Poemas sobre Árvores
Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente
A vida passa, o vento sopra
Meu cigarro se torna fumaça
As copas das árvores
Que ontem eram arbustos
Adentram pelas janelas
As gotas d'agua da chuva
Contrastando à luz do Sol
revelam cores tão belas
A vida passa, o vento sopra
As belezas, antes viçosas
das pessoas orgulhosas
hoje já nem são mais
assim tão belas
Apenas o Céu e a Terra
permanecem imutáveis
Mas sempre haverá outras belezas:
Aquelas, presentes na alma
Que só de olhar
Dá vontade de estar junto
Pois com a sabedoria do tempo
Souberam cultivar e cativar
um sentimento
Que a beleza passageira
com sua efemeridade
Não possui
A vida passa, o vento sopra
Quase tudo vem a ruir
Exceto aquilo que era bonito
e foi cativado no espírito
Essas belezas não passam jamais
é algo que na história de cada um
Permanecerá pra sempre escrito.
A vida passa, o vento sopra...
No próximo ano
Talvez abram novas estradas
Porém, já consta nos planos
Que as árvores serão derrubadas
No próximo ano
Talvez distribuam comida
Porém, já consta nas planilhas
Qua aves serão abatidas
No próximo ano
Talvez ressuscitem a arte
Porém, já estão planejando
Os desastres a ser divulgados
No próximo ano
Talvez cheguemos a saturno
Porém, já existe alguém
Pensando em matar
O guarda noturno
No próximo ano
Talvez a gente conquiste o Universo
Porém, está nos planos de muitos
Arraigar e divulgar e eternizar
o retrocesso.
Árvores não deram frutos
O mundo semeia insatisfação
E colhe satisfeito, o resultado
Veja que a terra não pedia nada
São de Deus o Sol e a chuva
Sem esperar a gratidão do mundo
Não é Deus quem põe a mesa farta
Só oferece o trabalho e a vida
Mas o engano planta ingratidão
E transforma a grande obra
Em mero esboço
Proclama a terra infecunda
O ingrato olha a tudo que recebeu
E declama que apegou-se a um osso
Os porcos buscam milho e farelo
Que o diabo, travestido, espalha
Pobres almas prostituídas
Desertam das missões da vida
Fartando-se da vilania
Furtando-se aos compromissos
Pra depois mirar-se no espelho
Sem rosto vermelho ou enrubescido
As árvores não suplicam gratidão ao mundo
E não mentem, dizendo
Que foi obra de Deus planejar tudo isso.
Edson Ricardo Paiva.
Tem coisas que fazem parte da vida da gente: Árvores, Luz do Sol, Pássaros, Nuvens, Tempo, Ar, Sonhos e Esperanças, Espelhos e Balanças.
Tem pessoas que passam pela vida da gente e são breves como as nuvens; tem as que criam raízes como árvores e são importantes como o ar, outras são belas, alegres e fugazes como os pássaros, outras são constantes como a luz do Sol, outras serão sempre presentes, apesar de invisíveis, como sonhos e esperanças. Finalmente algumas são perenes como o tempo.
O fato de sermos pessoas é que faz a diferença: somos iguais a essas coisas, mas ao mesmo tempo não somos coisas: somos pessoas...e o que tem valor na vida são as pessoas. As pessoas de quem gostamos e em cuja presença nos sentimos bem. Nos sentimos confiantes e em paz. Isso é algo que vem na alma: Tem pessoas que transmitem essa sensação por onde passam, tem o dom de cativar quando ficam e deixam saudade quando se vão.
Sejam suaves perante a vida, enquanto estão no caminho com ela. Há espelhos ao longo da estrada, mas eles nunca serão tão sinceros quanto a balança que existe lá no final.
Edson Ricardo Paiva.
Já vi flores brotarem das pedras
Árvores gigante nascerem na lama
Vinhas frutíferas tão dóceis sobreviverem ao deserto
Rosas encantadoras desabrocharem em um simples copo com água.
Desnatado Natal
Vagarosamente os flocos brancos
vestem as árvores e as ruas.
Pulam sorrisos nas mãos das crianças.
Casas adornadas de esperança
com pisca-piscas de mil cores
estampadas em portas coroadas de azevinho.
Fazem-se partir milhões de pedidos
aos confins da Lapónia,
sonhos embrulhados de inocência,
alarvemente aproveitados
pelo incessante consumismo.
À medida que o vento faz o playback da harmonia,
o Mundo fantasia-se de bondade.
A solidariedade incentiva a humanidade
a um consoado cessar-gelo,
comovem-se corações e Invernos
num calor humano que não aquece a verdade.
E a vocês, que fazem da rua a vossa cama,
das estrelas o vosso tecto, não têm sonhos,
[mas sabiamente observam
esses sociais mendigos corações
nos seus costumes no desnatado Natal],
abro as portas da minha casa,
ofereço-vos a minha mesa,
o calor do meu abraço,
e o sentimento deste poema:
o Natal é uma camuflagem
passageira no coração das civilizações.
Despi o Teu Sentimento
Na alameda da tua tela
estavam árvores a murmurar.
Entregues ao lampejo das tuas mãos,
deslizando nas tonalidades das estações
da imprescindível paixão.
Despi o teu sentimento: e desnudo fiquei.
Amar-te Torrencialmente
Estou a amar-te
como as árvores
amam a terra.
Estou a amar-te
como os oceanos
amam as luas.
Estou a amar-te
com a racionalidade da loucura.
Estou a amar-te com os olhos
cheios de chuva.
Estou a amar-te torrencialmente.
Nos dourados
outonos
as árvores
cantam as
canções das
borboletas
que voaram
no estômago
do verão.
Somos árvores cheias de estações, mas como somos andantes e nossos frutos são imprevisíveis, não podemos viver para sempre.
Que eu possa envelhecer como as árvores plantadas em solo fértil, as quais dão sempre frutos bons e cujas folhas caídas ao chão sirvam como lembranças das muitas lutas, mas principalmente das grandes vitórias.
Nós respiramos oxigênio e liberamos gás carbônico . As árvores respiram gás carbônico e liberam oxigênio, ou seja, um depende do outro. Recicle a mente! Amar a natureza, é amar a si próprio.
As árvores secas são belas e contribuem para a paisagem, mas por dentro estão mortas e só são capazes de dar vida aos fungos.
Ah o tempo, como ele é traiçoeiro e também surpreendente, se faz tão presente e ausente... que gostoso olhar para um castelo construído com o tempo, quando pensei que ele estava caindo na verdade era a porta de entrada que estava se formando.
O outono é lindo, leva as folhas secas e traz as novas folhas, e as árvores se preparam para dar seus frutos...
O planeta se encontra em tal nível crítico da economia e da sustentabilidade que nem mesmo as árvores andam "dando em árvores".
