Poemas sobre Frio
A vitória solitária
A medalha foi o meu abraço de metal.
Frio, brilhante e dado por uma mão que não conhecia meu nome.
A Água Morta
O barco rompe a corda desgastada,
Deixando o cais de espelho raso e frio,
Onde a maré mascara o seu vazio,
E a superfície brilha, imaculada.
Que importa a onda plácida e dourada,
Se não há poço, abismo ou desafio?
O mastro forte exige o mar bravio,
E foge à poça rasa e disfarçada.
É triste, sim, romper a corda gasta,
E ver o cais sumir no nevoeiro,
Sentindo o golpe seco que recorta;
Mas muito mais cruel, e que devasta,
É definhar no fútil estaleiro,
Ancoradouro raso de água morta.
Há momentos em que tudo parece frio e difícil.
Ainda assim, permanecer de pé é coragem.
Insistir também é fé.
Eu tô num abismo,
num abismo frio e sem cor…
sem amor.
Amor… aquele que me prometeu amor,
onde foi parar o seu?
Se perdeu de mim
ou nunca foi meu?
Amor… palavra tão cheia,
hoje ecoa vazia,
bate nas paredes do peito
e volta… fria.
E eu fico aqui,
tentando entender
se o amor acabou…
ou nunca chegou a nascer.
Depois do Quase
Na madrugada em que quase desmoronou, sentou-se no chão frio da cozinha com as mãos vazias sobre os joelhos, mas ao perceber que ainda respirava apesar de tudo, levantou-se devagar como quem entende que a luz não grita, apenas permanece, e que permanecer também é forma de coragem silenciosa diária.
Simone Cruvinel
*Cordas Azuis*
Laranja acinzentado
Se espalha pelo vasto
O frio silenciado
Passa por entre o espaço
Sereno, chuvisco
Orvalho da manhã
Ar, sopro
Celeste amanhã
Refrescante vento
Marrom trêmulo
Olhos fechados,
P'ra aproveitar o tempo
Olhos para cima
Beleza infinita
Olhos pra baixo
Preto asfalto
Vermelho e verde
Cronometrado
Quase perde
Por pouco passado
No céu branco
Cordas azuis
No céu nublado
Círculos avermelhados
O Conto de Bravilda
No frio da tarde cinzenta,
Bravilda subiu a torre.
Trazia nas mãos uma rosa,
colhida sob a neve.
— Pensei em ti a cada passo,
enfrentei ventos e feras,
só para trazer-te isto.
Florivaldo sorriu de leve,
tocou-lhe a mão por um instante.
— Se o amor existe…
talvez tenha o teu rosto.
O peito dela ardeu em grande amor
como se fosse uma promessa.
— Então… há esperança? — sussurrou.
Ele olhou o horizonte,
e disse com voz suave:
— Há jornadas que só tu
sabes enfrentar.
Quando partes, levas contigo
a sorte que me protege.
— Fica esta noite, Bravilda,
quero sentir a calma
que só tua presença traz.
Deixa o salão como costumas,
para que ao amanhecer
me encontre em paz.
— E, se o dia for tedioso,
sei que estará para me distrair.
Ela sorriu,
e o vento levou o resto
das palavras que não precisavam ser ditas.
Na lareira, o fogo crepitava,
e ele pediu que o mantivesse aceso,
pois o calor, dizia,
era mais doce quando vinha das mãos dela.
Enquanto ela arrumava a mesa,
ele falava de batalhas distantes,
de vitórias que ainda viriam,
e de como seria bom
ter alguém para testemunhá-las.
— Poucos entendem o peso
de um dia difícil nessa torre vazia
— disse ele —
mas tu sabes aliviar
até o fardo mais pesado.
Ela, em silêncio,
sentiu-se parte de algo maior,
como se cada gesto seu
fosse indispensável ao destino daquele a quem ela amava.
E assim, entre pequenas tarefas
e frases que soavam como juras
ele se inclinou em murmúrio:
-Quero sintas o prazer de fazer seu mundo girar só pra mim...
e que nunca deixes de ser a razão pela qual tudo, para mim, parece mais fácil.
TREVAS
Meu coração é como um rio
soprando ondas de ar no frio
de suas indagações.
E o corpo exala seus odores
em estado de putrefação...
Quem vai pagar as flores
que enfeitarão meu caixão?
Eu preciso respirar,
sentir e amar
-salve-me dos monstros,
venha me acordar.
Dessa realidade...
que carrego nos ombros.
Dê-me a oportunidade
de ainda exalar minhas fantasias
e criar num último respiro,
poesias.
Andrea
Fios de silício tecem o novo amanhã.
Onde o cálculo frio se prende no afã
Do xeque-mate ao verbo da criação,
A Mente Digital busca sua própria pulsação.
Na tela, a IA generativa desenha o rosto,
De um futuro que traz esperança e desgosto
Na sala de aula, o saber se transforma,
Enquanto o trabalho desafia a norma.
Máquinas que pensam, robôs que interagem,
Em uma coexistência de longa viagem
Mas entre códigos e luzes, o alerta ecoa:
O viés que segrega, a privacidade que voa.
Pode a superinteligência, em seu salto final,
Preservar o que é essencialmente humano e vital?
Namoros com telas, dilemas de ética e cor,
Será o algoritmo capaz de sentir a dor?
O amanhã não é apenas bit ou processamento,
É a nossa habilidade e o discernimento.
Que a inteligência digital seja nossa aliada,
Para que a humanidade não se sinta apagada.
Pois mesmo na era da mente mais potente,
O coração humano ainda é o sol do presente.
Máscara
Disfarça e segue, até porque a neve não está caindo.
A inexistência de frio é marcante; apenas o seu coração permanece gelado.
A minha vontade é vê-lo puxar a janela do seu âmago e atirar ao chão a sua máscara, para que, lá embaixo, eu enxergue os seus olhos frios. Mas, ao me levantar e encarar a sua face, percebo que tudo não passa de uma farsa libidinosa para me atrair — um anjo sem escrúpulos.
É isso que séculos de escuridão fazem: transformam uma chuva de verão em tempestade fria. Vou dar um tempo, até que a brisa quente chegue. Temo, às vezes, que ao dormir eu escute o barulho da chuva cair em flocos, que a tempestade gélida retorne e o tremor me atinja.
Existem vozes que são como lareiras acesas,
Em noites onde o frio da alma insiste em ficar.
Não trazem sentenças, nem certezas ou grandezas,
Trazem apenas o mel de saber escutar.
------- Eliana Angel Wolf
Pois essa voz não grita, ela simplesmente ilumina,
Como o sol que desfaz o orvalho frio da calçada.
Você é o anjo que a cada tristeza termina,
E a loba que guia a alma em sua nova jornada.
----- Eliana Angel Wolf
O asfalto frio conhece bem os meus joelhos
Aquela menina se perdia nos espelhos
Qualquer tropeço era um abismo, um motivo pra parar
O choro vinha fácil, o medo era o meu lugar
Mas o tempo é um mestre que não aceita desculpa
E a dor, aos poucos, foi perdendo a sua culpa.
------- Eliana Angel Wolf
Transformo dores antigas em versos de amor,
ignoro o que é frio e espanto todos os temores.
Esquivo-me do abismo de quem não sabe amar,
e sigo na direção da luz que habita em um olhar.
------- Eliana Angel Wolf
A liberdade não pede Permissão
Houve um tempo de ferro e de frio,
Correntes que apertavam o pulsar do meu braço,
Marcas de um ontem, um longo fio,
Que tentavam prender meu próprio passo.
Mas a coragem, que no peito floresce,
Não aceita a sombra de um fim que não é meu.
Num rompante de alma, a vontade cresce,
E o metal, enfim, a minha força venceu.
O estalo foi alto, o grilhão se partiu,
Caiu no chão o que me impedia de ser.
Não fugi da luta; o medo não me viu,
Cresci guerreira, aprendendo a renascer.
Em cada porta que abri com minhas mãos,
Em cada cicatriz que se tornou estandarte,
Vi que a liberdade não pede permissão,
É uma conquista que nasce da minha própria arte.
Agora, o braço é livre, o punho é estrada,
A voz é o eco do que jamais se calou.
Nenhuma corrente segura quem, na alma curada,
Decidiu que a sua própria história começou.
----------- Eliana Angel Wolf
🫂🧣🔥
"O frio lá fora congela o tempo, mas embaixo do nosso cobertor o clima incendeia. Não existe inverno que resista ao calor da tua pele e ao compasso calmo do teu abraço."
— Anjinha Sensual
Já era tarde da noite. Fazia muito frio.
Dividíamos o mesmo táxi.
- Então, vai mesmo voltar ao Brasil?
- Vou sim. Prefiro amor.
- Você acredita mesmo no amor? Perguntou-me, e gargalhou. Gargalhou muito.
- Acredito sim. E fechei-lhe a cara.
Pois é...Desculpa ter até quebrado o gelo com a minha grosseria.
Eu deveria mesmo era ter gargalhado junto contigo.
Estava motivada
No vento e frio ti esperando
O comboio chegava e se afastava
O coração acelerava
O abraço é tudo que queria
Beijar é o que eu desejava
Ti amar é tudo que sei
Os três pontinhos foram se movendo
As expectativas foram se diminuindo
Acontecia o inimaginável
Atrasou, seria celebração
Sobrou apenas desilusão
Carregada de solidão e mais solidão
No meio desta multidão
Respire fundo e solte o ar bem devagar,
sinta sua ansiedade te deixar,
tome um banho frio
e sinta seu corpo relaxar!
Frio chega e com ele,
um pedido:
Doe Um Agasalho pra alguém...
Um alimento também,
mas não conte pra Ninguém!
