Poesia eu sou Asim sim Serei
Enquanto há vida
Enquanto viver
Enquanto andar
Trabalhemos em comum
E os males sanar
Se vencemos
Se perdemos
Se hoje você aquilo tem
A Deus graças demos
Nos maldizer
Nos lastimar
Más energias trazem
Faz tudo piorar
Há horas para sorrir
Há horas para cantar
Há horas de chorar
É bom às vezes desabafar
Não queiramos ser melhores ou piores
Sejamos pacíficos
Os outros gostando ou não
Do mal guardemos o coração
VAIDADE DE PEDRAS
Uma vaidade de pedras
em suas cidades... Saudades!
Futuro como concretos esvoaçados
fumaças, em suas janelas e varandas
calçadas, paredes e abobadas, pinchadas
deturpação dos silêncios corrompidos
almas na fila das reclamações...
Jazidos de cerâmicas combalidos.
Cidades, pedras duras feitas e naturais...
Seus retos, retângulos seus restos
banners e ângulos, ótica da caótica torta
seus triângulos losangos, orangotango
e suas estatuas esboçando tangos
loucos sem planos, bocas sem rango.
mundo de enganos,
tempo arrastando seus preciosos, anos.
Cidades... Suas verdades
veredas cheias de placas
suas celas de pedras
seus confortos de latas.
Cidades, pacas e opacas
enveredando-te...
sob os muros das desgraças
Antonio Montes
Fruta da estação atual.
*Monologo da tristeza.
Tristeza, traga de longe sua luz,
escura luz de pensamentos.
Pétalas que nadam na solidão dos penares.
Navegam sobre o doce e sereno mundo único.
Longe.
Bem longe das referências de toda essa gente.
Tristeza.
Fruta da estação atual.
Doce, saborosa, textura simples como favo de mel.
Estrelas fazem doer, lágrimas de orvalho, uma chuva de saudades que vem sacar o sono e doar pequenas gotas de sereno no canto dos olhos.
Ah! tristeza!
Sina de beleza ímpar, lenço branco e cândido que cobre a vergonha alheia.
Fruta boa!
Tenho um bom pé no fundo de casa.
Enquanto existir alegria, estarei contente.
Consequentemente, irmã do riso,
contido fim que sempre enrosca.
A brisa, abraçando levemente as mãos,
carrega-as para os olhos e interrompe a luz.
Selam chances, desviam para outros mares.
Tudo.
Tudo é tristeza.
Tristeza boa é tristeza completa.
VOEJAR (soneto)
Como deve ser bom voar, no céu planar
Asas ao vento no cerrado, solto ao léu
Tal periquitos, e sobre corcel no tropel
Fechar os olhos e sentir o paladar do ar
Ir acima dos buritis, ipês, num carrocel
Resvalar nas estrelas, na nuvem pairar
Revoar como as aves, e assim delirar
Em quimeras, qual estórias de cordel
Deve ser uma rara sensação ímpar
Pros sem asas uma falta bem cruel
Que só na ilusão, possível esvoaçar
Só queria voar! Ter asas de papel
Poder ao sonho de Ícaro ocupar
E com ele então: voejar... voejar!...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
UMA PEÇA
Menino... Deixe de ser mofino
Pegue aquela sua bicicleta
saia por aquela rua e vá, vá lá,
no auto-peças, chegando lá...
Fique calmo, não se estressa!
Peça uma peça d'aquela terça
e uma cesta para colocar caneca.
Aproveite e compre um leite
leite alvo, natural da vaca....
Vá logo bichinho, não se queixe!
cuidado com a chuva, desvie das poças
pedale do jeito que você possa
esse caminho da roça, esta uma joça.
Vê se apreça em seu mandado
não pregue, nem uma peça...
É por essa estrada reta que passa
aquele trilho esta com, inhaca
e volte logo, para evitar uma taca.
Antonio Montes
Então vai lá e me esquece
se tiver rancor não o leve
Contigo pro caminho
Apenas embrulhe o carinho
Para viagem
Já estive naquela cama
De quem diz que ama
E não sabe amar
Mesmo que por uma noite
Um único beijo que fosse
Pra saciar o desejo doce
Que a carência insiste em deixar
FOLHAS SECAS
As folhas secas
despencam sobre a sua calçada
de concreto asfaltada.
Folhas que serão pisadas
afastadas com sua vassouras
ou varridas junto aos ventos.
Folhas que te deram. ar sombras e frutos
te deram saudades e flores
até brilharam seus olhos de amores.
Hoje ensacadas, sem alentos...
São colocadas em uma lata de lixo
levada pelas enxurradas
ou pela degradação do tempo.
Antonio Montes
FOLHAS SECAS
As folhas secas
despencam sobre a sua calçada
de concreto asfaltada.
Folhas que serão pisadas
afastadas com sua vassouras
ou varridas junto aos ventos.
Folhas que te deram. ar sombras e frutos
te deram saudades e flores
até brilharam seus olhos de amores.
Hoje ensacadas, sem alentos...
São colocadas em uma lata de lixo
levada pelas enxurradas
ou pela degradação do tempo.
Antonio Montes
RELÓGIO E SOL
Fora das sombras e da noite
o sol, em sua vil solidão...
Pendula-se em seu branco solidário
aquecendo seus dias, mantendo
vida e, sufixando seus amores.
Enquanto o relógio por ai...
Com seus braços e suas torres,
suas paredes, e seu tic, tác...
Não conta o tempo,
não mede momento, mas com
suas marcas, demarcam seus dias,
separam seus meses...
E ainda, arrasta seus planos,
empurrando a sua idade
contra as rugas dos seus anos.
Antonio Montes
CERCA NO AR
O boi, não voa
a vaca... Não voa!
Mas tem cercas no ar,
quase, quase...
Aonde aviões podem voar.
Arames farpados...
Fios elétricos,
cachorro que ladram
para que, ninguém possa entrar.
Filho... Nada de bom dia!
Nada de boa tarde!
com estranho, nunca!
Nunca se pode falar.
Boi, não voa...
vaca não voa!
cachorro não fala
mas ladra em seu cercado
só para te acordar.
Antonio Montes
POETISA COM PIOLHO
A poetisa... Lá da serra
joga palavras aos ventos
e juntos as suas entrega
as palavras lhe escorrega
e sem ter trava na língua
embola ai, os sentimentos.
Um dia os poemas deitaram-se
como se estivessem de molho
seus cabelos com seus charme
aos ventos pediram socorro!
e a poetisa em seu entrave
coçava os seus piolhos.
Meche molho, coça poema
coça o mundo na cabeça
nos dias de sexta a sexta
a poetisa ainda pequena
coça piolhos serena
e espera que vida cresça.
Vai coçando a sua ância
e enquanto o tempo inferniza...
Coça o tino do pensamento
e no coça a coça desatina
enquanto os piolhos d'ela...
Lhe traz poemas com rima.
Antonio Montes
COÇA POEMAS
A poetisa coça rumos
coça a cabeça e piolho
coça, poemas da vida
poesias e desaforo.
Tilinta a chave do mundo
com suas frases projetadas
abrindo, fechaduras de tudo
como se não fosse nada.
Poetisa coçadeira
já coçou também o amor
e n'uma carta derradeira
se coçou com chororôs.
Um dia coçou a lua
para sorrir para o sol
e a lua caiu na rua
por cima do seu lençol.
Coça, coça poetisa
coça enquanto a vida coça
não esqueça de coçar
aquilo que tanto coça.
Antonio Montes
NUNCA VIU ?
Quem foi que nunca viu um zaroio!
quem não teve piolho
ou nunca comeu um molho?
Piolho eu tive
zaroio eu vi de lado
e o molho, eu comi, disfarçado.
Eu vi o bem-te-vi que te viu
no trilho em que o vento sumiu
antes mesmo de partir.
Eu tive um molho de chaves, vivas
um olho molhando a ferida
antes da chuva cair.
Eu vi a saudade partida
sem tropicar sem dividir
laqueando o amor da vida
sob o tempo da despedida
sem direito de sair.
Antonio Montes
EXALTAÇÃO AO CERRADO (soneto)
Retorcido, bem se sabe. Mas encantador
nos seus planaltos, berço extraordinário
desabrocham ipês, pequis no seu cenário
de um chão cascalhado e forrado de flor
E neste imenso entrançado, e tão vário
a vida luta com garra, resistência e ardor
tal como gladiador, ou um guará solitário
o cerrado é aos olhos ato transformador
Nada o impede que seja do belo apogeu
se o belo no encanto o encanto acendeu
e fascina, do dessemelhante embaixador
Deus o pôs, de um nobre a um plebeu
riscando o horizonte com a luz e breu
em uma quimera de paixão e de amor!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
...Os Amantes...
(o tal do Morfeu uchiha )
Nós estávamos sempre juntos Nunca soube lhe dizer
Enfim você veio até mim foi amor além de mim
Me fez sorrir, me fez cantar, me fez viver.
E naquela noite nos amamos
Como dois loucos amantes a se adaptar
Meio confuso você ficou Não tinha como evitar.
Entendo a sua estranheza
De algo que ate então você não conhecia
E de um tempo você precisou Desejo, Culpa, agonia...
E nas coisas da vida você se perdeu Sinto saudade
de tudo como era, Se passaram 3 logos Anos, aqui estou
Nessa longa espera.
Entre um oi e um olá Um beijo novamente
a nos desperta E logo, mais uma vez como
2 amantes Nos amamos loucamente.
Ambos nessa atração de semelhanças Num cingir de
músculos podemos ver Que já exaustos os amantes
erguem-se Para um Novo amanhecer
FULGOR DA VIDA
Na madrugada escura,
de uma rua estreita...
Explode um pau-de-fogo
... E um grito, projeta-se, sobre...
O beco macabro, de um momento fúnebre,
marcando o ultimo tíc, tác de um peito
dilacerado.
Uma bala e duas lagrimas rolam...
E sobre o leito de uma dor finda,
o arrependimento tomba apagando
o ultimo fulgor, de uma triste vida.
Nesse ínterim...
Como se fosse lençol de uma branca
mortalha... Brada o silencio sufocado
sob, o ultimo sopro da estupidez...
E os olhos, se enchem de nevoa branca,
impregnado de frio e de tremor, de uma
alma, que nunca foi aquecida,
pelo fulgor da doce vida.
Antonio Montes
TIC, TÁC, DO AMOR
Na ampulheta do amor
tic, tác, tic, tác
tic, tác vou subindo
pelo tempo...
tic, tác tic, tô,
o tempo passa
e eu vou...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác, tic tô....
No tic, tác, tic, tác
tic, tác vou descendo...
Não me peça por favor!
Se eu vou no tic, tác...
Tic, tác, tic, tác
tic, tác estou vivendo
tic, tác, tic tác...
Tic, tác para o amor.
Antonio Montes
Uma vida…
(Nilo Ribeiro)
Uma vida maravilhosa,
uma vida de prazer,
admirar uma rosa,
apreciar o entardecer
uma vida de primor,
uma vida feliz,
aprender como professor,
ensinar como aprendiz
uma vida divina,
uma vida de comunhão,
bater papo na esquina,
me entregar em oração
uma vida encantada,
uma vida transformadora,
quem me mostrou foi minha amada,
minha mestra e professora
uma vida de alegria,
que eu não dava valor,
hoje vivo em poesia,
pois me mostrou o amor
o amor modifica,
hoje sou alguém,
a paz se solidifica,
eu te agradeço, amém…
( suficientemente incompleto)
Não suponho que estou pronto. Pois, o mundo e as pessoas mudam. O que serve hoje não servirá amanhã. Acredito na metamorfose ambulante que é o ser humano, conforme Raul Seixas destacou.
Aprendemos a viver de acordo com as tecnologias e de acordo com os sentimentos que são desenvolvidos dia a dia. Não há conhecimento que perdure e nem sabedoria que seja sábia para sempre.
Por isso sou incompleto na minha plenitude da consciência de que observo coisas mutáveis de acordo com o bel-prazer da insuficiência de conhecimento humano. Ou seja, mudo de acordo com o sistema. Por isso, sou suficientemente capaz de absolver o vazio do mundo.
