O Conto de Bravilda No frio da tarde... Richard Eniston
O Conto de Bravilda
No frio da tarde cinzenta,
Bravilda subiu a torre.
Trazia nas mãos uma rosa,
colhida sob a neve.
— Pensei em ti a cada passo,
enfrentei ventos e feras,
só para trazer-te isto.
Florivaldo sorriu de leve,
tocou-lhe a mão por um instante.
— Se o amor existe…
talvez tenha o teu rosto.
O peito dela ardeu em grande amor
como se fosse uma promessa.
— Então… há esperança? — sussurrou.
Ele olhou o horizonte,
e disse com voz suave:
— Há jornadas que só tu
sabes enfrentar.
Quando partes, levas contigo
a sorte que me protege.
— Fica esta noite, Bravilda,
quero sentir a calma
que só tua presença traz.
Deixa o salão como costumas,
para que ao amanhecer
me encontre em paz.
— E, se o dia for tedioso,
sei que estará para me distrair.
Ela sorriu,
e o vento levou o resto
das palavras que não precisavam ser ditas.
Na lareira, o fogo crepitava,
e ele pediu que o mantivesse aceso,
pois o calor, dizia,
era mais doce quando vinha das mãos dela.
Enquanto ela arrumava a mesa,
ele falava de batalhas distantes,
de vitórias que ainda viriam,
e de como seria bom
ter alguém para testemunhá-las.
— Poucos entendem o peso
de um dia difícil nessa torre vazia
— disse ele —
mas tu sabes aliviar
até o fardo mais pesado.
Ela, em silêncio,
sentiu-se parte de algo maior,
como se cada gesto seu
fosse indispensável ao destino daquele a quem ela amava.
E assim, entre pequenas tarefas
e frases que soavam como juras
ele se inclinou em murmúrio:
-Quero sintas o prazer de fazer seu mundo girar só pra mim...
e que nunca deixes de ser a razão pela qual tudo, para mim, parece mais fácil.
