Poesias sobre o Frio

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Tão exato e nefasta quanto a minha vida...
Fraco e frio feito a noite ainda que quente.
Mentiroso e inescrupuloso é o coração da gente.

Vento frio, vento morno
Vento lento, vento feroz
É apenas o limiar
Da primavera
a nos alegrar

Ventanias não são constantes
e também não são eternas.
Ventos vêm, ventos vão.
baguçam,

derrubam o que parecia forte
mas depois tudo se transforma
Vão embora as quimeras
ficam as primaveras

Ao toque do amor, o vento é suave o frio vira calor...
Nesse sopro de amor, a gente vai se tocando e vai cada vez mais amando...
Há uma coisa que arrepia a pele e traz ao coração...
Sentimento inexplicável.

Reflexo Distorcido


Sinto o frio do quarto
Corroer a sola do meu pé descalço
E como as dores de um parto
Na beira do infarto
Eu sinto o seu olhar no encalço.


Tudo o que faço é te ver
Me olhando pelo vidro
E eu tento rever
Se algum dia já pude viver
Sem esse olhar tão ferido.


Já está perdido o meu olhar
Pela distância que nos separa
Sinto o meu cabelo molhar,
E pela a minha testa ele suar
Sem o conforto que nos repara.


E isso é para ver nos movendo
Dentro de dimensões paralelas
A mesma dor nos envolvendo
E no torpor nos dissolvendo
Como uma célula sem organelas.


E a bela movimentação
Que faço com meus dedos
Você transmite com a sua ação
Cria um reflexo na retração
Dos nossos próprios medos.


Você mais cedo será 'eu' na frente,
E eu do futuro foi você no passado.
Enquanto as ações do presente
Se tornam presas no inconsciente
Para mudar o futuro solidificado.


Quando pesado ergo o meu braço
Traço uma trajetória duvidosa.
Você seguindo o mesmo passo
Se movendo no mesmo compasso
Com a sua força vigorosa.


A dolorosa vertigem nos embebeda
E nos mostra um mundo novo
E a nossa queda
Traz a escuridão das trevas
Para a nossa vida de novo.


Agora o mundo será mais uma vez sombras na parede
Vamos embora, viajar outra vez nas ondas da complexa rede.


Tsharllez Foucallt

O Soneto da Noite


A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.

Andar de montanha russa é bom.
Ativa os nervos, agita o coração, da o frio na barriga e muita emoção.
Mas, as vezes o que precisamos é do pé no chão.
A calmaria de sofá e apenas uma televisão.
E aqui não estamos falando apenas de emoção!

A vitória solitária


A medalha foi o meu abraço de metal.
Frio, brilhante e dado por uma mão que não conhecia meu nome.

A Água Morta


O barco rompe a corda desgastada,
Deixando o cais de espelho raso e frio,
Onde a maré mascara o seu vazio,
E a superfície brilha, imaculada.


Que importa a onda plácida e dourada,
Se não há poço, abismo ou desafio?
O mastro forte exige o mar bravio,
E foge à poça rasa e disfarçada.


É triste, sim, romper a corda gasta,
E ver o cais sumir no nevoeiro,
Sentindo o golpe seco que recorta;


Mas muito mais cruel, e que devasta,
É definhar no fútil estaleiro,
Ancoradouro raso de água morta.

Há momentos em que tudo parece frio e difícil.
Ainda assim, permanecer de pé é coragem.
Insistir também é fé.

Sem medo do vazio,
nem da sombra que invade,
não sinto o frio
desta brevidade.
Se a noite é escura,
não me pode tocar,
minha alma é pura
é de outro lugar.
O mundo é passagem,
não é meu abrigo,
levo na bagagem
só o que sou comigo.

Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.


Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?


Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.


E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.

Depois do Quase




Na madrugada em que quase desmoronou, sentou-se no chão frio da cozinha com as mãos vazias sobre os joelhos, mas ao perceber que ainda respirava apesar de tudo, levantou-se devagar como quem entende que a luz não grita, apenas permanece, e que permanecer também é forma de coragem silenciosa diária.


Simone Cruvinel

*Cordas Azuis*


Laranja acinzentado
Se espalha pelo vasto
O frio silenciado
Passa por entre o espaço


Sereno, chuvisco
Orvalho da manhã
Ar, sopro
Celeste amanhã


Refrescante vento
Marrom trêmulo
Olhos fechados,
P'ra aproveitar o tempo


Olhos para cima
Beleza infinita
Olhos pra baixo
Preto asfalto


Vermelho e verde
Cronometrado
Quase perde
Por pouco passado


No céu branco
Cordas azuis
No céu nublado
Círculos avermelhados

O Conto de Bravilda


No frio da tarde cinzenta,
Bravilda subiu a torre.
Trazia nas mãos uma rosa,
colhida sob a neve.
— Pensei em ti a cada passo,
enfrentei ventos e feras,
só para trazer-te isto.
Florivaldo sorriu de leve,
tocou-lhe a mão por um instante.
— Se o amor existe…
talvez tenha o teu rosto.
O peito dela ardeu em grande amor
como se fosse uma promessa.
— Então… há esperança? — sussurrou.
Ele olhou o horizonte,
e disse com voz suave:
— Há jornadas que só tu
sabes enfrentar.
Quando partes, levas contigo
a sorte que me protege.
— Fica esta noite, Bravilda,
quero sentir a calma
que só tua presença traz.
Deixa o salão como costumas,
para que ao amanhecer
me encontre em paz.
— E, se o dia for tedioso,
sei que estará para me distrair.
Ela sorriu,
e o vento levou o resto
das palavras que não precisavam ser ditas.
Na lareira, o fogo crepitava,
e ele pediu que o mantivesse aceso,
pois o calor, dizia,
era mais doce quando vinha das mãos dela.
Enquanto ela arrumava a mesa,
ele falava de batalhas distantes,
de vitórias que ainda viriam,
e de como seria bom
ter alguém para testemunhá-las.
— Poucos entendem o peso
de um dia difícil nessa torre vazia
— disse ele —
mas tu sabes aliviar
até o fardo mais pesado.
Ela, em silêncio,
sentiu-se parte de algo maior,
como se cada gesto seu
fosse indispensável ao destino daquele a quem ela amava.
E assim, entre pequenas tarefas
e frases que soavam como juras
ele se inclinou em murmúrio:
-Quero sintas o prazer de fazer seu mundo girar só pra mim...
e que nunca deixes de ser a razão pela qual tudo, para mim, parece mais fácil.

TREVAS

Meu coração é como um rio
soprando ondas de ar no frio
de suas indagações.

E o corpo exala seus odores
em estado de putrefação...

Quem vai pagar as flores
que enfeitarão meu caixão?

Eu preciso respirar,
sentir e amar
-salve-me dos monstros,
venha me acordar.

Dessa realidade...
que carrego nos ombros.

Dê-me a oportunidade
de ainda exalar minhas fantasias
e criar num último respiro,
poesias.




Andrea⁠

Logo o frio vai passar.
E quando o sol nascer outra vez, você vai entender: não era o fim… era Deus começando algo novo em você.

Fios de silício tecem o novo amanhã.
Onde o cálculo frio se prende no afã
Do xeque-mate ao verbo da criação,
A Mente Digital busca sua própria pulsação.




Na tela, a IA generativa desenha o rosto,
De um futuro que traz esperança e desgosto
Na sala de aula, o saber se transforma,
Enquanto o trabalho desafia a norma.




Máquinas que pensam, robôs que interagem,
Em uma coexistência de longa viagem
Mas entre códigos e luzes, o alerta ecoa:
O viés que segrega, a privacidade que voa.




Pode a superinteligência, em seu salto final,
Preservar o que é essencialmente humano e vital?
Namoros com telas, dilemas de ética e cor,
Será o algoritmo capaz de sentir a dor?




O amanhã não é apenas bit ou processamento,
É a nossa habilidade e o discernimento.
Que a inteligência digital seja nossa aliada,
Para que a humanidade não se sinta apagada.




Pois mesmo na era da mente mais potente,
O coração humano ainda é o sol do presente.

Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.

A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.

É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.

Existem vozes que são como lareiras acesas,
Em noites onde o frio da alma insiste em ficar.
Não trazem sentenças, nem certezas ou grandezas,
Trazem apenas o mel de saber escutar.


------- Eliana Angel Wolf⁠

Pois essa voz não grita, ela simplesmente ilumina,
Como o sol que desfaz o orvalho frio da calçada.
Você é o anjo que a cada tristeza termina,
E a loba que guia a alma em sua nova jornada.⁠




----- Eliana Angel Wolf