SER ESPÍRITA. O ser espírita... Marcelo Caetano Monteiro

SER ESPÍRITA.
O ser espírita compreende, pouco a pouco, que não estamos na Terra para habitarmos um parque de diversões destinado aos caprichos transitórios da personalidade. A existência corpórea é uma escola venerável, um educandário da alma, onde cada experiência encerra uma lição e cada desafio contém uma oportunidade de engrandecimento moral. A aula já vai começar para muitos corações, e a consciência deverá despertar ante os acontecimentos que se desenham no horizonte da humanidade.
Viemos de um pretérito profundamente compromissado. Trazemos na intimidade do ser débitos acumulados, equívocos esquecidos pela memória biológica, mas registrados nas profundezas do Espírito. Contudo, trazemos igualmente conquistas silenciosas, virtudes em germinação e tesouros morais adquiridos ao longo da jornada multimilenar. Somos herdeiros de nossas próprias obras.
A dor, essa sombra de justiça que habita os caminhos da evolução, caminha lado a lado com a alegria. Não surge como castigo, mas como instrumento educativo. Ela visita as lágrimas para ensinar o valor da serenidade. Aproxima-se do vazio existencial para recordar à criatura que nenhuma realização material consegue preencher as regiões mais profundas da alma. O sofrimento, quando compreendido sob a luz da imortalidade, converte-se em oficina de renovação interior.
O Espiritismo apresenta-se como uma bênção de luz para as consciências inquietas. Diminui as indagações que atormentam o pensamento. Clareia as noites de perdição moral. Alimenta a fome de significado. Sacia a sede de transcendência que tantas vezes buscamos inutilmente nos prazeres efêmeros da existência terrestre. Sua mensagem convida ao equilíbrio, à responsabilidade e ao autoconhecimento.
Quantos corações vagueiam entre os ruídos do mundo carregando silenciosamente uma tristeza sem nome. Quantos sorriem exteriormente enquanto padecem de profunda exaustão espiritual. O vazio existencial não nasce da ausência de bens, mas do afastamento dos valores eternos. Quando a alma perde o sentido de sua origem e de seu destino, instala-se a inquietação que nenhuma conquista terrestre consegue dissipar.
Por isso o compromisso para com o Espiritismo não deve limitar-se ao estudo intelectual. Trata-se de um compromisso com a própria transformação moral. Não basta conhecer as leis espirituais. É necessário vivê-las. Não basta admirar o Evangelho. É indispensável incorporá-lo às atitudes diárias. O verdadeiro espírita reconhece que cada palavra estudada exige uma correspondente renovação de conduta.
A felicidade não é um prêmio reservado aos que jamais choram. Ela floresce justamente no coração que aprendeu a atribuir significado às lágrimas. A serenidade não consiste na ausência de provas, mas na capacidade de atravessá-las sem perder a confiança em Deus. O homem verdadeiramente feliz é aquele que descobriu que sua paz não depende das circunstâncias exteriores,
mas da harmonia de sua consciência. O Espiritismo permanece como o grande Consolador prometido pelo Cristo. Não porque elimine todas as dores, mas porque lhes oferece explicação. Não porque suprima as provas da vida, mas porque revela sua finalidade educativa. Não porque afaste as lágrimas, mas porque lhes confere dignidade e esperança. É o Cristo redigido em princípios, esclarecendo a razão sem sufocar o sentimento. É a luz que dialoga com a inteligência e aquece o coração. É o convite permanente para que o ser humano abandone a condição de simples habitante do mundo e se torne, conscientemente, um viajante da eternidade.
Marcelo Caetano Monteiro.