Poesias de Tristeza Pois Perdi meu Avo
AVÓ ESPERA
Eu já me ia esquecendo
Na voracidade do tempo
De te lembrar, estremecendo,
Neste nevoeiro tão tenso.
Tudo o que pediste, eu cumpri:
"quando fosses velhinha,
Que te desse ao menos, uma sopinha.
E eu dei-ta e muito mais
Que o que me pedias, avó.
Fui teu confidente,
Tua companhia no só,
Teu neto, sempre de frente.
"Põe-me, quando eu morrer,
Florzinhas no meu jardim,
Uma luz para eu ver,
Quem é que gosta de mim..."
Disso, avó, não me esqueci
E tu sabes bem que não,
Os que sempre gostam de ti,
São flores vivas em botão.
(Carlos De Castro, in Há um Livro Por Escrever, em 15-03-2023)
QUE SOSSEGO
Era só a minha avó.
E em tardes de calmaria
Debaixo da velha ramada
Das folhas do morangueiro
O corriqueiro,
Americano,
Ela, aos botões, dizia:
- Que sossego! Bendito ano!
Ela não sabia
Que eu estava
Com ela,
Mirando-a de uma janela
Pequenita que havia
Logo atrás dela.
E eu ouvia tudo naquela viagem
Feita miragem
Que minha avó fazia,
De consciência apurada,
Sem precisar de andar
Ou sola dos chinelos gastar
Em qualquer estrada...
Foi ela que me ensinou,
Aqui onde vou,
Que para sonhar,
Só basta estar!
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 29-05-2023)
Pelo Retrovisor
"O avô que eu não tive
Nunca me contou histórias,
Jamais me levou para passear
Ou mesmo para tomar sorvete
Isto porque ele morreu
Muito tempo antes de eu nascer
Apesar desta ausência,
Esteve sempre ao meu lado,
Iluminando meus passos
Pelas trevas da vida.
Apesar de morto, ele vive
Transmitindo-se,
Atávico e improvável
Através dos livros velhos da estante.
No olhar castanho de meus tios
No caráter reto do minha mãe
Na memória de seus amigos
Assim, ele segue vivendo
E enquanto for contada
E recontada a sua história
Ele vencerá a morte
Através da memória."
Arcadismo Neoliberal
Ruminando
Em silêncio
O avô
Diante
Da
Desleal
Disputa
Dos
Eletrônicos
Pela
Atenção
Dos
Netos
Casa azul
Passei pelo portão da minha avó
Cruzei uma rua sem asfaltamento
Me dirigi à convidativa casa azul
Bati na porta por algum momento
Um homem de meia-idade abriu
Cumprimentei ele e segui o rumo
As escadas eu subi sem fraquejar
Havia lá uma garota com aprumo
O quão real pode ser um sonho?
Desejo muito então que se repita
Para tentar recordar o nome dela
Seria este um relato enfadonho?
A magia conhece quem acredita
E eu estou persuadido pela bela.
Quando percebi, o tempo já havia passado. O tempo passou, e agora sou até avó. Atitudes infantis desfilam diante dos meus olhos, e eu observo a inocência correndo para mim.
Davi Moreno, você é tão especial para mim. Sabe aquela fruta com as marquinhas dos seus dentinhos? Era uma banana! Estou sorrindo agora por causa dessa lembrança, ainda tão viva e guardada em mim. E os seus desenhos, meu amor? Estão todos guardados em uma pasta transparente. Eu amo cada pedacinho disso tudo.
Sabe, quando você diz: “Por favor, vovozinha”, eu fico em prantos. Esse amor é tão único, tão puro, que só consigo entender e sentir. Meu lindo, suas mãozinhas na areia e você correndo pela praia me fazem enxergar a sua grandeza e força, algo que as palavras não conseguem expressar.
Corra, pule, jogue bolinhas de sabão para o alto e deixe o vento levá-las! Hoje, a infância é o seu lugar.
Quando eu era criança, não pude desfrutar dessas simplicidades. Nas minhas aulas de etiqueta, não havia espaço para isso.
Agora, olho para o meu eu do passado e me vejo sorrindo. Davi, a vida com você não tem amargura.
Você é um menino alto, você é um artista, e eu sempre vou te amar.
Amor da minha vida, te amo, meu príncipe!
POEMINHA A ELES
Não, ser avô não é ser pai duas vezes.
Há uma linha tênue que divide esses dois únicos momentos.
Ser pai, às vezes, deixa respingar um certo grau de toxidade.
Ser avô, não!
É liso, doce...
Contar história é o método mais eficaz e eficiente de educação.
Avós contam histórias aos netos.
No entanto educam a alma
Arrume suas gavetas
Uma vez li alguma coisa a respeito de uma garota que pedia para a sua avó a solução de um problema grave. A avó disse: “suba, arrume suas gavetas e após fazer isso você terá a solução”.
Experimentei perguntar para as pessoas mais velhas se realmente existe uma conexão e perguntei certa vez para a minha avó o que tinha a ver a gaveta com os problemas e ela muito sabiamente me falou que a gaveta desarrumada é o espelho da vida, então toda vez que você está com alguma coisa bagunçada, alguma área de sua vida manifesta bagunça. Toda vez que você está com alguma coisa desorganizada, essa desorganização se reflete na sua vida.
Lembre: você é um reflexo de Deus, um reflexo do universo. Você tem um mundo dentro de si. Sua casa é um reflexo de seus estados emocionais. Se você tem dentro de si reflexo do mundo, quando está desorganizado interiormente, manifesta isto exteriormente.
Quando essa manifestação exterior veio antes, você pode reorganizar o seu mundo interno mostrando simbolicamente que está arrumando externamente.
O universo funciona assim: o que está dentro está fora. O que está em cima está embaixo. O que está de um lado está de outro. Então se você lembrar sempre que pode influenciar o interior com o exterior e vice-versa, você tem a chave para a organização total.
No momento em que você limpa a sua gaveta e joga fora aquilo que não presta, está reprogramando simbolicamente o seu interior. É uma das melhores chaves para conseguir serenidade e respostas para problemas muito difíceis. Aproveite este começo de ano, e arrume suas gavetas. Com certeza vai ajudar você a encontrar solução para muitos de seus problemas.
Re Pinheiro
Mãe, avó, dona de casa...
por onde passa,
eu sei que você domina.
és tão bela,
que causa inveja,
nos corações das meninas.
A avó e o Menino
A avó não tinha presente e tão pouco lhe vinha o futuro.
Vivia de si, num tempo em que os dias, só lhe prometiam o passado.
Pela manhã cantarolava cantigas de roda.
A tarde pedia chá e se ria sobre coisas desacontecidas.
Quando a noite lhe vinha, adormecia falando com invisíveis olhares.
Não tinha a estética da memória.
Seus ouvidos acordavam lembranças do sentir.
Suas mãos continham a fermentação das horas.
Seus braços acolhiam porções de vida refluídas.
E de si apenas se ouvia o balbuciar das palavras.
Assim, vivia sob o cuidado das crianças,
Que em certas ocasiões lhe contavam estórias.
Como aquela de uma sábia anciã,
Que para não morar com o tempo findo,
Decidiu torna-se novamente alguém para ser inventada.
Foi assim que numa fração, antes de partir, disse ao menino:
- Descobri que és tão grande, que não pude de ti, ausentar-me.
te amar é como dançar durante a noite,
aqueles abraços aconchegantes da avó,
enquanto ela conta histórias antigas,
quando não temos energia e a chuva cai.
é pensar nas frases mais robustas e diferentes,
imensurar o que sinto, dizer aberto e simples.
é sorrir, ah, sorrir — a vida soa boa,
refletir sobre tudo, eu amo refletir.
é lembrar da hello kitty, olhar o rosa,
perambular com músicas antigas: djavan, ivete, marisa monte.
você pode não estar na cabeça, mas está na vida,
nas letras miúdas que escrevi e as que não escrevo.
na vontade de melhorar sempre que te vejo escrever,
é chorar sangue pelo coração, se abraçar nas noites escuras.
é aquela voz segura, mas também a insegura,
lavar os pés durante a noite — é rir e sentir aquela sensação tão boa.
Na Terna Brandura do Cárcere
O Último Avo de um Amor Extinto
Em qual formato desconexo,
Depositamos desta vez,
Encharcadas expectativas ?
Quão afastados de nós mesmos
Pudemos chegar, sem ferimentos
Graves ou pesares terminais ?
Vislumbres precisamente balizados,
Experimentos da farta engrenagem,
Tudo estaria certo, exceto por nossa
Irrecuperável disposição à auto sabotagem.
Falências agendadas
Com antecedência,
Decompostos em
Nossa compostura célebre.
Resta-nos septos pútridos,
Hábitos promíscuos
E a terna brandura do cárcere.
Arrepios raivosos percorrem
Cada processo das vértebras,
Pálpebras aplaudem frenéticas,
Cãibras confirmam o torpor faminto.
#AVÔ
Aprendi que para ser feliz...
A gente precisa sair do lugar...
Às vezes, eu me pego recordando de tudo que vivi...
Todas as boas lembranças voltam e me fazem sonhar...
Sentir...
Me pego então...
Com certa razão...
Quando estive ali...
Junto a ti...
Fui tamanha pureza...
Encanto inocente...
Um menino aprendendo...
A crescer e ser gente...
Lembro de seus cabelos brancos...
Ralhos e carinhos...
De tudo que tive...
Enquanto menino...
Meus olhos brilhavam...
Tanto quando lhe via...
Minha alma inocente então...
Feliz... sorria...
O passado guarda o melhor da minha vida...
Ah...esses tempos agora...
Tão confusos...
Em que não quero me perder...
Ser avô é muito engraçado...
Ser avô é fantástico...
Como é bom...
Ter você ao meu lado...
Me cerca de carinho...
Me faz quase todas vontades...
Me conta várias histórias...
Que às vezes nem fazem muito sentido...
Para sempre irei lembrar...
Sempre...
Sempre...
Esses momentos....
De que estar ao seu lado...
Sempre foi um contentamento...
Alguém a quem eu lembro noite e dia...
A quem sempre vou recordar...
Alguém a quem eu amei...
E sempre vou amar...
Sandro Paschoal Nogueira
Toda vez que eu faço polenta me lembro da minha avó materna.
Ela pegava a panela onde havia sido feita e despejava um pouco de leite e depois que o angú desgrudava da panela, ela comia.
Minha avó lavava todas as roupas. Lavava toda a louça. Era forte e trabalhadeira.
Era vaidosa e nunca ficava sem esmalte ou tintura nos cabelos.
Sempre fazia um vestido novo que tinha bolsos na parte da frente.
O que a minha avó mais costumava falar era algum ditado antigo ou coisa que ela mesma inventava: " Quem chega por derradeiro bebe água suja." "Igual esse daí o diabo caga aos montes" e por aí afora.
Minha avó ensinou muitas lições preciosas. Mas esta é a melhor de todas:
A simplicidade é um item de luxo.
O Mistério da Chave Perdida
João adorava explorar o sótão da casa da avó. Entre caixas empoeiradas e móveis antigos, ele encontrou uma chave dourada com detalhes misteriosos. Curioso, começou a procurar pelo que aquela chave poderia abrir.
Perguntou à avó, mas ela apenas sorriu e disse:
— Algumas respostas só aparecem para quem sabe observar.
João passou dias explorando a casa até que, ao limpar uma gaveta antiga, encontrou um pequeno baú de madeira. Seu coração acelerou. Com as mãos trêmulas, encaixou a chave na fechadura e, com um leve clique, o baú se abriu. Dentro, havia cartas antigas e uma foto da avó ainda jovem.
Ele olhou para ela, surpreso, e a avó explicou:
— São lembranças de um tempo especial. Algumas chaves não abrem apenas baús, mas também memórias.
João sorriu, entendendo que, às vezes, o maior tesouro são as histórias que carregamos.
a casa da minha avó.
De todas as casas que eu morei,
a da minha avó era um abrigo,
pequena, mas transbordando calor,feita
de taipa e palha de coqueiro, lembro hoje e sempre, memórias entrelaçadas.
Não havia luz elétrica a nos guiar,
mas as estrelas dançavam no teto,
um luar suave contava histórias,
sussurros de amor na brisa da noite.
Os risos ecoavam nas paredes nuas,
cada canto guardava um segredo,
o aroma do café fresco,
um laço que nos unia ao amanhecer.
Ali, o tempo escorregava lento,
a felicidade era feita de simplicidade,
um lar sem paredes, mas repleto de vida,
onde a essência do amor nunca se apagava.
Não tem dieta do mundo
Que não seja repentina
Quando chega numa casa
De uma avó Nordestina.
Gélson Pessoa
Santo Antônio do Salto da Onça RN
28 Março 2025
Férias.
A casa da avó vira escola, floresta, praia, shopping, escritório, salão de beleza, castelo para as princesinhas.
A avó fica encantada com a criatividade da netinha.
Carta ao Meu saudoso avô, falecido em seu centenário.
Seu Antonio,
Seria muito simples dizer na data de hoje “Feliz aniversário ou Parabéns por mais esta data” o Sr. Não acha?
Afinal não são poucas as vezes que o Sr. Tem ouvido isso, são 94 anos que esta data nos orgulha.
Abençoado aquele 15 de janeiro do ano de 1913, que trazia ao mundo uma estrela a ser admirada e amada e respeitada. Hoje comemoramos mais, bem mais, que um aniversário. Hoje nós aprendemos que viver sem amarguras, sem rancores nos leva a longevidade e o Sr. nos mostra a cada dia que isto é possível, que perdoar aos outros é perdoar nossos sentimentos e com isto a nós mesmos.
Sua vida nos prova que guardar rancores e amarguras significa envelhecer mais que as rugas causadas pelo castigo do tempo, aliás, aprendi com o Sr. que o tempo deve nos deixar saudade, pois só sentimos saudades das boas coisas da vida.
Então, seu Antônio, ao invés de usar os velhos clichês de Feliz aniversário ou Parabéns; prefiro agradecê-lo por todos os ensinamentos que ainda temos recebido através de sua experiência e sabedoria.
Gostaria de agradecer a DEUS pela oportunidade que me deu de tê-lo como avô, ao tempo por me dar tempo para que eu pudesse entender aos seus ensinamentos.
Embora eu esteja ausente gostaria de pedir que todos os presentes o aplaudissem e o fizessem com orgulho, como se tivesse aplaudindo uma ópera de Verdi.
Deixo um grande e carinhoso beijo, e não tenho como deixar de me render ao velho clichê.
FELIZ ANIVERSÁRIO SEU ANTÔNIO
Marcos Antonio vieira da costa
Manaus, 15 de janeiro de 2007
