Saudades de Quem Mora longe
Entre aquilo que vejo, ouço, tateio, provo e respiro e o real, há uma distância que não sei medir; mas o desconhecido logo me revela a pequenez do que sei.
Ausências..
Foram nas ausências
que nos esquecemos.
A cada calar, era um passo
De volta, estou dobrando
A esquina.
Lembranças Póstumas de um amor que surgiu atrás dos muros.
Apesar da distância do caminho, ainda me recordo dos encontros, do seu sorriso.
Dos poemas declamados, dos beijos dados e roubados.
Ainda me lembro, dos passeios ao sol, da garganta seca, da baixa umidade.
Ainda lembro do quarto do hotel, do lençol desarrumado sobre a cama, seu olhar sacana.
Ainda lembro da gota de suor escorrendo por suas vértebras em direção ao paraíso.
Sorrisos, gargalhadas, passeios nos parques, ahh, mãos dadas.
Ar condicionado, passeio de carro, amigos, piadas, beijos , você toda assanhada, descabelada.
Pois é, ainda me lembro de tudo.
Reunir momentos já vividos doía, mas agora me reuni em saudade feliz, de um abraço que comigo é amigo, e de vez em quando vem me lembrar, o bem viver, e ser leve mesmo não entendendo o agora me guarda em oração e entoa melodias que só o de ressoar a alma entende.
Estrada de Hélio.
Ausência que dói.
Durante todo o tempo
Em que estivemos juntos,
Jamais lhe ouvi pronunciar
AMOR.
O que me incomodava
Não era a ausência da palavra
No seu vocabulário.
E sim, a ausência de amor
Em Ti..
DIA TRISTONHO
Hoje é um dia tristonho para o sol distante que componho
Ruas de terra com plantações ao redor sorteiam as pétalas da nostalgia de menino.
O menino chora!
A descoberta nas areias desertas que o banho de água doce deixou.
Experimenta o amargo das gotas que lavam a face.
O menino chora!
A inocência trazida num rosto que mostra em cada sulco as marcas que a vida lhe deu.
Sem ar o menino chora!
Dormindo no carro, escondido na areia, saindo do barro...
O menino chora!
Amargor da angústia, aperta o peito que reopousa no leito.
Deitado reclama do estômago que incomoda.
Sorver o coro angelical numa despedida fúnebre é a cena que a peça nunca quis encenar.
Sabores e sonhos.
Formas e doces.
Temperos da vida. (Júlio Raizer)
Você não me ama. O que te inquieta não é a minha ausência, mas a possibilidade de eu existir inteira em outro lugar — longe do alcance do que você nunca soube cuidar.
Teu Nome é Certeza
Cada dia que passa
a distância aperta o peito,
mas é prova, não sentença:
é o gatilho da presença.
Porque quanto mais longe,
mais eu sinto que é pra valer.
Isso se chama compromisso — e eu escolhi você.
Cada segundo juntos
não volta, mas deixa marca.
É escassez virando força:
o tempo é pouco, então é nosso.
E a cada riso, a cada toque,
a certeza se fortalece.
Isso se chama prova:
nós amamos, sim. Acontece.
Saiba disso sem dúvida:
você é meu tesouro, meu bem mais precioso.
Exclusividade que não se compra,
não se troca, não tem igual.
Se perdesse o mundo inteiro
e ficasse só você,
eu ainda seria rico.
Isso se chama autoridade — do meu coração por você.
Então que a distância tente.
Ela só me faz lembrar
do motivo que me move:
voltar pra casa, que é teu olhar.
Ilusão não é amor, é dor.
Quando a distância nos separa, meu corpo arde de febre — é a estranha doença chamada saudade.
Mal sem cura, tristeza sem origem, desânimo que tira o sentido à vida. Pesar na alma, angústia no olhar, corpo mole, sem forças para andar.
Coisas que não consigo explicar, sentimentos confusos dentro de mim.
Só peço uma única coia: não me julgue por esse estado que me cerca. Abro mão de você completamente_ Vá em paz, mas não volte quando a cicatriz fechar sobre essa ferida. Pois não quero que a dor volte a me encontrar; ninguém merece mergulhar tão fundo na dor pelo nome de amor.
Então vá... para sempre.
Autora Mirian Maria Julia
Para poder entender Belchior
A distância que me massacra
Talvez prenuncie algo melhor
Eu anseio por um só encontro
Para poder entender Belchior
Se for errado, me condenem
Se for certo, que seja bonito
Parar não é mais uma opção
Ela percebeu que não minto
Um comentário foi suficiente
Para a conexão ser iniciada
Desconheço se existe limite
Pensando na causa amada
Sou evidentemente sofredor
Encarcerado, não quero sair
Deve ter quem compreenda
E consiga apostar no porvir
Foi culpa de tanta formosura
Maldita seja toda a erudição
Inebriado, desisti de evitá-la
Quando ouço nossa canção
Educado a reprimir o desejo
Arremessei tudo para o alto
Bom se fosse apenas lance
Mas nós sentimos, é de fato.
Silêncios Pesados
Sentir intenso
Letalidade da tua falta
Ecos da saudade
Caos de instantes distantes
Parte de nós se faz em atos de silêncios
Destruição das sensações inquietantes.
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