Poesia eu sou Asim sim Serei

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Depois de toda guerra
alguém tem que fazer a faxina.
As coisas não vão
se ajeitar sozinhas.
Alguém tem que tirar
o entulho das ruas
para que as carroças possam passar
com os corpos.
Alguém tem que abrir caminho
pelo lamaçal e as cinzas,
as molas dos sofás,
os cacos de vidro,
os trapos ensanguentados.
Alguém tem que arrastar o poste
para levantar a parede,
alguém tem que envidraçar a janela,
pôr as portas no lugar.
Não é fotogênico
e leva anos.
Todas as câmeras já foram
para outra guerra.
Precisamos das pontes
e das estações de trem de volta.
Mangas de camisas ficarão gastas
de tanto serem arregaçadas.
Alguém de vassoura na mão
ainda lembra como foi.
Alguém escuta e concorda
assentindo com a cabeça ilesa.
Mas haverá outros por perto
que acharão tudo isso
um pouco chato.
De vez em quando alguém ainda
tem que desenterrar evidências enferrujadas
debaixo de um arbusto
e arrastá-las até o lixo.
Aqueles que sabiam
o que foi tudo isso,
têm que ceder lugar àqueles
que sabem pouco.
E menos que pouco.
E finalmente aos que não sabem nada.
Alguém tem que deitar ali
na grama que cobriu
as causas e conseqüências,
com um matinho entre os dentes
e o olhar perdido nas nuvens.

Inserida por pensador

A coroa sobreviveu à cabeça.
A mão perdeu para a uva.
A bota direita derrotou a perna.
Quanto a mim, vou vivendo, acreditem.
Minha competição com o vestido continua.
E que teimosia a dele!
Como ele adoraria sobreviver!

Inserida por pensador

Prometeu

O sonho de liberdade tornou-se a cadeia
que me liga já para sempre ao meu canto doloroso.
Compadeci-me dos homens, da fria tristeza
do estranho tempo dos homens enterrados na morte,
e lhes trazia cristal e ardor de palavras,
luminoso nome que dizem os velhos lábios do fogo.
Águia, vinda do nascimento da luz,
de onde vês como é concebida a brancura da neve,
busca, para a luz, a mais secreta vida:
pelo sol, palpitante, toda a nua vida.
Abrirás com o bico eternamente caminhos
ao sangue que ofereço como a prova deste dom.

Inserida por pensador

Às vezes é necessário e forçoso
que um homem morra por um povo,
mas nunca há-de morrer todo um povo
por um só homem: recorda isto sempre, Sepharad.

Faz que sejam seguras as pontes do diálogo
e tenta compreender e estimar
as razões e as falas várias dos teus filhos.

Que a chuva caia a pouco e pouco nas semeadas
e o ar passe como uma mão estendida
suave e mui benigna sobre os vastos campos.

Que Sepharad viva eternamente
na ordem e na paz, no trabalho,
na difícil e merecida
liberdade.

Inserida por pensador

Chuva

De nenhuma parte chega. Partir?
Não há palavra mágica que rompa
este costume de olho, este silêncio
sonoro de dardos. A primavera, o luxo
dos anos e da luz, se perdia agora
no caminho vencido. As esperanças
morreram a tempo. De novo, tudo é perfeito
ao longo do vazio: a chuva lenta
não vai a parte alguma.

Inserida por pensador

À beira do mar. Tinha
uma casa, o meu sono
à beira do mar.

Alta proa. Por livres
caminhos de água, a esbelta
barca que eu governava.

Os olhos sabiam
todo o repouso e a ordem
de uma pequena pátria.

Como necessito
contar-te o espanto
que produz a chuva nos vidros!
Hoje cai fechada a noite
sobre a minha casa.

As rochas negras
atraem-me ao naufrágio.
Cativo do cântico,
o meu esforço, inútil,
quem pode guiar-me à alva?

Ao pé do mar tinha
uma casa, um lento sono.

Inserida por pensador

CHOVE LÁ FORA, MAS HÁ DE CESSAR...

Chove lá fora, vejo a vidraça chorar,
Como meu coração também se molha de aflição,
Chove lá fora, a chuva mansa, água incessante,
Como é também a tristeza que me vence...

Chove lá fora, meu coração é árido,
Como um campo rachado, angústia sem remédio,
Chove lá fora, se molham as flores,
Molham-se nesta água mágica e incolor...

Chove lá fora, a janela revela pessoas apressadas,
Como lhes vai à alma? Como a minha?
Talvez seca, talvez molhada,
Em busca da liberdade, das cores do arco-íris...

Chove lá fora, a chuva nem me deixa ao menos adormecer,
Nem mesmo me anestesiar dentro dessa melancolia,
Chove lá fora, eu sem sono, sem travesseiro,
Somente introspectivo, envenenado, tenso...

Chove lá fora, não consigo fazer um verso,
Cantar, fantasiar ao menos um amor singelo,
Chove lá fora, água persistente, contínua,
Faz-me apenas conversar comigo...

Cessa a chuva lá fora, vejo a esperança renascer,
Nascendo junto com o céu anil, para me reconduzir,
Cessa a chuva lá fora, vem também o vento, vem o sol,
Como amiga e companheira, reluzindo a dourada justiça,
Sedando-me, me fazendo dormir...

Inserida por marcelloamorim

TUA MÁGOA, MINHA MÁGOA, NOSSA DOR...

Nossas palavras desarranjadas,
Defesas munidas de egoismo,
Irriga tua alma já ultrajada,
Suprimindo o amor e regando a extrema dor...

Gritaste, o meu coração magoara,
Dissimulaste, o meu coração enganara ,
Caluniaste, o meu coração revoltara,
Impregnaste a nódoa de mágoa em minha alma...

Gritei, do teu coração o choro arranquei,
Dissimulei, teu coração trincou,
Caluniei, teu coração decepcionou,
Imprimi a nódoa de mágoa em tua alma...

Na mágoa só resta a aflição,
A busca de si em labirintos,
A perda, o afogamento em lágrimas,
O apagar da chama, da paixão, do amor...

A mágoa grita: não volta, não volta,
Vem dor, vem tormento,
Rouba a paz, roupa o encanto,
Traz o ser humano, traz os amantes para a cova, a solidão...

Com a mágoa se perde a crença,
Se abre a chaga, a podridão,
Faz o corpo inerme, sem satisfação,
Os amantes voltam a serem vermes, serem criaturas...

A mágoa macula a existência,
Traz dicotomia e desgosto,
Pesar e ressentimento, plena degradação,
Semblante de defeito, cheiro de ferida...

Com a mágoa meu amor pra ti é canção velha,
Nossos lençóis não exalam mais nosso cheiro,
Sem fascinação e encanto tu me olhas,
Perdão por te amar...

Não tome o veneno da mágoa,
Raiz do ressentimento,
Deixe em paz meu coração, me encontre em seu perdão,
Tua mágoa, minha mágoa, nossa dor, intolerâncias...

Inserida por marcelloamorim

999

Invertido estão os valores humanos,
os meus continuam intactos,
“Dê a César o que é de César!”
mas o que é teu, continua mascarado.

Vejo profetas semeando o ódio,
regando cega obediência,
se rebelando corvos.
Florescendo falsas esperanças,
tons de verde em cores,
pobres frutos doentes,
que já nascem podres.

Talvez não compreendido,
mas nunca conformado.
É sempre tantas guerras,
falta de diálogo.
Pregam paz pelo caos,
que os mesmos criam.
Ceifando cada um,
que entre no meu rastro.

1999, 1 eu, 999 versões,
escolha difícil, “querubins ou cães?” .
Cânticos celestiais, belas orações.
Ego insaciável, não basta um,
deseja multidões.

Quem sou?
O quinto não relatado,
o selo não aberto.
Não sou Peste, Guerra,
Fome e nem Morte.
Sou àquele chamado,
arrematador dos incrédulos.

Nessa fábula ingênua,
não perco e nem ganho.
Acredita no que lê?
prazer, sou eu, seu arcanjo.

Inserida por DiMatheu

Todo esforço é grandioso se o fizermos
sem lamentar
A recompensa com paciência virá
Todo dia é dia de lapidar um pouco o nosso ser

Há dias de se avançar
noutros descansar,
Mas dessa ideia não podemos esquecer

Inserida por Helora

Minha essência no mundo

Um encontro comigo mesmo
Sigo a minha bússola
não estou a esmo
Ser humilde de coração
E me sentir parte da Criação

Sou aprendiz
E vejo minhas virtudes,
Mas também vejo defeitos
Posso ser melhor
Ora, ainda não somos perfeitos!

Saber o que tem a ver comigo,
Pois, todo mundo é diferente!
A minha essência eu vou mostrar
E com o meu servir
O mundo melhorar.

Inserida por Helora

Vida

Nunca se deixa de ser.
O que nunca foi.
O passado contido na memoria.
Com as impressões do presente.
Comparando e selecionando,
O próximo momentum do futuro.
Numa continuidade constante.
Onde, indivíduo, passa
A se reconhecer como sujeito.
Através de lapsos de imagens,
Que aparecem na mente.
Se reconstruindo a cada instante.
Transportando a Vida na forma,
De reconhecimento do universo,
A sua volta.

Marcos fereS

Inserida por marcosviniciusfereS

Perdi-me no espaço
que teu silêncio abriu
no buraco negro que se fez
por tua mudez
na omissão do verbo
que me salvaria...

Mário Corredor

Inserida por jairo_gomes

As horas iguais estão me indicando que o universo, mesmo estando inverso... Ele continuará sendo um verso do versículo bíblico, profético!

BN1996
19/04/2020

Inserida por BN1996

Tentando me encontrar nessa loucura que é meu ser
cansada de me esconder entre versos e palavras não ditas
é que eu sou imensidão, amor
não sei sentir pouco
isso assusta, eu sei
queria que você quisesse ficar
sem tentar fugir ou controlar o que não se vê

quando sinto
é tanto que chega a ser palpável
não tem como esconder

diz que vem tomar um vinho e fica “sem querer” pro café
que eu vou tentar arrumar essa bagunça
pra você poder chamar de lar.

Inserida por brunagp

Haviam homens de verniz em suas fortalezas, e
homens nus nas ruas

A miséria, o vírus, a distância.

Era inumano.

Existiam abismos no fim de tudo
Então qual seria o mais fundo?

Os dias que nos pertencem
Aqueles que estamos vivos
O que será dos não nascidos
Nas ruas o medo do vírus

Na rua debaixo da tua
Sua máscara descartável,
Aos restos com a tua comida
Que alguém no lixo procura

Inserida por alexgolovanevsky82

⁠"Tu és sonho, sardas e arrogância... teu ascendente desconheço, áries é fogo;
Exala medo e discordância, discordando da minha ânsia pelo estar lúcida...
Não sou seu porto, sou folha solta, não desejo seu amor eterno mais, ou já não tenho... Mas quero o desejo que me cura, que faz meu corpo exalar liberdade, o que me torna mulher, não sua, mas nua, mulher, ainda desejo teu eu!"

Ane Ferreira
Libélua (O diário)

Inserida por AnneFerr

Vejo -te distante
Na verdade, estou em um vazio
Repleto de dúvidas marcantes
só de pensar, vem-me calafrios...

Por que não consigo te esquecer?
Saudade, paixão, ódio, raiva,
desespero, ilusões: vou enlouquecer!

Caminhos novos buscarei
Sonhos felizes, passageiras alegrias
de olhos fechados trilharei
Mas conseguirei essas utopias?

O que és a força que me atrai à ti?
Será uma ventura,
ou um sussurro do pior à vir?

Seja como for,
Acabe com essa agonia
Prometo-te amor
Se estivermos em sintonia...

Inserida por supramati

⁠Acendi a vela
Peguei duas taças
Uma garrafa de vinho
Na vitrola, Manhattans.

Na vivenda com a dama
Noite adentro de amor
Braços entrelaçados
Brinde, minha flor.

Inserida por poetafuzzil

⁠“Transporto nas mãos abertas
Uma ânsia fria
Nas pontas dos dedos
um vazio pardacento
e mesmo assim acredito.”

Inserida por virgiliosoares