Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
NÃO QUERO FLORES
Flores ao morrer?... Não!
Eu não quero flores ao morrer
morto não poderei sentir perfumes
muito menos ver
Se não pode me mandar flores...
Enquanto vivo morto... Pra que?!
Flores e sorriso?
Sim, sim eu preciso
... Preciso enquanto estou vivo
Morto não terei alegria nem prazer
também não poderei agradecer
então não!...
Eu não quero flores ao morrer.
Antonio Montes
PASSADOURO
Minha chave não trinca, as trincas do aqui
pois no buraco de trincar, não pode abrir,
se a minha chave trincasse, as portas de mim...
Talvez o mundo falasse antes do meu partir.
Mesmo assim, vou levar as chaves por onde ir
tentarei, abrir portas, caminhos, aonde andar
se nos riscos da vida eu não saber discernir
então saberei, que na verdade, não sei amar.
A minha chave, foi feita para abrir a solução
com ela quero abrir, os portões do jardins florido
se lá eu não encontrar a flor do meu coração...
Então saberei que vivo no mundo de atrevido.
Abri noite, porta da lua e as janelas das estrelas
o eco escuro para o urro do lobisomem passar
abri, meu sorriso de sentimento para vela
e o jardim do meu perito, para viver e te amar.
Antonio Montes
EREMÍTICO
Para não esta sozinho...
Rascunhei seu nome,
em um, pedacinho de papel,
lendo ele, eu imagino você
... Imagino o seu sorriso, o seu olhar
ouço a sua voz e o seu sussurro
... Meu Deus, é tão meu esse amar...
Quanto querer!
Penso até, que para esse mundo eu vim
somente para amar você.
Para não esta sozinho...
Escrevi seu nome,
sobre os grãos de areia da minha praia
ao lado dele eu fiquei a noite inteira!
E sobre a densa escuridão da noite
... Eu vi a lua sendo iluminada pelo sol
da mesma forma em que você me ilumina
quando estou sob sombras,
mais abscuras da minha vida.
Ali eu vi as estrelas cintilar sobre o céu
assim como você brilha no meu amor,
mesmo estando curtindo as ondas de solidão...
Ali na beira do mar, com o seu nome,
eu estava sentindo você e presenciei
... As minhas lagrimas dissiparem
sob espumas das águas...
Eu vi as águas do mar,
banhando o nosso amar.
Antonio Montes
AS PRAGAS
Seu Stenio...
se não for abusar da amizade
o senhor me traga da cidade...
Um vidro pequeno,
cheio e veneno?!
É para eu aqui, matar as pragas
que tragam com atrocidade
tudo aquilo que plantei.
Estão sucumbindo toda lavoura.
Já terminaram com as beterrabas
agora, destroem minhas cenouras.
Antonio Montes
CABEÇA DE VENTO
Cabeça de vento
voando aos sonhos
não pousa em seu tempo
nem vive tristonho.
Vaga aos sorriso
sem que sem pra que
com pouco juízo
sorrir pra valer.
Cabeça de vento
não pensa em mandões
não vive atento
e faz seus bordões.
Não preocupa com voto
nem com o amanhã
vive o hoje devoto
o seu tempo é divã.
Antonio Montes
O SENTIDO DE TUDO
não é em Bach
nem na nona sinfonia
ou em Wagner
que encontro sentido,
razão ou ânimo pra viver
o sentido é uma sombra esparsa
às vezes um feixe de luz solar
que vez por outra reaparece
em dias inesperados, improváveis
quando a solidão humana nos perturba.
o sentido está na busca de sentido
no fim da frase feita, na mesa posta,
na cama desfeita... No nascer do dia,
no cair da tarde, no chá quente,
no abraço apertado, na boca fria,
até num adeus planejado.
O sentido de tudo é quase um nada
é um pedido de desculpa,
um muito obrigado....
o sentido não está só no copo
nem só no vinho com amigos,
nem na água fresca que banha
dois corpos apaixonados.
na viagem dos sonhos
pode haver algum sentido
mas nem toda partida é saudade
nem toda voltar regozijo
nem toda morte um desespero
nem toda vida um paraíso.
Evan do Carmo 06/12/2016
Meus versos são sempre iguais...
Não me ouves... Minhas palavras pra ti são mudas...
Mesmo que eu te fale de pássaros de flores e de amor...
Teu coração pra mim é surdo!
Eu contava todas as estrelas que via
Mas numa delas quase te vi...
Caminhei sobre a onda fascinada pelo mar...
Achei que te encontraria no mar
Mas era tudo fantasia... Sonhos de uma poeta...
Ironias do destino!
Assim daqui pra frente te darei o meu silencio...
Saberás então que este amor poderia ter sido eterno...
Se mais tarde pensares em mim podes lembrar-se
***de ti já me esqueci!***
E em doce murmúrio ouvirás minha voz que
Cantava pra ti noutras eras!
Aventura
Dois passos ja não no mesmo lugar
espaço pendo a porucura
um passo e talvez quero voltar
os passaros poe-se a cantar
aventura...
loucora...
tontura...
sinto meu peito fora do lugar
longe da doce loucura
onde quero estas
doce aventura
vou me aventurar
dois passos
ja nao sei se vou caminhar
tenho em terna aventura
mas hoje de casa nao vou me afastar
Onde esta?
Foi a assim!?
Proucurei mas não encontrei
onde esta os velhos livros
onde esta os velhos discos
ah! eu proucurei
no gurda roupas
na estante
no armario
ate mesmo na geladeira
eu porucurei
Foi assim?
onde vc escondeu?
talvas na escrivaninha
ou na gaveta do biro
proucurei no forno do fogão
Foi assim!
onde voce deixou?
nas nuvens
no ar
ou de baixo do colchão
eu proucurei!
e muito tempo depois encotrei
quase de baixo...
mas nao da comoda ou do armario
ou ate mesmo do fogão
eu procurei
e encontrei
Na bagunça do cofre do peito
TARUMÃ
Não me sangrem
por favor
as sangas
da minha infância.
Deixem que sigam
seu rumo
vadio e vário
de rio avulso.
Que ora esparrama
por sobre as pedras
espuma branca
e ora em derramas
de sede ardente
ao sol se entrega.
Vai sanga avulsa
vai rio menino
ao teu destino.
Miragem
Quimeras não me deixes só, no fundo
Do fosso da ilusão, deste veloz mundo
Subindo e descendo, remando trova
Tentando entender e ser alguma prova
Além, de estar debruçado no horizonte
Querendo mirar uma tal e desejada ponte
Que possa me levar ao outro lado, reverso
Se nas mãos só tenho o meu amor e verso.
(Pois, cada miragem, solidão, eu confesso).
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
O que há nessa cidade
De tão especial?
Não consigo ficar triste,
Não consigo ficar mal.
As manhãs inspiram esperança
E as noites, alegria
A serenidade inspira felicidade
E a liberdade dos campos, harmonia
Nenhum motivo parece merecer lágrimas
Derramadas em uma noite sombria
E as angústias, antes, tão pesadas
Diluem-se aos raios de sol do meio-dia
Não há prantos, não há choro
Não há ranger de dentes
Não há sentido no sofrer
Não há que se remoer dissabores
Há céus límpidos e estrelados
Natureza viva e esplêndida
Que nos sons de grilos e pássaros
Nos convidam a viver sem dilemas
A provar do amor manso com sabor de amora
E a viver a vida sem esperas e demoras
Apenas há o aqui e o agora...
Não serei muita coisa
Talvez, não serei nada!
Mas, nessa travessia
Que chamamos de vida
Os rótulos me apavoram.
O CHEFE E O SÚDITO
O tempo passa, a raiva não,
Pergunto Deus, Qual solução?
Pra fugir desse inferno, onde um homem de terno,
Aprisiona minhas forças e coração.
Aproveita do meu suor pra construir seu império,
Que é repleto de ouro, mas com a pobreza de um cemitério,
Onde sua família não vive, mas sobrevive,
As custas da ira, de um demônio interno...
Trabalhar é uma coisa, ser escravo é diferente,
Se queres construir algo, faça agora no presente,
Para que no futuro, seu filho possa viver,
E não sobreviver do que tu não pode comprar...
O amor, esse sim se conquista,
Não ha dinheiro que pague essa sensação benquista,
Que alegra a todos, e irradia felicidade,
Por onde passar, e em qualquer outra cidade...
Desse mundo não se leva títulos, dinheiro e ambições,
Por isso sempre viva, pensando nos corações,
Dos que vivem a sua volta, pra que a revolta nunca exista,
E tu insista sempre em busca de soluções...
Soluções essas que não mudam todo o mundo,
Mas pode mudar o mundo dos que vivem ao seu redor,
Filhos, primos, pais, tios, irmãos e avós,
Que se orgulharão em ter você como parente,
Que sempre presente, transborda paz e calor,
Que o dinheiro nunca compra, aliás, compra uma paz ilusória,
Que mesmo contraditória, causa perda de valor...
O súdito finalmente se libertou,
As amarras de si arrancou,
E as jogou para o alto de uma montanha,
Que o levará ao topo, fazendo o que se ama...
O chefe? Esse sim pirou, tentou incriminar o súdito
Com uma armadilha que criou,
Sua tentativa foi falha, ele não passa de um canalha,
Que desprezou seu valor...
LACUNA (soneto)
Solidão, de insistir-te, não és esquecida
A saudade anda exagerada em te trazer
Nem sequer és o pretexto do meu viver
Pois se a sorte é triste, alegre é a vida!
Nada neste exagero é de fato pra crer
Se há ganhos e perdas, vinda e partida
Ter desvario é querer chuchar a ferida
O vital é mistério, bom é se surpreender
Pois a mesma estória tantas vezes lida
Traz história enlouquecida ao escrever
Tudo passa, não é só subida e descida
Ai, pode voar o tempo, tempo morrer
Tudo tem princípio e o fim, na medida
E nesta metamorfose, vai o nosso ser...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Cerrado goiano
2017, início de janeiro
JOEIRAR
Quando nasceu, não tinha nome
Poderia chamar-se... Um nome qualquer
tantos nomes a escolher!
Uma peneira de grãos, um furundu,
José, João, Sebastião, Adão...
Seja lá o nome, qual fosse chamado,
teria que pagar, para ter um.
Uma vez recebido o seu,
seria seu!
Iria se chamar por ele,
iria parecer com ele
daquele dia em diante,
aquele nome, recebido e pago,
para o restos de sua vida...
Teria que ser, seu agrado.
Seria ele...
A musica, a nota dos seus ouvidos
o espaço, os passos do seu fado
a dádiva da sua alma,
seu timbre, seu nome,
seu cume, seu apelido.
Antonio Montes
VALER-SE
Sei, sei...
Eu sei que passei da conta,
mas não conta!
Sua conta, me desmonta
amedronta, me afronta
e eu fico assim
como se nunca tivesse ponta.
É, e assim com tanta conta!
Quando você me aponta...
Sinto carranca,
perco a tampa
escorrego na rampa
é como se estivesse sem janta
depois do trupe de sua bronca
tudo que sinto
é a trava da sua conta.
Antonio Montes
Não sei se isso é normal
Nem se quer sei explicar
Mas tudo que acontece com minha amada
A mim também vai afetar.
Ferida que nela dói
em mim também vai doer.
Não mexam com minha amada
Pois há de te arrepender.
O corpo nu
Ofendem-se com a corporeidade.
A carne, temerária, é algo a ser evitado.
O nu não me reflete o sofrimento humano,
a transparência do meu coração.
O nu, dizem, denota a exacerbação do desejo.
E desejar é perigoso,
faz do corpo ocupações de afeto:
alguém que abraça
e que beija.
A religião se esqueceu do corpo,
preocupada que estava com a saúde d’alma.
Protegida em suas indumentárias.
Olvidam-se que a primeira circunstância para amar
o corpo materializa.
Mas num mundo de corporeidades alienadas
o nu é subversão.
Cubra-te, pois, ó Cristo, a carne crua.
