Poemas sobre Frio
"Ainda que caia a chuva;
Ainda que o frio tome conta do meu ser;
Ainda que o dia seja trocado pela noite ou à noite pelo dia... Nada se compara ao calor que eu sinto toda vez em que eu olho para você."
Passei verões inteiros almejando pelo frio;
Invernos torcendo pelas gotas de suor;
Outonos ansiando pelas folhas de árvore;
Primaveras em que não pude me decidir.
A certeza de que, não importa a estação, o meu estado é o mesmo.
As chuvas fortes do verão imbuídas em minhas lágrimas; Invernos tremendo de algo a mais do que frio; Outonos com a queda de outras folhas além das árvores e Primaveras menos amenas e mais intensas; Todas as mudanças são visíveis ao olho nu, todas mudam e renascem em algum outro canto, talvez mais dispostas a mudar de novo, talvez desejando se manter nem que seja só um pouco.
Eu, por exemplo, divido meu corpo na metade; Uma, sorri quando a estação muda, não importa qual seja; A outra, suspira fundo quando o tempo diverge e mantem-se.
A água vem de múltiplas maneiras: suor, chuva, umidade do ar e até minhas lágrimas salgadas, mas todas continuam a molhar do mesmo jeito.
Comecei a anotar quando algo não me fizesse bem; já tem horas que não paro de falar de mim mesma. Provavelmente a vez que mais falei de mim verdadeiramente, mesmo com negativas. Acredito que há algo perigosamente perto de beleza quando há ódio genuíno.
Vejamos, quando terá outro ser melhor de me analisar e repugnar além de mim? Cabe a mim desvendar cada centímetro de decepção que minha mente criara; A ti, mas nada salva.
Tão exato e nefasta quanto a minha vida...
Fraco e frio feito a noite ainda que quente.
Mentiroso e inescrupuloso é o coração da gente.
Vento frio, vento morno
Vento lento, vento feroz
É apenas o limiar
Da primavera
a nos alegrar
Ventanias não são constantes
e também não são eternas.
Ventos vêm, ventos vão.
baguçam,
derrubam o que parecia forte
mas depois tudo se transforma
Vão embora as quimeras
ficam as primaveras
Ao toque do amor, o vento é suave o frio vira calor...
Nesse sopro de amor, a gente vai se tocando e vai cada vez mais amando...
Há uma coisa que arrepia a pele e traz ao coração...
Sentimento inexplicável.
Reflexo Distorcido
Sinto o frio do quarto
Corroer a sola do meu pé descalço
E como as dores de um parto
Na beira do infarto
Eu sinto o seu olhar no encalço.
Tudo o que faço é te ver
Me olhando pelo vidro
E eu tento rever
Se algum dia já pude viver
Sem esse olhar tão ferido.
Já está perdido o meu olhar
Pela distância que nos separa
Sinto o meu cabelo molhar,
E pela a minha testa ele suar
Sem o conforto que nos repara.
E isso é para ver nos movendo
Dentro de dimensões paralelas
A mesma dor nos envolvendo
E no torpor nos dissolvendo
Como uma célula sem organelas.
E a bela movimentação
Que faço com meus dedos
Você transmite com a sua ação
Cria um reflexo na retração
Dos nossos próprios medos.
Você mais cedo será 'eu' na frente,
E eu do futuro foi você no passado.
Enquanto as ações do presente
Se tornam presas no inconsciente
Para mudar o futuro solidificado.
Quando pesado ergo o meu braço
Traço uma trajetória duvidosa.
Você seguindo o mesmo passo
Se movendo no mesmo compasso
Com a sua força vigorosa.
A dolorosa vertigem nos embebeda
E nos mostra um mundo novo
E a nossa queda
Traz a escuridão das trevas
Para a nossa vida de novo.
Agora o mundo será mais uma vez sombras na parede
Vamos embora, viajar outra vez nas ondas da complexa rede.
Tsharllez Foucallt
O Soneto da Noite
A noite chega,
A luz se nega,
O medo vem,
Não há ninguém.
O vento frio,
No som do rio,
Traz o temor,
De um velho horror.
A sombra invade,
Pela cidade,
Todo o clarão.
Só a memória,
Conta a história,
Na escuridão.
Andar de montanha russa é bom.
Ativa os nervos, agita o coração, da o frio na barriga e muita emoção.
Mas, as vezes o que precisamos é do pé no chão.
A calmaria de sofá e apenas uma televisão.
E aqui não estamos falando apenas de emoção!
A vitória solitária
A medalha foi o meu abraço de metal.
Frio, brilhante e dado por uma mão que não conhecia meu nome.
Há momentos em que tudo parece frio e difícil.
Ainda assim, permanecer de pé é coragem.
Insistir também é fé.
Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.
Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?
Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.
E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.
Depois do Quase
Na madrugada em que quase desmoronou, sentou-se no chão frio da cozinha com as mãos vazias sobre os joelhos, mas ao perceber que ainda respirava apesar de tudo, levantou-se devagar como quem entende que a luz não grita, apenas permanece, e que permanecer também é forma de coragem silenciosa diária.
Simone Cruvinel
*Cordas Azuis*
Laranja acinzentado
Se espalha pelo vasto
O frio silenciado
Passa por entre o espaço
Sereno, chuvisco
Orvalho da manhã
Ar, sopro
Celeste amanhã
Refrescante vento
Marrom trêmulo
Olhos fechados,
P'ra aproveitar o tempo
Olhos para cima
Beleza infinita
Olhos pra baixo
Preto asfalto
Vermelho e verde
Cronometrado
Quase perde
Por pouco passado
No céu branco
Cordas azuis
No céu nublado
Círculos avermelhados
TREVAS
Meu coração é como um rio
soprando ondas de ar no frio
de suas indagações.
E o corpo exala seus odores
em estado de putrefação...
Quem vai pagar as flores
que enfeitarão meu caixão?
Eu preciso respirar,
sentir e amar
-salve-me dos monstros,
venha me acordar.
Dessa realidade...
que carrego nos ombros.
Dê-me a oportunidade
de ainda exalar minhas fantasias
e criar num último respiro,
poesias.
Andrea
Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.
A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.
É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.
Existem vozes que são como lareiras acesas,
Em noites onde o frio da alma insiste em ficar.
Não trazem sentenças, nem certezas ou grandezas,
Trazem apenas o mel de saber escutar.
------- Eliana Angel Wolf
Pois essa voz não grita, ela simplesmente ilumina,
Como o sol que desfaz o orvalho frio da calçada.
Você é o anjo que a cada tristeza termina,
E a loba que guia a alma em sua nova jornada.
----- Eliana Angel Wolf
O asfalto frio conhece bem os meus joelhos
Aquela menina se perdia nos espelhos
Qualquer tropeço era um abismo, um motivo pra parar
O choro vinha fácil, o medo era o meu lugar
Mas o tempo é um mestre que não aceita desculpa
E a dor, aos poucos, foi perdendo a sua culpa.
------- Eliana Angel Wolf
Transformo dores antigas em versos de amor,
ignoro o que é frio e espanto todos os temores.
Esquivo-me do abismo de quem não sabe amar,
e sigo na direção da luz que habita em um olhar.
------- Eliana Angel Wolf
A liberdade não pede Permissão
Houve um tempo de ferro e de frio,
Correntes que apertavam o pulsar do meu braço,
Marcas de um ontem, um longo fio,
Que tentavam prender meu próprio passo.
Mas a coragem, que no peito floresce,
Não aceita a sombra de um fim que não é meu.
Num rompante de alma, a vontade cresce,
E o metal, enfim, a minha força venceu.
O estalo foi alto, o grilhão se partiu,
Caiu no chão o que me impedia de ser.
Não fugi da luta; o medo não me viu,
Cresci guerreira, aprendendo a renascer.
Em cada porta que abri com minhas mãos,
Em cada cicatriz que se tornou estandarte,
Vi que a liberdade não pede permissão,
É uma conquista que nasce da minha própria arte.
Agora, o braço é livre, o punho é estrada,
A voz é o eco do que jamais se calou.
Nenhuma corrente segura quem, na alma curada,
Decidiu que a sua própria história começou.
----------- Eliana Angel Wolf
