Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
"Mas tudo vem. O tempo todo. Hoje e além!
Breves somos. Frágeis rendas dos sonho
Mas o outono passará. Primaveras também."
NOBEL COM FEL
A historio faz sentido,
a ciência, pensa tensa...
E sai por ai fazendo bomba
p'ra exterminar as quizombas
mata, homens mulheres e crianças...
E estronda, tudo quanto há de fel!
Derruba cidade e historia
depois sai colhendo gloria
e recebendo o Nobel.
Antonio Montes
O REPOUSO DO POEMA
Dando tempo ao poema...
Deixando-o quietinho no canto da alma
...Enquanto isso
vou tecendo a renda,
colhendo momentos que breve
serão saudades.
Estrelas
Maresia
Poesia
para as estrofes que virão.
Por certo virão....
No beijo
No próximo amor,
que mostrará a bela cara
Tão louco e imenso
E intenso
quanto o de ontem.
Virá.
Por enquanto deixa o verso descansar
num lugar
qualquer aqui dentro.
...E nesse azul sublime
lambo as flores, sorvo seu néctar,
brinco de ser feliz.
Engano a vida em todos os tons de azul dos meus devaneios.
INGNÁVIA
Vocês que já viram tanto!
Esperem até verem, aquele menino que eu vi...
De alpargatas, vestes rasgadas, todo sujo,
tomar banho... Até queria
mas... Nunca encontrava água,
alem, do chafariz.
Um dia aquela mulher, toda saia,
rodada em seus sentimentos
passou pelo reduto, d'aquele menino
o medo expelia n'aquele breve momento...
A fome, esticou a mão do pedinte...
'Dai-me um pão, apenas um pão'
para que eu possa, burla a minha fome
que da forma que me vem...
Muito breve ela me atalha,
e eu assim... nunca! Nunca conseguirei,
chegar a ser homem.
A mulher, por ser pedida
e com medo todo d'aquela vida
tremia n'aquela avenida...
O menino por sentir-se frágil
e com a fome em espantalho
tremia em seu medo 'no medo
de nunca conseguir ser grande.
O medo ali, espalhava-se...
Nos olhares,
nos passos sob a multidão
na aglomerações dos ônibus
e no, estiramento das mãos.
Tudo era medo n'aquela cidade
até mesmo a vaidade...
Sorria com medo de um dia,
minguar, e ficar mesquinha.
O medo, estampava-se...
Nos sentimentos das autoridades
nos amores dos namorados
nas intensidades dos telhados
e pelas ruas dos bairros alagados.
Pela noite de blecaute, medo
... Medo pelas sombras das calçadas
pelas portas abertas das casas
e pelos contos falsos das fadas.
Era medo em cada esquina
em cada quina em cada rima
nas ordens dadas de cima
e medo por ser, menina.
O medo cresceu ficou bruto
passeava pelos viadutos
pelas pontes e pelas placas
e pelas caixas de papelão.
O medo ficou de ressaca
se deitou na classe alta
e foi tremer o coração.
Antes o medo era pobre
aumentou como se fosse preço
e tomou conta da nação.
Agora todos estão com medo...
O mundo, não tem mais segredo
e o povo, não é mais irmão.
Antonio Montes
LEIO ENLEIO
Leiam, leiam!
Eles lêem...
Eu leio o alheio...
A encomenda do correio
os enleios do meu EMAIL
o velho com meu hashtag
o link dom meus selfs
o meio que me deixa cheio
que me seque, que me segue.
Eu leio... A hora do agora
no tempo que me apavora
o momento de ir embora
a velha cola, da escola
o minuto do decola
e os últimos segundos da bola.
Antonio Montes
POETA
.
Deus,
na verdade,
é o poeta...
.
O homem,
é apenas o ator escolhido por Ele,
para escrever a poesia em versos e prosa.
.
E assim,
o homem por intermédio
Dele expressa todos os enigmas da vida
com plena felicidade.
.
.
.
DIA DE FRIO
No dia de frio...
Eu parei para ver o rio
o rio se quer parou
lavei o rosto nas águas
as águas não me lavou.
Depois visualizei a onda
que as ondas de mim levou
na mansidão do remanso
nos trilhos do meu tamanco
nos polens da minha flor.
No dia de frio...
eu contemplei o estio
no intimo do meu tremor
os passos de todos os trilhos
os descarrilhos dos meus trilhos
e os abraços de todo amor.
Em dia de frio...
Ai, ai meu senhor!
Quantas vidas pelas ruas
que morre no treme, treme...
Com frio que vai no osso,
e um amor todo insosso
que almas por ele geme.
Antonio Montes
O BABADO
O babado do babado, babou
babou a baba de babá,
babou a baba do bode
babou com o ovo da baba...
Na baba que ninguém pode.
O babado do bobo, baba?
não baba o babado de um vestido
mas baba a imagem do babão
pelo babado do vidro.
O babado daquela criança
babou no babado d'ela
e o babado do bandido
não ficou tão ofendido
com o babado da janela.
Lá na esquina da vida
em noite de saramandaia
O bêbado também babou
pela moça que passou
com aquele babado na saia...
Na saia que o boto babou.
Boto babado, babão
lobo que urra na lua
noite escura ladra cão
no canto d'aquela rua.
Antonio Montes
Deixa-me que te confidencie
Todas as minhas fantasias
Desejos e sonhos guardados
Amores profundos velados
Que percorra tuas curvas
Que preencha tuas lacunas
Que eu seja teu, que sejas minha
Que docemente te possua
Por entre gestos e afetos
E que enfim, me
esqueça de mim
em ti.
Expectativas
...E nas tardes de outono,
quando o ar se fazia brisa morna,
a melancolia lhe acariciava a fronte.
Ela se sentia tão só...
Se recolhia em seu canto
Qualquer canto desencantado
e se punha a tecer saudades.
E como por milagre
Borboletas azuis, amarelas, violetas...
Profusão de encantamento
Como que para lembra-la que
esperança não tem fim.
...Tristeza sim.
Então devagar, aspira o ar
Acalenta versos para sua alma e,
calma, se entrega aos cuidados
de Deus....
...Expectativa de vida em alegria.
REZA DE OUVIDO
Rezar eu rezo...
Todavia tenho rezado muito
... Rezando tantas rezas!
Tornei-me um ser rezador
e rezo sempre para o meu santo
que ele reze para meu encanto
e eu, aprenda a rezar pelo o amor.
Eu vou rezar com toda calma
para um santo menos atrevido
para que ele não, engasgue com a reza
desse mundo todo perdido...
E que não seja pervertido
e ouça o povo todo rezando...
Aquela reza do pé do ouvido.
Antonio Montes
EFEITOS DA PEDRA
A pedra poderia voar
se tivesse asas com penas
mas tudo que a pedra fez, foi leis...
Aquelas leis que nos condena.
Editou com seus rabiscos
a condenação dos pecados
depois de cima do muro
ouviu o amor ser jurado.
A pedra, ainda em seu feito...
foi tumulo do salvador
estatuas de: Vênus de Milo, e Zeus.
e a topada dos ateus.
Deixou tudo satisfeito...
Quando o gigante tombou
e o Davi com sua pedra
o seu estima selou.
Do Drummond, foi o poema
da pedra de pedra e pedra
a pedra lá da calçada
a pedra lá do caminho
a pedra de todas as pedras.
Antonio Montes
BRINCADEIRA
Eu fico
Eu penso
Eu ando
Remexo minhas ancas
Me excito
Fantasio você
Me inquieto
Acendo um cigarro
Mas não relaxo
Minhas mãos tremem
Meu ser freme
Sou mulher que " Quer "
Sou lembrança da tua boca
Sou louca
Sou desejo de você
Aspiro profundamente
Me contorço
Me toco
Me sinto, te sinto
em meu toque
Mordo meu lábio
Me amo, te amando
Brinco_Brincando sozinha
faço amor com você...
NA LATA
Deixe de grassa...
Fale na lata!
Antes que amasse a massa,
se amasse ao pé da letra
teria dono
teria a massa para pão
... Não teria treta
nem abandono
e nada não seria de graça
se perdendo pelo chão.
Se falasse na lata...
Coisa preta não seria
E a vida seria tingida
com a beleza da vida.
Antonio Montes
No canto acanhada eu encanto.
Os timbres demonstram o que eu sinto
Penso no tom e (d)escrevo o que vejo,
De nota em nota procuro ir seguindo...
"E, acredite em mim,
Voltei mais por mim que por qualquer outro.
Pela estrada fui por tanto tempo procurando,
Que me esqueci que na verdade
Sempre estive aqui."
Nota sem título à F. P.
O dia deu-se em chuvoso
E o coração menino
Só para contrariar a razão,
Resolvido saiu sem guarda chuva.
Não bastasse tal atrevimento,
Molhou-se bastante e dançou;
E Enquanto todos acordavam
Fez suas orações matinais
Debaixo da garoa gelada que caía.
O dia deu-se em chuvoso
E o coração menino
Voltou para casa ensopado,
À razão cheia de revolta
Só restou o sorriso
Ao vê-lo feliz...
Sacudir-se como um cão!
SALA E AULA
Na sala de aula
eu ouço a fala...
A fala que fala
e embala sob sala
estrondando o silencio
que a tempo se cala.
Na sala de aula
a fala embala
com expressão da cara
parecendo um carma
que o mundo resvala
em sala de aula.
Antonio Montes
