A mudez dos teus lábios, Tal qual o... BraZchi
A mudez dos teus lábios,
Tal qual o silêncio dos finados,
Leva-me a suplicar por teu regaço,
Só para esquecer deste poço.
Malditas essas odiosas glosas,
Que me ferem a alma pusilânime;
Reveste-as de poucas rosas,
Sem obstruir-lhes a essência,
Para manter a eficiência
Que só descobrirás de fato ao acertar-me.
Inefáveis são os teus olhos,
Assaz determinados ao escárnio,
Constituídos pelo brilho dos óleos.
Não pude perder o azo
Para dizer o que há muito senti,
Sem nada omitir
Sobre o nosso caso.
Carregas grandes fardos de desdém,
Que nunca te indaguei,
Nem mesmo me interessei,
Nem mesmo hei de te falar,
Pois não haveremos de nos ver;
Nem sabemos o que nos há de vir.
Não pude mais me conter
Ao carregar este fardo colossal,
Que tanto me faz mal.
Como poderei dele me livrar?
O teu contempto me agasta,
E suplico-te apenas um basta:
A volta dos teus olhos brilhosos
Contra os meus olhos lacrimosos.
