Poesias sobre o Frio
Há dias em que caminho como quem atravessa um inverno sem fim. Dentro de mim, tudo parece frio, pesado, quase irreconhecível. Cada passo é menos coragem do que insistência em não cair. E sigo, não porque a dor diminuiu,
mas porque me recuso a deixar que ela escreva o fim da minha história.
Já era tarde da noite. Fazia muito frio.
Dividíamos o mesmo táxi.
- Então, vai mesmo voltar ao Brasil?
- Vou sim. Prefiro amor.
- Você acredita mesmo no amor? Perguntou-me, e gargalhou. Gargalhou muito.
- Acredito sim. E fechei-lhe a cara.
Pois é...Desculpa ter até quebrado o gelo com a minha grosseria.
Eu deveria mesmo era ter gargalhado junto contigo.
Noite chuvosa e frio intenso.
Milhares de pensamentos invadem minha mente e não consigo me concentrar em nenhum deles.
O Homem que Carregava o Frio
Eu carregava sacos de gelo durante o dia,
mas era a minha própria alma que congelava aos poucos.
Minhas mãos tocavam o frio da pedra,
enquanto meu corpo aprendia uma nova forma de dor.
Ao chegar em casa, a noite não trazia descanso;
trazia o julgamento do próprio corpo.
Cada músculo queimava como brasa escondida,
cada respiração era uma lembrança
de que eu ainda precisava continuar.
Deitado no escuro, entre o silêncio e a agonia,
eu não pedia riqueza, nem uma vida perfeita.
Minha única oração era simples:
“Que eu acorde amanhã.”
Porque havia um peso maior que a dor dos braços,
maior que o cansaço dos ossos:
era saber que o mesmo sofrimento me esperava no dia seguinte.
E mesmo assim eu levantava.
Vestia minha coragem como quem veste uma roupa velha,
pegava o caminho de sempre
e enfrentava mais um dia.
Ninguém via as lágrimas que eu engolia,
ninguém ouvia as batalhas travadas dentro de mim.
Mas ali estava eu —
um homem ferido pelo tempo,
mas ainda de pé.
Não porque era fácil suportar,
mas porque havia algo em mim
que a dor nunca conseguiu destruir.
Quando toco a vela acesa, eu não sinto dor
Tanto faz se estou no frio ou no calor
O meu coração não bate, mas ainda assim se parte
E não deixa de sofrer, recusando se render
A morte em mim está
Mas ainda tenho lágrimas pra dar!
Filme: A Noiva Cadáver
Música: Ele Ainda Te Conhece Tão Mal
Original: Tears to Shed — Danny Elfman
VOZES:
Emily: Marya Bravo
Aranha: Ester Elias
Verme: Telmo de Avelar
O vento é frio e implacável, atravessando a noite silenciosamente, cortando a pele e carregando consigo o peso de um mundo indiferente.
_Autor: James Richard Ferreira Pantoja
_Pseudônimo: KANGAL
A herança crua de um toque que corta sem lâmina,
instala seu frio nas dobras da alma e chama isso de casa.
Amor sem nome, aprendido no avesso. Ardor confundido com abrigo,
pressão travestida de cuidado,
silêncio pesado chamado de paz.
E então derrama,
em gotas quase invisíveis,
aquela mesma ferrugem que um dia bebeu. Inteiros são partidos em estilhaços mansos,
feridas plantadas como quem oferece flores tortas, e quem recebe nem sempre entende, só sente o desalinho.
Mas pra quem carrega, é lógica, é caminho, é o único idioma que respira.
Até que um instante rasga o véu do costume,
um espelho sem anestesia,
um cansaço que grita baixo.
E vê.
Não era amor, era eco.
Não era cuidado era defesa com gosto antigo.
E no susto da lucidez,
começa o desvio do próprio rastro:
mão contida antes do corte,
palavra filtrada antes da queda,
impulso domado na beira do abismo cotidiano.
Troca-se a migalha densa do caos
por gestos ainda frágeis de inteireza.
E onde antes rastejava a repetição cega,
ergue-se, hesitante,
um novo jeito de existir que não fere pra sentir.
Título: O som do amaldiçoado
Chovendo em dias sem sentido,
O frio virou o meu melhor amigo ,
Não conseguia acreditar, nem podia revirar eles tomaram meu corpo
E me enchecaram de coisas não conhecidas por mim
Estou com medo
Com dores
E
Tonturas, e acho que não consigo ver , nem sobreviver
A coisa olhou pra mim
Encarando minha vida
Como se o terror não tivesse fim,
Queria socorros
Mas não podia
Aí quem me dera poder socar o meu corpo
Haver se eu ganhasse juízo
E pensa-se pela minha vida ,
Mas, não, o mal olhou pra mim com perolas vermelhas
Ameaçando-me desde a imaginação
Comendo minha cabeça enquanto devorava minhas esperanças
Não podia correr
Porque não queria
No fundo eu já sabia
Que terminaria
Ali, naquela casão
Aonde minha mãe apanhava as águas da vida com medo
Que os seus filhos se adotassem
E o menino, temesse reprovar
O Bodo ria-se de mim,
E prometeu mandar os seus vir rir-se de mim também
Mas tão amaldiçoado eu sou
Como abençoado
Que meu pai inverteu minha maré de sorte
E agora não sei pecar
Nem me dou por pecador
O mal me percegue
Mas não me toma
Pelo tom que me reescreve
Mas olha lá diz o grilo,
Não te disse que você vai escrever
Que teu destino
É o seu caderno
Levanta-te
O. Dos meus .
Pois tens que escrever novos caminhos
E justificar os antigos
A Água Morta
O barco rompe a corda desgastada,
Deixando o cais de espelho raso e frio,
Onde a maré mascara o seu vazio,
E a superfície brilha, imaculada.
Que importa a onda plácida e dourada,
Se não há poço, abismo ou desafio?
O mastro forte exige o mar bravio,
E foge à poça rasa e disfarçada.
É triste, sim, romper a corda gasta,
E ver o cais sumir no nevoeiro,
Sentindo o golpe seco que recorta;
Mas muito mais cruel, e que devasta,
É definhar no fútil estaleiro,
Ancoradouro raso de água morta.
Mãos ao alto,
Num gesto de adoração ao amor.
Coração acelerado, frio na barriga,
Mãos suadas.
Perdi tudo para esse sentimento
Restou apenas eu
E a solidão.
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido sem rumo pelas ondas a rodar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas num melhor lugar...
No meio de uma bagunça que não é pouca... tenho a impressão de que vou ficar... louca...
Do mar espero que venha o conforto
Entro nele devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio mansamente nas águas salgadas meu corpo s salgar...
Deixo a onda me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Deixarei de ser um peso morto...
renascerei em brisa leve, um novo alento,
a sombra se dissolverá em luz,
e o silêncio cantará promessas novas,
nascerá uma força das profundezas de mim que me erguerá e libertará,
vivendo eu, enfim, solto, em paz e vento?
Eis aí um pensamento que me traz na brisa um alento...
Da mudança
Mudar dói... mas mais do que permanecer no mesmo lugar desértico, frio e desesperançável?
Minha zona de conforto se amplia a cada dia. Estou feliz nela? Acho que não. Não... definitivamente não. Mas... Já a conheço tão bem... tudo nela é tão previsível... não há canto escuro ou obscuro pelo qual eu já não tenha passado, olhado, acariciado e colocado bem no fundo do baú. Mas dentro do meu campo de visão... bem à minha mão.
Oras, não sou boba nem nada... o conhecível me faz bem, me dá segurança... tudo bem que tenho de engolir todos os sapos que pululam ao meu redor, mas sei o chá que devo tomar pra não sofrer intoxicação mortal. E há sapos que não são tão venenosos... dá pra engolir de boa mesmo.
Então, não mudo, não sofro. Resignadamente me resigno a tudo e a todos, todos os dias. Mas na segurança do caminho conhecido, of course. Vou eu enfrentar preocupações com mudanças? Sei onde estou. Sei o que tenho. Punto e basta.
Mesmo?
Não sou boba nem nada. Conheço a frase 'melhor um pássaro na mão do que dois voando'... mas sei que isso me diz: 'fique com o menor, assegure-se, mantenha firme o pouco que você tem... deixa ir o maior... dispense o grande'.
Por que, então, conhecedora de que pode haver o melhor, o maior, o mais confortável, o sucesso, a alegria, a paz... e mil e umas outras coisinhas maravilhosas com uma mudançazinha aqui e acolá, eu fico amarrada no mesmo lugar?
Por que fico pagando um preço (talvez alto demais) por uma pseudosegurança?
Se eu agir é sempre fitty-fiffty. E mesmo que seja, como resultado, o fifty
-50%, só o fato de eu ter disposição para correr risco já me faz ganhar... e vai que o resultado seja mesmo o +50%?
Entonces... mudar dói (exige um certo esforço)... mas... se não se mudar nunca se poderá saber o resultado do passo em direção à mudança... e essa adrenalina é boa... ah!!!! se é.
Inverno implacável
No inverno que se estende, frio e implacável,
minha alma vagueia, perdida e sem abrigo.
Procuro a poesia, mas a esperança é frágil,
as palavras escapam por entre meus dedos, como o vento pelas frestas da janela... gelando completamente meu lar, meu abrigo.
Desiludida, caminho por ruas de sombra,
onde o eco do silêncio grita ardorosamente.
A beleza se esconde, a luz já não assombra,
e em cada estrofe, sinto o peso da vida... meus pés dormentes.
Mesmo na noite mais sombria e profunda, porém,
a chama do sonho não se pode apagar.
Pois mesmo cansada, a busca é fecunda,
e um dia, quem sabe, renasça a esperança de recomeçar.
Assim, a dor se transforma em verso,
e o inverno cede espaço ao calor que amana do universo.
Sob a perspectiva do horizonte, o gelo eterno não guarda apenas o frio do mundo. Os fluxos da Lua deslizam sobre a geleira como marés de luz aprisionadas; ali, onde o oceano parece silenciar e a gravidade escreve sua linguagem invisível, reside o silêncio de uma verdade que a humanidade esqueceu de aquecer.
Reno Fioraso
A Água que Escolhi Dividir
Um dia me empurraram para o fundo de um poço.
Escuro. Frio. Silencioso.
Ali eu conheci a dor pelo nome,
a solidão pelo abraço,
e as lágrimas pelo sabor.
Quem me feriu foi embora,
acreditando que ali seria o meu fim.
Mas Deus desceu onde ninguém desceria.
Sentou-se ao meu lado no silêncio,
secou minhas lágrimas,
fortaleceu meus braços
e me ensinou a subir.
Cada pedra virou um degrau.
Cada cicatriz virou força.
Até que um dia eu alcancei a luz.
Lá de cima descobri algo precioso:
quem já conheceu a sede
aprende a encontrar água.
Passei a tirar água do poço
para matar a sede de quem chegava cansado,
ferido, sem esperança.
Então a vida me surpreendeu.
No caminho encontrei justamente quem havia me lançado naquele abismo.
Desta vez, porém, era ela quem estava fraca.
Era ela quem tinha sede.
Era ela quem estendia as mãos.
Eu poderia ter lembrado de tudo.
Poderia ter dito:
“Agora é a sua vez.”
Muitos esperavam isso de mim.
Mas havia algo maior dentro do meu coração.
Porque Deus nunca me deu água
para que eu escolhesse quem merece beber.
Ele me deu água
para que eu nunca esquecesse de onde Ele me tirou.
Então estendi minhas mãos.
Dividi a água que eu tinha.
Ajudei quem um dia me abandonou.
Não porque a dor não existiu.
Não porque esqueci as feridas.
Mas porque o amor de Deus foi maior do que elas.
O perdão não muda o passado.
Mas muda completamente quem escolhe perdoar.
No fim, compreendi que o maior milagre não foi sair do poço.
Foi não deixar que o poço permanecesse dentro de mim.
Meu amor, você é aquela sensação gostosa, de quando o tempo está pra chuva e faz frio 😍
Wanessa Guimarães Z96
Você é o sol que rasga os meus dias depois da tempestade, o calor que cura o frio das minhas ausências e a certeza de que, não importa o tamanho do inverno, com você sempre haverá um calor aconchegante no seu abraço. Olhar para você é entender que a escuridão nunca teve chance. Você me habita de um jeito tão profundo que já não sei onde termino eu e onde começa você. É um sentimento urgente, que incendeia o peito e acalma a alma ao mesmo tempo. Enquanto houver fôlego em mim, você será o meu farol, o meu porto e o meu eterno recomeço. Te amo na calmaria, mas te amo com ainda mais força na intensidade de tudo o que somos. You and me rebirth.
_ Enzo Ruchell_
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Você partiu.
O frio cinza da manhã só viu
meus olhos vazios seguindo
sua imagem aos poucos lá longe sumindo.
Você partiu.
O sol quando chegou
tristemente me abraçou...
procurando preencher o vazio que você deixou.
Você partiu.
As nuvens no céu
cancelaram seu habitual passeio,
e como eu se perguntaram:
'Se era para partir por que você veio?
E você partiu....
Bom dia
A fogueira não pegou,
O dilúvio encharcou,
O frio me congelou,
São João não rolou,
São Paulo não deixou.
Benê Morais
