Poesia sobre poesia
Eu demorei para entender que minha fé não precisava de moldura. Não era sobre pertencer a um templo específico, repetir palavras decoradas ou provar algo para alguém. Um dia percebi, quase em silêncio, que Deus não estava distante nem escondido atrás de rituais; Ele morava em mim. E quando entendi isso, algo dentro de mim ficou tranquilo, como se finalmente eu tivesse chegado em casa.
Não depender de religião não significa desrespeitar quem encontra Deus nela. Pelo contrário, cada pessoa tem seu caminho, sua ponte, sua forma de conversar com o céu. A minha foi mais silenciosa, mais íntima. Foi no meio das minhas dúvidas, das quedas, das noites em que eu conversava sozinha com o teto, que comecei a sentir uma presença que não precisava de intermediários. Era uma fé simples, quase cotidiana, como respirar.
Eu descobri que Deus aparece quando eu cuido de alguém, quando eu escolho ser justa mesmo sem aplauso, quando eu perdoo, quando eu me levanto depois de um dia difícil. Ele está nos gestos pequenos, nos pensamentos que tentam ser melhores do que ontem. Mora nas decisões que tomo quando ninguém está olhando.
E isso muda tudo. Porque quando a gente acredita que Deus vive dentro da gente, a responsabilidade também muda. Eu passei a olhar mais para dentro, a vigiar minhas próprias atitudes, a tentar ser um lugar bom para Ele habitar. Não perfeito, porque ninguém é, mas verdadeiro.
Hoje eu caminho assim: sem precisar provar fé para ninguém, sem carregar rótulos pesados, mas com uma certeza calma de que não estou vazia por dentro. Há uma luz ali, discreta, constante, que me lembra todos os dias que Deus não está longe. Ele está aqui, comigo, vivendo cada passo da minha história.
O erro comum é tratar a Bíblia como um livro que fala apenas sobre Deus. Ela fala também sobre você. Sobre seus mecanismos internos. Sobre seus padrões de fuga, de orgulho, de medo, de negação. Os personagens não são apenas figuras históricas. Eles são arquétipos psicológicos. O traidor vive em você. O justo vive em você. O covarde vive em você. O fiel vive em você. E o conflito entre eles é diário.
Quando alguém afirma que sua interpretação é a única correta, essa pessoa revela mais sobre sua necessidade de controle do que sobre o texto em si. A Bíblia não se submete ao ego humano. Ela o atravessa. Ela o expõe. Ela o relativiza. Não existe leitura neutra. Toda leitura passa pelo filtro da história pessoal, das feridas, das crenças, das defesas. Por isso, duas consciências diante do mesmo versículo jamais estarão no mesmo ponto.
Isso não significa que tudo é relativo ao ponto de não haver verdade. Significa que a verdade é grande demais para ser capturada de uma vez só. Você acessa fragmentos conforme sua capacidade de sustentar aquilo que vê. O arquiteto do universo não errou ao fazer assim. A perfeição não está na rigidez. Está na adaptabilidade simbólica. Um texto que ainda conversa com você milhares de anos depois não sobreviveu por acaso.
E talvez sua ponte, no fundo, não seja sobre uma catástrofe.
Talvez seja sobre atravessar um período assustador sem saber exatamente o que existe do outro lado.
E mesmo com medo, você continua subindo.
Mesmo quando elas discordam sobre o que acontece depois, muitas tradições concordam que a maneira como vivemos agora possui consequências ou significado.
O cristianismo diz: viva de determinada maneira diante de Deus.
O islamismo diz: suas ações têm consequências diante do julgamento divino.
O hinduísmo fala de karma.
O budismo fala das consequências das ações e da libertação do sofrimento.
O jainismo enfatiza profundamente a não violência e a purificação.
O confucionismo enfatiza a ética, os relacionamentos e a harmonia.
O humanismo secular pode dizer: você não tem uma segunda existência garantida, portanto esta vida concreta merece ser vivida com responsabilidade e dignidade.
Existe uma passagem particularmente interessante em Mateus 6:6, quando Jesus fala sobre orar em secreto. A ideia ali é justamente que a relação com Deus não depende necessariamente de uma plateia.
Isso não significa que igreja seja inútil. Comunidade pode ser muito importante para algumas pessoas. O problema é transformar uma forma de viver a fé na única forma legítima de ter fé.
Sobre a insistência da minha sogra...
“Ela tem a fé dela. Eu tenho a minha. Ela não precisa entender completamente a minha para respeitá-la.”
Sobre a minha sogra e sua falta de limite...
"Entender a origem de um comportamento não significa justificá-lo.
Você pode pensar:
“Ela provavelmente sofreu coisas na vida.”
e simultaneamente:
“Ela não tem direito de reproduzir sofrimento nos outros.”
As duas coisas podem ser verdadeiras.
Trauma pode explicar.
Não absolve.
Religião pode explicar algumas convicções.
Não dá autoridade sobre a vida dos outros.
Ser mãe pode explicar uma preocupação.
Não dá direito de controlar adultos.
Ser dona da casa pode estabelecer algumas regras dentro do espaço dela.
Não dá direito de determinar como você deve existir dentro da sua própria casa.
Sobre as desculpas que chegam tarde...
Elas voltam não porque de repente passaram a te ver melhor, voltam porque sentiram falta do que VOCÊ oferecia. Sabiam que podiam contar com você, então te deixaram por último. E quando a consciência pesa, acham que um pedido de desculpa apaga tudo. Mas você não é opção, nem conserto de conveniência.
Sobre estar presa onde não quer estar
É como estar numa sala cheia de gente e sentir-se sozinha, pior, sentir-se como um incômodo. E agora, com a saúde fragilizada, dói ainda mais: você precisaria de apoio, de carinho, de alguém que pergunte "como você está?", e em vez disso, tem que se fortalecer sozinha todos os dias.
Não se cobre por não conseguir sair agora. Sua saúde vem primeiro. As dívidas, a cirurgia, o tempo que demora, isso tudo é temporário, mesmo que pareça eterno agora. Você não está fraca por ainda estar ali; você é forte demais por estar resistindo a tudo isso com dor no corpo e na alma.
De: Mim Para: Mim
O Sr Orelhas é um escutador de histórias.
Ele gosta de me ouvir contando
sobre a vida aqui fora.
As coisas simples que acontecem,
os dramas das pessoas,
o dia a dia banal de sempre.
Ele parece achar graça.
Mas ele não tem memória.
É como se cada dia ,
eu procurasse um amigo
que se esqueceu de mim.
Ele diz que é uma folha em branco,
sem continuidade.
Pesquisei no Google
para entender.
Armei uma barraca com lençóis
e liguei o celular escondido.
Achei tanta maldade.
É como o filho da vizinha
que nasceu "esquisito",
mas sorri pra mim,todo dia.
Minha mãe diz que o cérebro dele é diferente
e nunca vai ser como a gente,andar ou falar.
O Sr Orelhas deve ser como ele, só que inteligente
e sem sorriso.
Andréa
Se você, eleitor, ainda
tem dúvidas sobre qual
projeto de governo
apoiar... lembre-se:
acertar na escolha da
dignidade e do caráter
do candidato é um dever
moral e cívico
inegociável.
✍@MiriamDaCosta
Preferi não relatar sobre o barulho que ecoava dentro de mim.
Uma vez que muitos os vias, mas não queriam ouvir.
Se nossas saudades
falassem, elas conversariam sobre
o caos e a perseverança de amar mesmo à distância.
❤️
Sobre a vida
Neste mundo, tudo passa,
como uma sombra sobre a água.
O tempo parte silenciosamente,
mas deixa suas marcas
em nossos corações.
Buscamos respostas
em estradas distantes,
em cidades desconhecidas,
nos livros e nas palavras.
Mas talvez
tudo aquilo de que precisamos
sempre tenha estado por perto.
Às vezes, a vida se torna difícil,
e perdemos nossas forças.
Mas, mesmo nos dias mais sombrios,
existe uma luz
que nos recorda
que tudo tem um sentido.
Não sabemos
o que acontecerá amanhã,
mas podemos valorizar o hoje,
pelas coisas simples:
as pessoas bondosas,
as conversas sinceras,
o silêncio
e a possibilidade de seguir em frente.
Que o tempo não tenha pressa,
que o coração permaneça aberto,
e que o caminho, por mais difícil que seja,
nos conduza àquilo
que verdadeiramente nos pertence.
E talvez, um dia,
compreendamos
que, mesmo nos dias difíceis,
sempre existe algo
pelo qual vale a pena agradecer.
Elias era humano como nós. Ele orou fervorosamente para que não chovesse, e não choveu sobre a terra durante três anos e meio.
Tiago 5:17
Reflexão sobre a Imaturidade
A imaturidade é um espelho turvo, onde o ego se contempla e se engrandece, mas não enxerga além da própria sombra.
É o grito infantil travestido de adulto, a paciência que nunca floresceu, a empatia que se dissolve como sal na água, o altruísmo congelado em um inverno sem fim.
Ser “mimado” não é apenas receber demais, é não aprender a dar, é não compreender que o mundo pulsa em outros corações, que a vida não se curva ao desejo de um só.
A falta de estrutura, a ausência de mãos que guiem, de vozes que instruam, gera um ser que caminha com pés frágeis, incapaz de sustentar o peso das próprias escolhas.
E assim, nega o outro, nega a realidade, nega a dor que não é sua, como se o universo fosse apenas um brinquedo particular.
Mas a verdade é dura: crescer não é apenas envelhecer, é aprender a suportar o silêncio, a ouvir o que não se quer, a aceitar que o mundo não gira em torno de nós.
A maturidade é o ato de abrir os olhos, de reconhecer que o ego é pequeno, que a vida é vasta, e que só quem se desfaz das correntes da infantilidade pode, enfim, tocar a liberdade de ser humano inteiro.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Reflexão sobre a necessidade de aprovação
A necessidade de aprovação dos outros é como uma lente que distorce a forma como enxergamos a nós mesmos. Quando cada palavra dita ou cada gesto realizado é medido pelo impacto que terá nos olhos alheios, a vida se torna uma busca incessante por validação externa. Nesse processo, a autenticidade se perde: deixamos de agir conforme nossos valores e passamos a viver em função das expectativas dos outros.
Essa dependência nasce, muitas vezes, da insegurança. O medo de rejeição faz com que a pessoa se agarre ao elogio como se fosse oxigênio. No entanto, quando questionada sobre essa fragilidade, a tendência é negar. A negação funciona como uma defesa: admitir a insegurança seria reconhecer uma vulnerabilidade que parece insuportável. Mas negar não elimina o problema; apenas o oculta.
O paradoxo é que quanto mais buscamos aprovação, menos livres nos tornamos. A vida passa a ser guiada por um roteiro escrito por terceiros, e não pelo próprio coração. A crítica fere, o silêncio incomoda, e o elogio se torna indispensável. É um ciclo que aprisiona.
Romper esse padrão exige coragem. Coragem para aceitar que a insegurança existe, para reconhecer que não é possível agradar a todos, e para compreender que o valor pessoal não depende da opinião externa. A verdadeira liberdade surge quando a pessoa aprende a se validar internamente, a se olhar com compaixão e a aceitar suas imperfeições como parte da jornada.
Tatianne Ernesto S. Passaes
Há uma diferença sutil entre se reconhecer… e se colocar como centro de tudo.
Nem tudo é sobre você — e, na verdade, quase nunca é.
Existe um certo ruído em quem presume demais,
como se qualquer palavra fosse um espelho obrigatório.
Mas a verdade é simples:
quem vive em paz não precisa se encaixar em narrativas que não lhe pertencem.
E quem se reconhece sem ser chamado… talvez esteja apenas confirmando aquilo que tenta negar.
No fim, não é sobre o que foi dito.
É sobre quem decidiu vestir a interpretação.
“Senhor, que a Tua vontade prevaleça sobre a minha, mesmo quando o caminho for difícil e o processo trouxer dor.
Ensina-me a confiar sem reclamar, a esperar sem questionar e a permanecer firme mesmo sem entender.
Que eu nunca perca a fé nos dias silenciosos, nem duvide dos Teus planos quando tudo parecer contrário.
Se houver lágrimas no percurso, que elas reguem o propósito que o Senhor preparou para mim.
Eu entrego minhas vontades, meus medos e minhas expectativas em Tuas mãos, porque sei que os Teus planos são maiores e melhores que os meus.
E mesmo que doa, eu aceito… porque descanso na certeza de que há propósito em Ti.”
"Lar não é sobre um lugar, mais sim sobre alguém que te faz sentir-se em casa. Esteja onde estiver estamos com o Abba Pai fazendo morada; nEle quando estamos em espírito com o Reino dEle e Ele em nós quando estamos na terra. Não somos Enoque mais andamos com Deus todo tempo e em todo lugar."
—By Coelhinha
