Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
REACHEI
Me perdi...
Nos caracóis dos seus cabelos.
Me achei do seu corpo,
E pela anciã da sua volúpias...
Cai em desespero.
Antonio Montes
Um poema por dia
uma história desmedida
para contar sobre o que sinto em minha vida.
Um poema por dia
assim minha alma aflita
explica cada sentimento desse coração que palpita.
Um poema por dia
nessa mente que a alma entende
inspiração existente,
a imaginação sempre cria
sobre essa vida que surpreende, poesia.
PEDAÇOS (soneto)
Em ti, ó saudade, acho parte de mim
São fragmentos craquelado e partido
Do meu eu que tenho então em ti sido
Eternizado numa dor que vive sem fim
O senso que faz em ti alarido saído
Em mim é silêncio, é solidão, enfim,
Vive da ilusão de lembranças carmim
Do comover sovado e não esquecido
Agora, o que faço para ouvir o clarim
Dos sons da quimera no porvir contido
Dando-me sonhos afora deste folhetim
Serei pouco, nada, de desejo desprovido
Se insistires em ficar tão presente assim
Aí, de pedaços o meu poetar será revestido
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, março, 05'55"
Cerrado goiano
O ESPANTO
Com as passadas pisadas na palha
o encanto desencantou,
e a rola, voou...
Voou com as asas
voou com as penas
voou com os ventos
voou de casa
voou serena.
A rola fogo - pagou
... Mas não apagou!
E não pagou...
O milho que encheu o tempo
o tempo que encheu o papo
encheu por ali os sentimentos
que o vento atirou no espaço...
Com o pisar dos passos,
a palha chiou...
a fogo - pagou, voou...
O guiso chocalhou
o cascavel de sua ródia,
processou...
Em processo deu bote
sem saber nadar
navegou no ar,
sem amor, e sem cor,
mas a morte não alcançou.
Antonio Montes
PRATOS FUNDOS
Meus pratos fundos!
Estão lá em casa...
No fundo da minha prateleira rasa,
aonde sem asas...
Arrasta quando puxada,
para outro canto da casa.
Uma casa serena,
sem diademas...
Não tem métodos nem tema
desprovida de dilemas
e de vidas tristes perenas
de uma casa pequena.
Meus pratos fundos
estão fundos
no fundo do mundo.
Antonio Montes
SEDE
Tenho sede de viver
Quero o afeto beber
Saciar a infiel odisseia
Da ganância da fé ateia
Terçando o ressecado saber
Clamo o doce prazer
Olhar que nos fala
Sem o desprezo que cala
Que rasga e maltrata
Quero gratidão sem ser ingrata
Sensação, quero amor
Paixão com valor
Dignidade sem preconceito
Irmandade com preceito
Abraço com empenho
Palavras com avenho
Respeito semelhante
E a retidão de ir avante...
Luciano spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
CONCRETO NAS NUVENS
Eu tenha um sonho
por dentro... Lá dentro
Como se fosse pó de cimento.
Que como pó voava...
Voava como se tivesse penas
Voava, como se batesse asas.
Mas o sonho de cimento
com o orvalho, virou grude
e veio as lagrimas d'água...
Fazendo concreto nas nuvens.
Antonio Montes
VÍRGULAS
Entre um livro e outro
um recíproco silêncio,
entre um gole e outro
uma pausa de recesso,
entre um verbo e outro
apenas a palavra certa,
entre um beijo e outro
os lábios são saciados,
entre nós e os outros
a virgula é a diferença,
entre todas as histórias
não temos ponto final,
FALA DA FALA
Com essa fala, falada
que as vezes fala calada...
Todas as falas, vem com falas
vem de tudo, vem do nada
e falam de todos os castelos
e de todos contos de fadas.
Essas falas, falam com olhar
e falam também com mímica,
com gestos, com restos, sei lá
essas falas, falam de tudo
que o mundo, pode falar.
E as falas, que o silencio fala...
caladas, não falam nada!
Mas essa fala que fala, calada
... Embala o jardim da vida
expressando a fala da fala.
E fala, que antes de falar cala
que mesmo calada, fala
é mesmo a fala da fala
que todos por ai fala?
Antonio Montes
NOSSO DNA
Faço planos da sua vinda
e pela janela da vida
eu vejo você adentrar, querubim.
Pela porta do meu tempo...
Eu fico besta, fico tenso
com essa possibilidade do lar.
E nesse meu rudi sentimento,
construiremos, viver único...
Uma polifonia em jardim.
Abriremos rastos sob universo
e expandiremos o mesmo...
O nosso! DNA por ai.
Antonio Montes
Aporia...
(Nilo Ribeiro)
Aporia, palavra interessante,
significa dúvida constante,
é também um verbo marcante
a poria na minha poesia,
mas explicá-la não saberia
quando nada se cria,
a escrita não tem valia,
por isso aporia...
TRILHOS DA SOLIDÃO
Como, colecionador de solidão
eu colecionei... A minha solidão
sozinho!
Sem canto de passarinho
sem chuvas pra se molhar
sem vento de redemoinho
sem musica ecoando no ar.
A minha solidão...
É um bonde encarrilhado, no meu trilho
Sem apito, sem grito, cheia de duvidas
... Toda sonsa, cheia de grilos.
Ela, dotada de silencio...
Apagou meu riso, meu astral,
agora trilha em clima propenso...
me deixando tenso,
... Me deixando mal.
Antonio Montes
FELICIDADE
Felicidade é um momento
no passado...
Rascunhado no presente.
Um sentimento sentido
no sopro do consciente.
Antonio Montes
O DITO
Eu disse ontem...
Mas hoje eu penso, o dito do passado
até fico suspenso nos passos
que o dito editou errado.
Eu penso...
No grito assombrado, e tenso,
que hoje, direi a você,
para que no amanhã, logo de manhã
esse grito não me assombre...
E eu não venha me arrepender.
Antonio Montes
SONETO IMAGINÁRIO
Imagino um soneto do imaginário
Que escorra da doce imaginação
Com o seu ilusório jamais solitário
E cheios de quimeras e de emoção
Que tenha na sua existência itinerário
Não só formas, nem aparência, ação
Onde os sonhos são seu mobiliário
Aduzidos dos cômodos do coração
Quero com que seja o meu amuleto
Guardado no peito tal qual a oração
Em mantra, não como simples objeto
E se, assim, brotar do tal poço secreto
Dos poetas, que venha com inspiração
Imaginando satisfação por completo
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
MOCIDADE JAZ (soneto)
Mocidade em mim, em simpatia
A sua lembrança já é sem graça
Na arena, silêncio, pouca galeria
E já tão distante, saudade, lassa
Nesta morrinha, de lado a ideologia
Pois, acima ou abaixo, tudo passa
Apressadamente, serventia é ironia
Velhice, prudente palavra: desgraça
Nos licores de prazer, só mitologia
As perdas já fazem parte da vidraça
Do fado, e o entusiasmo na periferia
Porém, nem tudo é ledice sombria
Curtir a paisagem e brindar a taça
Do viver, dizer não, fazem a alegria
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
COM UM OLHAR
Um olhar... Um olhar!
Quando pequeno, bastava
um olhar!
Um olhar, para me represar.
Aquele olhar...
Direto como flecha no alvo
Direcionado por aquele arco
de carvalho calvo...
Aquele olhar único verdadeiro!
Era claro, suficiente para,
desvencilhar, os meus encravos.
Hoje, tudo acabou!
... Não vai...
_Eu vou...
Quem é o senhor
para me dizer...
Que eu, não vou!
Antonio Montes
LAGRIMA NA CALÇADA
Aquela lagrima...
Aquela lagrima cansada,
em toda tarde caída...
Despencava da sua janela
sobre a calçada sem vida.
Aquela lagrima
Ah! Aquela... Lagrima...
Aquela lagrima perdida
sob os ventos da saudade
caiu no tempo esquecida
pala paixão da vaidade.
Aquela lagrima furou pedras,
do paralelepípedos do amor
ao ficar sem sua entrega...
A minha alma, chorou!
Aquelas lagrima chorada
caída nos jardins tristonhos...
Regrou as flores da vida
quando a haste era um sonho.
Aquela lagrima molha a alma
orvalhando os sentimentos
nas água d'aquela lagrima
eu naveguei com meu intento.
Antonio montes
CHORO SÓ
Pai, sabe aquela menina que, todo dia,
passa em frente, a nossa casa chorando?!
_ Sim filho...
Aquela menina pequena, serena
em sua sensatez...
_ Isso pai, essa mesma!
Hoje, ela passou chorando, outra vez!
_ Filho... O choro é d'ela, deixa-a chorar.
_ Mas pai...
Do que adianta ela chorar, ninguém ouve...
Se ouve, não quer escutar,
alem do mais, choro, aos outros,
só serve para incomodar.
_ Deixe a menina chorar filho
só ela sabe a dor que sente
e porque chora, alem do mais,
o choro é a marca da desunião
... Mas, lava a alma, regra o ser...
Eleva o ego e faz o amor renascer.
_ Então ta pai, eu vou ajudar, ela chorar
_ Filho, filho...
Chorar sem precisão, não é compaixão.
Antonio Montes
As saudades que
tenho são traquinas.
Saudades do corredor
que corria.
Saudades da bronca
daquele dia.
Saudades de um tempo
que não volta.
