Poesia que Fala de Teatro
VEREI QUE É PRIMAVERA
Verei que é primavera se o poente
cobrir com raios rubros nosso leito,
e a flor do nosso amor (que era perfeito)
surgir desabrochando lentamente.
Verei que é primavera se meu peito
sentir brotar o ardor que estava ausente,
e, então, tendo-te perto novamente,
unir as partes do que foi desfeito.
Verei que é primavera se chegares
e o teu perfume em todos os lugares
vier recompensar tão longa espera.
O inverno da saudade irá sumindo,
deixando, em seu lugar, o amor florindo,
e ao ser feliz verei que é primavera...
VISITA
A triste Morte, no final do dia,
veio tentar tirar-me deste mundo...
Pedi a ela só mais um segundo
para encerrar a última poesia.
Ela aceitou, com desprezo profundo,
e ficou lendo os versos que eu fazia,
notei, então, centelhas de alegria
a transformar seu rosto moribundo.
E ela entendeu: como levar-me embora,
se a minha essência estava eternizada
nas tantas rimas e versos que eu fiz?
Então, jurando voltar outra hora,
Pediu-me uns versos para ler na estrada,
deu-me um sorriso e lá se foi, feliz...
Não sei qual o inventor
da bebida do café.
Quente, logo de manhã,
tão bom quanto cafuné.
Mas ele fica em segundo;
a melhor coisa do mundo
é beijar minha mulher.
TEMPO CERTO
Desperte para o presente
Hoje é o tempo certo
Amanhã pode não ser
O futuro é incerto
Olhe bem o Sol nascer
O que foi não dá pra ver
O passado é deserto.
O ARCO-ÍRIS
Margem do Capibaribe,
arco-íris, raridade,
cruza o céu do meu Recife
no meio da claridade.
Ele vem em boa hora
sobre a Rua da Aurora,
o postal da minha cidade.
RECIPROCIDADE
Se queres ser respeitado,
respeita o outro primeiro.
Se queres ser muito amado,
sê no amor o dianteiro.
Aprendi com a idade
que, com reciprocidade,
conquisto o mundo inteiro.
MOSTEIRO DE SÃO BENTO
De beleza arquitetônica,
em Olinda fica o templo,
resistente a Sol e chuva,
atravessa muitos tempos,
do Brasil colonial
à missa dominical,
o Mosteiro de São Bento.
NANÁ VASCONCELOS
O Naná de Pernambuco
foi mestre da percussão,
levou berimbau ao jazz,
numa rara inovação,
ganhou Grammy e troféu,
hoje mora lá no céu,
onde faz sua canção.
Ansiedade aumenta
Paciência diminui
O tempo se encurta
Quase nada se conclui
Apenas agradecer adianta
E viver é tudo que importa
Mãe é o plural e o singular,
um tesouro do maior valor,
em nosso coração sempre irá ficar,
Mãe, meu primeiro amor !
Desejo Feliz Dia das Mães à todas, biológicas ou não.
Bendito seja o alvor de cada manhã, onde borboletas voam rasantes, sob o som de harpas mistrais das brisas que vem de longe.
Eleve seu espírito, respire fundo e agradeça pela vida - como as borboletas - e siga por mais um dia de seu tempo.
Simples melodia
Cada dia é mais um dia,
que penso na melodia,
que, se poeta fosse, cantaria,
na pura forma da poesia.
Mas onde foi a alegria,
Pergunto à revelia?
Seria mais simples,
se mais simples fossemos,
e não nos esforçassemos
em lutas e guerras de foice,
e poemas de sangue à noite.
Toque de sua retina
Com um olhar ele me faz Musa,
Deusa , diva, nua
Afrodite.
Vênus em ascensão.
Acelera meu coração.
Me coloca no altar e venera
Me faz sua, mulher, Eva
sua lady, Monalisa.
Depois me faz menina
Pura pequenina
E assim ele me fascina.
Tudo isso só com o toque da sua retina.
o arrogante
ele bate no peito
exibe seu distintivo, ou alvará
olha de cima a baixo com despeito
acha-se superior, se acha o cara
para ganhar uma disputa
usa de bajulação e enganação
cheio de demagogia
enganação e manipulação
faz a si mesmo apologia
só oferece ajuda por propina
e até apela para o vitimíssimo
sem pudor ou ética,
ego infladíssimo
adora mulher,
mas desfaz do feminismo
só as quer para usar e beijar seus pés
seu ego o cegara
só vê degrau ao seu entorno
quem o salvará
da lei do retorno?
Ela era a intensidade
E dentro dela cabia o universo
Com uma grande necessidade
De gritar com um só verso
Oque se transforará em multiverso
E não cabia mais dentro dela
O que lhe era peculiar
Transformar (dor)
Em poesias.
SEARAS QUENTES DE TI
Para me sentir livre
O sol acariciava-me o rosto
No caminho pelas searas
Que o vento silenciava
E deliciava-me de beijos
Trilhos estreitos de pedras
Entre as papoilas de trigo
Cegonhas que pelos lameiros andam
Passos nas memórias perdidas de palavras
Nos longos abraços dados por nós
Sorrisos de lágrimas que se reduzem no silêncio
Entre o musgo já seco entre as fragas
Das horas esquecidas despojadas de nós.
NO ÂMAGO DO SER
No âmago do teu corpo
Tento mascar as palavras
Que as trevas tentam calar
Ouço o sussurro da poesia
Toda volúpia que cabe em mim
Até o âmago do teu ser
Para que o meu olhar
Se perca no nada
Os mundos submersos
Rasgam a carne até ao tutano
Do verbo sentir adentro da iris
Na aparente inércia do meu olhar
Transformação
Um dia senti que minha alma estava vazia.
As pessoas eu não lia.
Não tive a oportunidade de estudar,
de aprender as palavras, decodificar,
muito menos de entender um livro de ninar.
Sabia que vivia em um lar doce lar,
mas não o que isso no papel iria formar.
Até que um dia,
eu vi as portas que a leitura abria
e resolvi estudar.
Com essa oportunidade, obtive uma chave.
E com ela consegui milhares de portas destrancar,
e para sempre comigo irei guardar.
Agora sou um homem elegante,
que por meio das palavras consegue ir avante
além das fronteiras desse mar abundante,
meu horizonte está muito maior do que antes.
Os vazios foram preenchidos,
retomei a antes perdida esperança.
Tenho agora a imaginação de uma criança
e leio a vida como se fosse uma linda dança.
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