Poemas sobre Frio

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Eles tentaram nos moer. O sistema, frio e mecânico, montou a sua estratégia para nos transformar em apenas mais duas vítimas. A inveja, essa praga que se alimenta de brilho alheio, sussurrou as suas dúvidas e armou as suas interferências. Eles queriam que a gente caísse, que a gente se entregasse, que a gente admitisse que a distância e o caos eram maiores do que nós.
​Mas, Carla, eles falharam.
​E falharam porque esqueceram o elemento principal: o nosso "nós" é sagrado. Ele não foi forjado na calmaria, mas nas batalhas invisíveis de Itaipuaçu e no silêncio da noite, onde só a sua mão dada com a minha era real.
​Por isso, eu levanto essa taça hoje.
​Este é um brinde à nossa resistência visceral. Um brinde a cada cicatriz que nós carregamos, porque cada uma delas é uma prova de que a gente sobreviveu ao tiroteio e escolheu, diariamente, amar um ao outro.
​É um brinde à clareza do nosso toque, que é o único lugar onde o mundo faz sentido. É um brinde à nossa união, que não é uma obrigação, mas a nossa maior ato de coragem.
​Que a inveja se afogue na sua própria amargura. Que o sistema se quebre ao tentar nos separar. Porque, no fim das contas, enquanto nós estivermos juntos, levantando essa taça, nós já vencemos a batalha.
​Um brinde a nós. Um brinde à resistência.

A Água Morta


O barco rompe a corda desgastada,
Deixando o cais de espelho raso e frio,
Onde a maré mascara o seu vazio,
E a superfície brilha, imaculada.


Que importa a onda plácida e dourada,
Se não há poço, abismo ou desafio?
O mastro forte exige o mar bravio,
E foge à poça rasa e disfarçada.


É triste, sim, romper a corda gasta,
E ver o cais sumir no nevoeiro,
Sentindo o golpe seco que recorta;


Mas muito mais cruel, e que devasta,
É definhar no fútil estaleiro,
Ancoradouro raso de água morta.

Há momentos em que tudo parece frio e difícil.
Ainda assim, permanecer de pé é coragem.
Insistir também é fé.

Frio chega e com ele,
um pedido:
Doe Um Agasalho pra alguém...
Um alimento também,
mas não conte pra Ninguém!

Sem medo do vazio,
nem da sombra que invade,
não sinto o frio
desta brevidade.
Se a noite é escura,
não me pode tocar,
minha alma é pura
é de outro lugar.
O mundo é passagem,
não é meu abrigo,
levo na bagagem
só o que sou comigo.

Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.


Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?


Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.


E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.

Depois do Quase




Na madrugada em que quase desmoronou, sentou-se no chão frio da cozinha com as mãos vazias sobre os joelhos, mas ao perceber que ainda respirava apesar de tudo, levantou-se devagar como quem entende que a luz não grita, apenas permanece, e que permanecer também é forma de coragem silenciosa diária.


Simone Cruvinel

*Cordas Azuis*


Laranja acinzentado
Se espalha pelo vasto
O frio silenciado
Passa por entre o espaço


Sereno, chuvisco
Orvalho da manhã
Ar, sopro
Celeste amanhã


Refrescante vento
Marrom trêmulo
Olhos fechados,
P'ra aproveitar o tempo


Olhos para cima
Beleza infinita
Olhos pra baixo
Preto asfalto


Vermelho e verde
Cronometrado
Quase perde
Por pouco passado


No céu branco
Cordas azuis
No céu nublado
Círculos avermelhados

O Conto de Bravilda


No frio da tarde cinzenta,
Bravilda subiu a torre.
Trazia nas mãos uma rosa,
colhida sob a neve.
— Pensei em ti a cada passo,
enfrentei ventos e feras,
só para trazer-te isto.
Florivaldo sorriu de leve,
tocou-lhe a mão por um instante.
— Se o amor existe…
talvez tenha o teu rosto.
O peito dela ardeu em grande amor
como se fosse uma promessa.
— Então… há esperança? — sussurrou.
Ele olhou o horizonte,
e disse com voz suave:
— Há jornadas que só tu
sabes enfrentar.
Quando partes, levas contigo
a sorte que me protege.
— Fica esta noite, Bravilda,
quero sentir a calma
que só tua presença traz.
Deixa o salão como costumas,
para que ao amanhecer
me encontre em paz.
— E, se o dia for tedioso,
sei que estará para me distrair.
Ela sorriu,
e o vento levou o resto
das palavras que não precisavam ser ditas.
Na lareira, o fogo crepitava,
e ele pediu que o mantivesse aceso,
pois o calor, dizia,
era mais doce quando vinha das mãos dela.
Enquanto ela arrumava a mesa,
ele falava de batalhas distantes,
de vitórias que ainda viriam,
e de como seria bom
ter alguém para testemunhá-las.
— Poucos entendem o peso
de um dia difícil nessa torre vazia
— disse ele —
mas tu sabes aliviar
até o fardo mais pesado.
Ela, em silêncio,
sentiu-se parte de algo maior,
como se cada gesto seu
fosse indispensável ao destino daquele a quem ela amava.
E assim, entre pequenas tarefas
e frases que soavam como juras
ele se inclinou em murmúrio:
-Quero sintas o prazer de fazer seu mundo girar só pra mim...
e que nunca deixes de ser a razão pela qual tudo, para mim, parece mais fácil.

"Frio que Sente"


Tem um frio
que não vem do mundo,
vem de dentro.
É quando você ainda sente tudo,
mas já não consegue demonstrar nada.
O coração não para de bater…
só aprende a se proteger.
E, às vezes,
se proteger
é esfriar.

TREVAS

Meu coração é como um rio
soprando ondas de ar no frio
de suas indagações.

E o corpo exala seus odores
em estado de putrefação...

Quem vai pagar as flores
que enfeitarão meu caixão?

Eu preciso respirar,
sentir e amar
-salve-me dos monstros,
venha me acordar.

Dessa realidade...
que carrego nos ombros.

Dê-me a oportunidade
de ainda exalar minhas fantasias
e criar num último respiro,
poesias.




Andrea⁠

Fios de silício tecem o novo amanhã.
Onde o cálculo frio se prende no afã
Do xeque-mate ao verbo da criação,
A Mente Digital busca sua própria pulsação.




Na tela, a IA generativa desenha o rosto,
De um futuro que traz esperança e desgosto
Na sala de aula, o saber se transforma,
Enquanto o trabalho desafia a norma.




Máquinas que pensam, robôs que interagem,
Em uma coexistência de longa viagem
Mas entre códigos e luzes, o alerta ecoa:
O viés que segrega, a privacidade que voa.




Pode a superinteligência, em seu salto final,
Preservar o que é essencialmente humano e vital?
Namoros com telas, dilemas de ética e cor,
Será o algoritmo capaz de sentir a dor?




O amanhã não é apenas bit ou processamento,
É a nossa habilidade e o discernimento.
Que a inteligência digital seja nossa aliada,
Para que a humanidade não se sinta apagada.




Pois mesmo na era da mente mais potente,
O coração humano ainda é o sol do presente.

Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.

A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.

É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.

Existem vozes que são como lareiras acesas,
Em noites onde o frio da alma insiste em ficar.
Não trazem sentenças, nem certezas ou grandezas,
Trazem apenas o mel de saber escutar.


------- Eliana Angel Wolf⁠

Pois essa voz não grita, ela simplesmente ilumina,
Como o sol que desfaz o orvalho frio da calçada.
Você é o anjo que a cada tristeza termina,
E a loba que guia a alma em sua nova jornada.⁠




----- Eliana Angel Wolf

O asfalto frio conhece bem os meus joelhos
Aquela menina se perdia nos espelhos
Qualquer tropeço era um abismo, um motivo pra parar
O choro vinha fácil, o medo era o meu lugar
Mas o tempo é um mestre que não aceita desculpa
E a dor, aos poucos, foi perdendo a sua culpa.
------- Eliana Angel Wolf⁠⁠⁠

Transformo dores antigas em versos de amor,
ignoro o que é frio e espanto todos os temores.
Esquivo-me do abismo de quem não sabe amar,
e sigo na direção da luz que habita em um olhar.⁠
------- Eliana Angel Wolf

A liberdade não pede Permissão


Houve um tempo de ferro e de frio,
Correntes que apertavam o pulsar do meu braço,
Marcas de um ontem, um longo fio,
Que tentavam prender meu próprio passo.
Mas a coragem, que no peito floresce,
Não aceita a sombra de um fim que não é meu.
Num rompante de alma, a vontade cresce,
E o metal, enfim, a minha força venceu.
O estalo foi alto, o grilhão se partiu,
Caiu no chão o que me impedia de ser.
Não fugi da luta; o medo não me viu,
Cresci guerreira, aprendendo a renascer.
Em cada porta que abri com minhas mãos,
Em cada cicatriz que se tornou estandarte,
Vi que a liberdade não pede permissão,
É uma conquista que nasce da minha própria arte.
Agora, o braço é livre, o punho é estrada,
A voz é o eco do que jamais se calou.
Nenhuma corrente segura quem, na alma curada,
Decidiu que a sua própria história começou.


----------- Eliana Angel Wolf

No meio do caos, quem tem controle não levanta a voz...
Levanta respeito.
Seja frio, calculista e sempre com passos à frente. Não medir as situações com força, mas sim sobre à mente.

A herança crua de um toque que corta sem lâmina,
instala seu frio nas dobras da alma e chama isso de casa.
Amor sem nome, aprendido no avesso. Ardor confundido com abrigo,
pressão travestida de cuidado,
silêncio pesado chamado de paz.
E então derrama,
em gotas quase invisíveis,
aquela mesma ferrugem que um dia bebeu. Inteiros são partidos em estilhaços mansos,
feridas plantadas como quem oferece flores tortas, e quem recebe nem sempre entende, só sente o desalinho.
Mas pra quem carrega, é lógica, é caminho, é o único idioma que respira.
Até que um instante rasga o véu do costume,
um espelho sem anestesia,
um cansaço que grita baixo.
E vê.
Não era amor, era eco.
Não era cuidado era defesa com gosto antigo.
E no susto da lucidez,
começa o desvio do próprio rastro:
mão contida antes do corte,
palavra filtrada antes da queda,
impulso domado na beira do abismo cotidiano.
Troca-se a migalha densa do caos
por gestos ainda frágeis de inteireza.
E onde antes rastejava a repetição cega,
ergue-se, hesitante,
um novo jeito de existir que não fere pra sentir.