37 poemas sobre o tempo para pensar na passagem dos dias
ROSAS DA COR DO MAR
Há um caminho, já percorrido
Hum tão tempo
Se não me falha memória
Cujo chão é cor de rosa
Na arena tem estrelas
Soltas, desprezas
Lá no céu há branco paz
Nesse ar desatado ...
As sujeiras por sua vez
Não podiam faltar
Afinal, qual lugar
Que tem uma marca pra deixar
Não deixam...
Sujeiras rosas nesse mar
SOBRE O APRENDER E O ENSINAR
Ou se dedica tempo para ensinar a alguém que precisa dos nossos conhecimentos, ou não há razões por que se exigir nada depois.
Nara Minervino
SONETO COM CHARME
Moço, se no tempo, velho eu não fosse
Onde a dor da saudade a apoderar-me
As recordações a virarem um tal carme
E a lentidão em mim se tornarem posse
Ah! Aquelas vontades já me são adarme
O que outrora me era tão suave e doce
Num gosto acre o meu olhar tornou-se
O espelho, um revérbero, a desolar-me
O meu espírito a tudo acha tão precoce
Já o corpo, cansado, soa em um alarme
Na indagação a juventude que o endosse
Da utopia ao caos dum tão triste arme
Envelhecer, como se não fosse atroce
Então, vetusto, tenhas arrojo e charme!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
2016, 18 de novembro
Cerrado goiano
FIM DE ANO EM SONETO
Sim, vão-se os anos de fim de ano
Assíduos, só a aparência mudou
O tempo passa e tudo passou
O destino é mesmo soberano
Há anos pós anos, o sonho mitou
A minha rota tem outro cotidiano
Num entra e sai do desígnio tirano
Do nada como antes, vil sobrevoo
Saudade é a mesma, mesmo dano
Esperança, sim, desta nunca enjoo
E com a quimera nunca fui profano
Assim vou, mais um ano, num atroo
De comemoração, então seja ufano
O revoo, pois o fim, ainda não chegou...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
dezembro de 2016
Cerrado goiano
A força da luz
Tudo, tudo mais que o tudo do tudo
vai indo, indo e vou vendo o tempo,
tempo de tudo no meu indo e indo,
de repente tudo para no céu límpido!
Tanto, mais tanto azul e mais azul,
lindo, o mais lindo azul celeste,
encobre a terra do norte ao sul
e no centro uma luz transparente!
A luz tão forte, mas tão forte e forte
mas, doce, serena, toca- me e sinto...
Sinto, sinto a luz, a luz puramente!
É assim na força que a luz emana,
que sinto - me composta e triunfante,
é assim que sou eu vida humana!
Estampa
Minha relação com o tempo
Desafios em mim estampo
Fazendo minha doce pintura
Ou pelejando na dura escultura!
O resultado não tem importância
Se meu treino no tempo desfio,
Podes ser tu critico, em mim confio,
Pois tenho polido alguma elegância!
Nesta arte igual escrita faço o gosto
Aquele sentir d'alguma sensibilidade
Onde moldo e pinto talvez meu rosto!
Assim é possível fiar tranquilidade,
Desfazer qualquer tipo de desgosto,
Quiçá, a estampa da mera liberdade!
Quanto tempo nos resta?
E ela, me avisava que a vaidade do mundo não presta
Disse também que o nosso egoísmo nos cega
Que nem tudo é Dinheiro, bebidas, drogas e festa
Quando me abandonasse, fiquei chocado, muito triste, mas ao mesmo tempo conformado pois esse alguém tinha muito dinheiro e podia tudo.
Depois de alguns anos te encontrei e pude ver que tua aparência era diferente, então reduzi que a riqueza e o dinheiro te fizeram mal. Fiquei sabendo que o amor que eu te dava era diferente. Carinho era precário. Respeito não existia. Fidelidade era desastrosa. Diversões confusas, enfim
não eras feliz. Certa vez nos cruzamos em um mesmo evento, e ao me reconhecer tu baixou a cabeça, e nesse momento senti muita pena fe ti. O dinheiro é tudo, quem o tem compra o que quer, a riqueza é excepcional, fantástica, mas a liberdade, dignidade e a felicidade de alguém não há fortuna capaz de comprar.
TUDO MUDA (soneto)
Muda tudo, o tempo passa, quereres mudam
O ser mutante, metamorfosea a confiança
Virtudes, vontades compostas de vil dança
Tudo é variante, que as virtudes nos acudam
Nas novidades, sempre se tem esperança
Continuamente o moderno nos saúdam
A felicidade, se tiver, sempre nos ajudam
Pois, do danoso, pouco é a lembrança
Os desejos são de transparente manto
Nos cobrem de prazer e de bonança
Que comuta n'alma em choro e canto
E, no alterar-se o ter é ser abastança
Que se convertem em mor espanto
Se, não para o "ás", evite a mudança
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Janeiro, 2017
Cerrado goiano
ventania
talvez a gente se esbarre
numa destas confusões do sentimento
onde o tempo no tempo nos agarre
nas lembranças, e nos carregue no pensamento...
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Cerrado goiano
Era difícil para mim sentir medo de alguém a quem há tão pouco tempo eu havia tratado como paciente.
A viajante do tempo
Cada segundo triplica a vontade em ter você de vez na minha vida
Sem preocupação do tempo e com minha paixão contida
Pra lhe dizer que nunca mais estará sozinha novamente
Que a cada dia e noite serei teu par eternamente
Pessoas desaparecem o tempo todo, pergunte a qualquer policial. Melhor ainda, pergunte a um jornalista. Os desaparecimentos fazem parte do dia-a-dia dos jornalistas.
Adolescentes fogem de casa. Crianças desgarram-se dos pais e nunca mais são vistas. Donas-de-casa chegam ao limite de sua paciência, pegam o dinheiro das compras e um táxi para a estação de trem Banqueiros internacionais mudam de nome e desaparecem na fumaça de seus charutos importados.
Muitos dos desaparecidos serão encontrados, por fim, vivos ou mortos. Afinal, os desaparecimentos têm explicação.
Quase sempre.
A viajante do tempo, Outlander
Ninguém ou quase ninguém quer ou está pronto pra ouvir a verdade, vivemos em um tempo em que as pessoas perderam o temor e a consciência não pesa mais.
As pesssoas não aceitam mais serem confrontadas nem exortadas, não admitem mais seus erros, querem que todos a bajulem 24 horas porque se discordar de algo ou se alguém for sincero com elas, esse alguém já não serve mais.
Parece que há uma guerra de poder pra saber quem vai ficar sempre por cima.
Hoje em dia raramente vemos alguém dizer essa frases: Eu pensei sobre isso e você tinha razão!
Concordo também com seu ponto de vista, faz sentido.
Ou: Eu penso diferente, mas respeito sua opinião.
Ou: Eu errei, me perdoe!
Uma atitude tão simples e tão nobre, com um poder enorme de proporcionar a paz e salvar relacionamentos, porém alguns transformaram num verdadeiro tabu.
Por isso vemos as amizades tão rasas, relacionamentos e casamentos indo pelo ralo.
Infelizmente vivemos tempos onde a realidade não pode ser exposta, pois as pessoas não sabem mais lidar com isso.
Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos quanto tempo nos resta, não sabemos quando Jesus virá nos buscar.
Por isso não deixe pra amanhã o que você pode fazer hoje.
Ame, perdoe, não se prenda a amarguras e tristezas, esteja mais próximos das pessoas que você ama, dê prioridade para aquilo que realmente é importante.
Sirva a Deus de todo o coração, ore mais, jejue mais, se santifique mais, desligue o volume do mundo e esteja mais conectado com as coisas de Deus.
Cuide da sua salvação e da sua fé, que é o seu bem mais precioso.
debilidade
inflexível é o tempo, dança
que passa, Maria fumaça
deixando na lembrança
marcando a carcaça...
- tudo fica mais frágil
o ágil perde a esperança
as engrenagens pagam pedágio
e o pouco no mínimo, danos
neste naufrágio, um só adágio:
capengamos! que siga os anos!
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
24/10/2019, quinta feira
Cerrado goiano
Sinto tanto a tua falta!
Até de te ouvir dizer que não tinha tempo nem de olhar para a tua casa quando estavas ao portão e me vias passar num ápice..... Eu sempre a correr por qualquer motivo.
Eu pensava que não me vias mas tu vias tudo do teu portão.....
Agora passo e olho sempre.... Mas tu não estás lá ao portão.... Eu, no meu íntimo, acredito que estás lá sempre e que continuas a ver-me passar....
A cadeira já sente a tua falta e a bengala já perguntou quando voltavas....
A ausência de quem gostamos é tão dolorosa....
É dor incansável..... Que corrói.... Que traz tanta saudade....
CÉLERE (soneto)
E lá se vai o tempo, portentoso
Onde não vai a lentidão do fado
E de longe, eu distante, saudoso
Envio suspiros daqui do cerrado
Para os teus anos, eu já anoso
A pressa não é, certo ou errado
É tão a sorte no estado zeloso
Rio a baixo no leito apropriado
E, então, pelo espaço untuoso
Desliza cada sonho ali alado
Dando a vida agrado piedoso
Assim, os amores, encantado
Flores dadas, gesto impetuoso
Matizam o gozo ao ser amado
© Luciano Spagnol
poeta do cerrado
Agosto de 2017
Cerrado goiano
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