Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Assim como a beleza
É subjetiva,
Depende da luz
Que brilha nos olhos
Daquele que olha
E enxerga a alma,
E contempla
Com sutileza
O que há no coração,
Assim também,
É ver e enxergar
A sensualidade
Quando enxergo
No outro e vejo
A mim mesmo,
Refletindo tudo
O que a minha alma
Tanto necessita e deseja,
E o corpo, muito anseia noutro corpo,
E a pele arrepia,
Se aquece,
Se esquece,
Fica leve, e vai...
Voa nas asas da poesia
Com a magia
Da sedução.
MULHER
Nos lábios
De quem ela beija
Sempre fica
Aquele traço
Inconfundível
E vermelho do
gosto de batom 💄
É como um brinde
Pra segunda etapa
Ela é fatal
Ela é irresistível
Ela é ...
Quem ela quiser,
Porque ela
Sabe ser Mulher!
De zero a amém
Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que tem chifre é touro
Os fluidos passeiam pelos estados da matéria
Na proporção com átomos, somos gigantes em relação aos astros bactérias
Universal ou microscópico? Focar no Gepeto ou se contentar com o Pinochio
Julguei a Eva pelo erro, Adão pelo deslize e a serpente pela mentira
Logo eu com o mesmo erro, provo do próprio veneno sem nenhuma armadilha
Armadilha, cativeiro animal que tem sido cárcere da minha própria filosofia
Alma quente ou vida fria? Viver no enredo ou na alegoria?
Mas ora, minha vida foi uma mentira, convivendo com ratos, foi tanto desafeto
Que eu considero desacato, me trouxeram a fome e sempre negaram o prato
Mas agora eu estou liberto, estou livre de fato, vou me embora de casa, que seja o último ato.
Logo eu que nunca venço, no máximo empato, logo eu que só apanho e quase nunca bato
Fui deixado no mato, negaram-me o tato, me confundiram com cachorro quase que lato,
Mas lavei as mãos, me juntei com Pilatos, agora ando correndo e voando, me chamem de pato.
Faço essa oração a quem me ouvir
e uma coisa tenho a suplicar,
suplico que me ouças.
Minhas reclamações impacientes,
minhas tristezas mais profundas,
minhas angústias sem razão,
minhas felicidades mais intensas,
minhas calmarias mais plenas,
minhas paranóias mais doentes,
minhas rotinas mais casuais.
Suplico que me ouças e se faça presente,
que não me julgues, que não me intérprete,
que apenas me ouça.
Suplico apenas que ouça;
meus sinais e olhares,
meus comportamentos e ações,
meus pensamentos e razões.
E assim conhecerá o mais raso e íntimo de mim.
Não sou objeto, não sou simples, não sou complexo.
Sou humano, sou simples, sou complexo.
Não sou aquilo que dizem que sou,
sou aquilo que com eles sou.
Não sou aquilo que digo ser,
sou aquilo que sou.
Para quem me ouvir suplico apenas uma coisa,
Suplico somente que me ouças.
Amém.
Liberdade aprisionada ao passado
A brisa noturna chega trazendo desalento.
Na soleira da janela, com olhar vazio, ouvindo o vento.
Brandindo, sonido, sino fazendo ruído sestroso, parece sorrindo.
Me fazendo recordar das lindas noites de luar!
Aqui juntinhos
Oh! Que esmorecimento chegou com essa brisa.
Recordações e mais recordações
Inquietações, censuras
Ruínas de ilusões, penumbras!
Quanto sofro por ti!
Inúmeras noites sem dormir
Malsofrido coração
Angústia, solidão
Amanhece!
O dia se veste de luz e poesia.
Imerge no esquecimento a agonia, deixando lá adormecidos, os afagos vividos.
Voltando a sorrir!
Rosely Meirelles
🌹
A palavra é viva, é força, é arma.
Ela acolhe, conecta, separa, desarma.
Machuca, anima, ressuscita, mata.
Exorta, conforta, cura, restaura.
Inspira, acalma, toca na alma.
A palavra deixa marcas no outro.
Qual é a marca do seu verbo solto?
Sua voz pode ser o seu melhor instrumento,
não a utilize de modo violento.
Antes de fofocar, maltratar, xingar e humilhar,
pense no que a sua fala pode causar.
Escolha as palavras certas para usar.
Escreveu? Falou? Não dá para voltar.
Cuidado com a raiva, espere ela passar.
Pense bem antes de falar com alguém.
Seja um bom comunicador.
Não cause dor. Corrija com amor.
Seja mais gentil, por favor.
Que você saiba palavrear com sabedoria.
Uma palavra mal dita causa ferida.
Reclamar ou agradecer? Você que vai escolher.
As suas palavras dizem muito sobre você.
Falar ou silenciar? Você que vai decidir.
Busque construir e não destruir.
"Palavrear", poema publicado no meu livro solo "Celebre a poesia que existe em você"
"Enquanto escrevo
e reescrevo,
versos que se partem
e repartem de mim,
ainda que negando,
vejo,
feito e desfeito,
ora o não,
ora o sim."
FLORES Y HOJAS
Girassol mexicano perdido no verde
Tão alaranjado e vivaz entre folhagens
Na mais baixa aquarela é terracota.
Sei que és forte e floresce, chica
Como brota em toque tórrido
Por que ilude-se em rodovias cinzas?
Não fuja das folhas meu bem
Os buques são lindos, eu sei
Mas caules cortados morrem.
Macacos ocultos
Qual paixão se tem
Quando se sabe
O quão injusto é
Os homens que fizeram tanto mal
Serem agora só pó de ossos
(Se cavar ali encontrara os nossos)
A dor do mundo
Por que quando se contempla
Quando se entende
dentro de nossa essência
Com todo mal
É tão bonita ?
Eu entendo realmente
Mas quero não entender
Quero mentir para mim mesmo
Que não sei o porquê
Alguém será que já conseguiu
Se enganar assim?
Então eu choro e quero ser tudo
E me ver por completo
Sem me separar de mim
Como isso seria possível?
Quanto tempo eu estive penssando
No ódio de quem ama
Nos amores secretos
E dentro deles as verdadeiras
Paixões ocultas
Tão negras quanto verdadeiras
Tão erradas quanto verdadeiras
Tão erradas não por natureza
Mas por seleção
Os erros selecionados por milênios
Em nome das leis
Que defendem tantos outros erros
Ate que enfim
Nos fadamos e aceitamos
Mesmo naquelas noites
Em que tudo vem
Todo o entendimento
E a sensação de injustiça nos apossa
Diante da impotência
Diante desse mundo fraudado
Que não nos liberta
Pelo nosso próprio medo.
Rodeado de gente, sou solitário
Minha mente é uma prisão
Minha soberba é uma maldição
Entre fumos e bebes, sou feliz
Vejo-te como uma janela aberta,
como o sopro de um poeta.
Como o grito de um Rei,
e o bater de asas de uma borboleta.
És sempre tão silenciosa.
Te convidarias para experimentar um café ás três da tarde, numa quarta-feira, se pudesses.
Oh, liberdade,
Por que me soas tão quieta?
Saudade de ser "locão" ou "locona"?
Tudo depende da intensidade da loucura. Da importância que você dá para a loucura. Do quão seu coração quer se entregar a loucura. Tem loucuras boas, que não tem limites para sua idade!
Ainda tenho alma
- acredite –
é calma
Tem horizontes poéticos
como os tempos velhos de mim
Quanto vale a idade?
Minhas estrelas ainda
são doces pregados no céu.
SONHOS
Falando sobre sonho
Eu vou aqui relatar
comece já na adolescência
Escolhendo o seu pra buscar
sem medir esforços lute por ele
pois o futuro pertence a quele
que nunca desiste de sonhar.
Eu sei que as vezes o sonho é só um plano que parece impossível
Mas se você lutar com garra ele não será invencível
Por isso, foque no trajeto e não na dificuldade
Porque a vitória é certa quando se tem vontade.
Sem um propósito de sonhos
A vida não tem sentido
Sem um propósito de metas
O sonho passa despecepido
É tão bom a gente sonhar
Más bom mesmo é realizar
Aquele nosso sonho preferido.
Por isso sonhe,
Sonhe alto
Sonhe com esperança
Não desanime diante do obstáculo
Porque a caminhada só tem sucesso quando há perseverança.
- Manoel Batista
- Eduarda Barbosa
Dolorosamente mal
A criança está chorando
desesperada e soluçante
Ah !- Ela está precisando abraçar
Enquanto o adulto nem liga
Finge de durão
É que já chorou demais [···]
E nada faz sentido
Então não tem nada para chorar
- Chora criança !
Enquanto haja lágrimas
Até não houver dor
O sol já está lá fora
nem sei quanto tempo
Dias e horas esperando a porta se abrir
Então a luz sufoca a solidão
Os olhos se abrem novamente
e lentamente vou me encontrando por aí
Não tenho hora pra voltar
mas, se ficar com saudades,
sabe bem onde me encontrar
Talvez em um filme,
em um livro,
numa canção, quem sabe
Talvez no versos dessa melodia,
ou em uma poesia qualquer.
Um papel, uma caneta, uma paisagem...
O que seria de mim sem a graça da vida?! A inspiração, a poesia, sem Deus eu nada teria...
É ainda o que me alegra e me acaricia.
O que seria de mim, sem fé em Deus, sem poesia... Se somente deles eu acho graça da vida, e somente dessa graça é que sinto alegria.
O estranho na cidade
Para onde quer que eu olhe
Só vejo sujeira
No céu, a poluição
No chão, fezes e poeira
O cheiro do esgoto
Arranha minhas narinas
Enquanto o grito das buzinas
Destroça meus ouvidos
Uma criança pedindo
Um viciado cheirando
A polícia espancando
Outro mendigo
Paredes pichadas
Ruas esburacadas
Os bichos revirando
O lixo de cada canto
Outdoors e painéis de neon
Iluminam a podridão
E em alto e bom tom
Imploram por nossa atenção
Observamos de baixo
Os monumentos dos poderosos
E sob o cimento
Os corpos dos que os ergueram
SINTO - Parte 1
Sinto a mudança comigo, pra que eu finalmente seja
Sinto enxurrada de ideias que vem da mente e transborda pela caneta
Sinto aprendizado, sinto bom senso
Me sinto a deriva, sinto o favor do vento
Me sinto pequeno numa onda grande e sombria
Sinto esperança porque o mar abriu um dia
Sinto paz, sinto revolta, sinto rancor as vezes
Sinto sentimentos que gestavam a mais de nove meses
Sinto o sabor de saborear outra boca
Sinto que tudo muda nessa vida loka
Me sinto pressionado, mas sigo sendo
Não inventaram nada a prova de tempo
Sinto armadilhas sussurrando e me faço de surdo
Me sinto o alvo predileto do inimigo astuto
Senti, sonhos arriscados, de grinalda e véu
Senti o amargo sabor do doce de mél
Com outra irmã morta,
Todos nós morremos juntas,
Todos os dias, pouco a pouco.
De que valem as gotas salgadas
escorrendo dos olhos?
Minha garganta seca ainda engasga
Quando em seu nome canto.
- Livro de poemas "Flores Roxas", Editora Patuá.
