Poemas de saudade que traduzem memórias em versos
Lamento De Um Forrozeiro
Logo eu, que fui a tantas drilhas, vi o trem do forró, acompanhei com expectativa a montagem do palco, dancei quadrilha, representei: o padre, o véi bêbado, até mesmo o rei do milho, rasguei a chinela de tanto dançar na caminhada do cuscuz, e sem se falar naquela foto tradicional ao lado do mestre Vitalino, que tanto representa nossa cultura.
Eita negócio ruim!
Que Epidemia mulestada...
A está hora estava no Alto do Moura, defronte a Dona caipirinha, aguardando os "zamigos", ouvindo um autêntico forró, tomando uns "guaranás", e claro sem esquecer na vestimenta aquela camisa xadrez, para mostrar que entende de cultura e como é bom ser nordestino. E sem se falar nas amizades que todos os anos só faz aumentar.
Quando chega a noite, aquela roupinha organizada para ir ao pátio de eventos Luiz Gonzaga, aquela passada para ver os bacamarteiros, cantadores e os repentes, um olhar observador para ver a decoração da vila do forró, onde remete aquela vila que era dentro do pátio. Na volta era de lei encher o bucho.
Oh meu São João, não se esconda pois não vou aguentar muito, o coração tá apertado, a cidade tá cinza e silenciosa, os artistas estão com nó na garganta e os forrozeiros com as chinelas e roupas mofadas.
Mesmo com tudo isso sou muito grato a Deus por vivenciar momentos maravilhosos, obrigado #Caruaru por me ensinar tanto, agradecer ao forró e a todos os artistas que hoje nos mostra o tamanho da saudade. Mas sabemos que logo tudo volta ao normal, e forró que eu não dancei hoje será dobrado igual a tapioca.
Viva a vida,
O viva são João, fica na recordação.
Mesmo sem te ver, ainda posso sentir
Hoje faz um mês que eu não consigo dormir
Tento não falar e é difícil te ouvir
Tudo faz lembrar, dói não te ver aqui
As fotos que eu guardei
Os discos que ouvimos juntos
Tem você em tudo aqui
#PAI #ESTRELA
É bem triste...
Cheio de tantos ais...
Que me enchem a imaginação...
Ter um pai...
Que não está aqui mais não...
Com que sonho?...
Posso tentar dizer...
Sonhar com um pai...
Sem estar junto a você...
De possuir o que não mais possui...
No céu...
Uma estrela a brilhar...
Daqui da terra...
Só lembranças...
Saudades por ficar...
Você me ensinou a ser forte...
Sem ser durão...
Me carregou em seu colo...
Sempre me deu a mão...
Eu te amei muito...
Embora nunca tenha dito com palavras...
Continuarei amando para sempre...
De todo meu coração...
Existem pessoas bem pertinho de nós que amamos de montão...
Mas nunca falamos o quanto as amamos...
Por que tamanho engano?...
Seus conselhos guardo em minha memória...
A você pai que me deu a vida...
Me fez sentir que a vida faz sentido...
Foi mais que um pai...
Foi também o meu maior amigo...
Sandro Paschoal Nogueira
A minha dor vem dela, da lágrima represada na minha alma.
Não consigo chorá-la, essa lágrima cortante.
És insana, és de amor, és de saudade e dor.
Uma lágrima platônica, que vive do desejo do seu beijo.
Que em mim chora internamente, diuturnamente.
A brisa que vem daí, traz o seu perfume e desprezo.
Quero que chores de mim, que me deixes.
Derrame-se lágrima insana, esquece-te deste drama.
Busco a leveza de não sentir.
Quando me sufocas, trazes à memória o mais belo sorriso.
És lágrima sem juízo. Penso que derramar-te,
livraria-me da dor, de um tão sonhado e renegado amor.
Liberte-me lágrima, simplesmente saia.
E leves as memórias, as não vividas histórias.
Faze-mes ter o ar, seguir um novo rumo.
Libere o meu sorriso.
Se desencanta e derrama.
sua lágrima sem juízo.
O MORTO RIO VIVO
Era uma vez o nosso Rio Preto...
De águas tranquilas e escuras de lanolina,
onde banhávamos com alegria.
Ali, em meio a família, nós nos divertíamos.
Chegávamos em casa e não lavávamos os nossos cabelos, para que a lanolina permanecesse neles e os hidratasse com sua preciosa propriedade.
Quão saudável era aquele banho de água doce!
Bom para pele, bom para o cabelo, bom para a alma.
Saudade desse Rio Preto morto pelo homem;
Saudade de afundar meus pés na areia macia que ali existia;
Saudade de ver os moleques atrevidos saltarem da ponte para se aventurar nas águas desse tesouro;
Saudade de brincar de correr de um fantasma jacaré que diziam que ali havia;
Saudade do churrasquinho que papai fazia na beira do chamego Rio Preto lá no antigo Camping, que por sua vez nos recepcionava com um sorriso que só as crianças viam;
Saudade de correr em suas margens e catar os restinhos de lixo para levar de volta para casa, só para deixar o “meu riozinho” limpinho do jeito como chegamos de manhã cedinho para passar o dia com ele e só sair ao entardecer.
Saudade...
Só saudade do morto Rio Preto que ainda vive dentro do meu ser e que lá no seu lençol freático ainda luta pra viver.
24/01/2017
Limpeza d'alma
Caminho pela praia nua
numa manhã de chuva intensa
as águas escondem meus rastros,
minhas pegadas destes dias
em múltiplos tons de cinza
mas não apagam os meus anseios,
Caminho e liberto minh’alma
trazendo boas energias
Minha mente ficou ativa
e eu buscava todas as respostas
Muito mais leve eu fiquei
aguçando os sentidos.
Mesmo que meu pranto
ficasse misturado com as gotas de chuva
escorrem pelo rosto, deslizam
e limpam os sentimentos
São tantos erros que carrego
mas, dei um basta...
desejo simplesmente um novo começo
num reiniciar do meu HD
(DiCello, 14/08/2020)
Valorize enquanto tem,
Dê ouvidos enquanto pode ouvir,
Dê atenção enquanto estar ao seu lado.
Depois tudo passará e só restará lembranças.
Verso triste
Hoje eu resolvi ler
Todos os poemas que um dia eu fiz para você
Uma forma
Ainda que em lágrimas
Num último desejo
Tudo rever
A minha inspiração se perdeu num sonho lindo que um dia sonhei
As letras sumiram
As rimas também
Só ficaram lágrimas
E a saudade de você
Já não consigo mais juntar palavras para poemas fazer
So me restaram as tardes pálidas
Sem versos
Sem rimas
Sem você.
Ancestralidade
Primeiro antes de vir de onde eu vim
Me disseram que eu não tinha alma
Chegando aqui me disseram que eu deixasse meus Orixás para ter uma alma.
Mais me vi olhando para mim
Sozinho e sem alma
Doía olhar para aquilo que fizeram de mim
A dor em mim parecia perdi socorro, perdão...
Quando dei por mim já não era mais eu, tu e nem nós
Era só um corpo caminhando sem alma...
É quando sentimos na pele o sofrimento,
que percebemos o quanto as pessoas são importantes para nós!
Sempre fale que "Ama", não espere sentir falta para fazer a pessoa feliz com um gesto de amor e de carinho.
Doe esse amor e carinho,
enquanto tens por perto!
🙏🏼😔❤️
Ir embora de nós tem sido uma das coisas mais difíceis que eu já fiz
Sonhei com a gente hoje e acordei com a boca seca implorando pela sua. Eu juro que nos últimos dias a saudade estava ficando mais leve, seu cheiro está desaparecendo de mim. Nossas fotos já foram retiradas de todos os cantos da casa e guardadas dentro do armário, escondidas longe da minha vista, do mesmo jeito que eu queria poder fazer com o que sinto por você. Voltei a fazer as coisas que eu gosto, parei de andar pelos cantos com o celular na mão esperançosa de ouvir a sua voz, tenho saído mais e evito perguntar sobre você. É melhor não saber se já quer colocar alguém no meu lugar.
Quando eu acho que, finalmente, tô pronta pra encerrar o livro da nossa história, meu inconsciente me boicota só pra me fazer ver que cê nunca deixou realmente de existir em mim. E aqui estou eu, de novo, escrevendo sobre uma saudade que eu não posso matar, sobre alguém que eu já nem sei mais se é o meu alguém, sobre lembranças que já não são mais tão nítidas, sobre um passado que insiste em assombrar o meu presente na esperança de não deixar de ser futuro.
Eu vi você me pedir perdão e dizer que queria voltar a morar em mim, eu sorri e respondi pra você deixar de ser bobo, porque cê nunca saiu daqui. E aí eu acordei
com a sensação dos seus braços ao meu redor, do jeito que você fazia quando estávamos juntos. Eu quis tanto te ligar, quis tanto te contar que os dias estão mais leves, que o céu está mais claro, e que mesmo assim eu ainda sonho com você. Quis te dizer que essa noite eu lembrei que ainda tenho você tatuado em cada canto meu, que ainda existe uma chance para o nosso amor renascer, porque eu tô seguindo em frente, sim, mas ainda não consigo fazer isso sem olhar pra trás na torcida de te ver.
Ir embora de nós tem sido uma das coisas mais difíceis que eu já fiz. Não me deixa terminar de fazer isso.
Não tenho que esperar
Não preciso de tanta cautela
O amor é muito mais que isso
É momento de entrega
De dedicação
É fogo, é desejo
É pele e coração
Valorizo a intensidade
Um convite surpresa
Um " me deu saudade"
Um " quero te ver"
Depois o café esfria
O cigarro vira cinzas
Os minutos viram dias
Semanas, anos
E o que restara daquele amor?
Lindas lembranças, saudade ou dor?
Não importa com quem eu esteja;
Não importa onde eu vá;
Não importa o que eu faça;
Esse sentimento de solidão estará sempre comigo.
Carta para XY
24 de Agosto de 2020
Há duas madrugadas venho sentindo sua falta. Tenho pensamentos de saudade. Penso se se casou ou tem alguém. Gosto de imaginar que você mudou e é um homem melhor agora. Mas em alguns momentos eu me permito sonhar um pouco.
Em algum lugarno tempo eu cheguei no momento certo e disse a coisa certa. Em algum lugar no tempo você sorri ao me ver. Em algum lugar no tempo você sente a minha falta também. Mas nesse lugar do tempo chamado presente eu estou sozinha com a saudade.
Falta
A perda é singular
E eu não imaginara
Que em mim teria
Tanta voracidade
Até sentí-la
A aflição da saudade
Me mantém vivo
Entristecidamente vivo
Sobre falsos sorrisos
E gestos calmos
Me mantenho
Para nunca mostrar
A dor da falta
Na minh'alma
Sempre aqui
Não vai passar
Estará sempre aqui
Nem sempre leve
Nem sempre um peso
Mas perpetuamente aqui
E a todo momento sentido
Às vezes doído
Às vezes garrido
Mas jamais se retira
Peito aperta
Mente reza
Peito alivia
Mente agradece...
Sai ano, entra mês
Vontade e medo do abraço se entrelaçam
Qual é maior: a dúvida ou a espera?
Certeza uma só: Não vai passar!
Estará sempre aqui
Pulsando internamente no meu lado esquerdo
E quando não houver mais pulsar,
Aperfeiçoar-se-á.
E comigo transcenderá!
Vai! Segue teu caminho!
Alegra o semblante, dá passos resolutos.
Não olhes para trás,
É o teu chamado. Responde: Presente!
Desnecessário despedidas.
Acostumar-me-ei com tua ausência física.
Já te tenho gravado na alma.
Estranharei o não repousar dos meus olhos nos teus,
Mas tua imagem é tatuada em íris, retina e cristalino.
Todo o meu ser vê os contornos teus.
É certo: superarei também o não ouvir tua voz.
Vou imaginar que ensurdeci,
Parecerá que todos os órgãos do sentido encontram-se em desordem.
Mas sei: serás feliz!
É claro que também serei feliz!
A alegria é minha raiz etimológica.
Entanto, por ora, estão aflorados todos os sentidos.
Saudáveis, latentes, irracionais.
Não foram feitos para compreender;
Conhecem com seu jeito subjetivo, sublime...
Sinto já! Sinto agora!
Um líquido quente escorre;
Cachoeira salgada torrente sobre minha face
Alcança meus lábios (que insistem em tremer).
Passam minutos, horas, dias...
Eu só pensando em você,
Pensando em você,
Pensando em você...
É uma rotina bem-vinda!
Cada espaço do meu pensamento
Preenchido por seu cheiro, sua voz,
Olhares, dizeres, movimentos...
Como eu poderia me cansar?
Nada desejo nessa rotina mudar.
Como eu poderia me entediar?
Esse hábito quero eternizar!
É uma alegria, um encanto...
Dádiva divina eu recebi.
Acolho a graça de querer bem e tanto.
Amar você assim!
Minha resposta é um sorriso
Largo, pleno, radiante.
Sua presença em mim inspira,
Ilumina-me o semblante!
Que a força do meu pensar
Tenha o poder de o corporizar
Que você chegue sem demora
E eu possa, enfim, o abraçar!
Depois voltarei a pensar, a pensar, a pensar...
OUTRA RUA
Onde estou? Está rua me é lembrança
E das calçadas o olhar eu desconheço
Tudo outro modo em outra mudança
Senti-la, saudoso, no igualar esmoreço
Uma casa aqui houve, não me esqueço
Outra lá, acolá, recordação sem herança
Está tudo mudado do tempo de criança
Passa, é passado, estou velho, confesso
Estória de vizinhança aqui vi florescente
Pique, bola: - a meninada no entardecer
Hoje decadente, e conheço pouca gente
Engano? essa não era, pouco posso crer
Ela que estranho! Se é ela ainda presente
Nos rascunhos, e na poesia do meu viver...
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
Agosto de 2020, 31 - Cerrado goiano
Presença imaginada
Não foi um sonho, era presença;
Em delírios senti a tua essência;
Talvez, seja só a minha crença,
Fazendo meus pensamentos de escravo.
Aprisionando-me na inventividade;
portando-me aos devaneios que me conduz;
Inenarrável foi senti-la por um instante;
Mesmo tendo findado ao nascer da luz.
Percorrerei os caminhos da volta;
Desejando-te em meus vagueios constantes;
Atento! Sem perder um só instante.
Me disporei ao silêncio e à renúncia
“Anônimo e abstrato eu voarei “
Em busca do enigma de nós dois.
