Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa cortina
Não a corras, não a rasgues, está caindo
Fina chuva no portal da nossa vida.
Gotas caem separando-nos do mundo
Para vivermos em paz a nossa vida.
Cai a chuva no portal, está caindo
Entre nós e o mundo, essa toalha
Ela nos cobre, não a rasgues, está caindo
Chuva fina no portal da nossa casa.
Por um dia todos longe e nós dormindo
Lado a lado, como páginas dum livro.
Há quem diga que a sinceridade é uma dádiva.
Pois eu digo que não!
A sinceridade é uma praga.
Se alastra, machucando a pessoa amada.
Ditando regras sem ser chamada.
E, as vezes, me culpo por sem assim,
sincera demais.
Outro poeta
O poeta sempre é outro
não esse que se propõe.
Não essa fissura aberta
no intermeio do verso,
não esse suposto vago.
O poeta é outro, sempre outro.
À parte da teogonia de Hesíodo,
só essa camada de fibras e folhas,
só um ser assim sem as premissas,
o poeta não é esse suposto e visto.
O poeta é outro, sempre novo.
É sempre esboço, tem de ser,
sempre garatuja que se mostra,
busca que se deixa exposta,
desencontro, aniquilamento.
O poeta não é todo sentimento,
às vezes ele é régua e compasso,
às vezes é aço, ferro e cimento,
pátio vazio, concreto em branco.
O poeta é outro, sempre torto.
Viés de caminho, voz de dentro,
oblíquo, adunco, gauche, penso.
A dissidência, a vida mundo, vida
poesia nos pedaços desse tempo.
Como vocês não percebem ?
Me traga de volta
Não , me deixe ir
Eu estou morto
Esse aqui não sou eu , eu já me fui faz MT tempo
Embora a casca engane seus olhos
Orgulho, barulho do ego
Tô cego, mergulho e rezo
Tô certo, e na reza eu peço pra não ser raso
Se for um tropeço, Deus, encerra o caso
Pensamentos meus contigo eu caso
Sentimento é amigo mas fiz um descaso
Criei um caso sério com essa razão
Então eu me enterro nessa solidão
Errei e erro em cada paixão
Sinto que assim serei até meu caixão.
Poesias te possuem,
Mas não te dominam
Poesias falam do todo
E do nada
Do falso e do que não é
Poesias não se estudam,
Vivem-se.
Não queria dizer, mas estou com saudades.
Talvez não se importa com isso, quem sabe, nem lembra mais de mim.
Não sei quais lugares anda, quais amigos que conversa e muito menos, quem é seu novo amor.
Enquanto eu, estou tentando retornar minha rotina sem você. Juro, estou tentando.
Estou fazendo maior esforço para que nos fins de semana, não lembre de você.
E saiba que dói, dói em relembrar que meus tempos livres era você, e hoje, não mais.
Talvez a vida quis assim, nos colocando em caminhos opostos para seguirmos.
Porém, no fundo queria que fosse diferente, desejaria que tivesse com você nesse instante.
Queria sentir novamente a sensação de ouvir a sua voz nas madrugadas, o entusiasmo quando lhe dei o primeiro beijo,
o sentimento do momento que descobri que estava totalmente apaixonado por você. É uma nostalgia, relembrar os momentos que tivemos. Foi bom enquanto durou. Um dia, tudo chega ao fim, e o nosso chegou. Sei que jamais compartilharemos nossos sonhos, nossa vida juntos.
Provavelmente, em algum lugar do mundo nos esbarremos, talvez em uma cafeteria, livraria ou então, no aeroporto quando estivermos nas férias de família. Quem sabe, olharemos um para o outro, como se fôssemos desconhecidos, e seguiremos normalmente nossas vidas, com nossos filhos e amor, felizes por estarmos vivendo uma nova realidade, uma realidade sem EU e VOCÊ.
Ela cansou de sofrer... Na sala o telefone toca, ela não faz questão de levantar pois sabe quem é.
Algumas semanas antes, correria para atender essa mesma pessoa, mas agora é diferente, quer que desapareça de sua vida, melhor, quer esquecer que fez parte de sua história.
Desde no início ela dedicou ao máximo, entregou o coração e esperou que cuidasse dele.
Como estava enganada, foi ludibriada por aquele que achava que seria fiel até o fim.
Tantas promessas feitas, palavras de amor declarada, e ela inocente caiu em tudo isso.
Nunca tinha se envolvido com ninguém, era independente emocionalmente até encontrar ele.
Deixou que o sorriso dele interferisse no seu coração, e olhar entrasse em sua mente.
E aos poucos foi ganhando o caminho até conquistar suas emoções.
No começo eram perfeitos, ele até parecia ser um príncipe dos contos de fadas, mas o tempo revelou quem realmente era.
E ela, aquela jovem tão confiante e cheia de sonhos, foi dilacerada pelo baixo autoestima.
Acreditando na mudança dele, sempre deu novas chances, e como sempre valeu de nada.
Para ele, ela sempre foi a culpada das brigas, a ciumenta, pé no saco, sempre se vitimizando.
Elogio? Não sabia mais a sensação de como era ser elogiada, só criticada.
Cansou, decidiu dar um basta e seguir a vida que sempre teve antes de conhecer ele.
O telefone para de tocar, finalmente. Recebe uma mensagem.
“Por favor, me perdoe. Prometo que serei diferente a partir de hoje”
“ Você perdeu sua chance, Adeus”
Escrito por: @marcosspoeta
O mundo é um Cassino de Sonhos.
E por não termos outro lugar para frequentar,
Devemos escolher bem nossas fichas
Para decidir em qual sonho apostar.
Uma perda
Muitos não têm
Por isso vivem
Sem ninguém
Mas muitos que têm
Não dão valor
A esse grande bem
Só se lembram
Quando não há
Mais tempo
E sentem remórcio
Com isso as lágrimas
Escorrem de seus olhos
Somente no velório
Entendem que esse mundo
É ilusório
E aqui é tudo provisório
Então talvez assim
Reconheça o real propósito
Porém há pessoas
Muito boas
Que deram seu tempo a outas
Dando atenção
Tratando com educação
Com um grande coração
Que sofre pela perda
E chora de tristeza
Pois em quem amava havia beleza
onde termina o poema onde
um ponto de suspensão apenas
o poema não termina quando
a linha roça a beira do papel
tampouco a língua roça
aquilo que ela alcança
para além da página há
o poema imaginado sempre
uma imagem de poema
desfazendo-se afundando um
navio atracando-se no espaço
um navio a cada vez refeito mas
o corpo do poema não é
imaginário tampouco a
possibilidade de um limite não
há limite apenas limitação a
folha acaba a tinta acaba a
língua é o ponto de desacordo
roçar a página ancorar mas
a cada vez apenas por um instante
este inacabado este
que nunca termina
superar
a tristeza de não ter mais você
e seguir como se o rio esquecesse o leito antigo
procuro as palavras para te cobrir
mas me faltam letras
tropeço nas sílabas do teu nome
(mesmo que já não possa lembra-lo inteiro)
já vivo sem você
costuro cavalgo comungo
só não sei
como partir inteira
retomar pedaços
fatias
de um corpo que foi meu
(as marcas da história de cada um)
as marcas da nossa história
emolduram
um jeito velho de ser
um jeito esquecido e velho
de ser mulher
Não tocaria uma só nota serena.
O desconforto fosse meu porto.
O descompasso meu próprio passo.
O mal estar meu maior conforto
E todo verso forjado a aço.
Assim, através de muitas cidades.
Como tudo estivesse ao inverso,
Tudo seria reinventando, as artes,
As crenças e, enfim, todo universo.
Eu não queria esperar de joelhos
Em uma sala calada pela espera.
Uma sala onde ouvíamos a respiração
que incha, o chiado na sua garganta.
Não queria as orquídeas nem as bandejas
De comida destinadas a fortificar esse silêncio,
Nem rezar para ele ficar ou ir
Finalmente em direção àquela luz extática.
Não queria acreditar
No que acreditamos nessas salas:
Que somos abençoados, deixando partir,
Deixando alguém, qualquer alguém
Escancarar as cortinas e nos elevar
De volta para nossas claras e ofuscantes vidas.
Percebi que o fim não é o que importa
E sim o que vêm depois
Depois
Depois do tempo ter passado
eu vi florescer tudo aquilo que não vi
com minha mente fútil
Fútil
Fútil seria se eu não te amasse
pois nesse momento meus pensamentos
se voltam pra você
Você
você mesmo sem falar
seu jeito meloso de ser me encanta
Me encanta
Me encanta cruzar a linha de chegada
com um sorriso, e não cansada de lutar
Lutar
Lutar não rima com amar
Amar
Amar não te faz lutar
por aquilo que você não é
Não é
Não é real tudo aquilo que imaginamos
tudo aquilo que o nosso coração quer guardar
Guardar
Guardar o tempo mostra o quanto eu fugi
sem medo e não percebi
Sentimento pesado nunca quis admitir
Só queria que ela saísse dali
Não queria ela sendo tocada
Não queria ela sendo xingada
Nem que soubesse o que me fez sentir
Ainda verão as minhas lágrimas por aí
Comemorando vitórias porque eu sou foda
Não quero Deus se preocupando comigo
Não quero tá nos achados e perdidos
Quero correr com muita velocidade
Quero cantar e acordar toda cidade
Sentir o sol aquecer o meu caminho
Porque eu tô vivo
ESCREVER
Faz tempo que não escrevo
Falta tempo, assunto, vontade?
Falta empenho, desejo, saudade?
Nada direi
Se escrevo algo que para mim é quase tudo
Ou se escrevo tudo que para mim é quase nada
Vejo que falta me faz
Esse momento solitário entre as palavras e eu
E mais ninguém
Um belo dia, quando a inspiração for meu guia, escreverei
Quando houver motivo, mesmo sem nenhum aviso, eu ousarei
E neste dia, sem receio ou nostalgia
Seja prosa ou poesia
Eu por fim renascerei
CORRIDA
Não fique na inação,
calce o tênis, vá correr.
Há trilhas a percorrer!
Controle a respiração,
observe a pulsação
e regule sua passada,
pois corrida é ritmada.
Mas um conselho de mestre:
se não pode São Silvestre,
então faça caminhada!
Lá fora
Não a mais nada lá fora, a não ser as ilusões que nos serca , a não ser a multidão com sua pressa, e uma vasta solidão , que não se limita e jamais dorme, deixando claro para min que a lá fora muitos outros sorrisos sem vida.
S.y
