Poesia eu sou Asim sim Serei
Sentimentos
Sem ti não sou nada
Sou vela de chama apagada
Tenho a vida sem sabor
De um amante sem vigor
Apegado a segredos
Aventurado em devaneios
Dos velhos medos
Dos olhos cheios
Sou cárcere de ti rancor
Assim que perdi o pudor
Feito da consequência
De encontrar a dor
A única eloquência
Desta íntima convivência
Poemas mentais
Não se viu nenhum distúrbio igual
Há alguns que dizem que é mortal
Não sou igual aos demais
Eu tenho sérios poemas mentais
Sou louco, anormal
Um amante, um animal
As palavra vem rápido
e quem sofre é o papel
Meus poemas são meus filhos
Nascem do inesperado
e quando me vejo já estou perturbado
dando a luz.
Ora o parto é normal
Tranquilo, respiro, aprecio
Outrora é de risco
Arrisco, me belisco, desisto
Risco de morte mesmo
e quem morre são as palavras
Meus problemas são sérios
Cuidado, é contagioso
Cuidado, é perigoso
Eu tenho sérios poemas mentais.
UNIVERSO INOCENTE
Como criança, sou o maior mágico
do meu tempo, de todos os tempos...
Digo a verdade quando esperam que,
eu minta, e minto! Quanto esperam
que, eu diga a verdade... E quando tenho
que esconder-me, escondo de mim mesmo.
Não tenho bola encantada de cristal
para encantar, pois sou, eu mesmo
o cristal, lapidado do mundo encantado.
Minha bola é de chutar bater ou de sabão,
e eu, me encanto pela beleza do seu voar
e pelas cores que elas podem me mostrar.
São minhas as bolas de sabão cheias
de cores, expondo-me amores, sonhos,
fazendo a minha imaginação voar e o meu
frágil coração pulsar...
Pulsar de felicidade, pulsar de emoção.
Não me preocupo com universo, pois
no meu mundo! Eu não coloquei política
partidária ou religiosa, muitos menos elegi
presidente ou parlamentar algum para
fazer-me descontente.
Como criança... Não estranho cores da
derme nem etnias, não tenho nada, pois,
o mundo em que convivo, ninguém desvia
nada! Ninguém taxa o outro de bobo, nada
é transformado em jogo, e tudo pertence
a todos.
Antonio Montes
Se sou gulosa,
deveria engolir palavras -
dessas que sobram,
gorduras localizadas.
Assim
a poesia seria slim,
e a gula teria um estético
fim.
Do que sou feita
Não sei amar pelos meados
Amor de incompletudes me exasperam
Sou feita de vastidões, não de bocados.
Minh'alma é ventania no alto da Serra
É enxurrada que arrasta pinheirais
É tudo ou nada mais.
Então não me venha com pedaços
Ou nega-me o universo
ou deixa-me quedar nos teus braços!
Não sou poeta ao pé da letra
Sou a contemplação dos planetas
Dos redemoinhos de constelações
A entidade frívola e agoniante
que perambula as noites através
De um caos
do meu caos
do eu-caos
Sou a participação efervescente
dos seus pensamentos
a parte que põe lágrimas em teus olhos
essas mesmas que jaz em tua alma
Sou a concupiscência e o abstracionismo
a caricatura mais bem elaborada
Do nada
do oco
do vazio
de mim
Sou o borrão mal delineado
trabalhado, pontilhado
desastrado, remendado
arregaçado e dolorido
Que um dia já foi frase inteira
Graça
O meu para sempre
é provisório.
Sou viço falho de infinitos
Fagulha afogada de sonho
Ave aviltada de si.
Grito falhado,
sorte ufanada.
Mas onde sou vencida em tudo
um anjo mudo
me abençoa os nadas.
Reconheço, sou difícil de lidar. Talvez seja meu jeito ou quem sabe a minha falta de jeito. Vai ver, eu tenha desaprendido a entender essas coisas de sentimentos. Ou, quem sabe ainda, eu não queira ou não esteja preparada para o tanto que me ofereces. Pode ser alguma coisa ainda doendo aqui dentro, que me impeça de acreditar novamente em palavras bonitas. Sou meio quebrada, sabe? Me colei ao longo dos dias com persistência e coragem. Juntei um caco aqui, outro ali, não deu pra consertar inteira, mas me reconstruí da melhor forma que pude. Não sou triste nem descrente, muito pelo contrário. Apenas estou reorganizando o meu lado de dentro.
- Flavia Grando -
O ESCRITOR
Posso ser homem
E até ser mulher
Ideias me consomem
Sou coisa qualquer
Posso ser astronauta
Alienígena, talvez
Um mero internauta
Africano, chinês
Posso voltar no tempo
Ou ir direto ao futuro
Até congelar o momento
Posso derramar ódio
Ou transbordar amor
Prazer, sou o escritor
Sou seu enquanto conto
Enquanto canto baixo
Quieto num canto
Enquanto houver versos
Inversos a dor
Enquanto houver cantos
Avessos ao sofrimento
Enquanto você for a poesia
Escrita em universos
Com ou sem rimas
Eu sempre serei seu
SONETO DUM PISCIANO
Sou peixes, das águas da emoção
dum olhar profundo, sou cardume
que bóia na nascente do coração
das irrigas condoídas, e de nume
Ter zelo e dedicação, sua missão
doar-se num dos lados do gume
alma encharcada de expressão
gota a gota, afeto com perfume
Banha o outro nas tuas chagas
içando doçura nas tuas austagas
peixes, místico servidor do amor
Neste mar, e com suas dragas
devora a tirania, e as pragas...
Do zodíaco, eterno sonhador!
Luciano Spagnol
Cerrado goiano
Sou viajante.
E não preciso de muito para isso,apenas um café,um punhado de solidão e doses de pura sensibilidade poética.
Imagino cidades amarelas com tons laranjas abaixo de um céu esverdeado;
percorro casas abandonadas,ferrovias vazias e cemitérios cheios;
Choro com os órfãos que foram maltratados e esquecidos;
Durmo na rua com aqueles que não tem a quem pedir socorro;
Encontro paz com aqueles que fazem a guerra;
Faço jardins em trincheiras e dou cor a Auschwitz.
Transformou a dor,encubro a tristeza e distribuo sorrisos.
Me chamem de louca que eu lhes mostrarei onde está a insanidade.
Sou a favor da rua
Do vento na cara
Do sorvete gelado
Da ajuda inesperada
Sou a favor da felicidade sem custo
Do dinheiro doado
Do mergulho no mar
Do dedo na tomada
Sou a favor da dúvida
Do desejo que grita
Do tapa na cara
E do outro lado da face
Sou a favor de qualquer amor
Da palhaçada no trabalho
Da ligação para dizer eu te amo
Do trote, da bebida e do alcool
Sou a favor do talento
Da surpresa, do arrepio
Da gargalhada da criança
Da mesa e do convite
Sou a favor dos que andam pelo meio da rua
Dos que entram em mar revolto
Dos cachorros vagabundos
Dos que não têm conta em banco
Sou a favor de presentes fora de datas
Da carta escrita a mão
Da janela aberta
Da música cantada no trânsito parado
Sou a favor de quem só conjuga no presente
Do orgamo aguardado
Da expectativa atendida
Da sobremesa açucarada
Sou a favor da carona
Da vida na estrada
Do pedido de desculpas
Da ligação para casa
Sou a favor dos que não se definem
Dos que não rotulam
Dos que se vestem diferente
Dos que dizem o que pensam, sem ofenças, seu merda
Sou a favor do choro
Dos que pedem ajuda para dar um nó
Dos que pedem ajuda para tirá-lo da garganta
Sou a favor dos alunos
Dos que nadam com ou sem direção
Dos que sabem que seremos comida de vermes
Sou a favor do deslimite
Da não fronteira
Dos que não tem time
Dos que abraçam mendigos com cheiro de mijo
Sou a favor da mudança
Dos atos que cativam outros
Do serviço sem rosto
De comer o pão que caiu no chão
Sou a favor do tempo que não para
Do tempo que decreta o fim e o novo começo
Do tempo que ensina professores à alunar
Sou a favor dos que são contra
Porque só assim somos humanos
Somos ideias e ideais
Eu sou a praia
Eu sou a montanha
Por onde anda aquilo tudo?
Sou de paixão,
de gostar muito.
Se fora sem explicação,
sem adeus,
nem abraço.
Metade que vai,
metade que chega.
Conformismo ou cansaço?
(PLUR)IDENTIDADE
Sou o rosto do outro
e o outro sem rosto...
Sou a cara e a coroa
duma moeda não cunhada...
Sou o lado de cá
e a margem de lá...
Sou a escada que sobe
e a rua que desce a pique...
Sou o nada de tudo
e o tudo de nada...
Sou a sede que ferve
e a cheia gelada...
Sou o outro sem rosto
e o rosto do outro...
Sou um...
Sou dois...
Sou tantos...
Sou (PLUR)IDENTIDADE!...
📜 © Pedro Abreu Simões ✍
facebook.com/pedro.abreu.simoes
Sou extensa, fluida ...
... carrego em mim o oposto daquilo, a que me entrego em definição. Portanto, expandir é meu prazer, a metamorfose diante dessa sutileza que não tenho, é o que tenho de mais concreto e o intangível é o que me contorna!
SOMAS DA VIDA
Sou poeta,
Mestre sem diploma.
Mestre na arte de amar.
Más que também se apaixona.
Tive vários amores,
Tive vários amigos,
Grandes desilusões,
Diversas decepções,
E um amor eterno.
Amar.
Amar é cuidar.
Amar é zelar.
Amar é dividir.
Amar é somar.
Somar todas as virtudes,
Subtrair os defeitos,
Multiplicar o carinho,
Dividir o mesmo espaço,
Seguir o compasso,
Fazer a soma da vida.
- JP RODRIGUES
CONFISSÕES
Confesso que sou apaixonado
Pelo seu corpo
Pelo seu cabelo
Pelo seu olhar.
Não vou mentir
Nem negar
Que já fiz loucuras na madrugada
De tanto te olhar.
Ai de mim
Que escrevo ruim
Será que algum dia sentirei
O néctar que tanto falam
Por aí...
Pela escrita ou pela fala,
Sou sílaba que não se separa.
Sou muitas de mim.
Sou palavra não inventada...
Sou sobrinha-neta da Ilusão, tenho marcada em meu sangue a marca amarga da ferradura agalopada do solene marchar da carruagem de meus sonhos, ébrios de tentação. Sou a cria amarga do roubo esperançoso de minhas racionalidades fatais, que enganam, deturpam e profanam a doçura antes presente em meus sonhos. Sou o devaneio solto pelas ruas, a loucura a planar sobre os campos férteis da solidão, sou o resultado infame da mistura sórdida de meus antepassados de terra e vão.
Sou tantas e de tantos, sou tato e pranto, sou cólera e acalanto, não sou nada, nada, mas ainda assim, canto. Canto as lamúrias através de pena e cetim, debruço-me sobre meu viver torpe e vomito palavras pobres em versos e prosas em carmim.
Não domino a poesia, mas a poesia domina-me a mim, quebro meus pudores em mil pedaços de taco, ligo meus temores um a um em mil laços, reconstruo minhas convicções em mais mil espaços e ao final, sobrando-me apenas a dor e o cansaço, enfim me desfaço.
