Poesia sobre Arte
Desde bem pequeno sei, que a arte dos artistas populares e a arte nativa indígena devem vir para ocupar espaços nas grandes metrópoles brasileiras e do mundo inteiro. No entanto os artistas, não. Cada um deve permanecer na atmosfera de origem, pela produção em si e pela integridade de sua vida simples e de seu pensamento.
Moacyr Andrade, meu grande mestre sobre a arte e a cultura amazônica sempre foi forte e gordo, tinha muita fome em comer generosamente as cores, os sons e os mitos da Grande Floresta. Uma fome gratuita e bela, onde o coração de quem ama é bem maior que a barriga, o comer de conhecimentos para generosamente passar para quem aprendeu a amar também por respeito e liberdade. Hoje sei que quem sabe verdadeiramente distribui o que sabe. O mundo ainda não reconheceu o valor da extensa cultura amazônica deste grande pesquisador e artista. Moacyr Andrade e Manoel Santiago foram meus mestres por graça divina e devem ser considerados os maiores expoentes desta rica cultura regional brasileira.
Os mestres das culturas populares ribeirinhas, uma rica junção entre a arte e a cultura indígena, branca e a cabocla são as verdadeiras bases da arte, das festas dos mitos da cultura amazônica. Todo centenário legado imutável repassado de forma oral para seus descendentes, entre as brincadeiras das cheias e as vazantes do grande rio, fazem parte dos movimentos naturais de renovação da vida, livre e bela da Grande Floresta.
Toda obra de arte de qualidade uma vez gerada, aguarda eternamente encontrar especificamente seu verdadeiro dono.
O mercado de arte universal tem o péssimo habito de super valorizar, divagar sobre a grande importância e valor das criações geniais do artista morto.
Em 2022 no Brasil, celebra se o primeiro centenário da Semana de Arte Moderna de 1922. Mais uma vez o ícone cultural deste movimento de brasilidade nas artes advém da nossa cultura ancestral indígena, são para mim carinhosamente, as filhas da figura masculina do Abaporu, do "homem que come" do período antropofágico de Tarsila do Amaral, que hoje vive no exilio. Elas chegam a nos pela Bienal, pelas belas artes indígenas, as nossas meninas indígenas, as Bonecas Carajás os ritxòkò, licocó, titxkòò ou litjokê vem revalidando a antropofagia cultural do original manifesto de Oswald de Andrade de 22 na promoção da brasilidade e do necessário canibalismo da cultura estrangeira cada vez mais neste período vivido hoje, entorpecido e agressivo da falsa globalização e das "fakes" da internet.
A arte contemporânea por buscas primaz de cores puras e criações diretas essenciais supervaloriza automaticamente a arte primitiva e ingênua.
Em um mundo massificado e globalizado a arte primitiva é o que existe de mais unitário, personalizado e erudito.
A arte da guerra define por si só quem nasceu para ser um estadista, um pacifista, uma vitima e um mero soldado.
As pichações pelas cidades é uma arte gráfica muralista pois revelam os inconformismos emudecidos politico liberal e social tribal dos esquecidos, marginalizados, diferentes e invisíveis.
Sou carioca e reconheço que a muito da arte se faz aqui mas a cultura brasileira em todo seu esplendor, só mesmo em São Paulo. A arte e cultura de todo o Brasil levada a serio com toda a dignidade que merece.
A arte chegou a um patamar de vasta experimentações, que hoje em dia necessitamos bem mais de artistas loucos do que de coloristas.
Diuturnamente busco e resgato as obras primas da arte mas não fico com elas. Direciono para onde elas se tornem maiores, mais importantes e de preferencia para aqueles que vão saber dar a melhor conservação e valor.
A cultura e a arte negra amadurecida e consciente, deve se separar dos modismos como oportuna expressão.
O mercado de arte inicia sempre uma revalorização dos artistas mortos, abandonados e esquecidos, não por justiça tardia mas sim pelo simples motivo de não encontrar novos artistas com conteúdo, obra e valores expressivos culturais.
Desde sempre, na verdadeira historia da arte e da cultura, possuem muitos segredos, que nunca estão acessíveis, para o observador comum. Alguns destes grandes segredos, só passam a fazerem sentido aos olhos e mentes dos iniciados e muitos deles não são reveladores mas sim pistas de direção para que norteiem as pesquisas por onde devem ser encaminhadas.
Uma obra de arte, de um grande artista tem seu preço mas o conjunto das obras, que é a cultura artística da arte, sempre deve ser imensurável.
Em linguagem subjetiva, o curador de arte, é aquele que promove em alegria a extinção da dor do parto sofrido pelo artista no magico momento da criação.
Na atual arte contemporânea brasileira, resgatamos nossa fiel vocação dos primeiros habitantes de nossas terras. Em nossas noites enluaradas o uirapuru canta alto em todas florestas do Brasil e o Tamandaré guia nos enfim para nossa terra prometida, que é um lugar nativo da Grande Anta cósmica.
A maçonaria sem a arte e cultura embarcando numa plataforma futurista e tecnológica perde o papel de ser Luz Guia para ela mesma e toda insensata e equivocada descrente humanidade.
