Poemas Líricos
"Eu não escrevo para este tempo. Este tempo não é lírico! Na esperança de que haja uma geração que cresça com poesia no coração, a estes escrevo"
Na tela do cinema da esquina, já se viu esse filme antigo, de um multicor lírico com tons de pura boemia.
Ando cada vez mais impaciente. Mas minha impaciência vem se transformando em abstracionismo lírico poesias e arte. muita arte.
Os últimos devaneios não me caberiam assim tão épicos líricos. A cada gota que me faço, desfaço-me em migalhas, aquelas quais espalhei pelo chão para saber o caminho de volta a casa, regressar não vem ao caso. De cretinices em cretinices aquelas quais diluo-me em prazeres impudicos fodidos e mentirosos de outrem, encontro-me cheia de más intenções e discursos vazios - a felicidade cheira a shampoo barato. Chamaria plenitude se vago não fosse o emaranhar das línguas de mesmo sabor e textura - sabe, não há atrito. Desconfio que só ele ame minhas insanidades e as aprove e desfrute como se fossem saborosas feito mel. - Não me julgues assim, não podes desejar-me tão apaixonada. - Estive a pensar nisso “minhas últimas utopias ainda me batem forte a cara” e quando menos percebi, estava a criar peixe nos olhos. Recordo que enquanto dormia eu desenhava palavras de amor invisíveis no corpo dele. Eu o tocava naquele espaço grandioso que era meu futuro na constelação de pintas de seu ombro. Mas ele não entendia os meus signos. E de repente eu não me basto, há tempos nos despedimos sem tom de fim. Faz alguma diferença eu tentar explicar? Preciso de mim, dele, de nós, não sei, preciso. De nós, aquele nós que nunca foi a gente. Eu, então, faço-me inverno, declaro-me Sibéria.
Eu sou incontestavelmente lírico, amo com muita intensidade, mas consegui controlar um pouco o sofrimento que o amor pode causar, o segredo é saber dosar. Culinária dos sentimentos! Acredito que muitas feridas já se tornaram cicatrizes, elas ficaram ali marcadas, como num texto sublinhado, palavras em caixa alta que são impossíveis de esquecer, são palavras-chave. Mas guardo tudo dentro de uma caixa, as coisas boas eu rego pra quem sabe um dia floresça, e eu vou estar ali, pronto, sem nenhuma cobrança, ou imposição. Até porque se o outro se redimiu ou reconheceu, este não precisa mais de ser apontado, ele já se apontou, me cabe apenas mostrar a partir de agora o quanto eu tinha pra oferecer através de atos. O que me dói é saber que eu posso regar isso por toda uma vida e não ter o devido reconhecimento, talvez nesse caso seja melhor dar esse prêmio a outra pessoa que você ainda não enxergou você simplesmente não se permitiu.
Dizem que ainda consigo contar uma desgraça com muita graça, mas tem o lado lírico de tudo, e contar sem graça
uma coisa ruim não vejo graça alguma e tristeza já e tão sem graça porque fazê-la mais sem graça?
O problema, o meu maior problema em escrever é que o meu eu lírico é muito depressivo e quando eu começo meu processo criativo, eu fico depressiva.
Sonhei ser poeta lírico, mas nunca tive lhaneza nem néctar que exala o perfume das rosas; nunca mergulhei nas profundezas de um belo arrebol, nem ternura para fazer jorrar a pureza primaveril, nunca tive a efervescência que espalha amor e encanto de um lindo chilreio de pintassilgo.
No silêncio da madrugada o poeta lírico extravasa sentimentos de ternura, jorra agudas reminiscências exuberantes das coisas boas do Vale do Mucuri, dilacerando o coração dos apaixonados pelas emoções de outrora.
Fantasiei nós dois no incessante exercício de pisar no real,
sou o eu lírico do meu mundo irreal ideal.
Mesmo que a minha voz não produza o som lírico dos anjos. Ainda sim, louvarei e glorificarei a Ti com meu coração.
Teu sorriso é um instrumento lírico e conseqüentemente um dos mais cobiçados! Fico me perguntando como ter e viver essa intensa alegria.
Éramos mais de um. Nunca estive só. Estávamos sempre em sintonia. Que seria de mim sem meu eu-lírico? Que graça teria uma vida sem que eu pudesse narrar, desenhar, interpretar? Estive em completa ilusão, em completa solidão até me encontrar em uma folha de papel. Pude então saber mais sobre mim. Pude mostrar mais sobre mim. Cá comigo, meus pensamentos, meus desejos, minhas invenções e uma insaciável vontade de escrever.
É verdade, que entre o meu eu lírico e eu, abriu-se um abismo. E na tentativa de nos entender, percebemos que há também entre nós, um moinho. Este, alterna-se com o abismo. E entre a distância -entre nós, e o moinho que nos mistura, estão os mais eloquentes versos.
Em meus devaneios poéticos, sempre ouço meu eu lírico dizer: _Toma mais esta dose de versos, que passa!
Estou em constante conflito. Quando o "eu" lírico afronta e supera o "eu" biográfico, a tensão diária que condiciona minha vida, torna- se mais afável. Viver no mundo da objetividade facilita a praticidade das coisas, mas o que encanta a mente humana reside na relatividade do seu modo de ser, e está presente em tudo que alimenta todas as emoções.
250823
