Riso
Franzi a testa, quando ao mesmo tempo que estava tentando me concentrar na conversa, estava também pensando nas mágoas que estavam borbulhando dentro de mim.
Não era nem um pouco divertido fingir paz e amor em função das pessoas que mais amo na terra. Soava estranho, como se eu perdesse a identidade, como se eu estivesse mascarando coisas e lutava para não ser tão superficial e problemática, eu não seria nem a primeira nem a última mulher a ter de me adaptar e fazer a política da boa vizinhança.
Se você quiser eu posso ser mais cordial, mais afetuoso, mais risonha, mais gente boa, eu poderia me esforçar mesmo para ter uma amizade verdadeira, colocar amor fraterno onde não existe amor em lugar nenhum.
Minha voz ficou mais suave, meus pensamentos mais leve, minhas aflições diminuíram, eu não esperava nada dele, mas esperava tudo de mim, esperava bom senso e uma amizade que não me prejudicasse, porque fingir estava me prejudicando ao extremo.
Durante muito tempo, confesso, temi o mundo... mas não por suas dores naturais, nem por seus silêncios frios. Tive medo de viver em um mundo onde você não estivesse. A simples ideia da sua ausência era como um vento cortante atravessando o peito, como uma noite sem estrelas, como uma eternidade sem luz. Havia algo na sua presença que fazia o tempo parecer menos cruel, e a vida, ainda que imperfeita, tornava-se suportável, quase bela. Sem você, tudo perdia cor, propósito e rumo. E assim, mais do que temer a morte, temi a vida sem você... porque viver, se não for para dividir o olhar, o riso e o silêncio com quem se ama, é apenas existir à margem do que poderia ter sido eternidade.
Parte sofre e insiste fazer-se em pedaço,
O mundo não é capaz de interpretar tal viver,
Estas minhas linhas que o riso ficou escasso,
Ainda teremos outras noites,
Alegres e tristes,
Ainda veremos outras tantas estrelas,
Iluminadas e mortas,
Ainda que as luzes da ribalta se apaguem,
Ainda acharemos graça,
Na escureza do riso perdido,
Ainda assim,
Seremos eternos,
Diante da noite azulada,
Quando chegar o meu ditoso dia Eu não vou querer lágrimas - Vou querer alegria! Não vou querer flores - Vou querer poesias! Nada de tristeza ou gritaria! Vou querer rock,samba,bossa nova... E muitas pessoas dançando em volta da minha cova. Vou querer velas coloridas,Boas lembranças,risadas, bebidas... E o teu Belo sorriso por despedida! Vou querer muita alegria! Nada de choro,flores, gritaria!... Lembre-se: poesia... Rock,samba,bossa nova... Risadas,velas coloridas... Boas lembranças, bebidas... E teu belo sorriso por despedida!
Poetamento
Meu simples poetamento, pouco explica em seu rumar.
Faz parte dessas ruelas que sempre surgem,
Como meus pequenos passos a marear.
Insinuando trilhas, avistando mapas, a orbitar.
As palavras servidas, além do que, tanto perguntam.
Como guardar o beijo que será efervescido?
Como carregar os pedaços dos que nos faltam?
Como desalumiar os pirilampos da saudade?
Meu palavrear não tem controle de custos.
Pode arquejar no tempo, não estar imune,
Ficar laçando luares, impávido escapulindo.
Querendo partilhar em si, fugaz raio da vivência.
Minha confabulação desmerece acanhamento.
Anda indócil, quase sempre nua, a entregar-se a um riso.
E quando eu pouco me descompasso, num alvoroço,
Sem qualquer anúncio, faz surgir estelares num pingo d’água.
Carlos Daniel Dojja
"Um brinde a vida e tudo que ela nos proporciona, tanto ao amor como a indiferença, tanto ao conhecimento quanto ao mistério, tanto ao riso quanto ao choro, porque ao final, o que há de importante mesmo, é o estar e o sentir."
Receba
Teu rosto revela raro ser
Resistente, reluzente, radiante
Como o baixo ruído de um rádio distante
Sem regra ou receio, deixei-me render.
Teu riso me rouba toda atenção
Rápido, remédio, irracional
Como sons ritmados de forma irreal
Sem relutar, deleito-me em seu refrão.
Teu corpo tem jeito de abrigo
Reflexivo, refúgio, resiliente
Como plantar e regar a semente
Sem rodeio ou recado, floresça comigo.
No caminho teremos dores, perdas, traições, renúncias, rejeição, amiga falsa, sonhos frustrados. Mas, apesar dos dissabores, você pode escolher leveza, riso, gratidão, crescimento, evolução, transformação e recomeço, quantas vezes forem necessárias.
Quem ri por último, ri melhor!
Estou com 70 anos, esperando pacientemente na fila.
Acho que vou me escangalhar de rir, logo mais.
Ao longe, solitária,ela dança...a sua última e mais bela dança. Dança nostálgica e leve entre montes,castelos e florestas imaginárias. E atando-se loucamente a um último fio frágil de esperança ela dança como num sonho doce de criança. E mesmo no auge de sua agonia mais pura ela ainda consegue dançar com ternura. Dança prá lá. Dança prá cá. Jogando as pernas, balançando os braços... E a cada movimento ela se desfaz em milhares de pedaços que ao vento vão se espalhando. Ela vê anjos ao seu redor enquanto dança frenética e aflita. Dançando, ela chora, ri ,e o seu coração se agita!... O corpo dança. A alma grita! E assim ela dança em descompassados movimentos cheios de uma dolorosa lembrança a sua última e mais bela dança!...
Escuto o seu cantar
Como leve sinfonia
Converso com sabiá
Quando amanhece o dia
O bem-te-vi que me acusa
Com seu cantar altaneiro
As vezes ele abusa
Me entrega pro mundo inteiro
Todos os passarinhos
Jamais me megaram o canto
Estão sempre em meus caminhos
No meu riso ou no meu pranto
A vida, em sua essência transitória, é um tecido unido de eventos, uma dança complexa entre o destino e a escolha. Lamentar cada acontecimento é como resistir à correnteza de um rio implacável. A verdade reside na aceitação serena, pois mesmo nas entrelinhas do riso alheio, encontramos a resiliência que tece a narrativa singular da existência.
A ousadia de rir alto confere-nos uma superioridade em relação aos que não riem. É incrível a força do riso, a potência do seu poder de sedução.
