Poesia do Carlos Drumond - Queijo com Goiabada

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Imenso coração,

Sem temer pecar,

Dê-me a tua mão

E a tua alma.



Intensa sedução,

Armadilha e êxtase,

Se dê completamente

E bem maliciosamente.



Imensa paixão,

Sem temer amar,

Dê-me a tua vida

E serei a preferida.


Intensa loucura,

Amável ternura,

Se dê plenamente

E bem vagarosamente.


Não te segures,

Não me prendas,

Traga-me com calma,

O meu amor é assim

- aprenda

Com o brilho

Que a alma carrega

Presa em si - compreenda!

No deserto
sem ter condição
de te enxergar
no meio
da tempestade
de areia,
Pois ali você não
se encontra,
De ti o meu peito
toma conta,
Entre nós você
deveria estar.

No passo
da caravana
que segue
em silêncio
carregando
os meus
versos nômades
na bagagem
rumando
ao oásis
do coração,
Como já de ti
tivesse em mim
os beijos teus.

No fundo sei
que te pertenço,
Só sei que
não nos
encontramos
porque ainda
não é tempo,
e a travessia
será longa,
Eu sei que
te ilumino,
Dos teus lábios
sou o sorriso
como a evidente
Estrela do Oriente,
canção de amor
e de recomeço.

Onde vivem os poetas?

Os poetas são como os astros; só podemos contemplá-los, nunca tocá-los. É possível registrar um fragmento do conjunto de elementos que compõem as suas poesias, mas jamais seremos capazes de penetrar no labirinto das suas emoções.

⁠Se você desanimar na hora da adversidade, é sinal de que sua força é limitada.
Provérbios 24:10

Teu Jazz

esses dias são assim
terrivelmente assim
têm nuvem, sol
e, às vezes, chuva

nesses dias
assim
terrivelmente assim
uma música sempre toca
e o coração se entoca

aqui
nem samba
nem bamba
só teu jazz
me traz paz

As Maiores Batalhas

As maiores batalhas são travadas em silêncio
na solidão da casa, no escuro do quarto
nos corredores do coração

Guerras insones
diárias,
constantes

As maiores batalhas são travadas sem armas
ou espadas e, com sorte, sem morte
apenas profundos cortes
na alma

Flor paradisíaca

Flor que tem perfume,
textura, cor e sabor.
Flor que dá fruto,
reproduz a vida,
amamenta, alimenta,
sustenta e gera o amor.

Flor que pode ser calma
e serena,
até o momento
em que age por instinto,
e se transforma numa fera
destemida.

Flor que é amante
e companheira,
mas desperta ciúmes.
Flor que ama e perdoa,
porque se abre para ser mulher.

Bateu-me um besouro na testa
e me contou o segredo da festa:
_ Não esperes da menina o sorriso,
vá dançando a valsa da loucura,
que dela iras roubar o desejo obtuso
de tratar um apaixonado sem cura.

Quem sabe

Um sorriso!
Um olhar...
Um dia...

Neste instante,
Palavras perdem o sentido...
Valem os sentimentos,
Momentos que nunca voltaram...

O vento levou a sorte.
Restaram lembranças!
Nossa historia se perdeu ao entardecer.

Se foi o sol,
Se foi a Luz da minha vida!
Sinto falta de você!

VISITAS
Para Mário Quintana

Pensamentos de morte vêm e vão.

Outrora chegavam à noite e ficavam pouco tempo
como visitas bem educadas.

Agora entram a qualquer hora, saem quando querem
e mal educadamente ocupam a casa inteira
(como se fosse a própria casa deles).

Estou pensando em propor um pacto a esses convivas
inoportunos:

falarmos de tudo, menos de coisas tristes.

Se tudo que você pensa vem de um poeta, então você não tem pensamento nenhum.
Tudo se tornou um derivado de derivados, não somos mais originais, quem realmente somos está perdido, impregnado com as ideias de outras pessoas.

⁠Por acaso, um mero acaso, um ajuntamento promovido pelo caos cósmico, nos encontramos
E por outra vez você passa à porta, por conta dessa insensata sina ou dependência emocional
Todos são assim, com palavras e olhares, e referências sensitivas e culturais
E toda a história se desenrola e como ainda em tudo é humana, corresponde ao chamado
E os minutos comem os dias e as horas todas, e nos regozijamos de todo o nosso ser
E já não pedem, já não apenas querem, precisam
E o feitiço, como soe aos incautos, virou-se contra si mesmo
E sílaba após sílaba
Mão a mão
Cheiro e gosto
E vislumbre após vislumbre
O que era um flerte transformou-se, em última instância, em química psíquica, e tudo se transformou numa substância que era necessária à sua subsistência.
Daí por diante, vieram todas as consequências de mais que uma paixão, um metabolismo cru, molecular, que atingiu toda a fisiologia, indo até o comportamental.
Cria-se um mito, uma divindade, uma instituição, um universo desejado, uma utopia confessam, uma pulsação nuclear.
Não era mais nada deste mundo, era do seu, só seu, embora nem você soubesse.
E um encontro verteu em uma obsessão inglória, um ciclo vital da conjunção carnal ao choro umbilical, e segundos depois aos trôpegos passos e às dúvidas adolescentes, e fase após fase a imensidão do instante se propaga.
Tudo humano, tudo visceral, todo desejo, tudo milenar e animal.
E dias após, você desperta.
E a vida segue
E eu fico.

⁠MEU MUNDO
Meu mundo pequeno é bem grande
Pequeno por fora e grande por dentro
Cada lado tem seu tanto de ilusão
Ilude-se quem o vê pequeno
Iludo-me por vê-lo tão grande
Meu mundo pequeno tem portas
Meu grande mundo e suas portas fechadas
Jamais precisei abri-las
Espero não estejam trancadas

⁠O tempo passa depressa

O tempo passa depressa
Quando todos os dias são iguais
Quando todos os dias se faz tudo igual
Quando não se aprende nada de novo
E tudo de antes se repete de novo
Não há lembranças para lembrar

O tempo passa depressa
Quando parece que vai devagar
Quando parece que nada acontece
Quando parece que não se envelhece
E que o tempo parou de passar
É tempo vazio que se tenta segurar

O tempo passa depressa
Quando não se lamenta uma tarde perdida
Quando em um ano não se vive uma vida
E uma vida cabe em uma lembrança

E se veste a mesma roupa
E se come a mesma comida
E se bebe a mesma bebida
E se vai aos mesmos lugares

O tempo só não passa depressa
Quando é tempo vivido, aproveitado
E quando passa é tempo lembrado
E voa e nem se vê passar
Esse é o tempo que passa devagar

⁠Noite sem lua,
Chuva na rua,
A alma insinua,
A cobiça continua,
No leito extenua,
A arte que autua!
Ninguém desvirtua,
O que o lamento situa,
E se nada intua,
Meu sono conceitua!

Procura-se uma prenda..
Pra viver comigo num rancho feito de amor e de madeira.
Que queira ouvir milongas pra se amar a noite inteira.
Tomar chima, comer pipoca, contar causos em volta do fogão.
Ter um cusco, um baio e uns filhos pra alegrar ainda mais a nossa junção.
Jogar truco, comer pinhão, viver juntinhos pra sempre aqui no rincão.
— Procura-se uma prenda que queira esse tipo de peão,
pois a quero amar a vida inteira, e entregar o meu coração.

Conte-me.

Se já perdemos a noção do tempo.
Se nada mais importava por um momento.
Conte-me como hei de esquecer.

Não, não hei de esquecer!
Barreiras rompidas.
Sonhos criados, meu universo de desvarios.
Foi real, não imaginado.

Um universo de noites singelas.
Travessuras, misturando pernas com pernas.
Sorrisos encantados, corações lado a lado.

No caminhar de uma paixão.
Entornaste minha sorte, metendo os pés pelas mãos.
Meu coração ao procurar o teu, meu sangue errou de veia e se perdeu.

Na desordem de um caminho.
Uma camiseta vermelha pode enlaçar seu vestido.
Sem nenhuma predicação, inda sentindo seus seios em minhas mãos.
Desfrutando o sabor de amor que os lábios podem oferecer.

Não, não há como fazer de conta.
Quando de um coração se toma conta.
Então conte-me como hei de esquecer.

Inserida por Solrac28

simultaneamente, vejo o sol, por lá se admira a lua.
dois astros poderosos, que quase nunca se cruzam.
uma longa distancia entre os dois, e ambos avistados ao mesmo tempo.
será mesmo que é possível se encontrarem em algum momento...
quando se encontram o eclipse é um espetáculo.
a lua beija o sol, algo tão lindo, só pode ser raro.
uma dicotomia perfeita, opostos que quando unidos provocam arrepios.
intenso como o sol, rara e lirica quão a lua, a distancia é tão grande,
mas um dia eles se cruzam, um dia eles se cruzam.

Inserida por Solrac28

O Rio

nasce na minha porta
- preenchendo toda aorta -
um rio
de água negra
e fervente
que corre alheio
corta ao meio
e quebra
a paz e jaz
o silêncio
enquanto segue selvagem
o veio pulsante
e febril

transborda a margem
a forte corrente
transpassa a mata
e mata
de repente

deságua em guerra
em um mar calmo
esse rio
- lágrimas da alma -
inundando cada palmo
invadindo a terra
a sala
o peito, a mala
me afogo dia a dia
no rio de minh’alma

Inserida por purapoesia

Novos Conselhos para uma Vida Riquíssima

Espalhe gratidão enquanto houver amizade
E de ninguém deseje a piedade

Hasteie sua felicidade como uma grande bandeira
E diga a verdade de qualquer maneira

Distribua sua gargalhada entre os boçais
E tire para dançar os anormais

Tenha desprendimento pelo material
E leve sua cama para o quintal

Seja amor enquanto todos são razão
E aos sentimentos saiba dar vazão

Mostre o que vai além do espelho
E não se torne um jovem velho

Da arrogância não vista a fantasia
E não fique à sombra de uma relação vazia

Abrace seus sonhos com determinação
E enxergue com os olhos do coração

Seja como a chuva em um chão que agoniza
Faça brotar vida que você se eterniza

Inserida por purapoesia