Poesia Toada do Amor de Carlos Drumond
AH PRIMEIRA TELA
Paixão ah primeira tela
se fosse ontem... Lá no passado
seria amor, ao primeiro olhar
... Olhar que desencadearia,
o infinito de amor dobrado.
Mas hoje...
Nessa hera da computação
a paixão vem pela tela
aquele primeiro olhar ao vídeo
um Crick um ampliar
é o amp's de um grande amar.
Antonio Montes
Vida vazia...
(Nilo Ribeiro)
Vida sem emoção,
vida sem paixão,
vida sem cor,
vida sem amor
a mais comum normalidade,
viver por viver,
dia a dia sem novidade,
dia a dia sem prazer
assim vai,
pura rotina,
nada atrai,
nada anima
não há vontade,
não há entrega,
não há saudade,
nada alegra
retrato do nada,
resumo de tudo,
vida fadada
a viver no escuro
vida distante,
vida vazia,
nada relevante,
nem há (a) poesia...
DE RESTO À RÉSTIA
Não há arrependimento onde há amor
Não é fardo algum irrigar a flor
Quiçá a vaidade vislumbrar o campo
Desdenhar o canto que já se acabou
Não há semente que não brote
Não há choro que não conforte
Onde eterno for o amor
Não há distância que não cruze
Não há olhos senão luzes
Na semente que restou…
AMOR DE ONTEM
Aquele amor d'aquele ontem...
Era santo
era totem
era tanto
hoje com esse pranto...
aquele amor de tanto espanto
deixou de ser santo...
Desceu do totem,
saiu do canto,
causando desencanto.
Aquele amor de ontem, hoje
tem sabor de miojo
não contem mais volts
seu cheiro por inteiro,
é escabroso, dá... Nojo!
Antonio montes
Lê minha alma.
Sabe o quanto o amo...
Saber-te sabedor do meu amor
me acalma.
... E o amo ainda mais
O amo muito
O amo " Tudo"
Lê, pois minha poesia.
Alma minha feita escrita
A humanidade sucumbe à si mesma
Gritam o amor
Proclamam Deus
Mas se sangra um dos seus
jogam sal no corte
e chupam a ferida.
Hipócritas
Doentios
Pior que os gentios
Não sejam fingidos
Abafem seus gemidos poéticos
Cadáveres fétidos!
... Fingir poesia
Vós não fingis!
Vós a mentem!
A MÃE
Mãe não é manha que:
A palavra arranha...
Que o mundo reganha.
Mãe é amor, paixão
simplicidade e coerência
é a semente de Deus
o abraço, o dar as mãos
é a flor que floresce
colorindo o coração.
Mãe é aquela que te cria
que te dá, alegria durante o dia
que sana a sua fome
te mostra o jardim de ser mulher
e o caminho de ser homem.
Mãe, abriga os seus sonhos
espanta seus pesadelo
ama suas bestagens
e te acredita, pelo mundo inteiro...
mãe, te fala a verdade
quando a sua felicidade
tem efeito passageiro.
Todos do mundo
não chega aos pés de uma mãe
por um misero segundo.
Antonio Montes
AMOR DE GRAÇA
Se o amor é troca
nada mais se faça...
Aonde esta a graça
dizer que acha...
Que amor não é cachaça...
O amor não cobra tacha,
e também não é faceta!
Porque, alem de ser graça
o amor... É de graça?
Não contem cor preta
não roda na carrapeta
nem faz parte do capeta
o amor é toda cor...
Zombando da cara preta.
Antonio Montes
ENGAIOLADA PAIXÃO
O passarinho escapou...
Ficou a gaiola fechada
seu dono, com amor
a saudade engaiolada.
O amor bateu as asas...
O peito tombou paixão
cheio de lagrima d'água
se afogou o coração...
Volta, volta passarinho
a voar nos olhos meus
não me deixe aqui sozinho
volte pelo amor de Deus.
Não vá embora, não vá...
Fique comigo, meu amor
se você for eu vou chorar
na solidão do meu pavor.
Antonio Montes
O amor não é brincadeira
Nem moleza não
Faz-nos sentir algo dentro do coração
Quem amou e não se expressou
Provou a triste desilusão
AMOR PENDENTE
A parte pendente do nosso amor,
Sente dor...
Uma dor cociente
pelo ranger de dentes
presente do vil pavor.
Ou, ou nosso amor...
Não deixe assim ausente
esse amor quente pendente
se esbaldar no inconsciente.
A nossa paixão já sente,
gentilmente inocente...
A nossa lagrima descontente.
Ou, ou nosso amor...
Um dia a lua floriu
aquele livro no rio
com paixão nos endossou.
Hoje as águas passou
nosso amor vive o estio
d'aquele rio que secou.
Antonio Montes
Mente o poeta que se diz vazio
E escreve poemas de amor
Mente o poeta que se diz forte
E não sabe esconder naquilo que escreve, a sua dor
Carta para Mãe
Mãe
Mãezinha
Desculpe por toda dor
Em troca ofereço meu amor
Desculpe se algum dia
eu te fiz chorar
Foi querendo ser gente
que errei
Mas foi você
quem me ensinou a orar
Desculpe
se algum momento
eu te desobedeci
Foi querendo desafiar
e mostrar pro mundo
que eu cresci
Hoje estou aqui
para agradecer
Tudo o que sou
É graças a dedicação,
o carinho e esse amor sem fim...
E o meu maior orgulho
É chamá-la de minha mãe
Minha eterna Mãezinha.
Mãe... Morada do Amor
Nas tardes que das manhãs iluminaste,
Vejo a noite aparecer
Teu canto numa voz de paz
Sabedoria tão certa
O céu canta festa...
Tua presença me faz viver.
Foste poesia em minha vida
E ainda nova, tu se foi,
Nas estrelas morar.
Brilhar o firmamento,
Rimar tua prosa, tocar as violas,
Pros anjos ali se enfeitar.
Mas, graças eu dou a Deus,
Pela mãe que eu tive (e ainda tenho)
Sorriso tão singelo, morada do amor.
Por me ensinar,
Fez o meu mundo se transformar
Em cor, em flor...
Em toda parte em mim, por ti,
Existe o amor.
Mãe, a melhor definição que eu posso te dar,
Não sei nem falar.
Coisa boa a gente não fala. Sente!
E, se sentir é o melhor que existe em alguém,
Então, deixo o coração se expressar,
E o meu amor a ti se eternizar.
FARRAPO DE AMOR
Não me disse adeus, e se foi...
E eu, afogado pelas lagrimas da despedida
não esbocei, uma só palavra!
Parei no tempo...
Viajei sentido em sentimentos
te encontrei em meus sonhos, ali! bem ali
... Nos meus despedaçados momentos.
Todavia, você colocava-se calada
enquanto abanava a mão por aquela estrada
... Eu naveguei em minha loucura,
perdi o sono, em desatino...
Fiquei a noite inteira acordado!
Buscava-te a todo canto do meu ser
e só a sua presença,
encontrava-se do meu lado.
Quanto desespero...
Quanto mais o tempo passava!
Mais e mais! Despencava-me lagrimas...
E essas, turvaram meus olhos chorosos!
Enquanto a sua presencia se fazia ausente...
a minha visão intensa, pressentia você.
Você estava li, você se fazia presente,
como encanto, no canto do meu coração...
você me sorria, você adentrava na minha dor
se propagando por todo meu consciente...
Estou aqui, farrapo humano...
Escravo desse imenso amor.
Antonio Monte
"Não se enobreça tanto assim, o amor que sente não provêm de mim.
Ele nasce em seu próprio ser, junto com sua própria história.
Ele é tão antigo quanto sua própria vida.
O teu amor vem de uma fonte a qual eu como máquina funcional tive acesso.
O teu amor é mais antigo do que o próprio universo que te cerca, ele é a vida não vista.
Apenas sentida.
E contemplada por mim.
O teu amor é Deus disfarçado em uma palavra de quatro letras.
AMOR"
MAR BRAVIO
O mar bravio estendeu,
o mar bravio estendeu...
Nas águas das esperanças
no amor de você e eu...
Eu joguei minha tarrafa
na saudade que passava
achei as malhas das lagrimas
e a esperanças, em fornalha.
Queimei de amor a distancia
... Que de ti me separava
me perdi, na vil lembrança
do abraço que nos faltava.
A mar bravio estendeu,
o mar bravio estendeu...
nas águas das esperanças
no amor de você e eu.
Sem você eu perco sono
e me afundo no pesadelo
sou ancora em abandono
pedra no desfiladeiro.
Antonio Montes
Todo poeta é de natureza sofredor
sofrem por um mal indiscritível, amor,
escrevem com tinta invisível
descrevem o sentimento impossível.
Chorei
Chorei muito
Meu coração está de luto
Parece cair o meu mundo.
Se o amor fosse suficiente
A solidão estaria ausente
Não te faria sofrer
Não desejaria morrer.
Sinto falta do que não vivi
Me culpo por não permitir
Era medo da cabeça aos pés,
Agora deixo de ser.
Sou a ausência.
Sou o amor sentido
Mas nunca vivido.
32 de Dezembro
Eu acho que gosto mesmo de amor;
De uma maneira que eu imaginei;
Decifra meus sonhos;
O mundo para quando fica em minha mente;
Quando estamos juntos o tempo fica mudo;
Dorme em meus sonhos acorde outra hora;
Agora deixe eu imaginar;
Gravado na memoria dos tempos;
Dessa animada conversa;
Nem percebi e dia;
Onde armazeno o meu amor, minha paz e seu calor;
Nem percebi 32 de Dezembro chegou.
