Poeta
O poeta sangra
A caneta é sua lâmina, o papel, seu altar,
No silêncio das palavras, seu tormento a ecoar.
As letras se entrelaçam, dançando em desespero,
O vento um mistério, seu amor verdadeiro.
A tinta escorre como lágrimas da alma ferida,
Cada palavra, uma cicatriz, uma ferida abatida.
Entre versos e rimas, ele derrama sua verdade,
Como um rio de emoções, fluindo na saudade.
Sobre as páginas brancas, o poeta desnuda a dor,
Desenha com versos as sombras que traz no interior.
Seu sangue, a tinta que colore a narrativa,
Cada estrofe, um eco de sua jornada sensitiva.
Talvez o protagonista dessa história seja o coração.
Mas, é na boca do estômago onde se encontra a emoção.
Borboletas presas moram lá, e quem será capaz de as libertar
O poeta sangra, sobre as páginas que estás a escrever.
Pois cada gota derramada é a própria ternura.
Sonhar com um amor real é uma verdadeira tortura.
- Nanda Caelum
Refúgio de palavras sutis,
E asperezas proferidas
Por quem poeta se diz
La na frente cor e belo
Cidade de gente feliz
Por mais que seja belo
Surpreendente horizonte
Abriga rima e duelo
E as frases confortáveis,
De quem ontem escreveu.
Com típico lirismo cínico,
De quem já viveu no breu.
Poesias tão urbanas,
Forjadas na solidão,
Desviam, mas sem sucesso
Das ladeiras de desilusão.
Cafezinho misturado
Com aroma de cachaça aqui.
Passa gente, passa vida,
De tudo em BH vi.
É forte o cheiro de café,
Com história, clube e esquina
Mineirice contém fé.
Mineira é gente minha
como é forte a relação
entre o poeta e a decepção
nasce do depósito de um caminhão,
em quem sequer comporta um carrinho de mão
Pensar que outra vez tudo foi em vão,
A quem prefere deixar a toalha cair,
ficando com a razão em escolher se prostituir,
não importa com quantos durma,
o importante em suma é presumir,
uma imagem inabalável que vale até mesmo a todos destruir,
para que seu mundo de segredos não venha a ruir.
Desses versos mais uma vez
a prova de que o coração do poeta é apto a estupidez
ou talvez enganado, por quem não perdoa
a quem um dia a balançou
e acreditou em tudo que tal pessoa um dia falou,
a vida dá sinal, ser meticulosa com a família
o que poderia esperar do final?
Guaratinguetá, 24 de Maio
Leonardo Procópio
Amor de Poeta
No peito do poeta, amor é chama,
Fagulha que acende a alma inquieta,
É rio que corre, sem ter quem o trama,
É canto que nasce de forma completa.
Seu amor não vive em moldes terrenos,
Transcende o toque, o olhar, o lugar.
É feito de versos, de sonhos serenos,
De tudo o que o mundo não pode tocar.
Ama a dor, a saudade, o impossível,
Ama o instante, o futuro, o jamais.
No poeta, o amor é tão indivisível,
Que abraça os mortais e os imortais.
É arte, é entrega, é pura loucura,
É querer transformar o banal em magia.
No coração do poeta, a alma é tão pura,
Que o amor é poesia... e a poesia, utopia.
"Engano seu
se achou que o poeta morreu
ele pegou a caneta e o caderno no escuro acendeu
Ele olhou para o espelho e percebeu
E disse...
- prezado eu...
-Existe um louco mais louco do que eu?
Engraçado que o espelho respondeu
-Sua loucura não é problema meu"
Na madrugada escura, um poeta inquieto,
Toma seu café, com a mente em seu devaneio,
Envolto em paranoias, em um mundo secreto,
Fuma seu cigarro, num vício sem receio.
As sombras dançam, conspirações no ar,
No fulgor da fumaça, surgem temores,
A mente do poeta, em seu solitário lar,
Vagueia por estradas de loucuras e horrores.
Os versos fluem, mas as dúvidas persistem,
No eco das palavras, o medo se instala,
Será a genialidade um dom que o assiste?
Ou apenas ilusão, que à mente se iguala?
A fumaça se desfaz, em volutas no ar,
Enquanto o café esfria em sua xícara,
O poeta se perde, em teias a conspirar,
Entre o genial e o insano, numa linha tão rara.
As palavras são suas armas, suas aliadas,
Mas também suas inimigas, suas prisões,
Na mente do poeta, as paranoias elevadas,
Desvendam mistérios ou criam ilusões?
Em meio à névoa densa, surgem figuras sombrias,
Personagens dos versos, em sua insanidade,
O poeta observa, confuso em suas ideias,
Entre a realidade e a ilusão, sem clareza ou verdade.
No silêncio da madrugada, sua mente vagueia,
Emaranhada em teias de pensamentos inquietos,
O poeta, entre o café e o cigarro, ideias freia,
Nesse eterno conflito, entre sanidade e seus dilemas secretos.
Assim, ele escreve, nas linhas tortas do papel,
Suas paranoias, suas angústias, seus anseios,
Um poeta em busca de um significado cruel,
Na madrugada escura, onde se perde em devaneios.
Que o café e o cigarro o acompanhem nessa jornada,
Que suas paranoias sejam apenas tintas na tela,
E que a poesia o acalme, traga luz à sua estrada,
Enquanto a madrugada testemunha sua mente tão bela
O CORDEL ESTÁ DE LUTO
Nos versos bem traçados
Em pedaços de papel
O poeta rabiscava
A beleza do cordel
Hoje fez grande viagem
Mudou-se para o céu.
Com seu jeito amigo
Assim será lembrado
Elton Magalhães
Um poeta renomado
Baiano de Castro Alves
Escreveu o seu passado.
Triste poder falar
É um grande sentimento
Deus está à sua espera
Chegou o seu momento
O cordel está de luto
Tudo na vida tem seu tempo.
Irá Rodrigues.
Doçuras do Mucuri
Brota no Vale do Mucuri
O menino poeta do Mucuri
Na plenitude do tempo de exceção
Os céus riscados com chumbos
Da beligerância, da boçalidade
O assustado jovem brilha
Como estrela reluzente
Em meio ao bucólico bairro Bela Vista
Na Sapucaia ou Surumaia, afloram
Sentimentos bons, com raízes
Dos Suspiros poéticos e saudades
Um estilista mergulhado nas figuras
De construção do moderno vernáculo
Suas hipérboles de amor e paixão
Sua sensibilidade em retratar
O caminho da perseverança
Na incessante busca por valores
De eticidade imutável e solidez
De honestidade e compromisso ético
Imersão nas ondas renovatórias
Do humanismo petrarquiano exacerbado
Um colorido de juridicidade poética
Da exordial, a parte dispositiva
Um tom romântico de doçura
Da lucidez de paixão desenfreada
Um misto de silêncio e musicalidade
Nas elucubrações noturnas
Com seu estilo singular e próprio
Uma paixão desenfreada por
Sua Terra do Amor Fraterno
Sua Filadélfia de estimação
Sempre enaltecida em versos e prosa
Da encantadora Fonte Luminosa
O encanto da Praça Tiradentes
A raridade do Alto do Iracema
Exaltando com profundidade
Néctar de eterna ternura e paz espiritual
Raridade policroma nas gemas preciosas
Águas Marinhas, Topázio, Safira, Ametista
O encanto da Lagoa do Marajoara
O festival de pedras nas ruas do Jardim das Acácias
Ametista, Berilo, Crisólita, Topázio,
Diamante, Águas Marinhas, Safira, Turmalina e quejando
A serenidade do bicho-preguiça enfeitando a bela
Praça Tiradentes
Por isso, o poeta há de ressaltar
Jorrando sangue do tenro coração
Admiração e amor a Mucuri
Terra nobre, pequena e saudável!
Águas líricas, verdes campos...
Caminhos que levam à saudade
Mucuri, lamúrias por ter te deixado.
Fonte de prazer, do brilho ardente do sol.
Da frieza da brisa de primavera
Do cantar saudoso do colibri
Mucuri, horizonte azul de minhas quimeras.
Seu infinito é um pouco de meu pranto
Tuas muralhas afastaram-te de mim
Doce jaqueira, pequeno pomar de paz!
Mucuri, terra fértil onde nasci...
O poeta, esse “figura” da linguagem
Poeta já nasce metáfora: nem é homem, é bruma
Detesta comparação: sua carne é tal como purpurina
Casa antíteses, juiz de paz de terra e céu
Dispara metonímias lendo Drummond e Gullar
Mata catacreses ao dar nome ao que não o tem:
Braço de sofá vira espuvelo, assim, na caraça
Celebra paradoxos, esses desconstrutores criativos:
Como encher de vazio um balão vazio?
Faz tudo dialogar em prosopopeias, a caneta chora, o chapéu gargalha
É bicho todo trabalhado na sinestesia: degusta a paisagem, ouve seus aromas
Radical, rima o rumo dos versos em aliteração
É um babaquara da assonância, um papa-vatapá
Desafios opera o poeta em hipérbatos
Faz rir nas onomatopeias, feito garnizé cocoricó
Desce pra baixo do mar molhado em seu submarino, o pleonasmo
É polissíndeto: É alegre e loquaz e terno e carmim
Mas tem lá seus momentos assíndetos: solitário, introvertido, fujão
Viaja em anáforas: se eu voasse, se eu pudesse, se eu sonhasse, se...
“Quero morrer de tanto versejar”, vocifera, hiperbólico
“Ou bater as botas de mui cantar”, solfeja em eufemismo e preciosismo
Dias há em que escreve com a delicadeza de uma mula (opa, contém ironia!)
Outros em que lança os versos pela janela com um lacônico “Que tédio!” em apóstrofe
Nesse jogo de encanta e cansa, o bardo executa sua dança
E nos diverte com sua graça, humano que é, esse figuraça...
Criei este poema para ajudar estudantes – do aluno do Fundamental ao concurseiro – a aprender se divertindo e, claro, para ajudar também a professores. Se você curtiu, compartilhe o poema para que ele possa divertir a mais necessitados!
POETA NILO DEYSON
Quero acordar do sonho e encontrar
Minha pequena, meu amor, meu
Universo que me acompanha
Desde a fundação da consciência
Eu não quero acordar sem ela;
Deixe-me dormir e sonhar que
É normal um amor profundo e
Proibido, mas verdadeiro puro
DESCULPE-ME O POETA
Prefiro a vida do romance que machuca,
à ficção da poesia que conforta.
Prefiro o romantismo e suas marcas profundas,
às farsas e seus afagos poéticos.
Prefiro a verdade poética do romântico,
à ilusão romântica do poeta.
Prefiro o segundo do romance sem tempo,
à eternidade da poesia sem fim.
Prefiro o cinza do romance imperfeito,
à cor da poesia sem defeito.
Prefiro a triste lembrança do romance,
à feliz imaginação da poesia.
Prefiro o calor de um abraço mudo,
à palavras em folhas frias!
Claudio A Broliani
A Felicidade do Poeta
No livro que o ano escreve em segredo,
nas páginas que o tempo molda ao vento,
escrevi a terceira, mas desde o começo,
meu pensamento voava em desalento.
Felicidade não bate à porta fechada,
não adentra o peito de grades cercado.
O poeta, com a alma em fogo cravada,
abre-se ao mundo, mesmo que marcado.
Nas palavras, o riso às vezes se esconde,
mas a busca é constante, nunca em vão.
A felicidade, quando o poeta responde,
é sentir o pulsar da própria criação.
Que venha o novo, a página por virar,
e que o poeta, ao escrever seu caminho,
encontre na alma, no ato de criar,
a chave para abrir o mais doce destino.
SimoneCruvinel
O Lirismo do Poeta
Manhã ensolarada,
O céu com nuvens coloridas;
O vento balança as folhas dos coqueiros,
A alegria na inocência das crianças.
O azul anil da piscina
Transforma a beleza de um dia de domingo.
Minha musa se apresenta,
Como deusa da beleza.
O sobrevoo dos pássaros em chilreio
Anuncia o encanto do verão.
A inspiração do menestrel do Mucuri
Rasga o coração para jorrar
O sangue da ternura e do amor.
O verde das árvores guarda resquícios
De primavera.
Os arranha-céus colorem a exuberância
Do espaço de encanto e prazer,
Aflorando o lirismo do poeta,
Com suspiros e saudades.
A paz cultuada na essência
Da bela ária que ecoa nos ouvidos
Daqueles que apreciam
O néctar da vida.
Ser poeta. O poeta é por natureza um sôfrego, Às vezes um indolente sem medidas, Em seu âmago, um pouco incauto, exagerando as alegrias da vida. Poetiza angústias e aflições, ressignifica as incertezas, e constrói castelos com tijolos de ilusão… Transforma as dores em amores, e o Amor é seu eterno companheiro… Versejando e andejando nos caminhos mais estreitos. Janice Cisne
