Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac

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⁠Querido vazio, mas uma dia lhe encaro no espelho.
Te perguntando quando irar responder as perguntas da minha gaveta de porquês?
Você me encara de volta. tão silenciosamente quanto ontem ou quanto semana passada.
É, mais uma pergunta engavetada.

Inserida por kki0_

⁠" LIVRE "

O pensamento é livre em seu enredo,
sem dono, sem princípios, sem moral,
e, mesmo sendo curto, ocasional,
tu podes fazer dele teu segredo!

Mantenha-o no teu nível, pois, pessoal
e não proclames nem sequer um dedo
do que é que, dele, usas por brinquedo
no teu prazer secreto, vil, carnal.

Mas saiba que ele, ao certo, se agiganta
se for alimentado em vezes tanta
tornando-se difícil de esconder…

É livre de princípios, cem por cento,
e de moral quaisquer, o pensamento,
mas mata se, a tua peia e brio, vencer!

⁠" SER PAR "

Melhor ser par, com todo o burburinho
das críticas vorazes, sem noção,
dos erros detestáveis de opinião,
do que seguir a estrada, aqui, sozinho!

Se há preconceitos vindo em contramão,
eis que o problema posto em desalinho
é só de quem provar, quer, deste vinho
que só provoca o caos no coração.

O amor quebra barreiras, isto é certo,
e encara o mundo inteiro, a peito aberto,
sem medo do que digam ou que pensam…

Com todo burburinho, bom ser par,
fazer, de uma paixão, seu terno lar
e desfrutar, do amor, tudo o que é benção!

⁠" BONECA "

Vendeste a imagem tua de boneca
disposta a, assim, brincar, sem ter maldade
e quis quem te levassem, na cidade,
a festas, baile, boate e discoteca!

Tratada foi, portanto, é bem verdade,
qual fosse esse brinquedo, por sapeca!
Mas viram-te qual se fosses peteca
a ser lançada, a tapas, sem bondade.

Boneca, ora de louça, ora de pano,
não ponderaste qual seria o dano
de expor-te desse jeito em tua paixão…

Brincaram, pois, contigo, esse teu lance
sem darem, para o amor, sequer a chance
de te fazer feliz o coração!...

⁠" PERCA TOTAL "

Sei que avancei, sem ver, o teu sinal
e quase colidimos na avenida
sem que nos fosse a sina pretendida
mais algo que se fez, lá, por casual.

Não houve dano algum nessa investida;
só me marcaste, um pouco, a lateral
e me encantastes com teu bom astral
de moça bela e, enfim, de bem co'a vida.

Foi pouco o dano ao carro. Já a paixão
que se instalou, sem dó, no coração
me deu perca total e, eu, sem seguro…

Da próxima, acelero e vou com tudo
beijar o lábio teu, doce, carnudo,
e te tomar pra mim de vez. Te juro!

⁠FOME ANCESTRAL

Minha filha
Quer comer a vida.
Leva à boca o biscoito,
E o dedo do pai,
Em seguida.

Inserida por JCassais

⁠" CALÇADA "

Meu canto predileto era a calçada!
A prosa era espontânea e verdadeira
e a gente se sentava ali, na beira,
nos divertindo até de madrugada!

O riso, a gargalhada, a brincadeira,
algum romance em forma inesperada
surgindo na calçada iluminada
já era-nos história costumeira.

A vida era mais calma na sarjeta
e, o sonho, era-nos paga (e com gorjeta)
a nos abençoar a juventude…

Era, a calçada, o meu lugar de amor
por entre amigos, mocidade em flor
desabrochando a vida em plenitude!

⁠Chegou abril, então vamos lá,
nos abrir, falar.
Abrir os olhos,
brilhar o olhar.
Os ouvidos,
escutar.
Abrir espaço,
Respeitar.
Abrir os braços,
lacear.
Abrir um vinho,
conversar.
Abrir as mãos
Acarinhar.
Abrir a boca,
Beijar
E a cabeça
Pra pensar
E todos ninhos, luzes, passarinhos
Abrindo todos os caminhos!

Inserida por Adrianacarvalhoadam

⁠" INFINITO "

Já podes, tu, sem medo, olhar pra trás
e constatar que, enfim, venceste a estrada
após os anos teus de caminhada
perseverados com vigor audaz!

Vitória te recebe, enfim! Mais nada!
Não se fará, do evento, show, cartaz,
nem coisa alguma a mais que isto te traz
pois que ela é, tão só, tua na jornada.

Receba-a com orgulho! É teu laurel!
Não te dará direito a inferno ou céu
pois isso é com a fé, como predito…

Vencestes o caminho! E isto é só.
Não te terão inveja ou mesmo dó!
Agora só te aguarda o que infinito!

⁠" ENREDO "

Contaram minha história: dor, paixão,
acertos, desacertos, a alegria
expressa num sorriso, todo dia,
os ganhos, minhas perdas de montão!

Disseram que a lembrança me feria,
que as coisas do passado meu, então,
marcaram por demais meu coração
se não, penar igual, não sofreria.

Que a morte dos amores meus partidos
levaram, sim, também, os meus sentidos
e nunca mais fui terno como outrora…

Mas, quem ousou viver meus passos dados
e ter, ao fim, melhores resultados?
Só eu conheço o enredo que, em mim, mora!

⁠" ENCRUZILHADA "

Me trouxe, o sonho, para a encruzilhada
que está diante de mim sem compaixão
já visto não mostrar-me a direção,
perigos, prêmios, sorte… Não diz nada!

Que rumo dar às coisas da paixão
se tudo foi ficando pela estrada
e a decisão que agora for tomada
dará consolo (ou não) pro coração?!

Seguir pra onde, pois? Qual o caminho
há de me garantir amor, carinho,
e me dará repouso à alma perdida?...

Aos pés da encruzilhada estou agora
sem ter a direção pra ir-me embora
de encontro ao grande amor da minha vida!

⁠" DESAFORTUNADA "

Eu vago a inércia do que chamam vida,
na incompreensão de ser quem deveria…
Se eu acordasse agora, morreria?
Custosa a volta! O quê dizer da ida?!

Vejo eu criança, mas cresci um dia…
E tudo, então, foi caos e despedida
quando a esperança fez-se por perdida
levando embora o riso e a alegria.

Estrelas, planetoides, astros tantos
e eu, pequenino, imerso nos meus prantos
serei poeira cósmica, mais nada?…

Quem sou? Que sou, na inércia itinerante
da vida me estendida por restante?
Ó alma inquieta e desafortunada!...

⁠" ENAMORADO "

Eis que a pupila faz-se dilatada,
aumenta, acelerada, a pulsação
e a pele traz, ao rosto, a sensação
de fogo, de calor, fica corada…

Dispara, inconsequente, o coração
e a mão, num transpirar, fica suada
porquanto na garganta, ali, travada
a voz segura a força da emoção!

Desaparece o chão, a terra, o céu
e, a segurança, vai pro beleléu
no instante em que, o olhar, vê o desejado…

É sempre assim, com todos, dita a vida,
fazendo que a paixão seja sentida
se alguém se encontra, pois, enamorado!

⁠" À AQUELE "

Buscai os altos céus, braços erguidos,
ciente que é um presente, o dom da vida,
e graça gloriosa recebida
os dias que nos são oferecidos!

E que a palavra sábia proferida
nos seja em gratidão pelos pedidos
quer tenham sido, ou não, nos concedidos
por benção sempre, aqui, imerecida.

Erguei as mãos… Louvai! Hoje estais vivo!
Teu coração não mais se faz cativo
dos erros, do pecado, do passado…

Assim, com fé, braços erguidos, louve
mostrando que ao teu coração aprouve
servir à Aquele que te tem amado!

⁠" AVANÇA "

O tempo avança, as horas, nossa idade,
o mar avança à praia por barreira…
Avanços se darão a vida inteira
por bem, por mal ou por necessidade!

Avança a morte, certa e derradeira,
o julgamento para a eternidade…
Até a ciência avança em liberdade
de forma firme, clara, costumeira.

Avanço o meu olhar à tua procura
com fome de paixão nessa loucura
de te querer pra mim cada vez mais…

E até o amor que, outrora, era criança,
tomado de desejos mais, avança
pra me atracar no amparo do teu cais!

⁠" EMBUSTE "

Eis que ela fez a aposta; deu em nada!...
Jogou todas as fichas sobre a mesa
contando, displicente, co’a certeza
de, enfim, ganhar o jogo de virada.

O amor tem regras próprias, sem defesa!
Não deixa o uso de carta marcada
nem que se quebre a banca, se a jogada
negar o uso de total clareza.

Bancou seu jogo de fera matreira
e não notou o avanço da rasteira
que a levaria a, ali, quebrar a cara…

Nas mãos, as suas cartas deste embuste
mostraram-se, do amor, fora de ajuste
por vícios, por luxúria, farsa e tara!

⁠Palavras Soltas
São apenas palavras, soltas e perdidas;
Palavras que se desencontram, palavras que se afastam;
Palavras que machucam corações;
Palavras voando, procurando refúgio;
Palavras que alguém pronunciou;
Que saíram de bocas sórdidas ou sujas;
Palavras no calor do momento que saem como labaredas de fogo;
Palavras assustadas que te deixam com o coração apertado;
Palavras nunca ditas que se arrependem de nunca ter falado;
Mas são apenas palavras que ninguém se dá conta que falou;
Que ninguém se importa de ter falado;
Palavras que como lâminas ferem tantas pessoas por ai;
No olhar de tantas pessoas eu vejo vozes e dessas vozes palavras perdidas;
Palavras que nunca mais se reencontraram;
Palavras de um pai para sua filha;
Palavras da filha para o pai;
Palavras agora não importam mais;
Não me peça ajuda com palavras;
Porque palavras mentem;
Palavras escondem desejos, medos, sonhos e lembranças;
Me peça ajuda com o que tiver de mais santo;
Seu eu ouvir a voz do que está te atormentando;
Vou poder sentir o mesmo tanto;
Pra sempre você viverá sabendo que proferiu as últimas palavras para mim;
Que suas palavras me afastaram de você;
Que você mesma disse para eu te esquecer;
Porque palavras afastam corações;
Não me diga mais nada;
Não me procure;
Não te procurarei mais;
Sua face sumirá do meu horizonte
Suas palavras se apagarão da minha mente;

Inserida por risqueira

⁠" IMAGINO "

Te cravo os olhos meus! Eu te imagino
no mais secreto do meu pensamento
onde, em registro, crio ali, fomento,
a sede de querer-te e, ainda, assino!

Não tens ideia deste meu intento,
sequer de tudo o mais que aqui maquino
provendo, ao meu desejo, o seu destino
que, sem qualquer pudor, risco e o invento.

O bom do imaginário é que em secreto
o pensamento fica ali, discreto,
oculto aos olhos de qualquer pessoa…

Eu te imagino como quero, então,
na força redentora da paixão
e nem percebes que isso, em mim, ressoa!

⁠Amigo é partilha
É como ilha
que quando habitada
traz sempre paz merecida.
E em qualquer partida
não se deixa esquecida
pela simples singularidade.
E no emaranhado de gestos,
qualquer amizade,
que assim de verdade
estabelece,
logo se enriquece com muitas
ou poucas palavras.
Ora no gesto,
ou na distância de um tempo esquecido,
ou pela falta de tempo,
que muitas vezes
estremece o sustento
de momentos vividos
e haja coragem
na imagem, na lembrança, no conforto,
ou talvez quase morto,
revele a certeza:
Amigo é partilha.
Como ilha!!!
Que em meio à grandeza
de tudo na vida
fica ainda esquecida,
particular e banida,
como partícula existida.
Mas ainda é uma ilha,
em porção de magia
Qu’inda n’último cansaço
ou qualquer embaraço
a procure um dia!

Extraído do Livro Poética

Inserida por Tatianyaraujo

⁠" CONFLITO "

Fico a pensar: pra quê? Qual o sentido?
Quem dita as regras desta sociedade
escravizante, inapta, na grade
de uma prisão sem fim? Caso perdido!

As normas dadas não têm de piedade
a pesa esse sistema, em si, falido
imposto num tormento desmedido
que rouba o senso, a paz, a liberdade.

Se faça assim, ou desse jeito assado,
do mesmo modo que foi no passado
e ai de quem não faça como dito…

Pra quê? Por quê? Que diferença faz
se, ao fim, de resultado nada traz
além de um coração sempre em conflito?!