Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
RECIFE DA JANELA
O Recife lá de cima
Cabe na palma da mão
Lágrima vai escorrendo
Ofuscando minha visão
Ao partir a gente chora
Acho até que vai embora
Um pouco do coração
beijo é
mistério, é desejo, é fogo,
centenas, milhares, diferentes,
todos com a promessa de serem únicos...
mas nunca são,
e sempre são..
beijo é
volúpia, fogo devorador em alguns,
chama que consome,
mera paixao...
outros é suavidade, sublimidade,
porcelanas que se tocam,
e também em alguns
mera carência, desejos da solitude..
beijo é mistério, é desejo, é fogo...
é sonhos, é nutrir esperanças
para toda uma vida,
sonhando com o deleite de saborear,
os doces e almejados lábios,
sim é..
beijo é
medo de se despir da própria vida,
e como uma roupa vestir-se com a vida do outro,
medo de se esvair do seu existir,
e renascer na existência do outro,
é medo de se ver sumindo do seu aconchego
e se deslocar para um novo lar,
lábios..
beijo
é medo...
medo da entrega...
mas o desejo é maior que o medo,
o que queremos sempre está além,
e depois que os lábios se tocam...
o que são os sentimentos como o medo?
[...]
beijo
é sentir no contorno dos
lábios um do outro
o encanto das almas,
e colocá-las para dançar,
e fazer com que se alegrem,
Beijo de quem ama,
Alma..
e todos os dias, eu tenho
uma visão privilegiada,
um milagre diferente a
cada dia...
ainda assim, me falta algo
falta você..
**Falta algo
te condenaria por desistir de ler-me?
minha bagunça enlouqueceu-me,
minha alma só produz gemidos,
o coração desaprendeu a escrever
insuficiência de palavras..
[...]
algo no fundo da minha alma
começou a gritar o princípio do fim
o início do choro
eu preferiria morrer a me afastar
deixar de existir a me fazer ausente
prefiria cortar minhas mãos
a soltar as suas..
caiu sobre mim
com o peso de
mil toneladas
o orvalho da noite
e o medo do tempo
lembrei todavia
de pequenos
infinitos guardados
dentro do coração
e impressos na alma
e a vida logo me
convidou à bailar
sorrir em meio ao caos
dos meus cacos
suportar os açoites
até cicatrizar a ferida
esse insólito labirinto
do Amor entre as almas
que atravessam os séculos
vencendo o próprio tempo..
queria saber parcelar, mas só sei acreditar em dívida paga,
queria saber ser equilíbrio, mas só sei ser e ter, tudo ou nada..
Sem medida, como a medida de amar
queria saber acreditar, mas só sei saber sentir e viver,
queria saber me iludir e esperar, mas só sei pagar para ver..
queria saber ser o que mede, mas só sei saber ser a profundidade
queria saber ter lembranças, mas só sei sentir saudade..
queria saber ser dose regular, mas só sei transbordar,
queria saber ser cicatriz, mas só sei saber sangrar..
queria saber ser pingo de chuva, mas só sei ser tempestade,
queria saber ser moderado, mas só sei ser intensidade..
ela se faz de durona,
mas, na verdade é uma proteção
anti-babacas
devido ao tipo de caras que a procuram,
ela é tão docequanto seus beijos
falta alguém que pague o preço
pra descobrir isso..
nossas almas dançando diante de uma plateia infinita de estrelas,
ao som doce e perpétuo de uma estrela cadente dos desejos atendidos..
A dança das almas
