Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
EPITÁFIO
Vou rimar, remando no rio
remando , remo em Roma
n'essa vida, que rima a vida
no remado que desengoma.
Remarei, as margens do tempo
tempo assim, de balanços pardo
balançarei, as asas do sentimento
nesse mundo de fundo gago.
Vou rimar ao momento que voa
para rima mostrar-me o poema
rimarei por vida, breve e boa
o epitáfio, que registre o tema.
Antonio Montes
GINGA DA VIDA
Dos piores o pior
nos palcos, acorda o nó
d'aquela rasteira o pó...
É tanta gente enjambrando
pelo mundo cafundó...
São canoas no balanço
em milhas, milhar e nó.
Da madeira o cerne duro
desvio, com velho palitó
na manobra o inferno
sob o claro olho do sol...
É tanta gente se dando bem
e se afundando no mar
águas que ninguém conhece
prece p'ra regenerar.
Do umbigo a fadiga,
com sua ginga me diga...
quanto é que fico santo
se nunca posso gingar...
A minha vida é encanto
no canto, p'ra quem esta,
sempre do lado de lá...
Antonio Montes
SANTA?
Quanto em seu canto, se espanta
no escuro com sua manta
cai hoje amanhã, levanta
quantas santas a noite é santa?
Quando canta os seus encantos
no pranto com o seu canto
ou, segredo se levanta...
Quantas santas a noite é santa?
Nos sonhos todos despidos
em cálido pulo do muro
cochichos aos pés dos ouvidos
ouvindo tudo do mundo...
Quantas santas hoje são santas
com tantas flechas ao futuro
com chamego em seu olhar
e um amanhã inseguro.
Antonio Montes
DIVERGÊNCIA
Na cozinha...
Pulo... Gato
perco o sono
embarco amargo
e pago o pato...
Que saco!
O gato...
Quebrou os pratos
lavados
enxugados...
Espelhado com trapo.
E lá na poça d'água
... É com o sapo...
Que se faz de fraco,
de manhã sedo
em seu buraco...
Fazendo sebo.
Com sua gula... Pula,
pula sem segredo,
em salto alto
pelos escalpos
do velho asfalto.
Antonio Montes
BREVE SUTILEZA
Me leve, assim leve
como uma folha seca
ao vento, leve
ou como um leve...
Pensamentos,
em sentimento breve.
Me leve, leve...
Como sentir alem da cerca,
com leveza, me entregue,
n'essa leve sutileza...
Na beleza de ser breve.
Com o seu leve, me leve...
Assim leve sem sentir
me leve depois me entregue
no mundo leve de mim.
Antonio Montes
À Nossa Senhora D'Abadia da Água Suja
Ave Maria, Senhora D'Abadia da Água Suja
Mãe eterna, essência, flor, afeto acolhedor
Maria de Nazaré, e que na nossa fé, maruja
Louvor, aumentando a confiança no Criador
Tu que és a Imaculada Conceição
Que não nos deixa sozinhos, és amor
Tua paz reina no nosso coração!
Ave Maria, mãe de Jesus
Mulher acolhedora, eterna devoção
Ser seu servo é o que nos conduz
Na verdade de seu filho, nosso irmão
A quem louvamos nos pés da Santa Cruz
Em oração de misericórdia e gratulação...
Ó Maria concebida sem pecado, volveis a nós a tua luz!
A tua proteção!
VIRGEM MARIA SENHORA do BEM
nosso guia. Te aclamamos... AMÉM.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Nunca houve o poema perfeito
Sempre há algo faltando em meio às rimas
ou a ausência delas.
Oxalá que sempre seja assim.
Não saberia viver sem rascunhar minhas inconformidades.
A música do espaço pára, a noite se divide em dois pedaços.
Uma menina grande, morena, que andava na minha cabeça,
fica com um braço de fora.
Alguém anda a construir uma escada pros meus sonhos.
Um anjo cinzento bate as asas
em torno da lâmpada.
Meu pensamento desloca uma perna,
o ouvido esquerdo do céu não ouve a queixa dos namorados.
O Pão de Açúcar é um cão de fila todo especial
que nunca se lembra de latir pros inimigos que transpõem a barra
e às 10 horas apaga os olhos pra dormir.
ANIMAIS
Você se esquece de como nós éramos antes
quando ainda éramos de primeira classe
e o dia veio gordo com uma maçã na boca
de nada adianta preocupar com o Tempo
mas nós tínhamos alguns truques nas mangas
e fizemos umas curvas fechadas
todos os pastos pareciam nossas refeições
não precisávamos de velocímetros
de gelo e água nós fazíamos coquetéis
Eu não iria querer que fosse mais rápido
ou verde que agora se você estivesse comigo Ó você
foi o melhor de todos os meus dias
Talvez seja para evitar alguma grande tristeza,
como em uma tragédia da Restauração o herói clama “Durma!
Ó pois o longo profundo sono e então esqueça!”
que se voa, flutuando por sobre as cidades sem costa,
guinando ascendente da calçada como um pombo
o faz quando um carro buzina ou uma porta bate, a porta
dos sonhos, vida perpetuada em amores coloridos em tons
e belas mentiras todas em línguas diferentes.
ESTRANHO TROFÉU
Era noite...
Como se fosse andorinhas
eu vi um bando de corujas,
voando sobre minha rinha.
Sobre a qual, lá eu estava...
Peleando com a morte
... Disputando a vida
e a dádiva taça da sorte.
Mas não sabia que:
O troféu da vida querida...
Era o abraço forte da morte.
Antonio Montes
Castelo de Areia
Você sonha
Você Constrói
Você modela
Você rega
Até que o vento bate tão forte
que os grãos de areia se vão
Você insiste
até perceber que não adianta
continuar, porque sem uma base
a onda sem avisar bate,
E a muralha cai.
Assim é o talento do artesão
que esculpe em troca de pão
Sonhador e construtor
Mas não conquista seu tostão.
O vento vem e vai
A lagrima percorre a maçã
de sua face até não existir mais!
PÁSSARO PRESO
Esse pássaro na gaiola
prendido por seu enrola
esta ali sem aceitar.
Todavia ele esta insistindo
e você não dá ouvido
o que ele quer, é só voar!
Essa grade que tu fez
satisfaz, somente a sua vez
e você, não quer escutar.
Passarinho esta diluído
todos seus dias em perigo
já não contenta em chorar.
Passarinho, passarinho...
Eu sou assim como tu
tosaram as minhas asas
e quando eu cai em casa
me proibiram de voar.
Minha vida é brasa em tino
comandada pelas farras
dos carrascos de passarinhos.
Antonio Montes
LOURO VERDE
Entre um papaco e outro
o louro verde lá do alto
esta fazendo curupaco.
Esse louro é todo verde
porque te chamam de louro
se o loiro para ti e sede.
Se seu verde é todo verde
podiam te chamar de verde
loiro não tem, em sua rede!
Mas esse louro fala e chora
se chega ou se vai embora
chora sem saber da hora.
Também dá tchau e assovia
desce do agora e do jirau
e gira ali todos os seus dias.
Esse louro todo verde
incomoda com toda aurora
em sua forma de bom dia.
Baila com sua algazarra
vê o sol, faz grande farra
saldando-o com alegria.
Esse louro, na moldura vista
silenciou-se em seu silencio
e na pintura do artista.
Agora na escassez dos seres
contem seu nome na extinção
nos louros gosto dos prazeres.
Esse louro... Quer café
... Pediu café!
Orou sua fé de pouca fé
e logo mais, pediu o pé.
Antonio Montes
me transborde!
me consuma!
me abuse!
mas antes...
me acalme.
tome um café comigo.
diga que tudo vai ficar bem.
só então faça oque tiver que fazer!
FERRÃO DE MARIBONDO
No pedaço do serrado
andava eu, desconfiado
e o maribondo me ferrou.
Um contra gosto à mim, imposto
me pegou marcando posto
com seu ferrão me marcou.
Tudo aqui, tornou-se fato
acusar já é disparato
mesmo o que, o vídeo mostrou.
Sabemos, sabemos...
No comando é só desvio
há eles isso é pavio
p'ra ganhar o seu amor.
Antonio Montes
AOS TOMBOS
Balngo-bango, maribondo
na carreira eu me arrombo
sobre poeira e aos tombos
na fumaça me escondo.
Eu vou por ai aos pombos
em ditongo, orangotango
dança o tango no losango
cozinhando ao fogo brando.
Se não dê, parto pro cano
espatifando os tímpanos
vou seguindo assim os planos
como faço com os anos?
Antonio Montes
VIVER DA CIDADE
As cidades vivem...
Em seus edifício, suas casas,
ruas ruínas, esquinas, frios e brasas...
Suas mãos entrelaçadas suas tranças
com suas, esperanças e suas sinas
... Olhares tristes e felizes
de suas, adoradas crianças.
As cidades vivem...
Seus dias de glorias
dias de luzes, noite de escuridão!
Com seus barulhos seus entulhos
seus gritos, lixos e seus caprichos
suas caretas, alegrias e suas dores,
seus pânicos, medos e horrores.
Vivem dias de angustia, dia de cão
vivem também... Dias de doutores!
Dias de promessas e dia de oração
... Vive um dia de cada vez!
Uma semana, um ano, um mês...
Tudo aquilo, que carregam em sentimento
um momento, para cada um de vocês...
As cidades vivem acordadas
e acordam dormindo...
Vivem dias de feriados e trabalhos
seus pés descalços, seus sapatos
seus olhar franco... Risos, largos e falsos,
vivem o manhã de planos e sonhos
vida de enfado, pesadelos medonhos
vivem as horas e os dias que vem vindo.
Antonio Montes
GRATIDÃO
É preciso agradecer o tempo
Que no fragor foi-se o sossego
E do silêncio achou-se alento
No barulho fez-se o desapego
Que se fez poesia
Que se fez essência
Flores nas dores, harmonia
Em Deus, na fé evidência
É preciso a gratidão
Da vida, do ser, Divina providência
Pois tudo é amor, é união...
E na diversidade o vário em cadência.
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
