Isadora de lima
Hipócritas
Quando você já experimentou os dois lados da moeda,
você percebe o quão hipócrita é.
Em um dia sendo oprimido, no outro, opressor.
Em um dia te olham torto, no outro, quem olha é você.
De um lado da moeda,
te deixam de lado, formam suas panelas, e o intrometido é você.
Quando senti esse sentimento tão vazio,
parecia o fim do mundo.
Só torcia para que alguém olhasse, sorrisse e puxasse algum assunto.
Pensei comigo mesmo: “Será que estou tão errada em tentar interagir?”
Mas daí nós vemos, de repente, do outro lado da moeda,
e percebemos que o que mais temi, cometi,
e vi tarde demais que excluí uma das várias pessoas
que passaram por mim.
Solidão
Todos nós somos sozinhos,
uns um pouco menos, outros um pouco mais,
mas mesmo assim, somos sozinhos.
A solidão é uma dádiva,
quando se sabe aproveitá-la,
ou pode ser um peso,
carregado por uma dúvida:
o porquê sou tão sozinho?
Essa pergunta não sei responder,
só o que falta é tentar entender.
Ser só pode doer até ver que consegue viver em um mundo onde,
só houver você .
Talvez a resposta não seja fugir,
mas aprender a existir em mim,
porque no silêncio que eu tanto temi,
encontrei partes que ainda não vi.
Isadora de Lima
Alguns meses atrás, me peguei te olhando estranho.
Pensei: “o que é isso? No que estou pensando?”
Com o passar dos dias, me vi te admirando.
Admiração é algo tão normal, não é?
Depois de algum tempo, nos imaginei juntos
e me perguntei por que a nossa criatividade vai tão longe.
Que coisa ridícula.
E quando me dei conta, estava querendo te ver.
Estava reparando no que você fazia,
em como cortou o cabelo,
no livro que estava lendo,
até nas músicas que costuma ouvir.
Percebi que não tinha como voltar atrás.
Já estava eu submersa nas minhas emoções,
querendo sair correndo,
talvez gritando: um “eu te amo”.
Aí me veio a pergunta:
grito bem alto
ou abafo essa voz no fundo do peito?
Mas, mesmo que eu tente esquecê-lo,
meus pensamento colidem com meu coração e a minha alma.
E, quando vejo, estou refém de um alguém
por quem anseio a todo momento.
Uma pessoa com quem me preocupo.
Olho e pergunto:
“está tudo bem?”
E esse alguém responde:
“sim, tudo ok.”
Quando sei que não está.
Mas o que eu queria mesmo
era estar ali ao seu lado, oferecendo-lhe um abraço.
Só não sei se tenho esse direito,
até porque somos meros amigos
ou, melhor dizendo, conhecidos.
E logo depois me repreendo
e digo:
“pense em você, somente em você.”
E por esse motivo me engano,
dizendo que isso vai passar,
que é algo tão supérfluo,pra que se preocupar? por que se importar.
Mas, quando penso que deixei pra lá,
meus olhos se encontram com os seus
e esse sentimento tão avassalador e imprudente
me lembra que menti para todos…
inclusive para mim.
