Poesia Amor Nao Realizado Olavo Bilac
NO FUNDO
No fundo do meu fundo
não consigo me afogar
se no meu, eu afundo
no seu... Não sei nadar.
No fundo queria ir fundo
pela terra, pelo mar
o mundo, do meu mundo
um dia vai se afundar.
Fundo não tem, mais fundo
o que resta e transbordar
se não, com fundo, do fundo
será, na superfície do ar.
Se ta no fundo, afunda
afunda pra não voltar
o tempo não terá cacunda
para que possa se agarrar.
Antonio Montes
Triste de mim
Que com o tempo regressei
ao início do fim
De corpo e alma
não me encontro
porque não estou mais aqui.
Não estou mais em ouvidos
Nem em alma
O vento que desarruma
meus cabelos contra a face
me lembram
os ventos que de outrora
não passaram.
Talvez
(mas só talvez)
As minhas paixões estejam
Apenas na minha cabeça
Talvez eu não as conheça
Talvez em mim
Eu amanheça
Sem tristezas
Quem sabe das minhas paixões
Se nem eu as sei?
Quem sabe o que isso significa
Talvez
(mas só talvez)
Eu naufrague em meus
Próprios sentidos
E ainda assim,
Sem nada sentir
Talvez
A ideia é não ter ideia
Só assim
Transparentes de nós
Conseguimos mudar
de estação.
O jeito é não ter jeito
Entregar meu microcosmo
Ao universo dos meus pecados
Que não são pecados,
apenas traços de mim
A que melhorar
A que me conhecer
de verdade
A quem desejar
Além de mim.
Não envelheço
Me lapido entre os espaços
Entre mim e eu
Aguardo os cabelos brancos,
os reais
Que lugares e pessoas
gentilmente me concederam
e os planos falhos me ensinaram
Aguardo como quem tem apenas
O hoje de presente
Assim,
Agradeço a você
Que me lê
Apesar de mim.
Pequena pobre formiga
Não vê que o tempo passa
e ela só trabalha e procria
Pequena pobre formiga.
Mas ela não tem culpa
De residir numa sociedade normativa
e não criar abstratas expectativas.
CRIE EXPECTATIVAS! Pequena pobre formiga,
Pequena pobre formiga...
Não há certezas reais da ilusão.
Está no coração
a chave para a arte
da emoção
Como prosseguir?
Desespero meu querer ser bom
ou meu dia diferente.
Reviro a mão no bolso
e nada encontro
Nenhuma chave
só realidade
Como?
Amanheço meu feriado ensolarado
que logo será chuva
desperto a prova real de quem é a ilusão,
que floresce com quem a cuida
Se não há certezas,
Prossigo assim mesmo,
Não me importa mais
Não fará diferença.
Sou convicto apático
mesmo não o sendo
esse sou eu.
Como quem vai a lugar nenhum
Redirecionando a estrada
No inconsciente me encontro
onde não imaginava me encontrar
Um encontro real e surreal
Como quem passa por mim na calçada
Sem muito movimento
De uma passagem familiar
e reaparece à minha frente.
Não há certezas
Minha confusão mental toma conta de mim
Mas sempre estive assim.
Não há certezas reais
Da ilusão
Como prosseguir?
Bordo meu coração com punhais de falsos diamantes,
quebráveis
tocáveis
superficiais
e eu não ligo
Sereno de mim, som dos campos donde vim
E com ela o invisível
sensível
num minado de mecanicidade social
Não as quero em mim
Como prosseguir?
ESCORREGO NO CHAMEGO
Me escorrego no chamego,
escapulo do meu ego,
Vesgo no meu apego, não négo.
Me apego, como prego
se me levo nesse leve escorrego
fico sonso, fico grego.
As vezes, insisto no perigo
eu existo, eu persisto...
Também, sou filho de cristo.
Se escorrego no meu apego
nesse apego eu me aprégo
no meu prego, me escorrégo.
Nesse eco igual ferro
do meu breque, eu desbeiço
pelo této, pelo beiço e pelo berro.
Antonio Montes
Não espere ser notado entre as flores, num paletó de madeira.
Pergunte a si mesmo se está feliz ou se está valendo a pena.
Viver só por viver, não é vida não.
NÃO E SIM
Desde, que o mundo é mundo
E falas que falam, são falas...
Os mudos podem falar
pelas falas que não fala.
Antonio Montes
PARÁBOLA ESCLARECEDORA
(Para a classe trabalhadora)
“O pior cego é aquele que não quer ver”.
(Sabedoria Popular)
Com omissão, um funcionário viu,
sem adotar a boa providência,
o seu patrão sectário e sutil
abusar da pior maledicência.
A articulação maledicente,
feita pela chefia malvada,
teve a ação condizente
de quem fez que nem via nada.
O alienado funcionário
foi dando uma de “pata cega”
e deixou o odiado mandatário
ir tentando prejudicar um colega...
Justificando sentir muito medo
de tomar uma providência,
o omisso foi ratificando o enredo
da patronal maledicência.
Negou, na verdade, o idiota
funcionário tão conivente,
a solidariedade que importa
e se viu solitário no batente.
Depois, o malvado mandatário,
comprovando ter péssima intenção,
depôs o alienado funcionário,
negando-lhe a devida indenização.
Eis a moral da história: ser conivente
com a patronal escória é, futuramente,
sentir, na pele, a injustiça sentida,
por quem repele uma cobiça indevida.
Paulo Marcelo Braga
Belém, 15/02/2009
(09 horas)
OLHE O TOMBO
Se segurarmos a mão,
de quem não esta, nem ai
... Pelo riscos do coração,
podemos de cair.
Antonio Montes
POEMA INEXISTENTE
O poema que não sei,
adormecido...
Perpetua as paginas brancas
da vida.
Eu nunca vi
se não vi, não sei
ainda não chegou a hora
da sua partida.
Antonio Montes
MÁGICO SOPRO
Aquele moço, moco...
Que já não era assim, tão moço
de pensamentos poucos...
Meio broco, quase loco!
Por muito pouco!
Não deu pipoco fosco,
mas, fez promessas de enrosco
e colocou a vontade sobre o toco.
Depois... Ficou esperando
que o vento te lembrasse
com seu mágico sopro.
Antonio montes
Tua beleza
Se tu não fosses tão radiante assim
Eu não estaria aqui, a observar
O por do sol, as ondas do mar
As nuvens no céu, o vento soprar
Se tu não fosses tão radiante assim
Eu não estaria aqui, tão relutante
Insistindo em estudar o teu semblante
Deixando tudo de lado por um único instante
Ah, natureza!
Se tu não fosses tão radiante assim
O que serias de mim?
Sem tua beleza
POR ACASO
E se por acaso, eu não te encontrar
Envelhecido, sentado eu na esquina
Do tempo, com um disperso tal olhar
Poetando mesmices pra dar propina
A ilusão, por não contigo assim estar
No coração, na emoção e na paixão...
E se por acaso neste exato momento
Perceber que rápido passou e, então
Palpitar saudade sem ter um fomento
De esperança, que acredite na razão
Do ainda é possível ter tal sentimento
E que não seja só uma mera presunção
E sim, o que importa, ter no argumento
Da vida, valia com total determinação.
Se por acaso...
Não advir, tentei e, despido será o contento.
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
PISA, PISA
Pisa menino, pisa...
Pisa porque se não, lhe dou uma pisa
para que possa voar nos passos
ir n'um pé e voltar n'outro
solto e leve como pássaro
rápido, como nave no espaço.
Pisa menino pisa...
E eu fico aqui com minha cisma
a muito, isso foi minha sina
voar como se tivesse asas...
Pisar como se pisasse em brasa.
Pisa menino pisa...
Não deixe o tempo lhe pisar
não se doe de bonzinho
nem ame, mais do que possa amar
porque se você não pisa
leva pisa pra respirar
e amando irão te esmagar.
Antonio Montes
O k interessa é o k tu sabes de ti
e não o que falam e dizem por ai.
Acredita em ti um dia vais brilhar
olha para mim só tens k acreditar.
SONETO ESSENCIAL
Enxergamos tudo aquilo que está ao nosso alcance
"O essencial não se vê com os olhos" vai além
Duma paisagem, uma flor, um caminho, porém,
Podemos sentir com a emoção toda e qualquer chance
O que se sente não precisa ser visto, e sim, o que contém
A aridez, o calor, um perfume, o afago, que no sentido trance
E na alma desenhe o real e concreto da vida, em romance
Pois, sentir é o que captamos mesmo não vendo, também
Pode se estar vendo, mas o que julgamos é invisível
O conteúdo, a essência, ideais, aos sentidos impossível
Aparências não revelam a importância no sentir dum olhar
O olhar engana, miragem e nem sempre ao sentimentos compreensível
No entanto ver e sentir, no fado, será sempre compatível
Se ao ver e sentir, com o coração e, com ele, ter capacidade de amar...
Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
Março de 2017
Cerrado goiano
Parafraseando Antoine de Saint-Exupéry
"Na hora que você pensou que tudo estava dando certo
Foi aí que você viu que não
Nada é perfeito e a poderosa imperfeição está em suas palavras
Paralisando e movimentando a sua estrada"
