Poemas sobre Frio
A herança crua de um toque que corta sem lâmina,
instala seu frio nas dobras da alma e chama isso de casa.
Amor sem nome, aprendido no avesso. Ardor confundido com abrigo,
pressão travestida de cuidado,
silêncio pesado chamado de paz.
E então derrama,
em gotas quase invisíveis,
aquela mesma ferrugem que um dia bebeu. Inteiros são partidos em estilhaços mansos,
feridas plantadas como quem oferece flores tortas, e quem recebe nem sempre entende, só sente o desalinho.
Mas pra quem carrega, é lógica, é caminho, é o único idioma que respira.
Até que um instante rasga o véu do costume,
um espelho sem anestesia,
um cansaço que grita baixo.
E vê.
Não era amor, era eco.
Não era cuidado era defesa com gosto antigo.
E no susto da lucidez,
começa o desvio do próprio rastro:
mão contida antes do corte,
palavra filtrada antes da queda,
impulso domado na beira do abismo cotidiano.
Troca-se a migalha densa do caos
por gestos ainda frágeis de inteireza.
E onde antes rastejava a repetição cega,
ergue-se, hesitante,
um novo jeito de existir que não fere pra sentir.
A Água Morta
O barco rompe a corda desgastada,
Deixando o cais de espelho raso e frio,
Onde a maré mascara o seu vazio,
E a superfície brilha, imaculada.
Que importa a onda plácida e dourada,
Se não há poço, abismo ou desafio?
O mastro forte exige o mar bravio,
E foge à poça rasa e disfarçada.
É triste, sim, romper a corda gasta,
E ver o cais sumir no nevoeiro,
Sentindo o golpe seco que recorta;
Mas muito mais cruel, e que devasta,
É definhar no fútil estaleiro,
Ancoradouro raso de água morta.
Mãos ao alto,
Num gesto de adoração ao amor.
Coração acelerado, frio na barriga,
Mãos suadas.
Perdi tudo para esse sentimento
Restou apenas eu
E a solidão.
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido sem rumo pelas ondas a rodar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas num melhor lugar...
No meio de uma bagunça que não é pouca... tenho a impressão de que vou ficar... louca...
Do mar espero que venha o conforto
Entro nele devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio mansamente nas águas salgadas meu corpo s salgar...
Deixo a onda me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Deixarei de ser um peso morto...
renascerei em brisa leve, um novo alento,
a sombra se dissolverá em luz,
e o silêncio cantará promessas novas,
nascerá uma força das profundezas de mim que me erguerá e libertará,
vivendo eu, enfim, solto, em paz e vento?
Eis aí um pensamento que me traz na brisa um alento...
Da mudança
Mudar dói... mas mais do que permanecer no mesmo lugar desértico, frio e desesperançável?
Minha zona de conforto se amplia a cada dia. Estou feliz nela? Acho que não. Não... definitivamente não. Mas... Já a conheço tão bem... tudo nela é tão previsível... não há canto escuro ou obscuro pelo qual eu já não tenha passado, olhado, acariciado e colocado bem no fundo do baú. Mas dentro do meu campo de visão... bem à minha mão.
Oras, não sou boba nem nada... o conhecível me faz bem, me dá segurança... tudo bem que tenho de engolir todos os sapos que pululam ao meu redor, mas sei o chá que devo tomar pra não sofrer intoxicação mortal. E há sapos que não são tão venenosos... dá pra engolir de boa mesmo.
Então, não mudo, não sofro. Resignadamente me resigno a tudo e a todos, todos os dias. Mas na segurança do caminho conhecido, of course. Vou eu enfrentar preocupações com mudanças? Sei onde estou. Sei o que tenho. Punto e basta.
Mesmo?
Não sou boba nem nada. Conheço a frase 'melhor um pássaro na mão do que dois voando'... mas sei que isso me diz: 'fique com o menor, assegure-se, mantenha firme o pouco que você tem... deixa ir o maior... dispense o grande'.
Por que, então, conhecedora de que pode haver o melhor, o maior, o mais confortável, o sucesso, a alegria, a paz... e mil e umas outras coisinhas maravilhosas com uma mudançazinha aqui e acolá, eu fico amarrada no mesmo lugar?
Por que fico pagando um preço (talvez alto demais) por uma pseudosegurança?
Se eu agir é sempre fitty-fiffty. E mesmo que seja, como resultado, o fifty
-50%, só o fato de eu ter disposição para correr risco já me faz ganhar... e vai que o resultado seja mesmo o +50%?
Entonces... mudar dói (exige um certo esforço)... mas... se não se mudar nunca se poderá saber o resultado do passo em direção à mudança... e essa adrenalina é boa... ah!!!! se é.
Inverno implacável
No inverno que se estende, frio e implacável,
minha alma vagueia, perdida e sem abrigo.
Procuro a poesia, mas a esperança é frágil,
as palavras escapam por entre meus dedos, como o vento pelas frestas da janela... gelando completamente meu lar, meu abrigo.
Desiludida, caminho por ruas de sombra,
onde o eco do silêncio grita ardorosamente.
A beleza se esconde, a luz já não assombra,
e em cada estrofe, sinto o peso da vida... meus pés dormentes.
Mesmo na noite mais sombria e profunda, porém,
a chama do sonho não se pode apagar.
Pois mesmo cansada, a busca é fecunda,
e um dia, quem sabe, renasça a esperança de recomeçar.
Assim, a dor se transforma em verso,
e o inverno cede espaço ao calor que amana do universo.
A Água que Escolhi Dividir
Um dia me empurraram para o fundo de um poço.
Escuro. Frio. Silencioso.
Ali eu conheci a dor pelo nome,
a solidão pelo abraço,
e as lágrimas pelo sabor.
Quem me feriu foi embora,
acreditando que ali seria o meu fim.
Mas Deus desceu onde ninguém desceria.
Sentou-se ao meu lado no silêncio,
secou minhas lágrimas,
fortaleceu meus braços
e me ensinou a subir.
Cada pedra virou um degrau.
Cada cicatriz virou força.
Até que um dia eu alcancei a luz.
Lá de cima descobri algo precioso:
quem já conheceu a sede
aprende a encontrar água.
Passei a tirar água do poço
para matar a sede de quem chegava cansado,
ferido, sem esperança.
Então a vida me surpreendeu.
No caminho encontrei justamente quem havia me lançado naquele abismo.
Desta vez, porém, era ela quem estava fraca.
Era ela quem tinha sede.
Era ela quem estendia as mãos.
Eu poderia ter lembrado de tudo.
Poderia ter dito:
“Agora é a sua vez.”
Muitos esperavam isso de mim.
Mas havia algo maior dentro do meu coração.
Porque Deus nunca me deu água
para que eu escolhesse quem merece beber.
Ele me deu água
para que eu nunca esquecesse de onde Ele me tirou.
Então estendi minhas mãos.
Dividi a água que eu tinha.
Ajudei quem um dia me abandonou.
Não porque a dor não existiu.
Não porque esqueci as feridas.
Mas porque o amor de Deus foi maior do que elas.
O perdão não muda o passado.
Mas muda completamente quem escolhe perdoar.
No fim, compreendi que o maior milagre não foi sair do poço.
Foi não deixar que o poço permanecesse dentro de mim.
Meu amor, você é aquela sensação gostosa, de quando o tempo está pra chuva e faz frio 😍
Wanessa Guimarães Z96
Um peso morto
O frio da madrugada gela meu corpo.
Inerte estou à beira do mar...
Minha mente a divagar...
Como um barquinho perdido no mar.
Abandonada emocionalmente
Tento colocar minhas coisas no lugar...
No meio de tanta bagunça louca... tenho a impressão de que vou ficar...
Do mar vem o conforto
Entro devagar... o corpo mais frio começa a ficar...
Boio nas águas salgadas...
Deixo as ondas me levar...
A boiar... a boiar...
O sol nasce no horizonte.
O calor de volta traz.
Volto pra areia silenciosamente...
Minha dor no fundo do mar...
Novo dia.
Esperança.
Alegrias?
Deixará meu caminho de ser torto?
Deixarei eu de ser pro mundo um peso morto?
Você partiu.
O frio cinza da manhã só viu
meus olhos vazios seguindo
sua imagem aos poucos lá longe sumindo.
Você partiu.
O sol quando chegou
tristemente me abraçou...
procurando preencher o vazio que você deixou.
Você partiu.
As nuvens no céu
cancelaram seu habitual passeio,
e como eu se perguntaram:
'Se era para partir por que você veio?
E você partiu....
Bom dia
A fogueira não pegou,
O dilúvio encharcou,
O frio me congelou,
São João não rolou,
São Paulo não deixou.
Benê Morais
🫂🧣🔥
"O frio lá fora congela o tempo, mas embaixo do nosso cobertor o clima incendeia. Não existe inverno que resista ao calor da tua pele e ao compasso calmo do teu abraço."
— Anjinha Sensual
Por que não?
Outro dia, fui até um jogo de futsal pela manhã num dia frio com amigos da juventude em meados de 1995.
Em um momento da minha infância, fui comer com a minha mãe um frango assado de frente pro mar em Aracaju, SE.
Certa noite fui tentar um momento de carinho com a minha querida Tatiane numa praça no estado de alagoas a uns 30 anos atrás.
Vi na noite passada uma cadela chamada Cayara, que foi uma grande amiga num momento difícil da minha vida.
O engraçado é que todos esses momentos pude vive-los de forma realista e quase palpável através de minhas viagens reveladoras de que podemos sim nos colocar em diversos períodos e momentos de nossas vidas viajando no tempo por meio dos sonhos.
Por que não acreditar que em um dado momento da nossa história iremos descobrir como levarmos nossos corpos a estes mesmos lugares que estivemos um dia?
Amor frio
Não toca mais a pele que te deseja,Mas almeja a frieza de uma vida imaginária e fria.Em meio a tanta tecnologia,Sua ausência se tornou constante.Em meio a poucas trocas de conversa,A tela distancia amores e alegrias.Vivendo no imaginário,Em uma vida que não é real...Porque a sua própria vida,Já foi largada há muito tempo.
— Roseli Ribeiro 2026
Não confunda ser frio com estar em paz.
Não confunda ser triste com negar a alegria.
Não confunda ser fraco com ser excessivamente forte.
Não confunda estar só com estar em boa companhia consigo mesmo.
Não confunda não amar com amar sem saber que ama.
No escadão
Sentado no escadão altas horas da noite e no frio de bater os dentes, pude ver as luzes da cidade ,
O silêncio foi a minha companhia,
As lembranças do que fiz e do que não deveria ter feito vieram a tona,
As lágrimas traziam verdades e ao mesmo tempo traziam alívio,
O olhar preso no horizonte noturno e iluminado me deram a chance de me enxergar por dentro,
Algumas coisas boas nascem da dor, nascem do enfrentamento perante a realidade afetada,
É neste momento de solitude que o confronto com o caos produz a esperança e as saídas para os problemas,
No escadão, o frio continua intenso, as emoções e os pensamentos vão e vêm, as luzes da cidade estão vibrantes, assim como os caminhos da esperança estão circulando na minha mente.
Brincando
O que importa o frio?
O que importa o calor?
O que importa a alegria?
O que importa a dor?
A vida prossegue,
mas não corre o tempo.
A vida é a aurora
que precede o nascimento.
Quando o adormecido despertar
A vida será muito maior. As torrentes rugirão, o frio e a umidade vão nos despertar, as matas fechadas não serão mais inexpugnáveis, os seres vão aparecer na sua glória. Não haverá a quem culpar, muito menos a nós mesmos. A dor não será algo externo. Quem se foi, voltará. O mundo fará sentido.
O Zoológico dos Últimos Dias
O ar frio e doentio.
Olhares que julgam e condenam na essência,
enquanto a flor apodrece diante do mar poluído.
Peixes mortos, palavras de consolo e lamento:
nada trará a vida de volta,
nenhum pesar pagará as dívidas da existência.
Diante do fato, o ônibus cheio.
Palavras jogadas no lixo do oceano.
O mau cheiro é a simplicidade,
o retrato exato do ser que se diz humano.
Humanize seu ser humano:
Leve para passear três vezes por dia,
dê banho uma vez ao dia,
recolha seu lixo e recicle, simulando preservar o mundo.
Não deixe que o alimentem na rua.
Leve-o para ser castrado.
As luzes do híbrido se tornaram vivas
porque a energia biológica estava esgotada.
Depois de uma semana sem descanso,
é preciso trocar os olhos e descarregar a memória.
Enquanto isso, o bot humano prepara o novo ensaio:
a locução do algoritmo dando espetáculo no palanque.
Vamos criar um novo circo. O pão?
As migalhas damos para as crianças;
algumas engolem moedas, achando que são doces caindo do céu.
Mas, dos céus, só cruzam os aviões,
pulverizando as nuvens para que a chuva já caia limpa com cloro.
No zoológico, humanos são expostos como répteis,
condutores da curiosidade alheia.
"Como se reproduzem?", pergunta o documentário raro.
Mas não há reprodução ali:
um casal de homens num recinto, duas mulheres no outro.
Os velhos são exibidos como souvenir e adorno;
a pele humana, supervalorizada,
agora serve para esticar tambores e fabricar sabonetes.
Alienígenas tentam comprar um exemplar:
mais uma espécie em extinção no mercado negro da deep web,
sorteada na deepdark.
Enquanto isso, nos confins do universo,
seres desconhecidos abrem uma caixa lacrada:
"Não abra. Produto com prazo de validade vencido."
O humano se contorce no fundo do caixote.
Está bêbado? Está drogado?
A mãe puxa o filho pelo braço e avisa:
— Não toca. Ele tem um cachimbo.
