Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
SALADA X CAETANO
Não poetei Caetano nem Gil...
Nem não, os vi, no Rio,
atrás da cortina de pano...
Nem eles também, não me viu.
Zé Ramalho e Gal Costa...
com seus galhos e suas apostas,
o povo nota as anedotas...
Minhas costas adota o passado,
de um tempo todo marcado...
Pelo o alvo do cajado.
Não poetei, Maria Betânia...
Tão bacana essa dama!
Flor de petúnia que se arruma
com a flora de Amazônia.
E Morais Moreira as carreiras...
no trilho elétrico, com Alceu Valença
que presencia! Continência...
Sal na moleira, pensa!
Não poetei a nossa musica, Brasileira.
Que fardo esse entalo...
Queria eu!
Poetar... Roberto Carlos.
Antonio Montes
arde escrever
sobre as suas lágrimas
que você não sabe
chorar
sobre o jeito
que elas caem dos seus olhos
e te inundam por dentro.
sobre o jeito que elas te marcam
o gosto salgado de mar
e ondas de soluços
sobre como suas lágrimas são
pequenos nós que carregam
uma grande avalanche de sentimentos
dor, tristeza, saudades do que nunca teve
que caem, tecendo fios para que outras
possam também descer.
arde escrever sobre suas lágrimas
porque dói
e choro.
vivo trocando os pés
já que a monotonia das
linhas retas não me atrai
nunca entendi porque ao invés
de andar, não podemos
simplesmente
voar.
essa minha sede por abismos,
cordas bambas
laçaram
todos os meus desejos ocultos
e passo a passo
me pôs a beira
do abismo dos
teus olhos
tirando toda minha sanidade.
Vida me mate aos poucos, mas não me deixe
Me apague aos poucos, mas não se deixe
Se valorize e não se queixe
Dance! Não fique encostada na parede
Sorria! Mesmo que tudo escureça
Tirar o brilho também evita dor de cabeça
Aprendizado também se conquista nos momentos de fraqueza
Seja feliz, enlouqueça!
MORDA
N'água, nada...
Nade e se afogue
se afogue grogue, com gole
tome tudo, não seja mole
tome o mundo, tome seu porre.
Corra, corre...
Se esconde e se sacode
Morde, morda, não morde,
bate a cabeça como bode
logo depois, faça como pode.
Morda, todos os dentes da gangorra
todo peso, toda arroba boba
sem moda sem estilo sem roupa
morda a popa escorra a loca
feixe a porta d'essa masmorra.
Antonio Montes
´´Não aceito ser substituído
Nem mesmo ser substituto
Foi escrito nosso destino
Cada volta que o mundo deu
Foi pra quê ficássemos mais juntos.``
Momentos de uma noite agitada, ou não... Onde musicas mal cantadas se tornam risadas e o papo cabeça nada mais é que uma brisa, aí é que vem a diversão..
No chão de terra, na noite, no calor do fogo, cada olhar uma tradução, e eu só consigo enxergar o céu, estrelado, com a lua e nossa imensidão...
Nem sempre nossa mente está no mesmo lugar que o corpo, ainda bem... viajo tanto sem sair de onde estou, e nem me dou conta de quando quero voltar.. aliás, eu não quero voltar, onde o céu estiver acompanhado da lua, será o meu lugar.
O simples sempre será mais, taí a explicação do porquê muita coisa hoje tanto faz.
O PERDEDOR
Mamãe disse que eu perderia minha cabeça
Se não estivesse presa em mim.
Hoje acho que não estava
Pois enquanto com meu primo eu brincava
Ela caiu e saiu rolando
E agora ela se foi… assim.
E não posso procurá-la
Pois meus olhos estão nela,
E não posso chamá-la,
Pois minha boca está nela,
(não iria ouvir-me de qualquer maneira
Pois meus ouvidos estão nela),
Não posso nem pensar nela,
Pois meu cérebro está nela.
Então acho que vou me sentar
Nesta pedra
E descansar só por um minuto…
MOTORISTA FOQUE
Certos motoristas, se acha...
Anda e esculacha por ai.
De noite, não dá luz baixa,
de dia, ultrapassa na faixa...
Não esta ai, para atenção
e quando o pior acontece
então, reclama da situação.
Motorista...
A sua luz alta , me encandeia,
é uma peia para minha visão
... Se sabe dirigir, dirija...
Dirija para mim,
que eu, dirigirei para ti
e assim, vamos todos dirigir.
por ai.
Motorista, foque enfoque
Não se esqueça do bodoque
e que... Um dia é da sorte
o outro, poderá ser da morte.
Antonio Montes
MURO DE PEDRA
Mãe, eu não sabia... Que eu era
tão pequeno!
Não no tamanho é claro,
mas na posição social.
É mãe... Crescendo eu descobri
que sou pequeno... Talvez,
talvez menor que um animal.
Descobri que existe um muro
que me separa dos grandes...
Não um muro qualquer!
Mas, um muro intransponível de pedra...
Pedra que separa os pequenos dos grades.
Mãe eu quero ser grande e morar
do lado de lá do muro...
Eu vou crescer, servir o exercito
defender o País para ser respeitado
Se possível, morrer pela pátria...
Assim quem sabe mãe!
Se quando eu morrer, terei uma
lapide de pedra, com inscrições,
do meu nome! Quem sabe se essa
não será a única forma para me
lerem e saber de mim, através
de gerações e gerações desse mundo
... Saber que... Eu, mesmo pequeno
eu morri defendendo os grandes
do lado de lá do muro.
Antonio Montes
você me pede afeto
mas o teu me aprisiona
e muitas vezes eu não consigo respirar
então eu não posso te abraçar
porque eu tenho medo
de você me querer tanto
tanto
tanto
ao ponto de fazer com que eu me anule
porque eu tenho medo
e a minha existência precisa de liberdade
mas apesar de ser parte de você
eu não posso mais te habitar
apesar de ser parte de você
eu preciso aprender a ser eu
porque eu tenho medo
e você me fez submergir
num mar de amor e fúria
de mel e sangue
porque eu tenho medo
mas eu preciso sair de você
porque eu não posso mais me esconder
atrás dos seus sonhos e dos meus machucados
das suas vontades e das minhas dores
então é por esse motivo que eu estou
te descolonizando de mim
e eu sinto muito por te amar tanto
mas descobri que eu preciso me amar mais
a gente precisa sim deixar algumas coisas pra trás, porque o mundo acaba não sendo sobre o que ou quem você carrega, mas sobre o que você é e o que você quer.
e o primeiro ponto para saber o que fazer acerca disso é: você não precisa carregar uma bagagem que não é sua, porque no final do dia só você vai sentir todo o peso que isso te causa. sendo assim, só você pode decidir o que é melhor a fazer.
segundo ponto: tá tudo bem em se sentir melhor dando adeus à partes de você que estão em outras pessoas. você tem esse direito. todos nós temos.
terceiro ponto: você não é obrigado a permanecer em lugares ou em pessoas que não te fazem bem. mais uma vez: só você pode decidir o que é melhor pra si.
por fim, saiba que seguir acaba não sendo sempre uma escolha. muitas vezes é a única opção. e também não tem problema nisso. você é livre. teu caminho também. vá.
TOMA TOMO
Eu tomo...
Enquanto não me toma...
Essa dona, essa goma,
que adorna a minha redoma.
Eu tomo,
enquanto não me toma...
Essa bomba que me estronda
essa onda, esse andar...
Essa paina enfadonha,
que desanda a minha banda.
Antonio Montes
VIDA GANGORRA
Não lave, não corra...
Não beba, não morra.
O tempo é uma vida
a vida é uma gangorra...
A gangorra arrasta os passos
os passos arrasta a zorra.
Antonio Montes
CHOÇA OCA
No terreiro da minha oca,
não tem coca...
Não tem coca, não tem choça,
não tem pó que coça...
Mas tem a brisa fina,
que entra pela porta e importa.
Tem o tempo, tem o vento...
Que sopra sonhos que passa,
em vontades que empossa...
As poças e passos e passadas
que surgem na minha roça
e me deixa arfando o ar.
Antonio Montes
Sentir-se bem
É de dentro para fora
Pode fazer sol
Mas se você não estiver bem
Haverá sempre tempestade.
Apko
MEIO A MEIO
Eu tenho vivido pelos meios
que creio...
Pelos santos que não creio
a cada passo, um começo...
A cada suspiro, um meio.
Meu meio, meu recheio.
A cada manhã, amanheço seco
e a cada tarde, anoiteço cheio.
Eu tenho vivido... Seco, cheio
... Cheio, meio... Meio cheio.
Antonio Montes
MEU ADEUS
Não me lembro, que disse adeus
p'ra ser levado, com esse olhar...
De olhos chorados.
Nem disse adeus pra ficar,
com esse olhar de arco esticado...
Essa flecha pontiaguda
de caminho enterrado.
Não me lembro, que disse adeus
aos olhos seus
aos olhos meus...
Aos olhos blues do branco Deus...
Adeus meu... Adeus meu...
Adeus meu, meu Deus!
Antonio Montes
IMPRESSÕES DE JULHO
.
Frio! Tudo constantemente frio
É assim que o dia me parece
Não há mais chuvas, nem estio,
Tudo que sei - tudo que esquece.
.
Festas de julho, sem folguedos
Sem o amarelo dos balões
Sem transeuntes, sem brinquedos
no canto ausente dos salões.
.
É tudo assim, me diz se não,
A noite alta se assemelha
Às serenatas sem paixão
De um coração que se ajoelha.
