Preto
O preto brasileiro está marcado com selo
Assim dizem os brancos do alto pódio
No Brasil quem manda tem pele clara
A pele pobre tá encarcerada longe de tudo...
Raízes do Afeto
Nas fotos antigas, desbotadas no tempo,
Sorrisos guardados em preto e branco —
São laços que tecem, silentes, seu assento
No meu coração, como um rio sagrado.
Vejo nas tuas mãos as linhas que herdaste,
O mesmo tremor da avó ao cantar.
No teu olhar profundo, o que me contaste:
Amores antigos a nos sussurrar.
Na mesa posta, na receita esquecida,
No jeito de dobrar o pano de chão,
Vive a ternura de outra vida,
Semente lançada em gerações.
O amor ancestral não morre, repousa:
É seiva na árvore, é voz no vento...
Sangue que flui e não se esgota,
Abraço de séculos no meu momento.
O branco e o preto, o sol e a lua, o rico e o pobre, a verdade e a mentu, dividem todos o mesmo dia.
No meu sertão eu vejo a morena, com seu cabelo preto e sua pele bronzeada, sorrindo ao sol. O sertão é alegre e colorido, com suas árvores frondosas e suas pastagens verdes. O ar é fresco e o vento carrega o som de cantos de pássaros. O rio corre mansamente e as águas são tão tranquilas quanto o espírito das pessoas que vivem por lá. Aqui a vida é mais simples, mas ainda assim cheia de beleza e alegria.
Jacilene, você é uma flor
Que nasceu em Pernambuco
E se mudou para Ouro Preto
Para brilhar como um rubi
Jacilene, você é uma luz
Que ilumina o caminho
Com o seu sorriso radiante
E o seu olhar fascinante
Jacilene, você é uma alma
Que busca a sabedoria
Com o seu espírito livre
E a sua fé inabalável
Jacilene, você é uma mulher
Que conquista o mundo
Com o seu talento profissional
E o seu coração generoso
Somos fragmentos partes de algo maior chamado humanidade.
Somos a mistura do branco, do preto, do indígena.
Estamos aqui desde o início dos tempos.
A bagunça de ser eu, inconstante, sempre fui loira e amava preto, agora nem sequer me reconheço, quando estou de vermelho marsala, me olho no espelho, me sinto completa mas ainda tenho medo, de ter ficado fria, de ter me amado pouco e de nunca mais transbordar.
Desvario
O amor vermelho
Tem muitos segredos
E o pássaro preto a voar
Nuvens brancas e azuis
Casas pintadas de luz
Eis a vida não há quem diga
Que beleza flutua meu bem
Algodão voando
Quero aprender a ler
Os segredos do destino
O cão vadio
E não há regras
Pra quem ama
E coração preso
Quer ser solto
Como um pavio
Não pega fogo
Quando assobia
O tempo marcha
Em outras direções.
No baile
Na regra
Um mundo na régua
Conserva
A lei
Quem manda
É feroz
E perde-se a palavra
Quem dizer a verdade
Será expulso do paraíso
E viverá na terra
Pra toda vida.
Certo homem disse: sou branco e sou aceito na sociedade. O preto respondeu: e dai! A sepultura aceita eu e você, sem distinção.
Ainda que tudo pareça estar em branco e preto ultimamente, é preciso ter fé no futuro. A fé impulsiona a vida, se você não acredita, não consegue seguir em frente.
Pitanga,
Chegou seu tempo,
Tapete preto e vermelho,
De todas as manhãs,
Para colorir,
O dia da Esfinge,
E saborear,
A gratidão agridoce,
Para todo o sempre,
Que assim seja,
Quando todas as cores do arco-íris não transparecem o seu eu. Descomplique, o preto e branco te ajudará a enxergar as verdadeiras cores da vida.
Ouço,
Alguém batendo na porta,
Do tronco oco,
Noutro dia,
Era amarelo,
Agora é outro,
Preto,
De topete vermelho,
E o lenho cede,
Esfarela,
Com a força do machado bicudo,
Contradizendo tudo,
