Poesias sobre o Frio

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Existem vozes que são como lareiras acesas,
Em noites onde o frio da alma insiste em ficar.
Não trazem sentenças, nem certezas ou grandezas,
Trazem apenas o mel de saber escutar.


------- Eliana Angel Wolf⁠

Pois essa voz não grita, ela simplesmente ilumina,
Como o sol que desfaz o orvalho frio da calçada.
Você é o anjo que a cada tristeza termina,
E a loba que guia a alma em sua nova jornada.⁠




----- Eliana Angel Wolf

O asfalto frio conhece bem os meus joelhos
Aquela menina se perdia nos espelhos
Qualquer tropeço era um abismo, um motivo pra parar
O choro vinha fácil, o medo era o meu lugar
Mas o tempo é um mestre que não aceita desculpa
E a dor, aos poucos, foi perdendo a sua culpa.
------- Eliana Angel Wolf⁠⁠⁠

Transformo dores antigas em versos de amor,
ignoro o que é frio e espanto todos os temores.
Esquivo-me do abismo de quem não sabe amar,
e sigo na direção da luz que habita em um olhar.⁠
------- Eliana Angel Wolf

A liberdade não pede Permissão


Houve um tempo de ferro e de frio,
Correntes que apertavam o pulsar do meu braço,
Marcas de um ontem, um longo fio,
Que tentavam prender meu próprio passo.
Mas a coragem, que no peito floresce,
Não aceita a sombra de um fim que não é meu.
Num rompante de alma, a vontade cresce,
E o metal, enfim, a minha força venceu.
O estalo foi alto, o grilhão se partiu,
Caiu no chão o que me impedia de ser.
Não fugi da luta; o medo não me viu,
Cresci guerreira, aprendendo a renascer.
Em cada porta que abri com minhas mãos,
Em cada cicatriz que se tornou estandarte,
Vi que a liberdade não pede permissão,
É uma conquista que nasce da minha própria arte.
Agora, o braço é livre, o punho é estrada,
A voz é o eco do que jamais se calou.
Nenhuma corrente segura quem, na alma curada,
Decidiu que a sua própria história começou.


----------- Eliana Angel Wolf

Estava motivada
No vento e frio ti esperando
O comboio chegava e se afastava
O coração acelerava
O abraço é tudo que queria
Beijar é o que eu desejava
Ti amar é tudo que sei

Os três pontinhos foram se movendo
As expectativas foram se diminuindo
Acontecia o inimaginável
Atrasou, seria celebração
Sobrou apenas desilusão
Carregada de solidão e mais solidão
No meio desta multidão

Respire fundo e solte o ar bem devagar,
sinta sua ansiedade te deixar,
tome um banho frio
e sinta seu corpo relaxar!

Frio chega e com ele,
um pedido:
Doe Um Agasalho pra alguém...
Um alimento também,
mas não conte pra Ninguém!

Não é frio na barriga.
É paz.
É deitar ao lado de alguém
e o corpo finalmente entender
que pode descansar.
É o silêncio confortável,
o braço encaixado sem pressa,
o cuidado nos detalhes pequenos:
o cobertor puxado devagar,
a mão que procura a outra
mesmo dormindo.
Amar assim não dá borboletas.
Dá sono.
Um sono profundo, pesado, tranquilo,
de quem não precisa vigiar o mundo
porque encontrou abrigo em outro peito.
Tem gente que fala de coração acelerado,
mas bonito mesmo
é quando alguém desacelera a gente.
Quando o abraço vira casa,
o carinho vira travesseiro
e dormir ao lado da pessoa
parece a coisa mais segura do mundo.

A água sente a pele da terra,
guarda o calor, o frio, o silêncio.

A água reflete tudo o que existe,
céus, árvores, rostos, sonhos.

Ela não julga, apenas devolve,
um espelho líquido da vida.

No frio da noite,
o vapor se torna orvalho.
Um momento de ciência,
um vislumbre do eterno.
Do invisível ao visível,
do passageiro ao profundo.
O orvalho nos ensina:
em cada gota, o universo se condensa,
o frágil torna-se belo,
o transitório toca o intemporal.

Ó verme de sangue frio…


O raiar do dia se aproxima,
teu fim não tarda em chegar


Mas não me abandones nesta noite fria,
pois sem ti também não consigo respirar


Por favor, não me abandones,
por favor, não te esqueças de mim,
apenas lembra que sempre fui fiel a ti


Zela-me,
protege-me,
do meu próprio sangue
banha-me


E toma de mim
tudo quanto tu
precisas para existir


Se possível, leva-me às estrelas,
faz-me sobrevoar outro mundo,
onde eu possa te glorificar e amar
sem a obrigação de justificar-me


Permite-me vibrar
ao ritmo de tua voz,
sentir teu beijo gélido
perder-se entre minhas curvas,
e contemplar teu olhar sedento
pelo pouco que de mim ainda resta


Meu amigo…
Meu amor…
Ó meu verme de sangue frio…


Não tenhas piedade de mim —
teu amor é razão bastante
para que eu me deixe consumir


Nunca me acordes,
nunca me cures,
porque de mim já nada resta
senão a carniça do que foi meu lar
Ó verme de sangue frio…


O raiar do dia se aproxima,
teu fim não tarda em chegar


Mas não me abandones nesta noite fria,
pois sem ti também não consigo respirar


Por favor, não me abandones,
por favor, não te esqueças de mim,
apenas lembra que sempre fui fiel a ti


Zela-me,
protege-me,
do meu próprio sangue
banha-me


E toma de mim
tudo quanto tu
precisas para existir


Se possível, leva-me às estrelas,
faz-me sobrevoar outro mundo,
onde eu possa te glorificar e amar
sem a obrigação de justificar-me


Permite-me vibrar
ao ritmo de tua voz,
sentir teu beijo gélido
perder-se entre minhas curvas,
e contemplar teu olhar sedento
pelo pouco que de mim ainda resta


Meu amigo…
Meu amor…
Ó meu verme de sangue frio…


Não tenhas piedade de mim —
teu amor é razão bastante
para que eu me deixe consumir


Nunca me acordes,
nunca me cures,
porque de mim já nada resta
senão a carniça do que foi meu lar

Dizem que gaúcho aguenta tudo.
Frio,
distância,
solidão.

Mas ninguém fala do homem
que perde um amor ainda vivo
e precisa fingir firmeza
enquanto desmorona por dentro.

Porque existem pessoas, prenda,
que vão embora sem morrer.
E deixam um vazio tão grande
que nem campo aberto dá conta de carregar.

​A distância, meu amor, é só um nome frio,
Um mapa inútil, um cruel vazio.
Entre o meu corpo e o teu, um mar imenso existe,
E a saudade, em meu peito, teimosamente insiste.
​Cada noite que cai, é um punhal de pranto,
Sinto a falta do teu cheiro, do teu doce encanto.
Mas juro, com a dor que me rasga a alma inteira,
Que este amor é chama, e a distância é só a fogueira.
​Não há léguas que quebrem este nosso laço,
Pois te carrego na pele, no sonho, no abraço
Que só a lembrança permite. Não te aflijas, meu bem,
A distância só prova o tamanho que o amor tem.

Olhares que se cruzam o espaço frio da sala,
O silêncio grita com o erro que cometi,
O peito aperta, a voz engasga e cala,
Ao ver que teu perdão eu perdi.


Você me fita quando estou distraída,
Mas se viro o rosto, você desvia o olhar
Eu faço o mesmo, com a alma ferida,
Fingindo que n dói te ver afastar.


Dói saber que teu sorriso tem outro rumo,
Que outra pessoa ganhou sua atenção,
Só de lembrar, meu mundo perde o primo,
E as lágrimas inundam meu coração.


Minha mente repete teu nome sem parar,
Você é o único eco que habita em mim,
Mas fico presa em você, presa no medo de perguntar,
Se você também me quer por perto enfim.


Será que seu silêncio esconde esconde saudade? Ou será que meu erro apagou oque vivemos? Fica dúvida que consome a realidade, Enquanto fingimos que não nos conhecemos.

Cidade em Suspenso


A cidade acende e me apaga
No reflexo frio dos semáforos
Cada janela parece uma pergunta
Cada esquina, um rascunho do que sou
Eu caminho entre ruínas discretas
De promessas, vitrines e sinais
O concreto me ensina a dúvida
E a dúvida me ensina a ir além
Quem desenha o mapa da pressa?
Quem decide o valor do silêncio?
Se o futuro mora no relógio
Por que eu sempre vivo no intervalo?
Tem uma fome antiga no asfalto
E um eco que não sabe se responde
Eu carrego a noite no bolso
Como quem guarda o que não se esconde
O que é chegar, afinal,
Se toda chegada já vira partida?
O que é ser inteiro na cidade
Que nos pede versões resumidas?
Se eu me perco, é por lucidez
Se eu me calo, é pra ouvir melhor
No meio da fumaça e do ruído
Ainda existe um nome para o sol
E eu sigo, porque seguir também é verbo
Porque parar parece uma forma de cair
Porque talvez a verdade more
No movimento de não se definir


Daniel Vinicius de Moraes

As noites trazem a luz do luar
E o frio hálito da morte.
Anseio por ela a cada segundo,
Enquanto busco abrigo em teus seios, ó minha amada.
Nem os anjos dos céus,
Nem os demônios dos mares mais sombrios
Seriam capazes de separar nossas almas.

Tua beleza, invejada pelos anjos,
Atrai a própria morte,
Ó minha doce companheira.
E é neste sepulcro silencioso
Que nossos corpos se encontram,
Unidos para além da vida,
Sob o eterno véu da eternidade.

“A compressa ensina que o corpo também compreende a linguagem do calor, do frio, do toque e da presença.”
Do livro Medicina Tradicional Chinesa — História, Filosofia e Prática da Medicina do Imperador Amarelo, da autora Nina Lee Magalhães de Sá.

Onde Havia Dois, Restou o Amor
Éramos dois, agora sou só eu.
Meu irmão, protetor do frio e da lida,
Em noites densas, o calor era o teu,
No agito constante de nossa vida.
O medo e a ansiedade tentaram ficar,
Mas o amor transbordava em nosso segundo lar.
Entre sons e mimos, sem hora ou rigor,
Eu obedecia ao seu tom mais gentil, com louvor.
Mas o meu inseparável irmão partiu,
Deixando-me só, em um mundo vazio.
A idade avançou, o silêncio chegou,
E em um sopro de susto, o AVC me tocou.
Julgaram-me finda, deram-me o adeus,
Mas o amor de meus donos era maior que os céus.
Lutei com meus sons, clamei por viver:
"Ainda estou aqui, não quero morrer!"
Pelas mãos da ciência e o cuidado da alma,
A vida voltou a trazer minha calma.
Fisioterapia, carinho e luz,
Ao seio da minha segunda família, o destino me conduz.
dedicado aos meus cachorros e médicos
Dedicado à Theodora (em vida) e ao Martin (em memória).
Por: Roseli Ribeiro

SÓ QUEM ENTROU LÁ

Um som indigente
Fez-me o espio.
Resquício afluente.
Na cena, o frio:
Trovoada.
A janela estilhaçada.
O vento na cortina
Debatendo-se no teto.
Respingada.
Cortina enroscada.
No ventilador
De madeira
Inquieto.
Como fechar
A janela
Estraçalhada?
Como findar
Balbúrdia?
Como cessar
O giro
A cerrada?
Com cacos
Nessa estapafúrdia?
O linho prestes
A ser desfeito
Temo que
Nem pausa
Possa dar jeito.
Vou de fininho.
Dedo-Interruptor.
A madeira no chão
Foi-se ventila(dor).
E ao encarar todo
Aquele estrago
O sol invade.
Um caco no pé
E também um afago
Que muito me arde.
Ao menos a obra
De arte solta
Não foi levada
Junto.
Ao menos a chuva
Inda que revolta
Não poderia
Alcançar o
Conjunto.
Ao menos, oras,
A carta do vô
Repousada na escrivaninha
Nada nunca nem triscou
Porque é trancada na outra
Salinha.
A água abafada pode até ferir
O vidro, sacada, o sofá do repouso
Só que a raiz, espalhada em jardim
Não voa com vento nem mesmo teimoso.
E pela janela nem mesmo sol sabe
Coisa que só onde des(pensa) vive
Semente rara, caso tudo desabe
Ela faria o que se revive.
Um som indigente
Fez-me o espio
Levanto crente
Desse desvio.
E quando levo corpo à checagem
Janela intacta, cortina a dormir.
No ventilador, apenas bobagem
Quebrado, caído, me ponho a sorrir.
Um pingo de raio se coloca pela fresta
E vejo a verdade do sonho horroroso.
Barulho parece pior, se infesta.
Esquecer do resto da casa é que é
Perigoso.

(Vanessa Brunt)