Poemas Góticos de Amor
Não pude ver os seus cabelos virarem algodão ,nem sua pele se tornar uva passa...
Não pude te escutar resmungar...
Eu queria um pouco mais, de tempo, mais alguns curiosos anos ...
Vais ser a eterna morena em minha mente.
A velhice não te conheceu,e sua vida escorregou entre os dedos da morte , pois eras como um balão , cheia de fôlego!
Agora mãe querida, brilhas apenas no meu céu...
Dedicado á ROSA ELISA FERREIRA DE CAMARGO
A frieza e a indiferença me invenenam, onde estão os verdeiros e autenticos sentimentos?
As pessoas perderam ou simplismente não se importam.
Eu não sei se choro ou simplismente, finjo que sou forte.
Sem medo da verdade, sem susto com a idade.
Sem maquiar as rugas nem as rusgas.
É hora de ser frágil como o passar do tempo.
Sem nenhum lamento de ser ou de estar,
Ou de não ser, nem de estar.
Por isso mesmo, tem que ser forte,
desafiando a morte, até a morte chegar.
Tudo passa. Até as traças.
Tudo passa, até as desgraças...
Tudo passa.
Menos as graças.
Se segue em frente
cegamente
sem cuidado, esbarrará
ou cairá em um buraco
precipitado, guiado, desenfreado
corre quando está ameaçado
em seu caminho existem muitas suposições
incertezas e omissões
talvez a outra pessoa
que você esqueceu que é
nunca mais volte
na cidade existem muitas pessoas mas
nem todos são humanos
se tiram vantagens são.
se não tiram , não.
se confia profundamente,
cegamente
em tudo que eles dizem, então eu terei pena
do que farão com sua alma
confuso, decepcionado, vulnerável
julgado e crucificado
em seu caminho existem muitas intervenções
desprezo e desdenho
talvez a outra pessoa
que você esqueceu que é
nunca volte
na cidade existem muitas pessoas mas
nem todos são humanos
se tiram vantagens são.
se não tiram , não.
4 - Reflexo
Indago à parede
O sentido da vida
A parede reflete
Alguma ferida
Remendos e ligas
Sob a luz negra
Ou colorida
Tolice,tolice
A tristeza da vida
Vida passada
Às pressas,corrida
E aquela alegria
Que pena,esquecida
Lá na memória
Ó nostalgia
Confusa e fosca
Na alma perdida
Perdida por quê?
A parede sorria.
“Cemitério”
O véu negro da noite caiu sobre o enorme campo de construções sombrias e elegantes,
A luz gélida da lua cheia iluminava pouco o enorme jardim das lápides.
Lugar silencioso.
Para muitos o destino final,
Mas não para o viajante.
Vestido de negro e deitado sobre o túmulo enquanto observava o céu estrelado.
Ele não tinha medo da noite, nem dos mortos.
Para ele, aquilo era apenas um lugar silencioso e calmo,
Para refletir e pensar.
Seria um dia sua casa?
Não!
Naquelas paredes tantos rostos que um dia foram alguém,
Hoje são apenas lembranças na memória de quem ficou.
E em pouco tempo nem isso sobrará.
Você só morre quando ninguém mais lembra de você.
Caminhando entre as lapides vejo tantos rostos sonhadores.
E fico imaginando,
Quantos conseguiram realizar seus sonhos?
E o quanto importa seus sonhos agora?
Estão todos no mesmo lugar.
Mais iram acabar ali?
Doía-me toda vez que ela
Me perguntava se eu
Estava bem, e eu tinha
Que mentir dizendo que sim
Para não deixa - lá preocupada
E poupar explicações.
Olho-me no espelho e vejo o medo.
O que eu fiz para merecer isso,
O que eu me tornei, vejo que eu virei
O que eu mais temia.
Senhor, me dê forças.
Um dia meu coração foi quebrado em vários pedaços.
Segui outro caminho e perdi meu sonho.
Não aguento mais fingir que estou bem. Quando, na verdade, estou morta por dentro há muito tempo.
Não quero mais ficar em um lugar que eu sei que não sou feliz, e nem quem tá comigo.
Quero minha vida de volta.
Lutar? Cansei.
Por onde eu tenho andado?
Teria eu vagado temorosamente pela solidão ou caminhado calmamente pela solitude?
Exatamente neste momento, há um enorme silêncio, tranquilidade e paz que tomam conta do meu ser. Não sinto falta de nada e de ninguém. Me sinto pleno.
Sim, estou em solitude!
Felicidade
Essa senhora que insiste em nos perseguir. Em nos deixar esperançosos e ao mesmo tempo frustrados.
Muitas vezes com dúvida sobre sua própria existência. Seria utopia? Apenas um motivo para nos fazer girar a grande engrenagem da vida e fazê-la ter algum sentido? Quem sabe?
Ela que nos aparece em seus mais diferentes disfarces. Disfarces estes criados, imaginados por nós mesmos. Em nossa ridícula vontade de a encontrar, de a ter. De poder esbravejar aos sete ventos que "somos felizes". Pura demagogia com nossa alma e ego. Apenas fatalidade de algo que criamos para os outros e que simplesmente não existe. Tristeza de uma alma pobre e que necessita de um falso combustível para continuar a viver.
Se te prendes ao presente das coisas cotidianas
Te iludes,te enganas
Nesta falta de projeto
Chega a ser um retrocesso,
Não pensar no futuro.
Desse abismo escuro de inautenticidade,
Te arranco quando mostro a fatal realidade.
Só há vida porque há morte.
Parece devaneio, mas te mostro sem receio que caminhas para lá.
E sendo lá destino certo
Um ser para a morte nasce
E antes do desenlace
Agita-se, caminha, corre
O tempo já escorre por entre os dedos das mãos.
Tomando de mim ciência,
Não pereces na inércia,
Pois a morte te apressa a uma atitude tomar.
Diga aqui, pense o futuro
Jamais fique no escuro de uma vida a contemplar.
"Vejo vidas vazias; Preenchidas de ilusões... Porém, reais em mundos objetivados fora de si.
Vejo olhares sedentos de vida; Saciados em 'sepulcros humanos' carentes de cadáveres que ainda respiram.
Vejo desejos de eternidade; Realizados em deuses de origem humana.
Vejo o Ser carente de amor; Clamando por "migalhas" de afetos mesquinhos de quem nunca amou.
Vejo pessoas sozinhas; Felizes assim, porém, sonhando outra realidade...
Vejo algo que ninguém vê; mas sente; acha estranho; vive e não quer conhecer, porque tem medo da própria realidade.
Vejo sonhos e medos; Medo do inesperado, do imprevisível... E sonhos de não-ser-o que-se-é... ou de nunca ser modificado...
Vejo o Início e o Fim; Alguns já se foram mesmo estando aqui e outros ainda não chegaram, mas já não existem.
Apenas veja como num espelho que não reflete mentiras.
Veja e serás visto.
OUTRO LADO
- Oi, moço. Uma informação por favor... a loja que ficava aqui ao lado fechou?
-Não, minha senhora. Só mudou pro outro lado da rua.
-Hã? Como assim?! - perguntou enquanto olhava pro outro lado tentando enxergar o que procurava - Acho que você não entendeu a pergunta... A loja que ficava aqui ao lado fechou, não foi?
- Sim. Fechou aqui e reabriu do outro lado. Está logo ali. Bem de frente. Basta a senhora atravessar a rua.
Ela olhou mais uma vez pro outro lado. Desta vez mais demoradamente... Me pergunto se talvez o hábito, a tradição e o costume a tenham deixado desconfortável em aceitar mudanças e se isso, de certa forma, a tenha cegado (ou pelo menos limitado sua visão).
Incapaz de enxergar a realidade, não atravessou a rua. Simplesmente agradeceu e foi embora balançando a cabeça lamentando a loja ter fechado (e possivelmente ponderando a integridade de minhas funções cognitivas e estabilidade mental).
"Moço doido"
Acontece o tempo todo.
E não apenas sobre lojas.
Os dias sombrios existem pra que possamos valorizar os dias de sol.
As noites escuras e longas...pra que apreciemos com zelo e admiração o nascer do sol.
As sombras existem pra dar vida à luz...
Nada nem ninguém existe por acaso.
Ninguém nasce desprovido de algum dom.
Descubra o seu...
E use-o ao máximo...
Ele é importante !!!
Na hora certa de chorar
Faltam as lágrimas, e sobram as palavras
E nas horas de falar faltam palavras
E sobram as lágrimas...
Soneto do último suspiro
Tem horas que vejo a faca
E a faca me vê
Morrer agora
De vez em quando é vencer
Tem horas que me vejo diante dela
E ela se vê vindo
Entregar-se a ela agora
De vez em quando é treguar
Mas do que adintou tudo então
Eu não irei vencer assim
Eu irei prevalecer, bem mais tarde
Mas do que adiantará lutar tanto então
Eu não irei apaziguar assim
Eu irei mostrar, bem mais tarde, que eu criei
Nota sobre ela:
Ela está cansada de carregar fardos árduos na vida. Cansada de acreditar nas pessoas. De depositar confiança em que não merece se quer sua atenção!
Nota sobre ela:
Ela sempre foi do tipo que guardava sua dor no bolso para cuidar do outro. Mais quando precisava estava sozinha sem ninguém para lhe ouvir, para lhe trazer calma. Ela tem se visto sozinha.
