Poemas sobre Livros
O fato é que Copérnico não estudou astronomia no céu, mas nos livros. Foi um calculista.
sfj,caracteres
Sabe, eu não gosto
De ler pedaços de livros
De ver pedaços de filmes
Pedaços são destroços
E de destroços
Já basta a minha alma
Ou eu sou oito
Ou eu sou oitenta
E de pessoas meio-termo
Conheço mais de noventa
Se for para estragar
A minha ''calmaria''
A porta da rua, meu bem
Será a tua serventia.
Desconfiar dos livros em busca do conhecimento na prática é como escalar a mais alta montanha em busca de calor por estar mais próximo do Sol.
A decepção causada pelo frio intenso é substituída por uma paisagem nunca antes vista.
A conclusão é alterada:
Frio, porém belo.
JOVENS E LIVROS
@não subestime
a juventude
que gosta
de livros..
" A vida nada mais é
Que uma orquestra
Versos em harmonia..
O jovem é o maestro
Por armas trás apenas
Livros de poesias! ''
" Recanto das letras"
Uma espécie de perda
Usamos a dois: estações do ano, livros e uma música.
As chaves, as taças de chá, o cesto do pão, lençóis de linho e uma
cama.
Um enxoval de palavras, de gestos, trazidos, utilizados,
gastos.
Cumprimos o regulamento de um prédio. Dissemos. Fizemos.
E estendemos sempre a mão.
Apaixonei-me por Invernos, por um septeto vienense e por
Verões.
Por mapas, por um ninho de montanha, uma praia e uma
cama.
Ritualizei datas, declarei promessas irrevogáveis,
idolatrei o indefinido e senti devoção perante um nada,
(– o jornal dobrado, a cinza fria, o papel com um aponta-
mento)
sem temores religiosos, pois a igreja era esta cama.
De olhar o mar nasceu a minha pintura inesgotável.
Da varanda podia saudar os povos, meus vizinhos.
Ao fogo da lareira, em segurança, o meu cabelo tinha a sua cor
mais intensa.
A campainha da porta era o alarme da minha alegria.
Não te perdi a ti,
perdi o mundo.
Encontrei Minhas Origens
Encontrei minhas origens
em velhos arquivos
livros
encontrei
em malditos objetos
troncos e grilhetas
encontrei minhas origens
no leste
no mar em imundos tumbeiros
encontrei
em doces palavras
cantos
em furiosos tambores
ritos
encontrei minhas origens
na cor de minha pele
nos lanhos de minha alma
em mim
em minha gente escura
em meus heróis altivos
encontrei
encontrei-as enfim
me encontrei
Quando o que sinto me sufoca
E eu não tenho para quem falar
Vou até os meu livros
Para desabafar
Em meio às paginas em branco
Escrevo o que meu coração sente
Tristezas e alegrias
Todas as dores e meus amores
E para que ninguém saiba
Sobre o que se passa aqui
Pego os meus escritos
E brinco de bruxa
Em uma fogueira
Eu os coloco
E tenho certeza que
Apenas o céu e eu
Sabemos o que acontece.
Brigadeiro, terra, bicho e flor
Bolo de aniversário, pega-pega, casa de vó.
Bicicleta, livros, músicas e o primeiro amor
Merthiolate, cadernos de enquete, dominó.
Formação, trabalho, responsabilidade, da morte a dor
Mais juízo, menos tempo e o que resta é pó.
Só no sonho continuo inventor
[inventor de mim]
Românticos, pós-românticos, vitoriano, pós vitoriano.
Livros livros, sinto falta de lê - vos .
Saudades de vossas línguas, vossas graças, suas histórias.
Não era eu quem vos tinha, eram vós que me possuíam.
Saudade de fantasiar às vossas custas ou graduar minha inteligência modesta.
A vida não deveria jamais afastar - me de vós, oh livros!
Foi cruel.
Ainda espero por voltar a lê - vos tão furiosa e intensa e calmamente que voltarei a moldar o mais íntimo do meu íntimo, o mais perfeito do que eu posso "Ser".
