Poemas Nordestinos
Nas primeiras chuvas,
de dezembro e janeiro,
a alegria chega cedo;
o sertão se enche de fartura:
milho, feijão, macaxeira,
abóbora madura.
Quando se vê o relampejo,
Do céu a certeza a seca fica por derradeira,
dando lugar à mata verde,
esperança do sertanejo.
Chuva no sertão
O sertão vive cheio
De lamúria e de dor
Pela falta de chuva
Que some sem dar cor.
Mas quando ela cai
Sem avisar a ninguém
É uma alegria geral
Homens e animais também.
Cantam pássaros e cigarras
Movem-se pra lá e pra cá
Toda a mata se envivece
No sertão do Ceará.
Todos saem correndo
Ficam a se admirar
Criançada sai pra rua
Para um banho tomar.
As árvores se balançam
Como se fossem dançar
Sapos coaxam e pulam
Dá gosto de arrepiar.
SERTANEJO FORTE
Sob o sol ardente do sertão vasto,
Vidas resistem no calor nefasto.
A terra seca, chão de batalha,
Que o povo abraça, enfrenta e trabalha.
Na dureza do solo, desponta a esperança,
É no suor do rosto que brota a confiança.
Homens e mulheres, de fibra, valentes,
Carregam nos olhos histórias latentes.
Quando a chuva cai, milagrosa e rara,
O solo se renova, a alegria dispara.
A terra fértil transforma-se em festa,
Floresce a vida, a natureza se manifesta.
No sertão árido, o verde renasce,
O coração do nordestino se aquece.
E entre risos e preces, o sertanejo forte,
Celebra a vida, dança com a sorte.
Ai, que saudades que eu tenho do sertão
tinha um ranchinho
hoje não vejo mais nada
Ai, ai, meu Deus
quanta dor, quanta aflição
êêê, quanta saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado
Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado
Ai, que saudade eu tenho da minha boiada
pega de boi
da minha vaquejada
do meu chapéu
do meu facão
do meu gibão
Ai, que saudade que eu tenho do sertão
Tá tudo novo, tá tudo modernizado
Coral: tá tudo novo, tá tudo modernizado
SERTÃO
O sertão é candeeiro
É silêncio, calmaria
É ajoelhar na igreja
É rezar Ave Maria
É ouvir o passarinho
É andar devagarinho
É tudo o que eu queria
Voa, minha poesia
Passarinho do sertão
Leva o sopro da palavra
Nas asas do coração
Cruza rios, corta o vento
Faz do verso o firmamento
Da minha inspiração
O Sertão Dentro de Mim
O sertão que eu trago
não tá no mapa
ele mora em mim
nas partes em que a palavra
não cabe
onde o silêncio
diz sim
Tem dia
que sou chão rachado
pedra dura
pó e calor
onde a lágrima
não escorre
mas queima
o peito
e a dor
Mas foi na seca
que eu vi brotar
meu fio d’água
escondido
milagre pequeno
e teimoso
me mantendo vivo
Já tive sede de afeto
sede de mim
de abrigo
mas aprendi
com o deserto
que a falta
também é amigo
O sertão que vive em mim
é duro
mas quer crescer
porque o amor
que nasce da dor
ninguém mais
pode deter.
Carina Gameiro
MEU SERTÃO!
No sertão das minhas viagens
revelando os escombros da noite
pecaminosamente escondido
na aridez dos meus sofrimentos.
Entre folhagens ao relento
gotejando lágrimas na lama
selando meu corpo na terra
gerando um novo destino.
Olhos perdidos ao longe
perto do horizonte laranja
rubro as vezes do sangue
fervendo nas minhas veias
pulsando forte meu coração
sem direção , sem dimensão...
somente traçado no olhar
viajando pelo infinito
dos mistérios fascinantes
que me levam nessas viagens
na imensidão das fantasias
onde me encontro no sertão
pactuando um doce regresso
nas margens dos milagres
onde o amor faz moradia
regando o suor do meu rosto
na harmonia do céu e terra
que habitam meus sentimentos
da semente que há de brotar
germinando um novo amanhecer!
AUTOR - JOÃO BATISTA BARBOSA
Sertão
No sertão de terra seca,
onde o sol abraça o chão,
moram corações cheios de amor,
fé, coragem e gratidão.
Aqui se aprende o valor
dos mais simples detalhes da vida;
de uma sombra generosa,
de uma chuva tão aguardada e querida.
Quando as águas enfim chegam,
como bênção vinda das mãos de Deus,
o verde domina a paisagem
e renova os sonhos seus e meus.
Ao olhar os pássaros do céu,
lembro do que Cristo ensinou:
se Deus cuida de cada ave
e jamais as abandonou,
quanto mais seus filhos amados,
que Ele mesmo criou.
É terra de espera e esperança,
de oração feita com devoção,
onde se aprende a confiar
no tempo e no agir do Divino.
Terra que amo profundamente,
que guardo com orgulho e afeição;
não a troco pela correria
da selva de pedra da cidade, não.
Prefiro o cheiro da terra molhada,
o canto livre da passarada ao léu,
pois no sertão encontro a paz da alma
e a presença de Deus sob o mesmo céu.
LUZGIRASSOL
No sertão da Paraíba,
onde o mandacaru vigia,
nasceu uma linda donzela
feita de encanto e poesia.
Chamaram-na Luzgirassol,
nome de ouro e claridade,
mistura de flor e estrela,
de beleza e suavidade.
Tem os olhos da manhã
quando o sol vem despontando,
e um sorriso tão sereno
que faz a seca ir passando.
No jardim onde ela mora,
entre rosas e alecrins,
parece um girassol vivo
enfeitando os seus caminhos.
As abelhas a cortejam
com seu canto laborioso,
vendo nela o doce néctar
de um destino venturoso.
Os passarinhos do campo,
do canário ao corrupião,
fazem festa em sua volta
como num grande mutirão.
Obra da mão da natureza,
mas também do Criador,
que moldou sua presença
com ternura e muito amor.
Quando passa pela estrada,
o vento muda de tom;
até a sombra das árvores
quer seguir seu caminhar bom.
Privilegiado será
aquele que ela escolher,
pois em seu jardim de afetos
há sementes a crescer.
E dos frutos desse encontro,
regados por devoção,
florescerão novas vidas
como espigas no sertão.
Luzgirassol é assim:
sol que nunca perde o brilho,
flor que transforma a paisagem
e ilumina cada trilho.
No sertão paraibano,
entre a terra e o firmamento,
vive essa deusa de luz,
girassol do sentimento.
O Sertão que ninguém conhece!
— Todos dizem conhecer o Sertão sem ao menos saber o significado de Sertão.
E continuam andando perdidos pelo mundo.
Até que um cacto o sirva como a única fonte de água para beber •
As Cores do Sertão do Apodi
O azul das águas de nossa lagoa realça o cinza da caatinga;
O verde de nossa vegetação contrasta com a epiderme dos povos originários;
O chumbo de nosso lajedo suplanta a cal branca de sua degradação;
O amarelo de nossas riquezas enaltece a fartura de nossa região;
A terracota de nossa argila enrijece a luta de nosso povo;
O colorido de nossa fauna sarapinta a miscigenação de nossa gente;
O vermelho do poente incendeia o horizonte de nossa chapada;
O laranja do entardecer aquece os sonhos que resistem ao tempo;
O dourado do sol castiga e, ainda assim, fecunda a resistência;
Nossa água mineral sacia a sede, sustenta nosso lugar e renova as cores vivas de nossa terra.
VERSOS, CONTOS, MÚSICAS E MODAS
No terreiro do sertão,
Nas veredas do luar,
Nasce o verso feito fonte,
Que não para de cantar.
É a cultura nordestina
Que ninguém pode apagar.
Tem poeta e cantador,
Violeiro de valor,
Que transforma a própria vida
Em semente de amor.
Cada rima é uma colheita,
Cada canto, uma flor.
Os contos passam de boca
Como o vento no roçado,
Misturando fantasia
Com um fato acontecido.
Quem escuta guarda a história
No coração enraizado.
As modas de viola ecoam
Pelos campos sem ter fim,
Falam da seca e da chuva,
Do mandacaru e do alecrim.
Cada nota leva a alma
A um jardim dentro de mim.
Tem aboio de vaqueiro
Rasgando a imensidão,
Chamando o gado disperso
Com coragem e precisão.
É a voz do homem do campo
Abraçando o coração.
A sanfona abre o fole,
A zabumba faz tremer,
O triângulo acompanha
Fazendo o povo viver.
Quando o forró principia,
Ninguém pensa em padecer.
Os mestres da poesia
São estrelas do sertão,
Deixam livros e folhetos
Como eterna inspiração.
Cada estrofe permanece
Feito raiz no chão.
O repente é desafio
De talento singular,
Onde dois grandes cantores
Fazem versos sem falhar.
Quem domina a inteligência
Faz a plateia admirar.
Luiz Gonzaga ensinou
Que o Nordeste tem valor;
Patativa fez do verso
Um jardim de esplendor.
Cada mestre deixou viva
Sua marca e seu louvor.
Dos folhetos de cordel
À viola dedilhada,
Dos romances às cantigas,
Da toada apaixonada,
Tudo forma um patrimônio
Da cultura abençoada.
Enquanto houver um poeta
E um cantor para cantar,
Haverá versos e contos
Para o povo recordar.
Pois o sertão nunca morre,
Só aprende a florescer
E em suas músicas e modas
Ensina o mundo a viver.
CANTOS DA CAATINGA
No sertão quando amanhece,
Tudo ganha novo ardor,
Cada ave faz um verso
Ao divino Criador.
Na caatinga a esperança,
Vence o tempo e o dissabor.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Asa-Branca levanta
Num gracioso esplendor,
Levando paz em suas asas
Mesmo em tempo de calor.
Quando canta lá distante,
Renasce em mim o valor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Cancão, inteligente,
Defensor do seu redor,
Com coragem anuncia
Que a vida tem seu vigor.
Seu chamado desafia
Toda sombra e todo horror.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Patativa, rainha,
Do mais puro cantador,
Transformando o chão rachado
Num jardim cheio de flor.
Sua voz parece prece,
Cheia de fé e de amor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Galo-de-Campina,
Vestido de muita cor,
Leva encanto ao sertanejo
Com seu belo esplendor.
Cada nota que derrama
É perfume em meu redor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Sofrê faz seu lamento,
Que parece um trovador,
Misturando a saudade
Com um gesto acolhedor.
Sua voz consola a alma
Com divino resplendor.
Seus cantos aliviam minha dor.
A Rolinha faz seu ninho
Com trabalho e com amor,
Ensinando à humanidade
O caminho do labor.
Sua paz anuncia sempre
Um futuro promissor.
Seus cantos aliviam minha dor.
Bem-te-vi anuncia cedo
Mais um dia promissor,
Despertando o sertanejo
Para o campo e seu labor.
Seu aviso traz esperança
Ao pequeno agricultor.
Seus cantos aliviam minha dor.
O Sabiá da Caatinga
É poeta e trovador,
Faz do galho seu palco,
Da manhã seu esplendor.
Quem escuta sua cantiga
Sente Deus por onde for.
Seus cantos aliviam minha dor.
Cada ave é um tesouro
Que nos deu o Criador,
Guardião da natureza,
Do sertão encantador.
Preservemos essa vida
Com respeito e muito amor.
Seus cantos aliviam minha dor.
PELEJA SERTANEJA
No sertão nasce o guerreiro
Com coragem por bandeira,
Aprendendo desde cedo
A vencer a vida inteira.
Faz da luta seu caminho,
Da esperança, companheira.
Quando o sol castiga a terra
E a chuva tarda a chegar,
O sertanejo não desiste,
Segue firme a caminhar.
Pois conhece que a vitória
Também sabe esperar.
O mandacaru florescendo
É lição de resistência,
Mesmo em solo castigado
Não abandona a existência.
Mostra ao povo nordestino
O valor da persistência.
O vaqueiro rompe a mata
Enfrentando espinho e chão,
Conduzindo o seu rebanho
Com firmeza na missão.
Leva a fé como armadura
Protegendo o coração.
Cada enxada abre sulcos
Na esperança do plantar,
Mesmo vendo a terra seca
Nunca deixa de sonhar.
Quem cultiva com coragem
Sempre aprende a esperar.
A mulher do velho sertão
É exemplo de bravura,
Transformando pouca água
Em riqueza que perdura.
Com amor sustenta o lar
E enfrenta toda agrura.
O poeta faz do verso
Uma espada de valor,
Cantando a vida sofrida
Misturada com amor.
Cada rima é resistência,
Cada estrofe, um louvor.
O sanfoneiro anuncia
Que a tristeza vai passar;
Quando o fole solta o canto,
Faz o povo se alegrar.
Mesmo em tempos de peleja
Sempre existe um festejar.
Quem conhece o sertanejo
Sabe bem de sua fé;
Nunca baixa a sua fronte,
Nunca perde o rumo em pé.
Tem em Deus sua fortaleza,
Sua rocha, sua mercê.
A peleja do sertão
É batalha sem igual;
Mas quem luta com esperança
Nunca encontra o ponto final.
Pois o povo nordestino
Tem coragem ancestral.
Enquanto houver sol queimando,
E um vaqueiro a cavalgar,
Haverá no velho sertão
Uma história pra contar.
Da peleja nasce a glória,
Da coragem, o triunfar.
Música: Brasil, meu Brasil
Verso 1
Do norte ao sul, um só pulsar,
rio, sertão, cidade a brilhar.
Na luta diária, fé que não diminuí,
o povo sonha alto e sempre reluz.
Refrão (2x)
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.
Verso 2
Tem dor, tem riso, tem sol e suor,
tem mão calejada plantando o melhor.
Entre dificuldades e vitórias, seguimos em pé,
Brasil é coragem, trabalho e fé.
Refrão
Brasil, meu Brasil, teu nome é esperança,
na batida do coração, o futuro avança.
Chora o sertão
No sertão, a chuva forte despenca,
Cortinas de água dançam, se entrelaçam em pencas...
O céu azul, em contraste, se estende,
Nuvens pesadas silenciosas, como segredos que sussurram entre si e se entendem.
A terra sedenta, em êxtase, agradece,
cochichando promessas de vida e renovo...
As folhas vibram com cada gota que desce,
Um milagre sutil, um amor renasce completamente novo.
Os pássaros cantam, festejando a clemência...
Nos riachos fios de água dançantes refletem o brotar de nova alegria...
O chão, antes árido, agora em essência,
recebe a bênção que transforma a secura em terra fértil em florescência.
Da dor à esperança, o ciclo se completa...
Coração do sertão, pulsando em harmonia,
Na dança da chuva, a vida se propaga,
E em cada gota, a natureza se transformando na mais pura poesia.
Festa Junina
Prá dançar quadria no sertão é mais mió
sanfoneiro e violeiro tomam conta do forró
não precisa orquestra pra animar a festa
o fungado da sanfona vai-se até o nascer do sol(bis)
Piriri piriri piriri
Toca o fole na palhoça
piriri piriri piriri
como é bom São João na roça(bis)
No recanto
O vento quente do sertão
varre a alma cansada,
E a ansiedade aperta
o peito como corda de viola.
O homem sente
o mundo pesado nos ombros,
E a esperança parece distante, escondida no céu de brasa.
Mas chega uma palavra doce, feita de calma e cheiro de terra molhada,
Um sussurro que floresce entre
o juazeiro e a laranjeira.
O coração se abre,
desata o nó que sufoca,
E a vida volta a dançar
na batida lenta do luar.
No recanto da paixão,
o olhar se encontra,
Mãos trêmulas se entrelaçam,
tão simples e certeiras.
O medo se dissolve
na música das palavras,
E o amor cresce no silêncio
que fala mais que tudo.
Ah, sertão que ensina
a alma a resistir,
Entre seca e chuva,
entre dor e sorriso.
Uma palavra bondosa
é a chuva na rocha,
E o coração do homem
volta a cantar seu próprio destino.
