Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
ante a última folha de papel fiz o desenho de um céu azul,
e nele um pássaro a voar e planar no desfrute do paraíso...
você era o céu azul, eu o pássaro, e a cada voo, nossas almas faziam amor..
ao ser abordada por alguem, saiba bem o que quer...
se é aventura ou algo sério...
pois moleques passam cantadas,
já adultos expressam sentimentos..
Mulher
delicadeza na essência sem deixar de ser pura força...
choro sem deixar de acreditar e sorrir...
amor que transborda e preenche,
pureza de quem Ama...
pureza de quem Alma..
Mulher
beleza que vem de dentro e adorna por fora,
é boca em silêncio sem a alma deixar de falar,
sorriso que vem de dentro
e brilha nas janelas dos olhos,
delicadeza na essência sem deixar de ser pura força..
e de todos os medos,
o que mais assusta é
o medo de se entregar,
pois é onde mais
se tem à perder,
tanto ao se entregar,
como ao deixar
de se entregar..
ela causa tempestades
de sensações,
os olhos faíscam raios e
relâmpagos,
seus beijos, como trovões
estremecem céus e terra..
Sabemos quase nada
sobre as pessoas
que julgamos conhecer muito bem..
e sabemos tudo daqueles que sabendonada sobre nós
nos julgam..
escrevo você em mim, tatuando minha alma em orações
perfuro meu ser assim, lançando raízes profundas de corações
no anseio de sermos, uma só poesia, do Amor a resposta
do poema que rasga a alma e se insinua, qual fratura exposta..
conversei com as pedras
sobre os silêncios do seu coração
me falaram de respostas em agonia
que versos não expressarão..
Nem minhas mais doces melodias conseguem curar teus grandes retalhos
Minhas notas entram em seus ouvidos mas não tocam seu coração
Sei que não tenho a graça de um paladino mas estou ao seu lado para tentar curar suas tão grandes feridas
Meus acordes hoje são silenciados no vazio de sua ignorância
O mundo esta mudado
Hoje preferem ouvir o bárbaro do que o mestre sábio
Complicado tentar ajudar e só se machucar em cada combate
Combate esse para salvar sua vida
A cada dia que passa sinto que poderá ser minha última canção
E então ser silenciado no vazio da morte onde nem eu e nem meus instrumentos ajudarão nem a mim mesmo.
e no dia em que a chuva voltou
deus chegou tarde.
vi, na angustia dos teus olhos em chamas
a vitória do diabo
mais preparado, nestas coisas da morte.
.
entre lágrimas e cinza
deixa-me hoje, nos teus olhos.
porque hoje também morri. hoje.
no dia em que a chuva voltou
deus chegou tarde e não trazia a sorte!
.
mas para os que nada fizeram
ou nada mudaram e pensam
que estou a perder a fé em deus
desenganem-se: é muito pior do que isso
eu estou a perder a fé nos homens
.
e cresce-me uma raiva por dentro
que não sabia, ser capaz de gerar.
sinto-me capaz da insubordinação.
de uma revolução que dê sentido a esta sorte
e a esta vontade que tenho de chorar...
Sobre o teu dorso sou homem
sou criança, filho do vento
Luz-me um sorrir por dentro
que meus olhos não escondem...
.
E um dia, que honrar-te eu tenha
Só aceitarei nobre a valentia
Daquele que me não tente a revolta
.
Porque a nobreza não diminui, enobrece
E a liberdade...é valor supremo!
Com meu navio em ruinas e meus companheiros ao mar me vi mais fraco do que nunca
eu já obtive muitos tesouros em minha vida e me aliei a quem hoje não me orgulho
me apaixonei por centenas de meretrizes que só geraram mais copos de rum ingeridos para esquece-las
eu era temido e respeitado e hoje ao mar fui deixado
quem poderia dizer o contrário?
Hoje sou só mais um corpo jogado aos peixes esperando que o kraken termine com meu sofrimento
o inferno que causei em minha vida e nas dos demais nunca será descrita
então eu digo que sou eu o maior parasita
perdão a quem eu fadei a esse destino cruel
a morte caminha em minha direção para exercer seu papel
CLARICE ME DISSE
o que eu, para mim, jamais ousei:
Quem se indaga é incompleto.
Sim, ela, a bela dos olhos amendoados e olhar perdido
esteve aqui, inda há pouco, inexorável,
para me dizer essa verdade
que abrange mil verdades...
Clarice me disse,
em poucas linhas, um grosso livro.
Espinhos, farpas, ferrões...
que me tiraram do conforto
– abrupto despertar –
para a zona de confronto:
Quem sou eu?
Eu sou esta, poema,
com o meu eu fujão estatelado
na bandeja,
pois que o que Clarice me disse
me despiu – a dormente –
e me revestiu – desperta semente –
com a realidade que eu havia,
através de longo tempo, negado.
O que Clarice me disse
– direta e firmemente como quem aguilhoa mentes –
me abriu um hiato fenomenal.
Doeu, desde as raízes. Gemi. Chorei.
E não tapei meu grito
nem o vácuo
da minha magna incompletude...
De modo que eu (eu?),
daquele instante para cá,
encontro-me perdida
no perdido
vazio
de Clarice.
Todavia, em via de,
enfim, lúcida à Clarice,
me encontrar.
MINHAS PEDRINHAS DE JOÃO E MARIA
Telhas d’água cobrem casas
copas, vagas, matas.
Dos poucos vãos que restam,
réstias beijam testas.
E, no palheiro da imensidade,
continuo a procura do pássaro perdido.
Perco-me como já perdi o chão tantas vezes.
Mas ouso adiante ir, porque é busca
de uma vida...
As margaridas silvestres da beira da esteira,
semeei-as para marcar o caminho da volta.
Talvez eu retorne pelo cheiro do ouro vivo,
talvez pelo brilho das estrelas rasteiras.
A PRIMEIRA
E tudo era nada
e o nada era trevoso
E a treva, num súbito suave
pariu a estrela vertiginosa
E a refulgência foi feita
E era boa E era bela
Recendia primavera
E o verbo chamou, à lux, rosa
Foi a primeira Poesia
LÍNGUAS E LAVAS
nos céus
das bocas,
palavras soltas.
meias vozes.
odes! brados!
entre brasas
e águas vivas,
espadas de Eros
radioativas
em batalhas
amuralhadas
por pétalas
carnívoras,
vigias armadas
até os dentes
dos beijos
sem paz.
APRESSE-TE!
a manhã noviça
escorre
c’a areia movediça.
aos poucos,
com precisão inglesa,
morre no bojo da tarde.
hoje amanheci com a pá virada
pra lua de saturno:
pise leve nesta seara,
tire os coturnos a pressa os medos os remorsos.
voe revigorado
e pouse em mim pólen desgarrado
& beije-me para sempre!
que a manhã é noviça
e escorre
c’a areia movediça
.
.
.
OUTROUTONO
Outro outono entra
sem bater. Entra
para abater.
Para reabastecer
a máquina putrefaciente.
Para dar de comer
à máquina viva
que nos dá de comer.
Para vivermos.
Para morrermos.
[Deus, preciso beber algo
que esteja a salvo!
Dai-me de Vós, Senhor!]
