Rondo Poesia de Cora Coralina
Em meus devaneios poéticos, sempre ouço meu eu lírico dizer: _Toma mais esta dose de versos, que passa!
Desfrute da ignorância; depois amargure em melancolia. O que tento inserir em meus versos são goles de vida.
Eu não sou como a maioria, é isso é uma benção, mas também é uma maldição. Não quero agradar ovelhas sendo eu um leão. O viver sempre será uma eterna incógnita, não sabemos o que vem depois, mas planejamos tanto. Tanto ao ponto de fazer uma prestação, mesmo sabendo que o amanhã podendo não existir, a única coisa que ficará marcado são resquícios de nós, que com o tempo será apagado. Isso não me deixa triste e nem feliz, só me dá forçar para continuar, um dia de cada vez. +1-1
O que realmente me preocupa é que, na visão de tantos brasileiros, todo africano é angolano, ignorando que a África é um continente vasto, pleno de territórios e histórias a desbravar.
O poeta deseja produzir emoções no leitor. Já o realista pretende estimular a reflexão. Mas ambos acabam por cumprir o seu papel social por meio da escrita.
Tão confuso e, ao mesmo tempo, tão claro. Uma percepção única, um olhar tão raro, das suas expressões e percepções dos aspectos do seu espectro."
Os verdadeiros poetas devem culto e tributo à maior das musas, trânsfuga que, ao contrário de suas nove irmãs, escapou dos grilhões do fatalismo: Acaso é seu nome.
Sabes, minha mulher, às vezes acho que o mundo nos quer separar. Esses que governam esquecem que nosso amor é resistência.
Onde e quando nos pomos no fim mais último? — morrer é morrer-se num lugar e numa data, um concreto mítico que em nós vamos incorporando. O fecho da narrativa contada, o começo da narrativa eternamente emudecida: a da terra, a do corpo, a do pó.
Em meu caminho havia um bosque de eucaliptos. Era imponente feito montanha de cordilheira. As folhas esmeralda, me recordaram pedras preciosas. Seu aroma, porém, trouxe meu pai de volta. Parei. Chorei. Depois sorri e continuei, confiante. Somos o bosque também.
Chega certo momento na vida que é necessário reavaliarmos tudo o que fazemos ou deixamos as pessoas fazerem conosco. Nesse momento, o NÃO é a melhor arma e escudo para a nossa sobrevivência.
Por desentendimentos ao longo do tempo, eles se separaram, e a vida os levou por caminhos distintos. Mas o homem, fiel ao juramento feito em silêncio, manteve sua promessa apesar dos anos. Ele conheceu outros corpos, é verdade — buscou consolo em abraços passageiros e bocas que nunca o prenderam. Contudo, seu coração permaneceu inabalável, prisioneiro de um único amor. Porque, embora o tempo apagasse rostos e desfizesse lembranças, aquela mulher continuava sendo a única poesia que sua alma sabia recitar.
Por que a flor é tão bonita? Porque sabemos que não durará para sempre. O efêmero tem sua própria poesia, nos ensina a apreciar o agora. O mesmo vale para a vida, para os encontros, para os momentos que nos transformam. Nada dura para sempre – e talvez seja exatamente isso que faz tudo ter tanto valor!
Se um dia todos os jardins perderem suas flores, ainda poderei encontrar a beleza delas em teu sorriso.
Se um dia meu coração se deixou levar por você, mesmo que você ainda não saiba disso, eu te escrevi em algum verso perdido por aí, entre uns e zeros.
O egoísmo e a mágoa são incapazes de preencher o coração da verdadeira felicidade. Porque nele estará faltando sempre o que é mais importante no ser humano: o amor e o perdão.
"Conhecendo a fonte de determinados valores é a melhor forma de sabermos se ainda vale a pena continuar semeando e cultivando tais valores".
Quando fui apresentado a teoria do Big Bang, achei-a semelhante as demais narrativas mitológicas, mas faltava-lhe poesia.
Agora entendo a melancolia profunda de Van Gogh ao morrer infeliz. Não era apenas transmitir aquele estado de tristeza para as suas obras mais perfeitas, mas sim a dolorosa percepção das imperfeições de suas mais belas obras sublimes, comparadas às obras divinas de Deus. Há alguns instantes, não reconhecia a minha própria infelicidade, mas agora reconheço que ela arde em peito e queima em meu coração. Minha infelicidade é não tê-la comigo nas minhas noites mais tristes, em sua ausência, não ter o meu abrigo.
Há um mundo que sangra, sangra nos olhos da Maria das Dores, Joana da Liberdade, e do Santo António, mas Matias Malvado, não se importa. Mas não importa muito, se há algum propósito a encontrar, encontraremos, a menos que ele seja um mistério.
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