Poemas Góticos de Amor
O que seria a grande massa se não uma imensa concentração de ingênuos?
Se rotulam diferentes como inúteis já é de se imaginar a mentalidade presente em tais pessoas.
Tanto criticaram a hierarquia medieval mas continuam a exercer a mesma prática
Constantemente presenciando tanta desgraça
Eles apenas dizem"vai lá e faça"
Como se eu fosse um animal
Que vocês escolhem pela raça.
Apenas mais um dia
O que virá? Penúria? Alegria?
Seja o que for espero que eu não sofra
Nessa cama de pregos fico preso a noite toda
Sangrando amargamente
Demonstrando que sou insuficiente
Caindo em um poço sem fundo eminente.
Olhando de minha janela vejo pessoas
Todas padronizadas caminhando igualmente
Seres controlados seguindo seus dogmas
Priorizando sempre suas próprias normas
Escondendo suas asas pois são parasitas
Que sempre vivem famintas
Se alimentando de diferenças
Se apropriando de crenças;
Por que tudo isso?
Será que esse foi o resultado da "evolução" ?
De toda maneira ainda vejo o horizonte
Um horizonte de decepção
Um mar sem vida
O remédio que não cura nenhuma ferida.
Tudo tão repetitivo
Tudo tão nocivo
Furando minha pele para ver se ainda vivo
Buscando no mapa como saio desse labirinto.
Quando digo: um dia superarei tudo
É uma falsa esperança?
Um desejo incompreendido de uma criança?
Fica difícil raciocinar
Quando no seu peito há uma lança.
Profano Tempo:
Há um inimigo meu
Um ser que nunca se cansa
Eu incompleto e ele pelo contrário, se esbanja
Você nunca serás meu amigo
Para mim um eterno conflito
De você eu nunca serei conivente
Prefiro morrer de amargura à ser seu assistente;
Pergunto-me as vezes
Por que és tão insistente?
Se de mim já arrancaste tudo
Tirou minha vida e me deixou em luto;
De você tenho o ódio mais profano
Quero que se acabe o mais breve possível
Pena que és eterno, um eterno inimigo.
Para mim já não resta nada
Você me deixou na chuva sem morada
Levou meus amigos e meus momentos
E ainda deixou as lembranças a meu tormento;
Passa devagar mas leva tudo consigo
Arranca meu coração e me fura com vidro
Não sei se darás ouvido
Mas de você guardo muito rancor
Congelou-me e nunca ofereceu calor;
Nunca vencerei você mas eu sempre tento
Para meu maior inimigo
O tempo.
Em meio a uma vastidão
Se encostra alguém em profunda solidão
Que aparece somente as noites
E presencia tantas mortes;
A lua é triste
Ela queria ser uma estrela
E de todas ser a mais bela
É este seu sonho a todo momento
Ser mais do que mais uma passagem do tempo.
Imprevisivelmente transparente
Um livro parcialmente aberto
Com páginas fora de ordem
Algumas palavras sem significado
E muitos rabiscos sem tradução
É difícil me explicar
Ainda mais me entender
São muitas as antíteses e paradoxos
Que compõem a metáfora do meu eu
Olho para o lado e vejo alguém que nunca vou me tornar.
Olha para cima e imploro.
Me viro para frente e recuo, desisto e fujo.
Corro para trás, volto para aquilo que nunca vou deixar de ser.
A garota insegura, quebrada e fraca que sei que sou.
Sei que é bobo sofrer por isso, mas é mais forte que eu. Posso lutar e lutar, mas quando acho que tenho uma barreira firme, um simples ato destrói tudo. Me faz virar cacos e mais cacos de nada. Não adianta, ninguém pode me salvar.
Ninguém...
Ninguém...
NINGUÉM.
E a vida continua ...
As cores, os amores,
Dissabores, frustrações
Personagens criados
No cenário real
Que triste ilusão!
Amores que não transbordam
Luz que não transforma
Triste adoração do ego
Em um retrato prolixo
Da vida real
Prefiro viver!
Construir um livro
Cenas reais cotidianas
Dias de frio e calor
Na montanha russa da vida
Olhar o espelho todos os dias
Buscar a paz e a leveza
Reconhecer as rugas que ficarão
Das histórias contadas sem medo
Ver a justiça no tempo
Deixando a chuva cair
E o sol aparecer
No prazer em permanecer
Sob a luz da verdade!
Tão distante, parece o fim
A marca perpétua e árdua da vida
Deixou de lado toda alegria e emoção
Machucou infinitamente a superfície
Depois cravou o fogo sobre o sangue
A dor da chama quente ardente
Muito maior que a perda da própria vida
Não pode ser mais curada
Todas as feridas permanecem abertas
E somente a morte pode salvar da dor
Quando a gente morre, acabou
Você deixa saudades por um tempo
Mas então, o tempo passa
As pessoas que mais se comoveram morrem
As que não se comoveram tanto, esquecem
E você já não mais é uma lembrança
Cemitério de lágrimas
Olho para todos os lados
Mas só consigo ver
Um cemitério de lágrimas
Que continua a crescer.
Rostos pálidos e abatidos
Como se estivessem de luto,
A doença de todos é a solidão
Isso parte meu coração.
Todos destruídos
Com o corpo machucado
Nem o melhor profissional do mundo
Consegue curar esses machucados.
Ninguém pode curar
Por que a ferida é na alma
Se fosse superficial
Existiria um resultado.
Mas infelizmente não é assim
Estão todos com a alma quebrada,
Inclusive eu
Que faço parte desse triste cenário.
Zona de Conforto
"A grande hipocrisia deste modo de vida estático é querer receber melhores condições laborando as mesmas atitudes e pensamentos. É querer a aplicação da justiça e da meritocracia, produzindo o mesmo de sempre esperando que o próximo, o qual se dedicou, aprendeu novas técnicas, ousou aperfeiçoar os métodos, receba menos que você. Se você é uma pessoa que pensa e acha que deve ser assim, vá agora para um espelho, xingue, esbraveje e faça pirraça. Depois tome um copo d’água, respire fundo e ainda diante do espelho, saiba que se o mundo é mau, um dos responsáveis está ali diante da lâmina de vidro, metalizada na face posterior e cuja face anterior reflete a luz e as imagens que você vê."
Trecho do livro Ensaios de Angústia, autor Thiago Silva Oliveira (edição independente 2020)
#TH_Historiador, #TSO, #Mundo_Hipocrita (Redes Sociais)
Sou ventania forte,
firme em meu norte,
dona do meu querer.
Há tantos sigilos em mim,
meu todo é inesgotável.
Eu nunca aceito esmolas,
quebro grades de gaiolas.
Costumo me repaginar,
tenho o dom de ressurgir
pós-morte,
de modificar minha sorte.
Sou fogo incandescente,
livre e intensa como fênix.
Pedaço de estrela caída ao chão.
E cada um terá de mim uma versão.
Não reze pro teu anjo,
Ele é só um e voa livremente,
Reze pros teus demônios,
São muitos presos em sua mente.
Eu encaro a noite que habita em mim, vislumbrando as nuances dos sentimentos que nem sempre são belos. As vezes, cansada de temer ser humana, me pego pensando se o medo de encarar meu abismo não é só uma face de tudo o que me faz um ser humano normal.
Eu tenho medo de assumir minha imperfeição, e por vezes me cobro com a respiração falhando. Eu tenho medo do egoísmo que as vezes fica bem abaixo da pele, da raiva que tento manter enjaulada, da revoltada que não quero decifrar. Tento somente ser uma pessoa boa em um mundo que nunca foi bom comigo.
A ansiedade me sufoca de tanto que sinto medo...medo de ser humana.
Ah doce garota achará, que despir-se era...
Ter de ti suas vestes tiradas.
A vida lhe mostrou,
que ficará nua estando vestida,
que mostrar-se,
é abrir o peito,
é transcender o lógico,
é desarmar-se,
é entrega-se ao inserto...
E assim despida pela alma,
terá em suas mãos...
Um pássaro, preso em uma gaiola...
Que canta a triste canção,
de não saber sobre liberdade
de não saber o prazer de ter o vento,
batendo em suas assas...
Pobre pássaro,
que não sabe se um dia terá essa tal liberdade...
Garota,
essa canção do triste pássaro lhe soa familiar?
Seu despir-se é esse cantar...
Não vista-se...
O que de mais lindo tens está em seu despir,
antes mesmo de ser tocada.
