Poemas Serei So tua
A mar
Há repentes
Que só UM abraço pode amortecer
Há suspenses
Que só UM beijo é capaz de o medo desprender
E aprender:
- Tem razão
É o Coração ...
Só sentir!
(Se despir)
Agora, nua está a voz interior
Reprimir o recato de tentar
Esconder este sentimento que dança sem parar
Avivar UMA vez a vontade!
Puxar para si a Verdade
E conduzi-la pelo salão da fantasia
Sentir na proximidade e no ritmo, a maresia.
- Já vem uma onda!
Pés quase que plantados na areia
Secos, por muito tempo, esperaram apontar para uma sereia
A beira:
esperança corria sem parar
UM dia
chega perto da água
- Já vem uma onda!
Deságua sobre os seus pés
Molhados
Acalentados
Maré me acorda
Parece querer se expressar
Coração já se sente em casa:
-Aqui já esperei e quero ficar
Como é lindo a mar!
A combustão
É necessário ter fé
Para o caminho trilhar,
Porquê acreditar em algo
Só é apenas um sonho,
Se você inerte ficar.
Assim, faça do esboço de suas expectativas
Uma ação a executar,
Pois um dia irá colher
O que lá trás fez germinar.
Se vai levar tempo, eu não sei,
Para a um resultado chegar.
Mas se tiver motivação
Ainda terá combustão,
Para a sua fé sempre renovar.
Dormência existencial
O corpo nega
E à alma sobrecarrega,
A indiferença da percepção:
realidade sombria e fria,
Que torna gelo o coração!
Mas é como em uma anestesia,
A carne sendo poupada da extrema dor.
Pena que para a alma não existe dormência!
E mais cedo ou mais tarde, o corpo acorda,
Assim esta trata de seu sofrimento, à ele então impor!
Em uma só voz
Em uma só voz todos clamam, alguns reclamam, outros se calam. Em todas as vozes, é difícil decidir, quem e quantos ouvir para então a igualdade lançar. Faz se então estratégia de amostragem, doutrinam que segmentar em grupo é vantagem, uma representação de opinião. Mas para funcionar tal técnica é preciso, fazer de muitos somente alguns juízos, com alguém que tenha persuasão. Pois parecendo justo para o senso comum, para quê refletir que de um todo para um, haverá na individualidade, total insatisfação?
No mal do individualismo
é difícil ganhar só.
Não desata nenhum nó
quem fica no egoísmo.
Tenta, tenta, cai no abismo,
carrega decepção.
Ganhe força na união!
Se tem erro é dividido,
e o acerto é acrescido:
guarde sempre essa lição!
CINCO SEGUNDOS
Eu quero só cinco segundos teus.
É tempo suficiente pra te dizer bom dia, boa noite, se cuida, estou com saudades, você é incrível, teus olhos estão brilhando como nunca, que sorriso maravilhoso, sonhei com você, fica comigo, adoro esse teu jeito ou eu te amo.
Eu quero só cinco segundos teus. E com eles quero ser a atitude que fará diferença e com isso estar presente nos teus pensamentos o restante do dia.
Eu quero cinco segundos pra poder transformar aquele momento solitário em um encontro de duas pessoas ainda distantes.
Quero cinco segundos pra poder arrancar um sorriso teu, quando acontecer algo que te fez lembrar de nós.
Eu quero cinco segundos, porque minha matemática é imperfeita e o tempo é efêmero.
Eu quero os cinco segundos, mas não estes do relógio. Quero os que transformam pequenos instantes em fragmentos de eternidade.
A voz do eu
Um corpo pode ser uma bela e impactante escultura, porém só a alma que é artista nata de contar histórias. O silêncio pode bastar os olhos, para ver a sensual silhueta do som, mas sinfonia mesmo é somente a voz do eu.
É preciso abstrair
Somos seres tão complexos ...
Ironia,
Só obtemos a compreensão por meio da simplicidade!
É preciso abstrair o macro em partes,
Agora tudo faz sentido!
Eu só ...
Eu só queria ter o privilégio de poder contemplar de perto os teus olhos. E não importa a cor deles, castanhos, verdes, azuis ... pode ser até mesmo todos os espectros de cores existentes em toda a ciência óptica. Afinal, a cor que busco não tem tonalidade, mas sim a intensidade, e desejo que no alinhamento dos meus olhos com os seus, transborde a essência transparente do olhar, e que a partir daí as janelas da alma possam se abrir, para deixar passar os raios dos sentimentos, e eis que estes então produzirão um reflexo, que há de propagar e refletir no coração de nós dois, aí ... sim ... quem sabe aí não nos transcendemos em espelhos? E que sempre ao te olhar, pudesse de alguma forma me enxergar, e que sempre quando você me olhar também pudesse te enxergar ... e não seria a transparência deste caminho ponto a ponto, a luz do amor? Quem sabe!
Torno-me feio quando só amo o material. Torno-me execrável quando escolho o financeiro.
Torno-me vazio se só admiro a forma.
Torno-me embrutecido se só essas coisas me fascinam, me encantam.
Ai desses...
Torno-me divino, porém, se amo a essência, se sou apaixonado por ela.
Torno-me livre, espiritual,
Torno-me luz
“No meio do inverno sombrio” part 2
Já estou na escuridão
Sorrir de dia
E nas noite apenas solidão
Sinto-me como um poeta preso na depressão
Acostumei-me ver pessoas morrendo
Mas nunca me conformei em ver meu pai morrendo
Partindo aos poucos
E por fim sumir sem alguma explicação
No meio do inverso sombrio
Meu pai não aguentou morar num mundo de guerra
Preferiu partir e achar a paz
Mas ele se enganou
A paz está na alma de cada um
E mesmo assim eu nunca a achei
Apesar de tudo eu cheguei tão perto
Cheguei tão perto de nunca ter achado a paz
Últimopensador
No Ceará é Terra de Zé
Tem o Zé de Alencar
Foi para Olinda se formar
Na região de muito Zé
Só num é doutor quem não quer
O apelido não é ficção
Um Zé de eterna oração
São José no Ceará é “Padroeiro” de fé
"Nosso pra sempre se acabou, pra mim só começou
Uma nova etapa meu coração banda virou
Só me resta lembrar"
Só não quero que você
Me mantenha hipnotizado
Duvido de tudo que segue pelo o que é mais fácil
Eu me entrego a você
Como uma cidade derruba os muros
Mostrando a realidade da nossa dupla solidão
Somos o que somos e só
Lembranças vem ao ouvir sua voz
Quem dera apenas conformar
O que vem de nós
Desfaz ou refaz os nós
Quem olha só pr'os defeitos
dos outros esempre diz
que se acha um ser perfeito,
que não tem uma cicatriz,
que é belo e que tem saúde,
é um cego pra ver virtude,
pra fazer alguém feliz!
AMOR PERDIDO ...
Depois que tu foste, só depois, da partida
Notei que do manso amor, o meu é sujeito
O grato sentimento da sensação, da vida
E, se tem maior bem, desconheço o feito
Afeto ardente e forte, repleto e perfeito
Que na emoção a conformidade é diluída
Um olhar, afago, gesto com poético jeito
Que na boa afetividade a ventura é parida
Depois do vazio, só depois, me vi corso
Num aperto no pensamento que tortura
Que conquista a mente dando remorso
Não tem preço, amor perdido, só trava
A sede, a inspiração, suspiros, a ternura
Tu foste! esvaindo o mimo que me dava! ....
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
13/01/2021, 19’18” – Triângulo Mineiro
AMOR QUE NÃO TEM PREÇO ...
Depois que ti vi, só depois, razão na medida
Notei que sentiria amor que não tem preço
A poética maior do mundo, poesia da vida
E, se já apreciei algo igual, eu desconheço
Ardor feliz e casto, sentimento espesso
Abraço e a sensação na emoção diluída
No fiel olhar, cujo o bem e único apreço
É ser, sonhar, numa harmonia incontida
Depois que ti vi, só depois, eu entendi
Como é bom ter o coração na ventura
Invadido pela paixão, depois que ti vi!
De ter, junto a ti, o tal desejo que aporá
A felicidade, os beijos e a doce ternura
Na simpatia do amor amplo que me dá! ....
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
24/01/2021, 07’56” – Triângulo Mineiro
A gralha, tagarela como ela só,
gritava na floresta :
"Ninguém canta mais bonito que eu".
Uirapurus, rouxinóis e pintassilgos, cujos cantos são maviosos,
se apiedavam do seu agir.
Hipnotizada pela própria vaidade
não percebia que é importante gostar de si,
mas jamais se acreditar melhor que todo mundo.
A pobre Gralha esqueceu-se que a vaidade em excesso é o caminho mais rápido para a solidão
e foi deixada gritando sozinha...
Teria muito que aprender.
Cika Parolin
CARNAVAL, só que não ...
A turba dentro de casa, privado carnaval
Em tempo da peste, calma é a rua a fora
Marchinhas e dos blocos nenhum sinal
É o mascarado de uma troça que chora...
Silêncio na rua até que venha a aurora
O surdo do samba, num gemido final
Apavora a inação, tomou conta agora
De toda folia e, não vai ter Carnaval!
Quieta a colombina, toda alva de cal
Pierrô chora, e teus olhos tão baços
Sem os passos é, não tem carnaval!
Os quatro dias ausentes de cortejo
Passistas fora dos seus compassos
Fica pro ano que vem, o folião beijo!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
14/02/2021, 06’46” – Triângulo Mineiro
