Pouco
Há momentos em que precisamos, sim, ter um pouco de loucura; tirar da gente aquelas coisinhas embrulhadas, chatas. Prisioneiras da gente.
Que os nossos olhos não se dispersem dos céus, pois daqui a pouco veremos o nosso amigo fiel, jesus Cristo.
Dizem que os idosos dormem pouco,
acredito que seja porque
o nosso relógio biológico,
sabiamente, compreende
que o viver é uma dádiva
e por isso, quanto mais tempo
vivermos em cada dia,
mais seremos agraciado
pela esse maravilhoso presente
chamado de vida.
Caminhar lado a lado exige um gesto raro: deixar as ideias descansarem um pouco. As ideias são bonitas, mas traiçoeiras. Nelas, todos somos perfeitos. O filho ideal só existe no pensamento. A mãe ideal também. No mundo das ideias, ninguém falha, ninguém se desespera, ninguém diz a palavra errada na hora errada. É um lugar confortável demais para caber gente viva.
Viver de verdade com alguém é aceitar que o real é meio torto. Que há dias em que a voz falha, a alma murcha, o cansaço transborda. É ter coragem de amar o que existe, não o que imaginamos. E isso é mais difícil do que parece, porque a imaginação é uma costureira habilidosa: ajusta, corta, embeleza. O real, não. O real é áspero, às vezes. Mas é nele que moram os encontros que mudam a vida.
Cada um é o que é. Faz o que dá conta. Ama como aprendeu. E isso não é desculpa: é condição humana. Amar sem tentar caber no molde do outro é um ato de generosidade. Um jeito bonito de dizer: eu te vejo, não pelo que projetei, mas pelo que você realmente é — com suas frestas, suas travessias, suas partes desordenadas.
O amor verdadeiro não exige perfeição. Exige presença. Exige humildade para desfazer fantasias antigas e coragem para ficar, mesmo quando o castelo que imaginamos vira chão. Prosseguir amando, mesmo quando a realidade desmonta o sonho, é um gesto de maturidade que poucos sustentam.
São poucos os amores que suportam a pureza do real. A maioria prefere a maquete. Eu, não. Prefiro a casa habitada, mesmo com as rachaduras. O afeto que existe, mesmo com as falhas. O caminho compartilhado onde dois humanos, imperfeitos e inteiros, aprendem a caminhar juntos — não pela ideia do que deveriam ser, mas pela beleza do que são.
Meu coração bate um pouco mais acelerado neste dia. Não sei por que, ou não quero acreditar... Lá no fundo, é medo de não mais resistir a essa linda morena que me conquistou com seu sorriso, seu olhar. Sua boca, que sem dúvida nenhuma deve ter o mais belo gosto que um homem jamais imaginou que iria encontrar. Hoje tenho a certeza que o pecado existe, e este pecado está em teu corpo. Um dia vou poder dizer que senti o calor e o gosto deste pecado todo.
SER ESPÍRITA.
O ser espírita compreende, pouco a pouco, que não estamos na Terra para habitarmos um parque de diversões destinado aos caprichos transitórios da personalidade. A existência corpórea é uma escola venerável, um educandário da alma, onde cada experiência encerra uma lição e cada desafio contém uma oportunidade de engrandecimento moral. A aula já vai começar para muitos corações, e a consciência deverá despertar ante os acontecimentos que se desenham no horizonte da humanidade.
Viemos de um pretérito profundamente compromissado. Trazemos na intimidade do ser débitos acumulados, equívocos esquecidos pela memória biológica, mas registrados nas profundezas do Espírito. Contudo, trazemos igualmente conquistas silenciosas, virtudes em germinação e tesouros morais adquiridos ao longo da jornada multimilenar. Somos herdeiros de nossas próprias obras.
A dor, essa sombra de justiça que habita os caminhos da evolução, caminha lado a lado com a alegria. Não surge como castigo, mas como instrumento educativo. Ela visita as lágrimas para ensinar o valor da serenidade. Aproxima-se do vazio existencial para recordar à criatura que nenhuma realização material consegue preencher as regiões mais profundas da alma. O sofrimento, quando compreendido sob a luz da imortalidade, converte-se em oficina de renovação interior.
O Espiritismo apresenta-se como uma bênção de luz para as consciências inquietas. Diminui as indagações que atormentam o pensamento. Clareia as noites de perdição moral. Alimenta a fome de significado. Sacia a sede de transcendência que tantas vezes buscamos inutilmente nos prazeres efêmeros da existência terrestre. Sua mensagem convida ao equilíbrio, à responsabilidade e ao autoconhecimento.
Quantos corações vagueiam entre os ruídos do mundo carregando silenciosamente uma tristeza sem nome. Quantos sorriem exteriormente enquanto padecem de profunda exaustão espiritual. O vazio existencial não nasce da ausência de bens, mas do afastamento dos valores eternos. Quando a alma perde o sentido de sua origem e de seu destino, instala-se a inquietação que nenhuma conquista terrestre consegue dissipar.
Por isso o compromisso para com o Espiritismo não deve limitar-se ao estudo intelectual. Trata-se de um compromisso com a própria transformação moral. Não basta conhecer as leis espirituais. É necessário vivê-las. Não basta admirar o Evangelho. É indispensável incorporá-lo às atitudes diárias. O verdadeiro espírita reconhece que cada palavra estudada exige uma correspondente renovação de conduta.
A felicidade não é um prêmio reservado aos que jamais choram. Ela floresce justamente no coração que aprendeu a atribuir significado às lágrimas. A serenidade não consiste na ausência de provas, mas na capacidade de atravessá-las sem perder a confiança em Deus. O homem verdadeiramente feliz é aquele que descobriu que sua paz não depende das circunstâncias exteriores,
mas da harmonia de sua consciência. O Espiritismo permanece como o grande Consolador prometido pelo Cristo. Não porque elimine todas as dores, mas porque lhes oferece explicação. Não porque suprima as provas da vida, mas porque revela sua finalidade educativa. Não porque afaste as lágrimas, mas porque lhes confere dignidade e esperança. É o Cristo redigido em princípios, esclarecendo a razão sem sufocar o sentimento. É a luz que dialoga com a inteligência e aquece o coração. É o convite permanente para que o ser humano abandone a condição de simples habitante do mundo e se torne, conscientemente, um viajante da eternidade.
Marcelo Caetano Monteiro.
Enquanto todo mundo quer mais
Meu coração deseja um pouco menos
Menos astúcia, menos desconfiança
e um pouco menos angústia
Meu coração de criança
deseja que não houvesse
este excesso de falsas promessas
Proferidas por tantas mãos
unidas em prece
Eu queria que no mundo houvesse
Menos dor, menos rancor e falsidade
Procedente deste excedente de má vontade
Queria viver, enquanto há vida
Uma vida que fosse, ao menos levemente
uma vida de verdade
Enquanto meu coração pede menos
Os meus olhos pedem mais
Mais abelhas entre as flores
Mais aviões no Céu
todos feitos de papel
Mais sapos a cantar na noite
Mais estrelas visíveis
No clarão da madrugada
Mais sonhos possíveis
Mais frutas nos pomares
Promessas verdadeiras
Agradecidas nos altares
Sorrisos costumeiros
e cumprimentos matinais
e poemas madrigais
e que houvesse lugar pra todos
O último e o antepenúltimo
O primeiro e o segundo
Meus olhos desejam ver
Um pouco mais de amor neste mundo.
As pessoas se defendem mostrando aquilo que permitem, as vezes é necessário afastar-se um pouco, para que possamos ver por de trás de seus muros de vidro.
Salpicos de espiritualidade permitem lampejos de consciência espiritual.
Um pouco mais despertos em dado momento, nossos corações tocam a música da vida com tambor sagrado.
Gratidão eclode, olhos lavam o rosto
É quase possível tocar o propósito maior e nos fartamos do gentil banquete que vivermos na casa da Gaia.
Solidão
Todos nós somos sozinhos,
uns um pouco menos, outros um pouco mais,
mas mesmo assim, somos sozinhos.
A solidão é uma dádiva,
quando se sabe aproveitá-la,
ou pode ser um peso,
carregado por uma dúvida:
o porquê sou tão sozinho?
Essa pergunta não sei responder,
só o que falta é tentar entender.
Ser só pode doer até ver que consegue viver em um mundo onde,
só houver você .
Talvez a resposta não seja fugir,
mas aprender a existir em mim,
porque no silêncio que eu tanto temi,
encontrei partes que ainda não vi.
Isadora de Lima
Na varanda do quintal
Igual a tantos ontens
Hoje escondo um olho à luz do Sol
E vejo um pouco mais aquém
E penso por um segundo
Que nunca olhei tão profundo
Enxergo em olhar marimbondo
Levando pra sob o telhado
A alguma coisa que Deus lhe deu
E concluo aqui comigo
Se esse voar fosse meu
Eu voava até o fim do mundo
Chegando o final do dia
Dizia pro meu amor
Por favor, se ainda não me esqueceu
Se eu fosse você, não esquecia.
Abelha a fazer mel na telha
Desde que sumiste
A chama da vela
Bailando tão triste
Madrugada que ainda clareia
Na areia das horas
Caminho de volta
Não há nada que eu faça
Ou que possa fazer
O monstro da Santa Agonia
É fumaça de vela a também ir embora
Aquilo a que tanto eu queria
Vou querer por mais outro dia.
Edson Ricardo Paiva.
Pedi ao Sol um quente abraço
Pedi ao tempo que parasse
e olhasse um pouco pra gente
Tentei escrever uma canção
Que falasse da lua nova
Quando míngua pra crescente
Saí à rua pra fazer
Alguma coisa que eu há muito não faço
e esperei o Sol nascente
Saí ao mundo pra fazer
Quem sabe, o que nunca fiz
Te convidei pra vir dançar na chuva
Meti minhas mãos num arco-íris
Qual se ele fosse um par de luvas
Te perguntei se era feliz
Pedi ao vento uma resposta
Falei com os companheiros
Que me cercaram a vida inteira
Agradecendo aos rios
Não chutei, nem desviei-me
das pedras do caminho
Cantei canções para o mar
Depois eu dei um abraço no ar
Coisas que fiz a vida inteira
Por cada irmão que me cercasse
e antes que o dia acabasse
Voltei pra casa e fiz algo
Que desde há muito eu não fazia:
Sorri meu melhor sorriso pra noite
e desejei bom dia ao dia
Mas não me senti satisfeito
O Sol no céu
Águas no mar
O rio no leito
A chuva que cai neste canto do mundo
Num pranto profundo e na mesma cadência
Então eu perguntei à lágrima
O porquê da tua ausência.
Edson Ricardo Paiva.
Eu desisti, fiz de tudo e mais um pouco, eu desisti por mim, "por ter feito de tudo e mais um pouco", desisti por andar no escuro do túnel, e enxergar a luz que não encontrei em seus olhos
Ao beijo atribuído
sem tom
de amor:
Teu crescer
pouco a pouco
em respirar leve,
de tendências breves
á tudo que se segue;
Decaindo a tarde
ninguém ignora
nada mais
por aqui.
