Poemas sobre o Silêncio

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A mulher que nunca foi amada


Ela aprendeu a se vestir de silêncio,
a sorrir sem pedir colo ao mundo.
Guardou o coração como quem guarda uma carta que nunca teve endereço, e mesmo assim continuou acreditando que o amor saberia chegar.


Nos olhos, mora um pedido antigo,
desses que não fazem barulho.
Ela ama com cuidado, ama inteiro,
mas sempre por dentro,
como quem tem medo de quebrar o pouco que restou de esperança.


Um dia, alguém vai enxergar
o amor que ela sempre foi.
E quando isso acontecer,
não será sobre salvar
— será sobre reconhecer
que até quem nunca foi
amada sempre soube amar.

Voz que se cala…


Voz que se cala não é silêncio,
é medo de transbordar sentimento.
É o coração falando baixo,
pra ver se o amor entende no vento.


Voz que se cala aprende a amar
com os olhos, no detalhe do gesto,
no quase toque da mão.
Diz tudo no intervalo do suspiro,
onde o desejo mora sem pedir permissão.


Mas quando essa voz cria coragem,
o mundo inteiro parece ouvir.
Porque amor guardado vira eco,
e eco…
sempre encontra um jeito de existir.

O Eco do Silêncio Cósmico
​A televisão estava ligada, mas meus olhos vagavam por outro lugar. Na tela, uma cientista começava a relatar os primeiros resultados do JUNO, o colossal detector subterrâneo na China criado para caçar a partícula mais esquiva da física: o neutrino.
​Foi então que o tecido da realidade pareceu afinar. Antes mesmo que as palavras saíssem da boca dela, minha própria voz ganhou vida. Eu não estava apenas prevendo o que ela diria; eu estava ecoando, palavra por palavra, em um sincronismo milimétrico e bizarro. Falei sobre dados enigmáticos, anomalias que desafiam o Modelo Padrão e o vislumbre de uma nova física.
​Não foi um déjà vu comum — aquela sensação tardia de que "eu já vivi isso". Foi uma precognição em tempo real, um fork na linha de processamento do meu próprio cérebro.
​A ciência tradicional chama isso de speech shadowing, um reflexo ultraveloz dos neurônios-espelho capturando padrões. Mas ali, diante da notícia de uma máquina desenhada para capturar fantasmas subatômicos, a explicação puramente biológica pareceu incompleta. Naquele exato segundo, enquanto minha boca replicava a fala da cientista, bilhões de neutrinos reais atravessavam o planeta, as paredes do meu quarto e as sinapses do meu cérebro na velocidade da luz.
​Se o universo é, na sua definição mais profunda, um gigantesco banco de dados feito de informação pura, o que eu experimentei foi uma brecha no sistema. Uma sintonia instantânea com o espaço-tempo, onde o fluxo linear do tempo vacilou por um milissegundo. Como um neutrino que cruza a matéria escura sem deixar rastros, aquela informação apenas passou por mim. Eu não adivinhei o futuro; eu apenas li o código do presente um instante antes de ele ser rodado pelo resto do mundo.

Silencio..
minha alma chora.. grita.. implora..
vc ainda me faz falta..
vc ainda me provoca.. me toca..
e mesmo que tudo a sua volta te faça esquecer..
eu estou disposta.. a fazer vc lembrar..
que sou especial... importante..
que sou a unica, a tal.. a tua..
que sou a mulher de tua vida.. tua amada..
tua metade...

Só se perde quem não se permite encontrar.
Se encontrar no silêncio que grita e que na porta bate.
São eles, os egoístas do eu e aqueles bastardos que vivem no interior descontente que aprisiona a vontade de ser. As barreiras sempre estão ali, rompê-las é o empecilho maior, há quem diga que se perder e se encontrar é tão igual como amar e odiar e assim a história se repete num compasso em que todos estão presentes mas poucos conseguem se encontrar.

Silêncio profundo


Depois de tudo, sigo firme na estrada...
Apesar de tudo, minha alma não é segue calada.
Vou tentando rimar meu canto no vento, na brisa, no vai e vem de uma aragem sutil...
Nesse voo rasante, sem medo, sem lamento... sigo passo a passo na minha estrada.
Aqui não há distâncias, só olhares que brilham no lusco fusco do amanhecer...
Novos horizontes onde os sonhos cintilam... e se esforçam para nascer e firmes e fortes vivos permanecer...
Corpo abandonado, leve a flutuar,
deixo-me planar, além do pesar.
Liberta e solta, entre nuvens a flutuar,
minha voz encontra o mar para nele totalmente se espelhar e se espalhar.
Em cada verso, uma força reluzente...
Na tempestade, sou eu a chama ardente.
Depois de tudo, renasço em poesia,
Apesar de tudo, floresço em melodia.
No silêncio profundo, minha essência canta,
E a vida, enfim, reinventa-se forte e solene, e tudo ao seu redor encanta.

**Apague as velas**


No estranho silêncio da noite,
No escuro noturno
Sem estrelas,
Sem lua.
Uma vela segue a brilhar fracamente
Sua chama é comprida,
Maior que a vela em si
E ao redor da vela, só escuridão


Não, olhe novamente
Olhe direito
A noite está com estrelas
"Elas são tão pequenas, com a luz não dá pra ver" dizia eu quando criança
A ofuscante luz urbana apagou para exibir a beleza das luzes do espaço.


A vida precisou parar pra conseguir apreciar as estrelas
O tempo congelou, as estrelas continuam brilhando
Uma, duas, três horas
A madrugada me parece insuficiente pra olhar o vasto céu
De soslaio, a escuridão me cerca, mas meu foco está apenas na luz pura das estrelas
A paz se senta do meu lado enquanto olho as pequenas luzes
Pouco a pouco, vejo a lua ser costurada no céu


Porém, num piscar de olhos, o tempo volta a correr
Não há mais intervalo para olhar o céu
O céu, mesmo sempre estando lá, não está mais, não do jeito quando escuro
Agora os momentos que vejo as estrelas são raros
Essas lembranças são nostálgicas, longínquas
Desejo que as estrelas brilhem para mim novamente

“Escrever com alma é deixar que as palavras respirem o invisível, transformando silêncio em sentido e emoção em eternidade.”


Roberto Ikeda - livros

Almas Gêmeas

Quando ti ouço no silêncio da noite,
Com as palavras lindas e na medida,
Busco seus lindos lábios como açoite,
Liberando a grande paixão escondida.

Sinto vontade de ti junto estar,
Pois sinto de ti muita saudade,
Ao teu lado querendo sempre ficar,
Em todo lugar até na eternidade.

Procurando seu carinho encontrar,
Louco pra sentir do seu corpo o calor,
Com muita alegria seu rosto acariciar,
Na sintonia da vida ganhar seu amor.

Ouço as fortes batidas de seu coração,
Muita das vezes bem descompassadas,
Talvez seja momento de grande emoção,
Jamais a deixarei desacompanhada.

Sempre desejando sem medo se amar,
Com nossos corações em harmonia,
Buscando nossos corpos entrelaçar,
E os nossos sentimentos em sintonia.

Se amar é querer sempre juntos estar,
Tenho a certeza que morrerei ti amando,
Pois nem o tempo conseguiu nos separar,
Em meu pensamento sempre ti desejando.

Felizmente posso abraçar e ouvir tua voz,
Podendo sentir de seu beijo a doçura,
Fomos um e outro e agora somos nós,
Vivendo e nos amando sem censura.

Du’Art 22/ 02/ 2014

Nas argênteas páginas lunares plenas
verso os meus laivos, trêmulos de estrelas,
no silêncio onde o tempo se enreda
em véus de névoa e luz serena.


Cada traço é um eco de saudade,
sussurrado ao vento sideral,
um murmúrio da alma em liberdade,
nas margens de um sonho abissal.


Riscam-se os versos em prata e ausência,
como quem canta e já se desfaz,
na órbita lenta da consciência,
que gira entre o nunca e o jamais.
✍©️@MiriamDaCosta

Pessoas de almas elegantes
nunca revidam à uma ofensa
o silêncio é virtude dos nobres.

Amar também é ser ausência,entender o outro
nos seus momentos de silêncio,sem questionar,
apenas compreender o que sua alma diz.

Um jeito ausente tão presente no olhar


Você chegou sem barulho, mas fez casa no silêncio.
Tem um jeito ausente tão presente no olhar... Corpo que foge pro mundo, olhos que ficam aqui, me achando em cada pausa.
Teu olhar não mente.
Diz "fica" quando você se cala. Diz "eu tô aqui" mesmo quando jura que foi embora.
E é nesse paradoxo que eu moro.
No amor que não faz alarde, mas permanece. Que me olha distraído e me encontra inteira.
No fundo, teu olhar é tua forma mais sincera de ficar.
E eu escolho morar nele.

CANÇÃO DO PESO DO ESPERAR.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.

No silêncio onde a alma reside
a voz ergue-se como prece antiga
um sopro que atravessa o vazio e pesa no peito
como lembrança de primaveras que não voltam.
É voz que brota da encruzilhada do tempo
onde esperam as horas que feriram o coração
cada nota uma cicatriz que o vento acaricia
cada pausa um mundo que se desmonta em saudade.
Ali está o peso do esperar
não como cárcere mas como testemunha
de todas as manhãs que nasceram desfeitas
de todos os sonhos que dormem sem amanhecer.
O canto é ponte sobre o abismo do ontem
é chama que dança na sombra do que foi perdido e mesmo na dor há uma luz tênue
que sussurra: - a espera é poema que se escreve com o ar -.
Que o eco dessa voz perpasse o tempo
como epifania de vida e de luto
e nos ensine a acolher o peso do esperar
como quem aprende a amar a própria própria espera.

Prefiro o doce silêncio da minha mente barulhenta ao barulho de bocas cheias, mas de mentes completamente vazias.

Não se chora apenas
com a noite estendida sobre o sono dos homens,
com o silêncio pulsando em poros de imperceptíveis silvos
trêmulos, sussurrantes, urdindo a trama de inúmeros aléns.

Não se chora apenas
com a solidão concentrada em firmes bosques,
num chão de sombras por onde as lágrimas se embebam,
e nem a palidez das estrelas seja um breve indício de presença.

Não se chora sempre de cara virada para um tranquilo muro.
Nem sempre se pode dizer: é da ausência, é da noite,
é do silêncio, é do deserto...
da planície vazia, do mar fatigante, do assombro enorme da treva...

Chora-se em pleno dia, à luz do sol, diante do mundo povoado.
Caem lágrimas em pedras quentes, com borboletas, flores, gorjeios,
nuvens brancas, moças cantando, janelas abertas, ruas alegres.

Alguma coisa em nós é maior e mais grave que as expansões da vida,
alguma coisa é maior que o candelabro azul do dia
com flores, pássaros, canções entrelaçados nos seus doze braços.

Nem é de nós, nem nos pertence.
Sentimos que é da terra e dos homens,
da desordem do tempo,
da espada das paixões sobre o peito do sonho.

Outrora, essa rua era
um enorme e denso silêncio.
Muitas árvores. Poucas pessoas.
Porém, o rio do barulho urbano
invadiu a rua e as casas.
E o silêncio se foi na correnteza
para nunca mais ser escutado.

Mas o melhor do abraço não é a ideia dos braços facilitarem o encontro dos corpos. O melhor do abraço é a sutileza dele. A mística dele. A poesia. O segredo de literalmente aproximar um coração do outro para conversarem no silêncio que dá descanso à palavra. O silêncio onde tudo é dito sem que nenhuma letra precise se juntar à outra. O melhor do abraço é o charme de fazer com que a eternidade caiba em segundos. A mágica de possibilitar que duas pessoas visitem o céu no mesmo instante.

Por seco e calmo ódio, quero isso mesmo, este silêncio feito de calor que a cigarra rude torna sensível. Sensível? Não se sente nada.
Senão esta dura falta de ópio que amenize. Quero que isto que é intolerável continue porque quero a eternidade.

Clarice Lispector
Uma aprendizagem ou O livro dos prazeres. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

O silêncio as vezes é fundamental para admirarmos ainda mais aquele que é especial. Admiro você, cada dia mais e mais, mesmo no silêncio sei que estas aqui comigo.