície do óbvio.
Sou o ruído branco que preenche os vácuos da conversa. Você ouve o necessário, aquilo que sua mente consegue digerir, mas jamais decifra o que foi silenciado entre as sílabas. Minhas palavras são iscas, nunca o banquete.
Como um oceano que desconhece a paz, não ofereço margens seguras. Sou a inquietude das águas profundas, onde as ondas não obedecem ao vento, mas brotam e fornecem ao comando do meu próprio caos interno. Não há um lado certo para o impacto; a maré sobe onde eu decido que o solo deve ser submerso.
Sou o espelho que não reflete a imagem, mas a distorce até que você não reconheça o que projetou. Minha essência é o movimento perpétuo de quem aprendeu que ser qualquer coisa é a única forma de não ser ninguém. No final, você encontrará apenas o rastro da espuma na areia — o sinal de que estive lá, sem nunca ter se deixado capturar.
Silvio Jr.
O Inferno Pode Ser Aqui
Às vezes, me pego pensando que o inferno não é um lugar distante, escondido em alguma dimensão desconhecida. Talvez ele seja aqui mesmo — na Terra que pisamos todos os dias.
Não por falta de beleza. Pelo contrário.
Vivemos em um planeta onde o sol nasce com perfeição, onde a natureza é generosa, onde há fartura suficiente para todos. E, ainda assim, há fome. Há gente com mesas fartas e gente sem um pedaço de pão. Há quem viva em palácios… e há quem não tenha sequer um teto para dormir.
E então eu me pergunto: que lugar é esse?
Cresci conhecendo um Deus, dentro da minha religião. Um Deus de amor, de justiça. Mas o mundo me mostrou que existem muitos caminhos, muitas crenças, muitas formas de enxergar o divino. Cada um defendendo sua verdade como única.
E talvez seja aí que começa o nosso erro.
Porque, enquanto discutimos quem está certo, esquecemos de fazer o que realmente importa: sermos melhores.
Às vezes penso na possibilidade de outras vidas. Será que estamos aqui para aprender? Para corrigir erros? Será que quem hoje sofre já teve muito, e quem hoje tem muito já sofreu? Ou será que tudo isso é apenas o reflexo das escolhas que fazemos agora?
Não sei.
Mas sei que existe algo dentro de nós — uma voz silenciosa, firme — que nos diz o que é certo e o que é errado. Chamam isso de consciência.
E, mesmo assim, insistimos em ignorá-la.
O ser humano tem nas mãos tudo o que precisa para transformar este mundo em um paraíso. Temos tecnologia, inteligência, recursos. Poderíamos acabar com a fome, diminuir a dor, dar dignidade a todos.
Mas escolhemos competir, explorar, destruir.
Homens poderosos decidem guerras. Crianças pagam o preço. Povos inteiros sofrem. E o planeta, silencioso, vai sendo ferido.
E às vezes, num pensamento mais ousado, me pergunto: e se tudo isso aqui for um tipo de sanatório?
Um lugar onde almas vêm para se tratar.
Como se viéssemos de outras dimensões, de outros tempos, talvez até de outras galáxias… carregando erros, culpas, excessos — e aqui fosse um ponto de passagem. Um purgatório da existência.
Um espaço onde temos duas escolhas: nos curar… ou nos perder de vez.
Talvez alguns estejam em processo de cura — aprendendo a amar, a dividir, a compreender.
E outros… ainda dominados pela própria escuridão.
Se for assim, a Terra não seria apenas o inferno.
Nem totalmente o céu.
Seria um lugar de decisão.
Diante disso, é difícil não pensar: se isso não é o inferno… então o que é?
Talvez o inferno não seja um castigo imposto por Deus. Talvez seja uma construção humana. Um lugar que criamos quando nos afastamos do amor, da empatia, do respeito.
E talvez o céu também esteja aqui.
Ele aparece nos gestos simples, na bondade inesperada, no coração de quem ajuda sem esperar nada em troca. No pouco que se divide. No muito que se oferece.
No fim, talvez a Terra seja apenas isso: um campo de escolhas.
Onde, todos os dias, cada um de nós decide — consciente ou não — se quer alimentar o inferno… ou construir o céu.
Nereu Alves
Assassinato da Saudade
Saudade
A gente
Não mata
Saudade
A gente
Engarrafa
E guarda
Saudade
É coisa boa
Que fica lá
Quietinha
Bem guardada
Onde deve
Ficá
Sarcasmo e Arvore
Com dificuldade
Ergo-me
Na saudade do amigo
Que
Se perdeu na eterna saudade
Daquele espelho
Me olhando
Tomo o café da manhã
À minha e à sua vontade
O gigantesco abismo
Goza a delícia de ser
Lábios roxos
Assim passeio por ele
Sem sua infantilidade
Onde a cobra fuma
Seu moderado cigarro
Admirando seu ventre
Trazendo o sol batido de vento
Enquanto o mar tece a trama
Imóveis na solidão
Juntos a novos anjos cativos
Na luta de classes
Honorárias prisioneiras
Mulheres
Que o simples toque pode romper
Por um momento
Todos e infinitos talentos em seu seio
Maior que a força contida no ato
Na móvel linha do horizonte
Ciberespaço
Um útero de fios
Onde gestamos ausências
Senso
De perda
Que não pesa em gramas,
Mas em bytes de memória
Apagados em baixa resolução
Menores
Ecos do cotidiano:
O atrito da xícara no pires,
A hesitação antes de responder,
A textura do ar antes da chuva
Detalhes da rotina diária
Sendo eliminados
Por algoritmos de eficiência.
Exoesqueletos da estupidez
Vestimos interfaces intuitivas
Que pensam por nós,
Enquanto nossos músculos mentais
Atrofiam em elegantes casulos de titânio
Configuração
Um ritual sagrado:
Parâmetros biomecânicos ajustados,
Parâmetros biológicos monitorados,
Sincronização cerebral forçada
Como metrônomo para uma orquestra de neurônios cansados
Blockchain mental
Registros imutáveis de pensamentos editados,
Correntes de hashes ligando verdades revisionadas.
Atividade cerebral em ruptura
Onda delta contra firewall,
Sonhos comprimidos em pacotes de dados,
Sinais de erro brotando como flores de lótus em telas azuis
Enquanto isso
(O pronome mais humano que restou)
Ainda faz sentido.
O último suspiro orgânico
Antes do login definitivo
Criptografia da alma
Senhas de existência
Trocadas a cada aurora digital
Lacunas
Entre um ping e outro,
Surge o vácuo que canta
Em frequências não traduzíveis
Arquivos corrompidos
De emoções não indexadas:
A saudade que o sistema operacional
Identifica como "erro 404: afeto não encontrado"
Nuvens de pensamento
Sincronizadas até a última nêvoa,
Mas o backup dos instintos
Foi perdido na migração
E o corpo?
Pergunta o hardware ao firmware,
Enquanto a carne, esquecida,
Ainda treme de frio
Na sala de servidores climatizada.
Até que em um loop inesperado
Um bug no paraíso lógico
O sistema encontra um glitch
Chamado poesia:
Dados que não se encaixam,
Verdades que não verificam,
E um verso antigo
Que ressoa como eco de um mundo
Que insistimos em apagar,
Mas que teima em renascer
Como raiz sob o asfalto digital
Porque ainda faz sentido
Enquanto houver um refresh
Que não apague por completo
A sombra do que fomos
Antes de nos tornarmos
nunca toquei o mar com tanta propriedade
assim ao toque do vento quando esbarra nos olha
da distância de 20 passos ou menos
na altura das ilhas ao mar aberto de possibilidades
ainda mais furticoloridas das virtudes já vividas
nossa maior idade nossa mala da vida frasqueira alheia
ao olhar dos falsos amigos uma virtude explode ao ouvido
se villas boas ou guitarra voa o tempo dos meus pensamentos
não troco um homem de 60 por um de 30 nem por 5 min
não tem a hora nem a precisão de quem sabe ao menos a importância
dos segundos, dias, semanas, ah quem sabe
um dia desses você aqui na nossa cama
agora resta sonhar na sala de estar e
brincar de vier sonhar talvez dormir florescer...
A simplicidade, afinal, não é ausência de profundidade, mas a sua face mais pura. É quando o ser se mostra sem ornamento, e o que encontramos já não pertence aos livros nem às teorias — pertence a nós, pertence ao mundo.
✍🏻Só descobrimos a verdadeira importância de um ser humano em nossa vida com a ausência física definitiva deste ser.
💐💜😔🤍💗
O Alento da Ausência
Outrora, eu era vigília e fresta,
ansiando o teu olhar como quem acende a luz
no cais de uma espera deserta,
suplicando ao horizonte que te trouxesse de volta.
Hoje, as sombras me bastam.
Prefiro o abismo desse silêncio inteiro
à tua presença fragmentada, que não habita apenas visita.
Pois o que oscila entre o vir e o partir
não oferece abrigo; apenas turva o cristal da memória.
Ver-te agora, ainda que sob o véu da distância,
não é bálsamo, mas interrogação.
Cansou-me o fardo dos intervalos,
os sinais que desbotam antes de se tornarem rastro,
esses quase-encontros que são, em verdade, desertos.
Se o teu destino é o não-estar,
que a tua ausência seja, enfim, absoluta e limpa.
Sem o eco de passos breves,
sem o toque fantasma que tateia mas não sustenta.
Há uma quietude austera em renunciar à espera.
Descubro, no vagar dos dias, a lição mais difícil:
que o esquecimento, por vezes,
é a forma mais profunda de zelar por si.
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